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domingo, 19 de fevereiro de 2017

"Agora Todos os Homens São Tom Robinson" por Dean Esmay

"O Sol É Para Todos": Agora Todos os Homens São Tom Robinson

Nota dos Editores: Harper Lee, autora de O Sol É Para Todos, faleceu hoje [1]. Como recordação, nós repostamos esta clássica análise desta história sob o prisma dos Direitos dos Homens e Meninos feita por Dean Esmay.

Recentemente fui perguntado sobre alguém ainda aprendendo sobre o Movimento pelos Direitos Humanos dos Homens se existiam quaisquer livros, filmes, ou outras mídias que fossem geralmente populares com ou ilustrativas do que o movimento se trata. Ele ficou realmente surpreso quando mencionei a obra-prima de Harper Lee, O Sol É Para Todos [2]. Para mim isto foi engraçado; eu acredito que esta obra-prima de Harper Lee é mas relevante hoje do que nunca.

Talvez uma das grandes tragédias de se forçar crianças a "ler os clássicos" enquanto estão na escola - e O Sol é Para Todos é leitura assinalada em escolas em toda a América do Norte - é que elas não aprendem a amar livros como esse, elas aprendem a vê-lo como tarefa. Assim elas passam tão rapidamente por eles quanto podem, e então os esquecem. Por outro lado, talvez seja uma bênção escondida, já que um artigo como esse pode repentinamente induzi-los a lembrar do livro, e olhá-lo novamente como adultos.

O que a maior parte das pessoas vagamente lembra sobre O Sol É Para Todos é que ele é um filme sobre racismo no Velho Sul da América. E enquanto o racismo é um componente inegável da história, um exame mais aprofundado mostra que trata-se de bem mais, e que se a única lição que se pode traçar é "racismo é mau", nós perdemos quase tudo do livro. De fato, enquanto Harper Lee é notoriamente avessa a falar com a imprensa ou falar de seu próprio trabalho, de acordo com múltiplas [3] fontes [4], em 1962 ela disse isso ao Birmingham Post-Herald:
Meu livro tem uma temática universal, não é uma novela 'racial'. Ele retrata um aspecto da civilização. Eu tentei mostrar o conflito da alma humana - reduzido a seus termos mais simples. É uma novela sobre a consciência do homem ... universal no sentido que poderia acontecer a qualquer um, em qualquer lugar onde pessoas vivem juntas...

Por feliz coincidência, se te falta tempo e paciência para ler novelas (mesmo que eu tenha escrito uma novela eu mesmo, eu raramente tenho a energia para livros), a adaptação em filme de 1962 é uma obra por si mesma, largamente disponível, e consegue ser um dos poucos casos em que um filme é fiel a ambos a substância e espírito do livro.

Se você esqueceu-se ou nunca leu o livro ou viu o filme, eu vou dar uma curta sinopse aqui, desavergonhadamente copiada do Sparknotes e algumas outras fontes online. E sim, alerta de spoiler, estou entregando toda a história aqui:

Situado durante a Grande Depressão, uma menina pré-adolescente de nome Jean Louise Finch, que insiste em ser chamada pelo seu apelido Scout, vive om o irmão Jeremy ("Jem") e seu pai viúvo Atticus. Atticus Finch é um advogado e apesar da terrível economia os Finch estão razoavelmente bem cuidados e educados se comparados ao restante da sociedade.

As crianças fascinaram-se por uma casa próxima, velha e assustadora, chamada "o palácio de Radley", onde um homem branco recluso de nome Arthur "Boo" Bradley viveu por muitos anos. As crianças criam historinhas e jogos sobre o cara estranho e certamente doente mental, Boo Radley, mas quando Atticus descobre isto ele ensina as crianças sobre não fazer julgamentos sobre as pessoas que não se conhece e também tentar ver a vida pela perspectiva de outra pessoa antes de traçar conclusões. Uma série de eventos esquisitos acontece nas redondezas da cidade, e de alguma forma misteriosa parece que Boo Radley possa estar de alguma forma envolvido.

Então a cidade fica em polvorosa quando uma mulher branca de nome Mayella Ewell alega que foi espancada e estuprada, e acusa um homem negro chamado Tom Robinson de ser o culpado. Atticus concorda em defender Tom Robinson, e como muitos da cidade assumem a culpa de Robinson, Scout e seu irmão são submetidos ao abuso das outras crianças bem como o povo da cidade, enquanto o próprio Atticus também sofre ameaças:

Enquanto Robinson espera na cadeia pelo julgamento, uma multidão se reúne para confrontá-lo e possivelmente linchá-lo. Atticus os encara, e é aparentemente salvo em parte pelas próprias crianças:

No fundo da história, o misterioso Boo Radley parece ainda estar furtivo, e por vezes até parece ser ele a parte culpada, ou de alguma forma envolvida. Por outro lado, há razão para especular que talvez sequer tenha ocorrido o estupro. Ainda assim, enquanto lemos, parece que houve um ataque, e talvez o estranho e recluso Boo esteja envolvido de alguma forma. Mas ele é um homem branco, e as autoridades legais e os habitantes da cidade podem estar ignorando-o porque, bem, ele é branco. É tudo muito misterioso.

No julgamento, Atticus fornece evidências convincentes de que Tom Robinson não pode possivelmente ter estuprado Mayella Ewell e, de fato, mostra que não há evidência alguma que ela tenha sido estuprada, mas apenas atacada. Mayella, filha de um homem pobre, e ela mesma também pobre, usa xingamentos e histrionia a fim de tentar calar os quesntionamentos de Atticus sobre sua história de estupro:

Há uma clara falta de evidências da culpa de Robinson, e forte evidência inocentadora sugerindo que ele não era sequer fisicamente capaz seja do alegado estupro seja do assalto físico. Atticus até mesmo produz evidências que o real culpado que que atacou Mayella é provavelmente seu pai, que bateu nela a fim de puni-la por beijar um homem branco, e que sua real motivação em mentir é para evitar ser envergonhada a seus olhos e aos da população da cidade. Os argumentos finais de Atticus em defesa de seu cliente são aparentemente impossíveis de esquecer:

E ainda assim, ao final, baseado em nenhuma evidência mas somente na palavra da mulher, um júri de brancos condena Tom Robinson. O jovem, tolo, semi-letrado e vem pobre Tom Robinson tenta então escapar da prisão, e é morto na tentativa.

Apesar do veredicto de culpado, o pai de Mayella Ewell, Bob, sente que Atticus Finch o desonrou com a evidência de que ele teria batido em sua filha. Ele ameaça a viúva de Robinson, tenta invadir a casa do juiz, e finalmente até mesmo ataca Jem e Scout enquanto eles andam sozinhos para casa à noite - só para ser repentina e inesperadamente interrompido pelo estranho recluso Boo Bradley, que acidentalmente mata Bob Ewell com uma faca enquanto tenta defender as crianças. Boo Radley era um homem decente afinal de contas, e fora apenas culpado se ser estranho.

No fim de tudo, Scout nota que seu pai estava certo sobre se colocar nos sapatos das outras pessoas, e que preconceito não é algo que apenas as outras pessoas sofrem, mas algo que todos os seres humanos, ela mesma inclusa, precisam estar atentos.

E, a propósito, se você passou pela história e as palavras "Ei, Boo!" ao final não derreteram seu coração, você é feito de pedra - e realmente não entendeu nada do livro afinal.

Certamente O Sol É Para Todos retrata racismo. Mas em um nível muito mais profundo, como a própria Harper Lee afirmou, a história não é sobre raça. Não, é sobre preconceito. E enquanto provavelmente este não era seu intento, o livro também ilustra o fato que, por séculos, a melhor forma de deixar as pessoas irracionalmente irritadas e defensivas é acusar um "homem mau" de machucar uma mulher.

Como Alison Tieman mostrou em sua extraordinária série Threat Narrative, no capítulo Son of Threat Narrative: The Ugly Tropes:
As vulnerabilidades de uma nação, etnia, classe são sempre incorporadas por suas mulheres. Por causa disso, as mais poderosas figuras de narrativa revolvem-se num conceito simples: "Eles vão atacar nossas mulheres!".

