terça-feira, 18 de outubro de 2016

"Suffragettes Não Podem Salvar o Feminismo" por Hannah Wallen

Nota do Tradutor Bastardo: Porque é sempre muito bom desfazer algumas mentiras e propagandas políticas por aí, sabe?
Neste breve artigo, Hannah Wallen fala um pouco da desonestidade feminista ao alegar que as suffragettes foram as responsáveis máximas, quando não únicas!, pelo direito ao voto, quando elas no máximo eram "elitistas, racistas" e todos os outros "istas" possíveis e cabíveis.
Enfim, apreciem a leitura:

Suffragettes Não Podem Salvar o Feminismo

Feministas incapazes de defender-se das críticas à sua história de influência regularmente retornam à carta-do-sufrágio. Simplificando, feministas alegam que o movimento suffragette implica que o feminismo é responsável pela possibilidade de as mulheres exercerem seu direito ao voto. Elas apresentam a carta-do-voto emoldurada numa crença de que antes do ativismo das suffragettes as mulheres estavam universalmente impedidas em seu direito ao voto, o qual era universalmente desfrutado pelos homens, ou ao menos pelos homens não negros. Ela é geralmente oferecida como uma jogada para se livrar das críticas, como se uma coisa redimisse toda a história de retórica misândrica, alegações não demonstradas, e agitação por leis e políticas discriminatórias do movimento. Não, isto não redime, mas mesmo que redimisse, há outro problema com esta crença.

A História não dá apoio a essa posição.

Historicamente, homens não tinham o sufrágio universal que as suffragettes exigiam para as mulheres. Direito ao voto era ligado a toda espécie de termos e condições. Além disso, havia exemplos (com as mais emergentes) de mulheres votando antes do movimento do sufrágio feminino.

Um destes exemplos é o de um documento recém-descoberto listando mulheres inglesas eleitoras numa eleição que ocorreu em 1843, 75 anos anterior à legislação que reconhecia o direito de voto das mulheres em 1918. Naquele tempo, o sufrágio para os homens não era universal, mas limitado às classes superiores, com vários grupos agitando-se para reformas parlamentares ao longo dos século XIX e começo do XX. As mulheres relacionadas no documento de 1843 tiveram que corresponder aos padrões impostos aos homens. Elas pagavam uma taxa, e isso determinava como seu voto era contado. Note que o artigo menciona que a alta taxa paga por Grace Brown lhe deu quatro votos, enquanto aqueles que pagavam menos só tinham um voto. Estas mulheres também desfrutavam de um privilégio negado a homens que não correspondiam aos requerimentos legais para o voto. Homens adultos que não eram cabeças de família não podiam votar.

Antes da formação dos Estados Unidos, o voto nas colônias era largamente governado pelos mesmos padrões da Inglaterra. Porém, ao contrário da crença popular, mulheres não eram universalmente impedidas de votar. Assim como as mulheres do documento inglês de 1843, mulheres americanas que votavam antes do século XX o faziam sob as mesmas condições e termos encarados pelos homens, salvo por uma diferença: mulheres não eram e ainda não são sujeitas ao alistamento militar em tempos de guerra.

Um exemplo interessante das primeiras mulheres a votar antes do sufrágio universal feminino é a colônia de New Jersey, onde o gênero não era um fator nos direitos de votação até o partido Democrático-Republicano, que eventualmente se tornaria o Partido Democrata, retirou o voto das mulheres, minorias, não-cidadãos e pobres de Jersey em 1807 em razão de conflito entre o seu partido e os federalistas.

Mesmo após os EUA se tornarem uma nação, o sufrágio dos homens não era universal. Os direitos de voto continuaram evoluindo ao longo do século XIX, que estabeleceu lentamente a eliminação dos direitos de propriedade sobre o curso de décadas. Depois que a 15a. Emenda foi ratificada, reconhecendo cidadania aos homens negros e direitos de voto, estados sulistas firmaram as "cláusulas dos avós" para reduzir-lhes os direitos, e usou leis Jim Crow e taxas de votação para livrarem-se de reconhecê-los até o sucesso do movimento pelos direitos civis em meados do século XX. Isto permitiu às mulheres abastadas e de classe média votar, enquanto muitos homens e mulheres pobres e minorias eram mantidas longe das votações.

Em 1876, a suprema corte determinou que nativos americanos não eram cidadãos como definidos pela 14a. Emenda, e portanto não podiam votar. Em 1890, lhes fora informado que eles poderiam requisitar tornarem-se cidadãos naturalizados em sua própria terra ancestral. Leis negando cidadania a vários imigrantes asiáticos foram firmadas em 1822 (exceção chinesa) e 1922 (imigração japonesa). Em 1919 nativos americanos e em 1925 filipinos foram informados que eles poderiam conquistar cidadania arriscando suas vidas servindo nas guerras americanas. Várias estipulações, incluindo leis Jim Crow e taxas de votação, deixaram a maior parte da população indígena dos EUA e seus territórios, junto com a maioria dos imigrantes asiáticos, e muitas minorias, sujeitos às regras do governo americano sem representação por oficiais a favor de (ou contra) aqueles que tinham direito de votar - a mesma injustiça que iniciou a guerra revolucionária. Asiáticos não viram seus direitos a voto universalmente reconhecidos até o McCarran-Walter Act de 1952. O direito ao voto dos nativos americanos não foi totalmente reconhecido até 1957, 37 anos após a 19a. Emenda reconhecer o direito das mulheres ao voto... 12 anos antes de o primeiro homem andar na lua. Não foi até 8 anos após os nativos americanos foram reconhecidos, 4 anos após a primeira viagem espacial americana tripulada e 4 anos antes de colocarmos o homem na lua, que o Voting Rights Act foi firmado, protegendo os direitos de voto de todos os negros e outras minorias. Mulheres brancas abastadas podiam votar em 1920. Homens e mulheres negros empobrecidos não tiveram verdadeiramente este direito até 1965.

Feministas que pintam a história do sufrágio em termos tão extremos de gênero o fazem ou por ignorância ou por escárnio à realidade. As dores do crescimento da civilização ocidental não têm sido claramente bem definidas, nem o peso da influência do feminismo na evolução dos direitos de voto. Foram lutas tanto separadas quanto em conjunto por muitos grupos destituídos que trouxeram a reforma do voto na Inglaterra e nos Estados Unidos, incluindo mas não limitando-se aos direitos das mulheres.

O movimento suffragette é apenas mais um exemplo de feministas abordando um problema humano como se somente mulheres fossem impactadas e somente elas merecessem socorro.

Um rápido adendo: O Enlisten act oferecia cidadania a imigrantes ilegais nos EUA se eles se juntassem às forças armadas.
META
Título Original Suffragettes can't save feminism
Autor Hannah Wallen
Link Original http://breakingtheglasses.blogspot.com.br/2014/07/suffragettes-cant-save-feminism.html
Link Arquivado https://archive.today/CZlbw

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