quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"Filhotes do Califado Chacinados" por Mark Dent

Filhotes do Califado Chacinados



Lá pelos anos 1960, tinha uma série de televisão chamada The Invaders (Os Invasores), estrelando um personagem de Roy Thinnes. Quando eu era um garotinho, amava esse programa. A premissa básica da série era que a terra tinha sido invadida e os aliens viviam entre nós, planejando e preparando sua eventual conquista de nosso planeta.

O personagem de Roy Thinnes ficou sabendo da invasão quando se perdeu dirigindo por uma zona rural desconhecida e cruzou com uma nave alienígena, no fundo da floresta. À medida em que a série prossegue, David Vincent (o personagem interpretado por Thinnes) é capaz de identificar os alienígenas entre nós observando o dedo mindinho da mão esquerda. Ele é levemente deformado em razão de um erro quando eles tomam forma humana.

Toda semana, David tentava convencer os oficiais céticos do governo, os agentes da lei ou qualquer um que o ouvisse falar que a invasão era real e que os aliens estavam entre nós. Dá para imaginar a reação que tais afirmações gerava naqueles que ele alertava.

Eu contei para Maggie (minha magnífica esposa) que eu me sentia às vezes como David Vincent quando tentava explicar minha postura sobre direitos dos homens para um amigo ou conhecido.

Eles me olham com uma expressão cínica e cautelosa em suas faces, mesmo quando eu lhes apresento fatos irrefutáveis sobre as questões que confrontam os homens. O que para mim parece apenas falar o óbvio ululante, parece ser algo inteiramente escondido ou inexistente nos olhares de muitos de meus amigos.

A noção de descartabilidade masculina é um daqueles aliens invisíveis que vemos claramente todo dia. Hoje meus olhos passaram por uma manchete, "Filhotes do Califado Mortos em Centenas".

Continuei lendo.
Mais de 300 crianças soldados do Estado Islâmico - apelidados "filhotes do califado" - foram trucidados em Mosul, após terem sido enviados em batalha pelo grupo terrorista, como reportado por um grupo de direitos humanos.
E segue:
Em um último ato de desespero, reminiscente dos últimos dias dos Nazi, eles implantaram sua brigada de crianças soldados.
Tem uma foto de colunas e colunas de meninos jovens alinhados diante de um comandante adulto. A legenda diz:
O grupo terrorista realizou lavagem cerebral, treinamento e armamento em centenas de crianças a fim de lutar por eles.
E mais:
De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, centenas deles foram mortos enquanto as forças do governo iraquiano se aproximavam, com cobertura de aviões de combate e robôs-zangões.

O guarda da base britânica disse: isso vai elevar a contagem da mortalidade para pelo menos quatrocentos combatentes sírios mortos nas fileiras do Estado Islâmico desde o começo da batalha em Mosul. Entre eles, mais de trezentos soldados dos "leõezinhos do califado".
Já tinha lido centenas de palavras deste horrível massacre e ainda assim nenhuma vez a palavra "garotos" tinha aparecido em lugar nenhum do artigo. É muito claramente uma escolha bem deliberada, implementada de forma regular na mídia ao longo de todo o mundo ocidental.

Eu continuei lendo, na esperança de ao menos uma referência ao gênero destes garotos mortos:
O assassinato das crianças soldados veio assim que as forças iraquianas e curdas lutaram em seu caminho até os arredores do leste de Mosul, após uma ofensiva de duas semanas.

Bem como no assassinato de crianças soldados, grupos de direitos humanos acusam a milícia tribal sunita sancionada pelo governo de levar a cabo ataques de retaliação contra homens e meninos em áreas recém-capturadas pelos militantes.
Então, onze parágrafos na história e finalmente descobrimos que, bem como o assassinato de meninos soldados (cujo gênero jamais é identificado ao longo do artigo), outros meninos e homens foram eliminados.

Você pode, se quiser, ler o restante dos horríveis detalhes clicando no link ao final deste meu artigo.

Eu acho esse jornalismo abismal. Estou tentando compreender como alguém pode escrever sobre um assunto como este e em momento algum identificar o gênero das centenas de crianças exterminadas. Quando uma criança se afoga na piscina do quintal, somos alertados de seu gênero assim que os fatos estão disponíveis. Quando estes crimes baseados em gênero são cometidos contra homens ou meninos, seu gênero ou jamais é referenciado ou pode ser encontrado só depois de passados mais de 75% do artigo. Isto não seria tão suspeito e perturbador se a mesma abordagem fosse empregada quando mulheres ou meninas são vítimas de massacre ou de algum ato opressor ou brutal. Como todos nós sabemos, o gênero das mulheres vítimas é sempre o foco máximo de qualquer história desse tipo.