Esta é bem auto-explicativa, mas eu gostaria de notar uma progressão particular nestas narrativas de ameaça: elas são corretamente identificadas como classistas, racistas, e anti-semitas quando são direcionadas contra homens negros, homens chineses, homens judeus, homens irlandeses, mas quando são direcionadas e qualquer outro grupo de homens [ enquanto homens ], elas de alguma maneira morfam em "justiça social progressiva".


O enredo central de O Sol É Para Todos é sobre um homem falsamente acusado de estupro, e uma comunidade inteira que presume que ele é culpado e presume que todo aquele que o defenda é escória, enquanto nós algumas vezes somos levados - muitas vezes por nossos próprios preconceitos - a crer que outro homem inocente é culpado (de uma coisa ou outra) simplesmente por ser estranho: "estranho" implica "diferente", "diferente" implica "perigoso", não sabe?

Eu já disse muitas vezes que nós enquanto homens somos todos Tom Robinson agora. Eu tenho visto pessoas coçando suas cabeças em confusão sobre isso, ou tornando-se imediatamente irritadas comigo, sugerindo que esta história é sobre racismo no Antigo Sul - ainda que em uma das poucas entrevistas que ela já deu sobre seu próprio trabalho, Harper Lee inequivocamente estabelece que o livro não é sobre racismo afinal.

O que Harper Lee quis que pensássemos sobre, além de sua história realmente boa, é sobre preconceito, e a falta de empatia que nós desenvolvemos quando não tentamos entender outras pessoas como pessoas em si mesmas - a empatia que vem de se colocar nos sapatos de outras pessoas.

O que muitos dos Ativistas pelos Direitos Humanos dos Homens e meninos notam é que, desde que O Sol É Para Todos foi lançado, em vez de nos tornarmos uma sociedade mais iluminada que acredita que um homem negro merece o direito básico a um devido processo e a presunção de inocência que devem ser direitos de nascimento de todas as pessoas livres, nós nos tornamos mais "iluminados" colocando presunção de culpa em todos os homens.

Além disso, considere o contexto em que Harper Lee escreveu sua obra-prima: não havia nada chocante em sugerir que uma mulher pudesse mentir sobre estupro; as audiências americanas de 1960 estavam chocadas pela natureza inter-racial do relacionamento, mas não pela ideia que uma mulher pudesse mentir sobre um estupro inexistente. Mesmo as jovens crianças do livro, longe de ficarem "apavorados" ou traumatizados pela ideia de que assaltos sexuais ocorressem, discutem a ideia racionalmente e gastam algum tempo cogitando entre si se Tom Robinson a estuprou ou se ela foi ou não estuprada afinal.

De fato, enquanto tornou-se tabu sujeito a discussão na academia, voltando aos 1990, o pesquisador herético Eugene Kanin descobriu, enquanto estudava por que mulheres em particular mentiam sobre estupro, que as razões mais comum eram "... servir a três principais funções para os litigantes: prover um álibi, buscar vingança, e obter simpatia e atenção. Falsas alegações de estupro não são consequência de uma aberração ligada a gênero, como frequentemente alegado, mas refletem esforços impulsivos e desesperados de abordar com situações de tensão pessoal e social".

O que, a propósito, é exatamente o que Harper Lee nos mostra em sua obra de 1960, dado que a história deixa absolutamente claro que Mayella Ewell estava mentindo para proteger sua família e acobertar a humilhação pública de ter beijado um homem negro - um homem negro que tinha rejeitado seus avanços e tentou fugir dela.

Avançando para nossos dias, enfurece as pessoas sugerir que falsas alegações acontecem com qualquer frequência significativa, e nos é dito que mesmo que uma mulher não minta, isto não importa pois a maioria dos estupros é acaba não sendo reportada de qualquer modo - o que, como Angry Harry tão eloquentemente explicou, é uma afirmativa desprovida de significado porque não existe ligação entre falsas alegações e alegações que acabam não reportadas.

Além disso, mesmo se falsas alegações de estupro fossem muito raras, o fato é que as consequências de uma são frequentemente piores que um real estupro: um homem falsamente acusado pode ter sua vida arruinada, pode ter sua família destruída, pode ser estuprado na prisão, ou, como no caso de Tom Robinson, pode ultimamente terminar morto, o que continua a acontecer até hoje.

Líderes dos Defensores dos Direitos Humanos perguntam uma questão simples: Nós de fato nos preocupamos apenas com mulheres, ou de fato nos preocupamos com justiça para todos?

Alguns podem chamar isso de "progresso" ou "justiça social", que tratemos todos os homens acusados tão malignamente quanto Tom Robinson foi tratado no clássico livro de Harper Lee, mas eu penso que isto seria abaixar demais o nível. Que tal tratar todos os homens melhor do que Tom Robinson foi tratado?

Eu já disse antes e direi de novo, e não me importo com quem isso possa ofender, porque a verdade é ofensiva. Quando acusados, todos os homens são presumidos Culpados Até Que Se Provem Inocentes. Em outras palavras:

Agora somos todos Tom Robinson.


PostScript: enquanto pesquisando para este artigo, eu descobri uma alegação (na ideologicamente contaminada e nada confiável Wikipédia) que ninguém jamais tentou editar uma tese de doutorado sobre O Sol É Para Todos, o que, se for verdadeiro, não deve surpreender. Enquanto esta é uma das novelas mais aclamadas do século XX, vencendo não apenas popularidade mas um número imenso de prêmios e traduzido em incontáveis línguas, é impossível fazer qualquer coisa mais que uma revisão superficial deste livro sem abordar o fato que seu enredo mais central e dominante é uma mulher que mentiu sobre ser estuprada.

Possivelmente durante os anos 1960 alguém pudesse ter escrito uma tese acadêmica sobre essa obra, mas aparentemente seria cedo demais quando o livro tinha menos de uma década de lançamento. Nos anos 1970, a doutrinação feminista tornou-se padrão na academia, e apesar do fato de erste livro ter sido escrito por uma mulher, e é indisputavelmente uma das maiores novelas dos últimos cem anos, ninguém vai dar a mínima: feministas os rotulariam apologistas do estupro, e qualquer feminista real que tentasse analisar o livro por si mesma provavelmente teria uma pane ideológica tentando falar disso sem desrespeitar seu autor - e desde que o autor é uma mulher, isto seria impensável.


Notas e Links
[1]http://archive.is/PTJs6
[2]O título original do filme é To Kill a Mockingbird (Matar uma Cotovia). A expressão é explicada em uma cena do filme - não vou dar spoiler!
[3]http://www.smithsonianmag.com/arts-culture/harper-lees-novel-achievement-141052/
[4]http://yourbookdon.com/2012/12/30/harper-lees-mockingbird-as-a-novel-of-white-southern-conscience/

META
Título Original To Kill A Mockingbird: All men are Tom Robinson now
Autor Dean Esmay
Link Original https://www.avoiceformen.com/mens-rights/to-kill-a-mockingbird-all-men-are-tom-robinson-now/
Link Arquivado http://archive.today/yHaZv

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"Mulheres Querem Mesmo a Igualdade?" por Nikita Coulombe

Mulheres Querem Mesmo a Igualdade?


Mulheres realmente querem igualdade? Esta é uma questão que eu penso que cada um de nós deve perguntar a nós mesmos. Porque eu francamente não penso que muitos de nós façamos, não a real igualdade de toda forma.

Feministas iriam querer que acreditemos que a vida é muito pior para mulheres que para homens, que somos fracas, e que o "patriarcado" está contra nós, e portanto nós merecemos toda sorte de programas e benefícios apenas para estar num campo nivelado com os homens. Mas o fato pleno é: aqui no Ocidente, estamos muito bem. De muitas formas melhor que os homens. E se nós realmente dermos uma observada na vida dos homens, podemos notar isso.

Muitas de nós não querem [1] pagar metade da conta nos encontros, não queremos trabalhar em serviços sujos e perigosos, não queremos ser alistadas se tiver uma guerra, não queremos ter que provar a uma Corte Judicial que nossos filhos dependem de nós depois do divórcio, e não queremos servir como guarda-costas não-remuneradas ou sermos as primeiras a descer as escadas quando se ouve um barulho estranho... e com sorte para nós, não temos que fazer tais coisas!

Porque homens fazem essas coisas. Voluntariamente. Todo dia. Eles não nos pedem um "obrigado" porque está embutido neles o servir, o doar. E, ainda que isso possa surpreender alguns leitores, homens fazem essas coisas porque eles amam as mulheres. Eles fazem tais coisas para nós tal que nós quem sabe os amemos de volta.

Mulheres devem receber o mesmo pagamento que homens por fazer o mesmo trabalho? Absolutamente. Mas a suposta "disparidade salarial" é cheia de manchetes enganosas e dados infundados. Homens trabalham mais horas que as mulheres, e escolhem especialidades que requerem maior responsabilidade. Por exemplo, mais mulheres estão agora participando das escolas de medicina, mas elas gravitam em torno de áreas como pediatria [2] em vez de cardiologia [3] e neurocirurgia [4], que trazem maiores riscos e responsabilidades, têm mais horas de demanda (veja aqui [5] e aqui [6]) e, por consequência, pagam mais [7].

Instituições estão tentando obter mais mulheres entrando nestes programas intensos e estão confusos sobre por que não conseguem elevar seus números. A razão é: mulheres não querem, portanto não vão! A divisa dos gêneros é na realidade mais pronunciada [8] em nações onde as mulheres têm a maior liberdade para perseguir a profissão que quiserem. Existe uma porcentagem maior de cientistas mulheres na Rússia ou na Turquia que no Canadá ou na Alemanha, por exemplo.

Estudos de longo termo revelam que mulheres preferem trabalhos mais significativos e conectados, que alteiam suas vantagens emocionais mas "conflituam com fazer rios de dinheiro e elevar-se em patamares", como discute a psicóloga Susan Pinker em The Sexual Paradox [9]:
Objetivos intrínsecos como fazer a diferença, ou pertencer a uma comunidade, estão geralmente em oposição direta a objetivos extrínsecos como procurar recompensas financeiras ou prestígio ... mulheres, em média, são motivadas por recompensas intrínsecas no trabalho ... Uma das descobertas foi que a influência das recompensas intrínsecas e autonomia no trabalho aumenta com o grau de educação da mulher ... mulheres mais educadas são também mais interessadas em trabalhar em meio-período, estimulando portanto o fenômeno de não-inclusão de duas formas - mediante sua procura por significado inerente no trabalho, e pelo montante de tempo que elas estão dispostas a comprometer para seus empregos.

E homens tomam menos tempo fora do trabalho depois que têm filhos - dando a eles mais experiência no trabalho e portanto maior potencial de ganhos. Em The Myth of Male Power [10], Warren Farrel fala sobre as três opções que uma mulher cogita quando tem um bebê:
  1. Trabalhar em período integral
  2. Ficar em casa em período integral
  3. Combinação dos dois: trabalhar em meio-período

Homens, por outro lado, cogitam estas três opções:
  1. Trabalhar em período integral
  2. Trabalhar em período integral
  3. Trabalhar em período integral [fazer hora extra pode ser mais uma opção!]

Em geral, diz ele, homens aprendem a amar suas famílias ficando distantes do amor de seus familiares, enquanto mulheres amam suas famílias ficando com o amor de seus familiares.

Mulheres falam sobre se vão ou não "dispor-se para casa ou para o trabalho", enquanto homens nunca tiveram a opção de "dispor-se para a casa". Isto dá aos homens uma vantagem financeira mas impede-os de dar e receber amor.

Em The Father and Child Reunion [11] Farrel escreve:
Mulheres fornecem um útero emocional, relacionado ao amor; homens fornecem um útero financeiro, que lhes tira de seu propósito - amar a apoiar a família, a fim de alcançar seu propósito - amar e apoiar a família. Homens amavam a família estando desconectados; mulheres amavam a família estando conectados. Tradicionalmente, o papel da mulher teve a vantagem do amor e a vantagem emocional.

Mais mulheres estariam dispostas a compartilhar suas vantagens de amor ou compartilhas as pressões financeiras de seus maridos?

Esta é uma consideração por vezes ignorada no debate da disparidade de gênero - se fosse aceitável para homens não ter que trabalhar tão intensamente, mulheres poderiam escolher trabalhos que pudessem gerar mais dinheiro. Porém, isto só aconteceria se mulheres desejassem real igualdade, porque homens seriam então valorizados por algo além de suas carteiras, assim como as mulheres o são.

Não obstante, mulheres largamente ainda querem estar com um homem que ganhe mais dinheiro [12] que elas, realimentando o ciclo em que elas ficam mais tempo fora da força de trabalho do que eles a fim de cuidar dos filhos.

Em Why Women Still Can’t Have It All [13], Anne-Marie Slaughter sugeriu que homens não tenham que fazer o tipo de sacrifícios e compromissos que mulheres fazem, que a hipótese que mulheres poderiam ter carreiras mais potentes se homens fossem dispostos a compartilhar a carga parental igualmente "assume que a maioria das mulheres sentir-se-á tão confortável quanto os homens acerca de estar distante de seus filhos, tão longo quanto seu parceiro está em casa com eles".

Em seu livro conseguinte, Unfinished Business [14], ela explica: "mulheres também encaram a responsabilidade muito mais cultural de serem as cuidadoras, e serem perfeitas nisso, que os homens. Mesmo no século XXI, a América parece perplexa sobre qualquer mulher que não pareça colocar o cuidado de seus filhos acima de sua vida profissional".

Mas quem está pressionando quem?

O que aparenta ser um homem escolhendo trabalho em vez de família é mais um homem sacrificando seus anseios de estar com a família em benefício da sua família.

Onde a mulher pode sentir que é egoísta ao passar tempo longe dos filhos, o homem pode sentir o oposto. Desde que lhe é esperado ganhar mais, ele sente que seria egoísta para ele trabalhar menos horas a fim de gastar mais tempo com as crianças porque ele estaria eliminando a segurança financeira de sua família.

O homem médio ganha mais dinheiro que a mulher média, mas o homem médio trabalha mais horas e está disposto a isso porque ele espera ser recompensado com amor quando ele paga as contas.

Enquanto isso, mulheres são recompensadas com amor quando reduzem suas horas ou saem da força de trabalho depois de ter filhos.

Cuidado infantil acessível permitiria mais mulheres permanecer na força de trabalho se decidissem assim, garantindo menos disparidade salarial em razão da experiência no trabalho. Mas há evidência que isto pode nem mesmo ser suficiente ou ser a solução correta. Mesmo na Suécia, um país com alguns dos mais generosos benefícios de licença parental, as mulheres ainda escolhem [15] ficar quatro vezes o tanto de tempo em casa que os homens, e alguns que inicialmente pensaram que queriam a ajuda do pai para cuidar do filho agora se encontram "invejando mais tempo em casa".

Outra preocupação é como a união de mais papéis tradicionalmente femininos e masculinos em mulheres e homens afetará a identidade de gênero e o sucesso do relacionamento. A questão permanece se ou não mulheres ainda acharão seus parceiros em casa mais atrativos que se eles fossem seus parceiros trabalhando.

Até o presente, parece que esse tipo de homem, por vezes referido como "macho beta", desliga as mulheres, Por exemplo, o psicólogo Lori Gottlieb descobriu que o risco de divórcio é mais baixo quando o marido ganha 60% da renda e a esposa faz 60% do serviço doméstico, e mulheres reportam [16] níveis superiores de satisfação sexual quando há uma divisão mais tradicional de tarefas.

Em outras palavras, iguais oportunidades não necessariamente produzem iguais resultados, e desvios econômicos e mudanças socialmente prescritas nos relacionamentos em direção à "mesmice" não necessariamente resultam em atração sexual e sucesso no relacionamento, coisas essas que não podem ser forçadas.

Ser um homem e um parceiro em casa não é visto como valorosos e não comunicam o comportamento de macho alfa, ao qual muitas mulheres são atraídas [17]. De fato, mesmo quando mulheres se tornam mais financeiramente independentes, elas desejam parceiros mais velhos e mais ricos.

As pilhas foram levantadas, não equalizadas, pelo movimento das mulheres, ao menos para homens. E homens acompanharão qualquer moeda de troca que as mulheres estejam aceitando - significando que eles se adaptarão a qualquer sistema que os recompense.

Crianças assimilam essas mensagens sobre recompensa e valor do amor do pai de formas sutis. Por exemplo, na série de livros Harry Potter, apesar de ambos os pais de Harry, James e Lily, darem sua vida para salvar o filho, apenas a mãe recebe o crédito.

Quando Harry era criança, o mago maligno Lord Voldemort descende ao esconderijo da família por causa de uma profecia em que Harry irá crescer e destruí-lo. James grita para Lily pegar Harry e fugir a fim de que ele possa segurar Voldemort. Ele morre protegendo-os, e então Lily morre protegendo Harry, mas por causa de seu amor, a maldição assassina de Voldemort ricocheteia e o danifica irreparavelmente, deixando Harry com a famosa cicatriz em formato de raio na sua testa.

A mensagem primária é que o amor é mais forte que o ódio. A mensagem secundária é que o amo de uma mãe é mais poderoso que o de um pai, e que a morte da mãe é mais profunda.

Ninguém fala sobre a mensagem secundária porque ela está muito enraizada. O que é surpreendente é que dada a popularidade da série, poucos leitores tomaram a questão do fato que as ações de James e Lily tiveram a mesma consequência e mesmo assim o sacrifício dela foi mais valioso. Esta é mais uma de muitas instâncias em que o propósito do homem é visto como secundário à conexão mãe-filho.

A mensagem que homens ainda estão assimilando é que eles devem prover financeiramente para permanecer relevantes. Em algum nível, meninos sabem que um homem com pouco potencial de ganhos é menos propenso a encontrar uma parceira desejável e é mais propenso a acabar divorciado; eles sabem que uma significativa porção de seu valor e desejabilidade está diretamente atrelada a seus potenciais ganhos (veja aqui [19] e aqui [20])

Meninos também captam o estigma contra pais caseiros - uma pesquisa recente [21] da Pew Research revelou que 51% das pessoas diz que crianças estão em melhor situação se suas mães ficam em casa enquanto apenas 8% sente o mesmo sobre os pais.

Este é provavelmente o porquê de mulheres comporem a maioria dos graduados universitários, e mesmo assim homens são ainda maioria [22] nos campos de Ciência&Tecnologia.

Baseados nas proporções e e diferenças de ganhos, em uma primeira olhada, pode parecer discriminação contra mulheres, mesmo assim ambos os sexos sabem de antemão que a rota da Ciência&Tecnologia mais provavelmente levará a maiores rendas.

Uma razão por que homens e mulheres diferem em escolhas maiores é que eles simplesmente têm preferências diferentes. Por exemplo, homens iriam trabalhar [8] com materiais inorgânicos enquanto homens preferem trabalhar com coisas vivas e mulheres matematicamente dotadas são mais propensas a ter fortes habilidades verbais que homens matematicamente dotados, dando-lhes um leque maior de escolhas de carreira.

Outra razão para homens e mulheres diferir é que mais geralmente homens têm que pagar o seu próprio caminho. A tendência de genitores gastando mais na educação de seus filhos meninos nos anos 1970 não apenas equalizou nos anos 1990 mas reverteu final dos anos 2000; genitores agora gastam 25% mais dinheiro na educação das filhas do que na de seus filhos.

Também, existe uma penitude de disciplinas oferecidas a pessoas de todos os sexos e etnias, mas mais disciplinas - tanto acadêmicas quanto atléticas - são oferecidas exclusivamente a mulheres que a homens. Por exemplo, em scholarships.com - um dos sites mais populares para procurar e inscrever-se nos EUA - disciplinas para mulheres superam o de homens na proporção de quatro para um.

Mulheres têm outras vantagens quando se trata de saúde e bem-estar. No mundo todo mulheres vivem mais [23] que homens. Uma quantidade ligeiramente superior de homens é diagnosticada com câncer de próstata em comparação à de mulheres diagnosticadas com câncer de mama, mesmo assim pesquisa sobre o câncer de mama é mais financiada com subsídios federais em relação ao câncer de próstata na razão de quase dois para um (veja aqui [24] e aqui [25]). Homens morrem a taxas mais altas [26] de praticamente todas as quinze maiores causas de morte; as maiores diferenças estão em doenças do coração, suicídios e injúrias fatais causadas por acidentes não-intencionais. Homens também superam mulheres em trabalhos perigosos. 92% das fatalidades de trabalho [27] na América é mnasculina. Construção é responsável pela maioria dessas mortes, com a maioria dos acidentes ocorrendo de quedas e escorregadas.

Mulheres são mais propensas a terem pensamentos suicidas em relação aos homens, porém suicídio masculino é quatro vezes o total do feminino, representanto 4 em cada 5 nos EUA. De fato meio milhão de suicídios [28] masculinos poderia ser evitado nos últimos quinze anos - por volta do mesmo montante de pessoas que morreram na epidemia de AIDS nos EUA até o presente. E homens perfazem a maioria [29] dos sem-teto, tanto abrigados quanto desabrigados. Isto inclui homens veteranos, que perfazem uma porção considerável da população de rua nos EUA.

Em outras palavras, muitos homens são invisíveis. Quando homens não estão ativamente contribuindo para o sistema, o sistema esquece deles. O "patriarcado", portanto, não se preocupa com os homens também. Como disse o psicólogo Roy Baumeister [30], "O que aparenta ter funcionado melhor para as culturas é colocar os homens uns contra os outros, competindo por respeito e outras recompensas que acabam distribuídas muito desigualmente". Enquanto mulheres são recompensadas por "ser", homens são recompensados por "fazer" - "Homens têm que provar a si mesmos produzindo coisas que a sociedade valoriza ... Esta insegurança social básica da homenidade é estressante para os homens ... mas esta insegurança é útil e produtiva para a cultura, para o sistema".

Mulheres vivem num mundo muito mais amigável, muito menos assassino. Como mulher, quando ando na rua, eu posso sorrir para as pessoas e elas sorriem de volta. Eu posso sorrir para crianças, e ninguém pensará que sou pedófila. Se eu chorar, as pessoas me confortarão. Se eu me sentir discriminada, as pessoas me ajudarão. Se eu for sexualmente atacada, as pessoas acreditarão em mim - exceto se a evidência provar o contrário. Homens não podem dizer o mesmo.

Você sabe o que é pior que cantada de rua? Ninguém te acenando. Jamais sentir-se desejável. Sempre ter que tomar a iniciativa sexualmente e acabar rejeitado a maioria das vezes. Um dos privilégios de ser mulher é que não temos que pedir por consentimento afirmativo porque não temos que tomar iniciativa e portanto não somos vistas como responsáveis ou encarregadas por qualquer coisa que acontecer. Com certeza sou menor e mais vulnerável fisicamente, mas a qualquer momento posso acusar qualquer homem de dizer algo sexista ou de tocar-me de maneira inapropriada e ele pdoe perder seu emprego e sua família. Ele é culpado até provado inocente. Mesmo que ele seja inocentado, eu não encararei repercussão alguma.

Ultimamente, se nós realmente quisermos igualdade nós estaríamos nos perguntando com a vida realmente é para eles. Porque enquanto os papéis masculinos estiverem limitados, os femininos também estarão. Se realmente queremos igualdade, deveríamos faalr de iguais responsabilidades juntamente com iguais direitos; nós deveríamos ter conversas honestas acerca das diferenças biológicas e da atração. Até fazermos tais coisas, nós nos encontraremos em um contínuo bloqueio, reclamando de tais coisas triviais como manspreading e nos perguntando por que não podemos ter tudo enquanto erroneamente pensando que homens tenham tudo.


Notas e Links
[1]http://archive.is/aJ0Q8
[2]https://www.aap.org/en-us/about-the-aap/departments-and-divisions/department-of-education/Documents/women_med_demographics.pdf
[3]http://archive.is/axGjh
[4]http://archive.is/c6itM
[5]http://archive.is/BESBj
[6]http://archive.is/qCOlF
[7]http://archive.is/1CIc4
[8](1, 2) http://archive.is/Z0B0K
[9]http://www.amazon.com/gp/product/0743284712/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=0743284712&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=G4FPHTJWX3CBE5XT
[10]http://www.amazon.com/gp/product/B00IDHV5EM/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=B00IDHV5EM&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=WR2B5X2BSWUH65EV
[11]http://www.amazon.com/gp/product/B004YQQSBQ/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=B004YQQSBQ&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=5HH7X5BB3OITMNCC
[12]http://archive.is/VjcxL
[13]http://archive.is/9Nong
[14]http://www.amazon.com/gp/product/0812994566/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=0812994566&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=H2UMGJ5HUHMSVXYQ
[15]http://archive.is/80hup
[16]http://archive.is/i6V2A
[17]http://archive.is/jVdsI
[18]http://archive.is/RQIYe
[19]http://archive.is/FfORH
[20]http://archive.is/7C7Wg
[21]http://archive.is/tLNEg
[22]https://nces.ed.gov/pubs2009/2009081.pdf
[23]http://archive.is/bayne
[24]http://archive.is/LQCdB
[25]http://archive.is/OC5Y0
[26]http://www.cdc.gov/nchs/data/nvsr/nvsr61/nvsr61_04.pdf
[27]http://archive.is/ER5T
[28]http://www.pnas.org/content/112/49/15078.full.pdf
[29]https://www.hudexchange.info/resources/documents/2015-AHAR-Part-1.pdf
[30]http://archive.is/eFRNf

META
Título Original Do Women Really Want Equality?
Autor Nikita Coulombe
Link Original https://www.avoiceformen.com/sexual-politics/do-women-really-want-equality/
Link Arquivado http://archive.today/pP082

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"Alguns Pensamentos Sobre 'Zootopia'" por ToySoldier

Alguns Pensamentos sobre Zootopia


Finalmente eu vi o filme Zootopia, da Disney. Foi o filme animado mais recente. Como o nome sugere, o filme é sobre uma utopia de animais (apenas mamíferos). Judy Hopps (dublada por Ginnifer Goodwin) trabalha a vida toda para tornar-se o primeiro coelho policial apesar da sua pequena estatura. Ela ingressa na força policial e é escalada para o ramo principal em Zootopia. Porém, assim que ela chega, ela descobre que a cidade onde todo mundo pode ser qualquer coisa que quiser ser não é o paraíso que ela esperava.

O filme parece ter uma tomada em políticas raciais, porém, algumas feministas tomaram a mensagem como sendo sobre políticas de gênero, e eu posso ver por quê.

Judy é uma coelha. Todos os seus tratos - pequena, fraca, doce, emocional - são usualmente associados a mulheres e à feminilidade. Durante seu treino para tornar-se uma agente policial, Judy recebe uma grande monta de comentários condescendentes e preconceituosos que parecem semelhantes ao que alguém diria a uma mulher (ironicamente, todos eles são proferidos por uma ursa polar fêmea). Quando Judy chega ao ramo principal de Zootopia, em vez de receber um dos casos de predadores desaparecidos, Judy é posta de policial de tráfego. Seu desempenho estelar na academia não significa nada. O chefe simplesmente quer a coelha cotista [1] fora do caminho.

Muito disso também se encaixa na discussão sobre raça e viés em geral, porém, eu penso que fixar-se no ângulo do gênero fornece uma interessante compreensão no que os produtores do filme realmente fizeram.

Um dos elementos chave do filme é o otimismo de Judy. Ela quer ser uma agente policial mesmo que seu tamanho torne isso dificíl, se não impossível. Todos parecem ser contra seu sonho, mesmo seus pais (a cena deles falando para ela abandonar os seus sonhos é na realidade bem divertida). O fator em jogo é a "raça" de Judy. Coelhos e outros herbívoros são "presa". Carnívoros e onívoros são "predadores". Estes dois formam os grupos raciais no filme. Em certa extensão, eles formam também os grupos de gênero, com as presas sendo fêmeas e os predadores machos. Neste ponto, a vasta maioria dos predadoes, e creio que a totalidade dos violentos, é macho.

Judy explica na abertura do filme como predadores superaram sua natureza violenta e as presas superaram seu medo. Eles podem ser qualquer coisa que quiserem, especialmente se forem para a maior cidade do mundo, Zootopia.

Porém, as coisas não são tão utópicas quanto parecem ser. Alguns predadores ainda são perigosos. Judy aprende isto enquanto criança, quando ela tenta defender alguns companheiros estudantes de uma raposa valentona apenas para ser nocauteada e arranhada na cara. Seu otimismo a impede de julgar o garoto, de nome Gideon. Ela parece vê-lo como um valentão que acabou por ser uma raposa, em vez de uma raposa que faz aquilo que raposas fazem.

Ou é isso que devemos estar pensando. Quando Judy segue para Zootopia, seus pais lhe dão uma pletora de equipamentos de defesa anti-raposa. Ela pega o repelente de raposas apenas para fazer seus pais pararem. Não obstante, antes de Judy ir para seu primeiro dia de trabalho, ela inicialmente deixa o repelente e então volta para o seu apartamento para buscá-lo. Esta é nossa primeira dica de que Judy pode parecer otimista mas mesmo ela tem seu viés.

Nós vemos isso em amostra completa quando ela encontra Nick Wilde (dublada por Jason Bateman). Ela avista a raposa andando de forma bem evasiva e ela o segue. Seus instintos lhe dizem que ele não é bom, não obstante ela descobre que ele só queria comprar um picolé para seu filho.

Este é nosso primeiro gostinho da real Zootopia e do preconceito às claras. O elefante recusa-se a vencer para Nick o picolé porque Nick é um predador.

Claro, nesta instância Judy tinha razão em ter suspeitas. Nick trapaceia ela e o elefante completamente. Quando Judy descobre o truque e confronta Nick, ele estilhaça suas noções pré-concebidas sobre bondade e igualdade em Zootopia.

Se mantivermos a ideia feminista que o filme trata de gênero, este cenário apresenta um problema crítico porque Nick e os outros predadores representam "os homens". Eles deveriam ser os que detêm "privilégio", mesmo assim são os que enfrentam discriminação aberta nas mãos das presas.

Isto é melhor mostrado naquela que considero a cena mais forte do filme. Quando encontramos Nick pela primeira vez, ele é esquivo, ardiloso, e manipulativo. Judy tem que tapear o Nick para que a ajude, e Nick segue a sua maneira a fim de sabotar sua investigação dos predadores perdidos. Suas estripulias levam Judy a potencialmente perder o emprego dos sonhos. No momento que ele nota isso, ele decide ajudá-la. E então ele explica por que ele é como é:

Quando eu assistia a esta cena, a primeira coisa que me veio na cabeça foram todos os homens que frequentam cursos de estudos de gênero. Pensei sobre como deve ser o sentimento de querer fazer algo significativo apenas para que te digam que você é uma ameaça às mulheres e que precisa checar seu privilégio e que não pode nunca verdadeiramente ser digno de confiança. EU pensei sobre as multidões de homens feministas que tentam o seu máximo para alcançar estes padrões impossíveis sem jamais saber o que fizeram de errado, E eu penso nos montes de homens que simplesmente dizem "Ah, quer saber? Foda-se!".

Ou como Nick diz:
Se o mundo só vê uma raposa como sendo desleal e desonesta, não há sentido em tentar ser outra coisa.

Esta parece ser a mensagem que muitos homens obtêm do feminismo. Em um nível mais abrangente, esta parece ser a mensagem que muitos brancos tomam das discussões sobre raça. Isto também acontece com muitos pobres e minorias. Parece que quando pessoas julgam outro grupo com tamanha severidade, isto cria um viés auto-perpetuador. Nick é uma raposa desonesta porque ele foi tratado como uma.

Esta é uma cena dos diabos, e é uma que mina completamente o ângulo feminista porque não é executada como uma boa mensagem. Ela é tratada como preconceito.

Nós vemos isso mais tarde no filme quando Judy finalmente ganha a confiança de Nick após resolverem o caso. Ninguém pode explicar por que alguns predadores retornaram a seus primitivos modos predatórios, como Judy admite em uma comitiva de imprensa. Ela afirma que talvez seja uma causa biológica, que esteja na natureza dos predadores ser violento. Obviamente isto machuca Nick profundamente, particularmente quando ele vê alguns dos predadores amordaçados como aconteceu com ele quando criança.

Dado que este é um filme Disney, ele não poderia ficar com essa brecha. Mesmo assim o que aconteceu não foi Nick se desculpando com Judy. Foi Judy admitindo que ela não era tão livre de vieses como alegava ser. Existe um tanto de manipulação emocional na cena, mas no geral é algo um tanto incomum. Quantas vezes vemos uma personagem feminina desculpando-se para um personagem masculino, quanto mais sendo ela a que de fato está errada?

Se este é um filme feminista, então o que aconteceu é que a feminista admitiu que estava sendo sexista e desculpou-se.

Eu não penso que este é um filme feminista ou de justiça social. Eu penso que é um filme que olha para o viés de uma perspectiva objetiva, mostrando que qualquer um - até mesmo aqueles que se consideram desprivilegiados - pode ater-se a vieses. Eles não vão desaparecer magicamente só porque admitimos que eles existem. O mundo não é um lugar perfeito, e provavelmente nunca será uma utopia. Porém, se reconhecermos e confrontarmos nossos vieses, talvez podemos fazer desse mundo terrível algo um pouco melhor.

Esta é uma mensagem muito boa para um filme Disney muito belo.


FootNotes:
[1]No original, "token rabbit".

META
Título Original Some thoughts on Zootopia
Autor Toy Soldier
Link Original https://toysoldier.wordpress.com/2016/06/11/some-thoughts-on-zootopia/
Link Arquivado https://archive.today/qACBM

sábado, 7 de janeiro de 2017

"Tente ouvir mulheres reais" por JudgyBitch

Tente ouvir mulheres reais, Mark Ruffalo, retardado ignorante

Mark Ruffalo, um ator, recentemente tomou para si a tarefa de informar as milhões e milhões de mulheres que não se identificam como feministas que elas são "retardadas ignorantes" [Link1]. Deixando de lado seu comicamente deficiente apanhado da história - feminismo acabando com o comércio de escravos? Sério? Sério mesmo, Mark? As datas 1865 [Link2] e 1960 [Link3] não te atingem como sendo um tiquinho assim incongruentes?

Mas vamos ser generosos. Deixemos de lado o fato que mulheres podiam votar [Link4], manter ofícios [Link5] e deter propriedade [Link6] muito muito antes do feminismo sequer ter mostrado sua carranca horrenda e apenas nos concentrar na essência das alegações escravocetistas de Ruffalo. Em essência, Ruffalo está expressando sua gratidão para as feministas e sugerindo que mulheres que não compartilham sua aderência são desertoras. "Retardadas ignorantes" para usar sua frase.

Você é grato a feministas, não é, Mark? Tudo bem. Sejamos totalmente gratas, não devemos? De acordo com seu perfil no IMdB [Link7] você nasceu em Kenosha, Wisconsin, de Marie Rose (Herbert), estilista e cabeleireira, e Frank Lawrence Ruffalo, um pintor de construções.

Nascido numa família nuclear com mãe e pai? Teve sorte. Casais casados continuam a ser mais felizes, saudáveis, ricos e trazem a reboque filhos de mais sucesso [Link8], mais produtivos e prósperos comparados com famílias encabeçadas por mães solteiras e pais relegados a máquinas de dinheiro. E você sabe bem disso, não é? Você foi casado com a mãe de seus três filhos por quinze anos. Você não é estúpido, né? É apenas hipócrita.

O que aconteceu com as famílias nucleares? Elas foram destruídas. Pelas feministas [Link9]. Eu suponho que você não pode agradecer a uma feminista justo ainda, dado que sua família não foi dizimada e envenenada contra a saúde, a riqueza e a felicidade, ao contrário de um número crescente de famílias hoje. Olhe em sua volta. Todas essas crianças destruídas [Link10]? Elas são o produto de famílias em nada parecidas com a sua.

Agradeça a uma feminista por isso!

Espero que sua esposa continue a achar charmoso que você xingue a vasta maioria de mulheres "retardadas ignorantes", porque se ela se cansar de sua bobajada esquerdista sem sentido, ela vai te dar um porrilhão a mais de motivos para você ser grato às feministas. Você vai amar o que as feministas criaram para você. Pode confiar em mim.

Custódia das crianças? Nem fodendo [Link11]. 80% dos filhos são concedidos às mulheres e não existe jurisdição nos EUA que preserve a presunção de igualdade entre os genitores. Nenhuma. Parentela compartilhada não existe como presunção legal em lugar algum dos Estados Unidos. Iniciativas de parentela compartilhadas continuam a ser propostas e rejeitadas. Rejeitadas por quem?

Por feministas, Mark [Link12].

Agradeça a uma feminista porque elas não te consideram um contribuidor igualmente valioso para a vida e o bem-estar dos seus filhos, não crerem que seus filhos se beneficiarão de um igual relacionamento com ambos pai e mãe, e não confiarem em você para cuidar de seus filhos por si só sem abusá-los ou usá-los como intermediário para machucar, controlar e ferir sua esposa. Sim, Mark, feministas acreditam que homens como você não amam de verdade seus filhos - vocês amam machucar e controlar mulheres [Link12] e usarão os filhos para isso, sem hesitação ou consideração por seu bem-estar.

Agradeça uma feminista, Mark.

Você é casado com uma atriz que ninguém ouviu falar [Link13]. Aposto que isso te preocupa um bocado, não é? Ela não tem trabalhado desde 2003, mas você sim. Você tem trabalhado muito bem. Espero que ela não tenha se maravilhado com o rapaz do suprimento de imigrantes ilegais e tenha engravidado com uma última progênie antes de assinar a papelada do divórcio! Você terá ainda mais para agradecer às feministas! Metade de todo dinheiro que você conquistou é dela. Não há meios de prova [Link14] para determinar com o quanto ela contribuiu, o qual claramente não é zero, mas foi metade? Questão complicada! Não importa. Metade dos seus futuros rendimentos pode ser dela também. Pergunta pro Robin Williams.

Opa, espera um pouco. Ele está morto. Mais um dentre tantos homens que mataram a si mesmos em uma ignorada epidemia de suicídios [Link15] impulsionada por Cortes de Família grosseiramente injustas.

Mas ela te traiu? Ela destruiu seu casamento? Quebrou seus votos? Hahahaha! E daí? Dê metade para ela. Oh, aquele bambino latino que ela carrega? Se você ainda era legalmente casado quando o bebê nasceu, ele é seu [Link16]. DNA? Haha, você é tão fofo. Até parece que isso importa.

Agradeça a uma feminista, Mark.

Você é cidadão americano, Mark, então na ocasião de seu 18o. aniversário, foi apresentado com um Cartão do Serviço Seletivo e uma escolha: você gostaria de votar, inscrever-se em programas de financiamento estaduais e federais, e evitar condenação criminal? Assine o cartão [Link17].

Por que você?

Porque você é homem. Esta é a única razão. Você é homem, tem que concordar em morrer. Seu filho irá encarar a mesma escolha no dia que fizer dezoito. Suas filhas não. Lembra daquelas suffragettes que você estava tietando quando você decidiu que a maioria das mulheres é "retardada ignorante"? Estas mulheres lutaram pelo direito de votar, mas não a obrigação de morrer?

Aquelas eram as mesmas mulheres andando pelas ruas de Londres distribuindo penas brancas [Link18] para homens que tiveram a audácia de sobreviver em sua primeira distribuição nas malditas trincheiras encharcadas de sangue, urina, vômito e morte da Primeira Guerra Mundial. Estas penas indicavam que os homens eram covardes. Foi um esforço para humilhá-los a fim de enviá-los para o banho de sangue, enquanto as mulheres permaneciam em casa exigindo direitos sem responsabilidades. Estas mulheres marcharam por aí em anáguas que jamais tocariam cadáveres de companheiros, jamais seriam pressionados contra bocas arfando para respirar num ar envolto em gás mortífero, jamais seriam rasgados para estancar a vida se esvaindo pelas veias de irmãos, amigos, e estranhos. Estas anáguas as mantinham aquecidas e seguras em casa, enquanto homens morriam horrendamente em números assombrosos.

Gratidão? O que é isso? Estas mulheres não eram gratas. Elas distribuíam penas brancas. Para os covardes. Que estavam vivos. Elas queriam eles mortos.

Agradeça a uma feminista, Mark.

Seu moleque é um garoto ativo, tempestuoso, fisicamente engajado, assim como muitos meninos (e algumas meninas) são? Espero que não esteja planejando a educação pública para ele. Ele será drogado até o crânio [Link19] em razão de sua falha em emular perfeitamente suas irmãs.

Agradeça a uma feminista, Mark.

Sua última produção está contratando estagiários? São mulheres? Não as irrite, Mark. Uma acusação de impropriedade ou má conduta sexual pode acabar com sua carreira. Devido processo [Link20]? Hahahaha! Que hilário! Evidência? Prova? Plausibilidade? Pare - você está me matando aqui! Hilário demais! #EscuteEAcredite [Link21], Mark. Ande na ponta do pé ao longo das pequenas megeras que estão com seus olhares fixos em você. Os princípios mais básicos de justiça e a presunção de inocência não se aplicam a você quando a acusação é de assalto sexual, não importa quão absurda.

Agradeça a uma feminista, Mark.

Você é um cara grande, Mark, mas espero que você saiba que sua esposa tem a permissão de te estapear, socar, atacar, chutar, morder, arranhar ou de qualquer outra forma te assaltar, e se você se atrever em levantar a mão para se defender, você será detido e acusado, graças ao Violence Against Women Act [Link22]. Eu espero que ela não leia o Jezebel regularmente, porque aquelas senhoras escrevem colunas [Link23] sobre o quanto elas divertem-se abusando seus parceiros homens. Isso pode lhe dar ideias. Não importa, porém, porque isto é contra você, não contra ela. Não ataque mulheres, Mark, mesmo que mulheres te atinjam, porque é #ElePorEla, lembra? Não é #NósPorTodos. Não seja doido. Violência contra mulheres e meninas é ruim. Violência contra homens e meninos é engraçado!

Agradeça a uma feminista, Mark.

Eu decerto espero que você não acabe morando na rua, Mark. Assista às jovens meninas que se divertem espancando homens sem-teto até a morte [Link24]. E sim, a maioria esmagadora dos sem-teto é homem [Link25]. Um monte deles está escapando de situações domésticas abusivas, mas não existem espaços para servir as suas necessidades, porque apenas mulheres [Link26] recebem financiamentos para se livrar da violência doméstica.

Agradeça a uma feminista, Mark.

Este é o mundo em que você vive, Mark, e recusando-se a ver que a realidade que é este o mundo que seu filho herdará. Você está bem com isso? Enquanto suas filhas estão bem, seu filho que se foda? É isso mesmo?

Deixe-me te contar um pouco sobre direitos dos homens [Link27] e o que fazemos: Nós somos uma comunidade de homens e mulheres que falam sobre igualdade de gênero e igualdade de uma forma que inclua a todos. Nós falamos sobre mulheres e meninas e homens e meninos e nós consideramos todos igualmente valorosos, dignos e merecedores de ajuda, apoio, reconhecimento e apreciação. Ninguém está acima de críticas, ninguém está abaixo de ser notado. Todos importam. Incluindo homens. Incluindo meninos.

Por quê?

Porque homens e meninos são seres humanos. Que outra razão você precisa?

Se você pensa que qualquer conversa sobre gênero que não culpe homens e trate mulheres como vítimas perpétuas e eternas é axiomaticamente misógina, você pode agradecer a uma feminista. Se você acha que mulheres tomando decisões sobre suas vidas e como elas desejam viver são "retardadas ignorantes", agradeça a uma feminista. Se você acha que a única forma de entender o mundo é atulhando-o pelo moedor humano do fascismo, agradeça a uma feminista. Se você acredita que mulheres são quasi-bebezinhos indefesos, traumatizados e emocionalmente deficientes necessitadas de seu "cavalheirismo branco de armadura reluzente", agradeça uma feminista. Se você acha que mulheres deveriam ser livres para rejeitar todos os seus papéis tradicionais, mas homens deveriam "ser homens" e adotar seus papéis tradicionais sem questionamento ou hesitação, agradeça a uma feminista.

Se você quer ser grato a uma feminista, seja grato a elas por tudo.

Se você quer saber por que homens estão irritados e por que mulheres estão posicionando-se ao seu lado, rejeitando o rótulo feminista em números que aumentam cada vez que a questão é feita [Link28], comece a reparar no que as feministas fazem.

Então, pense se elas merecem seus agradecimentos.

Enquanto isso, da próxima vez que te parecer uma boa ideia se levantar e proclamar que a maioria das mulheres é estúpida, não o faça.

Não seja um retardado ignorante, Mark Ruffalo.

Com muito amor,

JB


FootNotes:

META
Título Original Try listening to actual women, Mark Ruffalo, you ignorant jerk
Autor Janet Bloomfield AKA Judgybitch
Link Original http://judgybitch.com/2015/06/03/try-listening-to-actual-women-mark-ruffalo-you-ignorant-jerk/
Link Arquivado http://archive.today/E6iXY

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"Filhotes do Califado Chacinados" por Mark Dent

Filhotes do Califado Chacinados



Lá pelos anos 1960, tinha uma série de televisão chamada The Invaders (Os Invasores), estrelando um personagem de Roy Thinnes. Quando eu era um garotinho, amava esse programa. A premissa básica da série era que a terra tinha sido invadida e os aliens viviam entre nós, planejando e preparando sua eventual conquista de nosso planeta.

O personagem de Roy Thinnes ficou sabendo da invasão quando se perdeu dirigindo por uma zona rural desconhecida e cruzou com uma nave alienígena, no fundo da floresta. À medida em que a série prossegue, David Vincent (o personagem interpretado por Thinnes) é capaz de identificar os alienígenas entre nós observando o dedo mindinho da mão esquerda. Ele é levemente deformado em razão de um erro quando eles tomam forma humana.

Toda semana, David tentava convencer os oficiais céticos do governo, os agentes da lei ou qualquer um que o ouvisse falar que a invasão era real e que os aliens estavam entre nós. Dá para imaginar a reação que tais afirmações gerava naqueles que ele alertava.

Eu contei para Maggie (minha magnífica esposa) que eu me sentia às vezes como David Vincent quando tentava explicar minha postura sobre direitos dos homens para um amigo ou conhecido.

Eles me olham com uma expressão cínica e cautelosa em suas faces, mesmo quando eu lhes apresento fatos irrefutáveis sobre as questões que confrontam os homens. O que para mim parece apenas falar o óbvio ululante, parece ser algo inteiramente escondido ou inexistente nos olhares de muitos de meus amigos.

A noção de descartabilidade masculina é um daqueles aliens invisíveis que vemos claramente todo dia. Hoje meus olhos passaram por uma manchete, "Filhotes do Califado Mortos em Centenas".

Continuei lendo.
Mais de 300 crianças soldados do Estado Islâmico - apelidados "filhotes do califado" - foram trucidados em Mosul, após terem sido enviados em batalha pelo grupo terrorista, como reportado por um grupo de direitos humanos.
E segue:
Em um último ato de desespero, reminiscente dos últimos dias dos Nazi, eles implantaram sua brigada de crianças soldados.
Tem uma foto de colunas e colunas de meninos jovens alinhados diante de um comandante adulto. A legenda diz:
O grupo terrorista realizou lavagem cerebral, treinamento e armamento em centenas de crianças a fim de lutar por eles.
E mais:
De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, centenas deles foram mortos enquanto as forças do governo iraquiano se aproximavam, com cobertura de aviões de combate e robôs-zangões.

O guarda da base britânica disse: isso vai elevar a contagem da mortalidade para pelo menos quatrocentos combatentes sírios mortos nas fileiras do Estado Islâmico desde o começo da batalha em Mosul. Entre eles, mais de trezentos soldados dos "leõezinhos do califado".
Já tinha lido centenas de palavras deste horrível massacre e ainda assim nenhuma vez a palavra "garotos" tinha aparecido em lugar nenhum do artigo. É muito claramente uma escolha bem deliberada, implementada de forma regular na mídia ao longo de todo o mundo ocidental.

Eu continuei lendo, na esperança de ao menos uma referência ao gênero destes garotos mortos:
O assassinato das crianças soldados veio assim que as forças iraquianas e curdas lutaram em seu caminho até os arredores do leste de Mosul, após uma ofensiva de duas semanas.

Bem como no assassinato de crianças soldados, grupos de direitos humanos acusam a milícia tribal sunita sancionada pelo governo de levar a cabo ataques de retaliação contra homens e meninos em áreas recém-capturadas pelos militantes.
Então, onze parágrafos na história e finalmente descobrimos que, bem como o assassinato de meninos soldados (cujo gênero jamais é identificado ao longo do artigo), outros meninos e homens foram eliminados.

Você pode, se quiser, ler o restante dos horríveis detalhes clicando no link ao final deste meu artigo.

Eu acho esse jornalismo abismal. Estou tentando compreender como alguém pode escrever sobre um assunto como este e em momento algum identificar o gênero das centenas de crianças exterminadas. Quando uma criança se afoga na piscina do quintal, somos alertados de seu gênero assim que os fatos estão disponíveis. Quando estes crimes baseados em gênero são cometidos contra homens ou meninos, seu gênero ou jamais é referenciado ou pode ser encontrado só depois de passados mais de 75% do artigo. Isto não seria tão suspeito e perturbador se a mesma abordagem fosse empregada quando mulheres ou meninas são vítimas de massacre ou de algum ato opressor ou brutal. Como todos nós sabemos, o gênero das mulheres vítimas é sempre o foco máximo de qualquer história desse tipo.

Nós todos lembramos do colapso quando 200 garotas foram raptadas pelo grupo terrorista islâmico Boko Haram. Dá para imaginar a mídia tomando a mesma atitude no caso do rapto destas meninas se eles fizessem o mesmo no caso do assassinato de mais de 300 meninos?

Eis um breve extrato de um artigo recente:
O grupo humanitário Human Rights Watch liberou achados na segunda-feira mostrando oficiais de polícia e membros do serviço militar de sete acampamentos do governo na capital do estado de Borno, Maiduguri, abusando sexualmente de 41 mulheres e meninas que haviam escapado do Boko Haram.

"Já é ruim o bastante que estas mulheres e garotas não tenham o suporte tão necessário para os terríveis traumas que sofreram nas mãos do Boko Haram", diz Mausi Segun, pesquisador sênior na Nigéria pela Human Rights Watch. "É infame e ultrajante que pessoas que deveriam proteger estas mulheres e meninas estejam atacando e abusando delas.
Por que não referir-se simplesmente a "pessoas e crianças"? Por que a súbita urgência em revelar o gênero dos que estão sendo maltratados e abusados?

Esta abordagem foi usada há alguns meses atrás em uma história sobre as taxas crescentes de suicídio.

The Project apresentou uma história sobre nossas alarmantes taxas de suicídio. Parece ser quase impossível para um segmento de dez minutos sobre suicídio na Austrália não usar as palavras "homem" ou "menino" na apresentação inteira, mas foi exatamente isto que os compassivos e caridosos anfitriões do The Project conseguiram fazer.

Não apenas eles falharam em referir-se ao gênero masculino, eles focaram no aumento do número de suicídios de mulheres, o que incluía gráficos e foi seguido de uma entrevista com uma mulher que tentou o suicídio. Três de quatro suicídios resultam na morte de um homem, mas mesmo assim a história focou inteiramente em mulheres e o único gráfico mostrado era relacionado a mulheres.

Dá para imaginar um segmento de dez minutos sobre violência doméstica na Austrália falhando em mencionar mulheres ou garotas ou focando exclusivamente nas vítimas masculinas? É claro que não, pois isso jamais aconteceria. Se tal abordagem chocante fosse usada, pode ter certeza que rolariam cabeças e ocorreria um tsunami de vozes furiosas perguntando como isso pode ter acontecido quando mulheres perfazem a maioria daqueles mortos em incidentes de violência doméstica.

O segmento do The Project resultou em zero protesto (além do meu comentário na página deles no Facebook). É isto o que faz vir à minha mente personagens como David Vincent. Eu sinto como se estivesse uivando para a lua quando expresso meu desgosto por esse ódio gratuito que é praticamente diário na nossa mídia. Por vezes eu fico tão esmagado pelo número de artigos de jornais contendo misandria tão descarada ou distorcendo figuras usadas para perpetuar o mito da opressão feminina que eu simplesmente omito um profundo suspiro e viro a página.

Outro artigo online da ABC sobre suicídio começa estabelecendo o fato que das 3027 pessoas que mataram a si mesmas em 2015, 2292 eram homens e 735 eram mulheres. Um começo promissor, não? Infelizmente, tudo segue ladeira abaixo daí.

As figuras mostram que mortes por auto-ataque são mais comuns em homens que em mulheres numa proporção de três para um, porém o número de mulheres que acabam dando cabo de suas vidas está aumentando.

A executiva-chefe da Suicide Prevention Australia, Sue Murray, disse à ABC News que esta tendência era preocupante:
Temos visto um aumento de 26% nas taxas de suicídio entre mulheres e os números de suicídios entre homens [subindo] ao longo do último período de cinco anos.
Sra. Murray:
Nós não sabemos por que isto está ocorrendo, então precisamos realmente ver o governo vindo com investimentos em pesquisa, de tal forma que possamos realmente entender o que é que está trazendo à tona este aumento e a forma que [as mulheres] estão escolhendo tirar suas próprias vidas. As estatísticas da ABS revelam também que o número de meninas adolescentes que morrem de suicídio tem aumentado.

Em 2015, 56 meninas entre as idades de 15 e 19 deram fim às suas vidas, mais que as 38 em 2014. Os números não são grandes mas certamente o fato que há um aumento de 45% no período de um ano certamente necessita de uma boa investigação. Eu acho que precisamos olhar bem cuidadosamente para o tipo de programa de prevenção de suicídio que estamos empregando.

Aparentemente, Sra. Murray não está perturbada pelo fato que três de quatro suicídios são cometidos por homens. Ela não faz referência alguma a esta estatística e não expressa preocupação alguma sobre por que existe tão grande disparidade de gênero e qual poderia ser sua causa.

Mas, quando ela identifica o fato que houve um leve aumento no suicídio de meninas adolescentes, ela demanda mais investimentos em pesquisa e uma análise da forma que mulheres estão escolhendo tirar suas vidas. Ela até questiona o programa de prevenção de suicídios que eles estão empregando.

Claro, duas mulheres apresentam os artigos sobre suicídio que seguem.

Eu considero isso incompreensível e por vezes sinto como se estivesse andando numa paisagem alienígena. Como pode esse tipo de discurso de ódio gratuito prosseguir sem ser desafiado? Não existe ninguém com poder e influência que se importe um pouco que seja sobre homens e meninos?

O excelente documentário The Red Pill tem um segmento particularmente angustiante da cobertura da mídia sobre o grupo terrorista islâmico Boko Haram. O segmento apresenta uma sequência desoladora sobre homens e meninos massacrados enquanto o leitor refere-se a eles como "pessoas" e "habitantes". Isto não é um engano ou deslize raro. O documentário dá numerosos exemplos desta deliberada camuflagem da verdade quando se refere à opressão ou assassinato de homens. Simplesmente não tem como uma história sobre o massacre das 200 meninas ser apresentada numa linguagem neutra. Bem, isso não aconteceu quando garotas foram raptadas, portanto pode-se ter certeza que um massacre de mulheres teria o gênero como foco majoritário da história.

Eu ainda estou para ouvir qualquer jornalista confrontado com esta maldita evidência e sendo inquirido a justificar esta abordagem doentia para a transmissão de notícias.

Assim sendo, como David Vincent, eu continuarei a alertar meus próximos humanos para a presença dessa agenda odiosa e danosa sendo executada diante de nossos olhos todos os dias. Infelizmente, como David, sinto que minha tarefa de abrir os seus olhos para essa realidade está fadada ao fracasso. Somente um pequeno número de nós verá verdadeiramente os dedinhos deformados dos alienígenas entre nós.


Trailer do The Invaders:
 

Links:




META
Título Original Cubs of the Caliphate Slaughtered
Autor Mark Dent
Link Original http://www.avoiceformen.com/gynocentrism/cubs-of-the-caliphate-slaughtered/
Link Arquivado http://archive.is/GgDVH

Masculinidade Tóxica e Feminilidade Tóxica [Karen Straughan]

Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Masculinidade Tó...