Nós todos lembramos do colapso quando 200 garotas foram raptadas pelo grupo terrorista islâmico Boko Haram. Dá para imaginar a mídia tomando a mesma atitude no caso do rapto destas meninas se eles fizessem o mesmo no caso do assassinato de mais de 300 meninos?

Eis um breve extrato de um artigo recente:
O grupo humanitário Human Rights Watch liberou achados na segunda-feira mostrando oficiais de polícia e membros do serviço militar de sete acampamentos do governo na capital do estado de Borno, Maiduguri, abusando sexualmente de 41 mulheres e meninas que haviam escapado do Boko Haram.

"Já é ruim o bastante que estas mulheres e garotas não tenham o suporte tão necessário para os terríveis traumas que sofreram nas mãos do Boko Haram", diz Mausi Segun, pesquisador sênior na Nigéria pela Human Rights Watch. "É infame e ultrajante que pessoas que deveriam proteger estas mulheres e meninas estejam atacando e abusando delas.
Por que não referir-se simplesmente a "pessoas e crianças"? Por que a súbita urgência em revelar o gênero dos que estão sendo maltratados e abusados?

Esta abordagem foi usada há alguns meses atrás em uma história sobre as taxas crescentes de suicídio.

The Project apresentou uma história sobre nossas alarmantes taxas de suicídio. Parece ser quase impossível para um segmento de dez minutos sobre suicídio na Austrália não usar as palavras "homem" ou "menino" na apresentação inteira, mas foi exatamente isto que os compassivos e caridosos anfitriões do The Project conseguiram fazer.

Não apenas eles falharam em referir-se ao gênero masculino, eles focaram no aumento do número de suicídios de mulheres, o que incluía gráficos e foi seguido de uma entrevista com uma mulher que tentou o suicídio. Três de quatro suicídios resultam na morte de um homem, mas mesmo assim a história focou inteiramente em mulheres e o único gráfico mostrado era relacionado a mulheres.

Dá para imaginar um segmento de dez minutos sobre violência doméstica na Austrália falhando em mencionar mulheres ou garotas ou focando exclusivamente nas vítimas masculinas? É claro que não, pois isso jamais aconteceria. Se tal abordagem chocante fosse usada, pode ter certeza que rolariam cabeças e ocorreria um tsunami de vozes furiosas perguntando como isso pode ter acontecido quando mulheres perfazem a maioria daqueles mortos em incidentes de violência doméstica.

O segmento do The Project resultou em zero protesto (além do meu comentário na página deles no Facebook). É isto o que faz vir à minha mente personagens como David Vincent. Eu sinto como se estivesse uivando para a lua quando expresso meu desgosto por esse ódio gratuito que é praticamente diário na nossa mídia. Por vezes eu fico tão esmagado pelo número de artigos de jornais contendo misandria tão descarada ou distorcendo figuras usadas para perpetuar o mito da opressão feminina que eu simplesmente omito um profundo suspiro e viro a página.

Outro artigo online da ABC sobre suicídio começa estabelecendo o fato que das 3027 pessoas que mataram a si mesmas em 2015, 2292 eram homens e 735 eram mulheres. Um começo promissor, não? Infelizmente, tudo segue ladeira abaixo daí.

As figuras mostram que mortes por auto-ataque são mais comuns em homens que em mulheres numa proporção de três para um, porém o número de mulheres que acabam dando cabo de suas vidas está aumentando.

A executiva-chefe da Suicide Prevention Australia, Sue Murray, disse à ABC News que esta tendência era preocupante:
Temos visto um aumento de 26% nas taxas de suicídio entre mulheres e os números de suicídios entre homens [subindo] ao longo do último período de cinco anos.
Sra. Murray:
Nós não sabemos por que isto está ocorrendo, então precisamos realmente ver o governo vindo com investimentos em pesquisa, de tal forma que possamos realmente entender o que é que está trazendo à tona este aumento e a forma que [as mulheres] estão escolhendo tirar suas próprias vidas. As estatísticas da ABS revelam também que o número de meninas adolescentes que morrem de suicídio tem aumentado.

Em 2015, 56 meninas entre as idades de 15 e 19 deram fim às suas vidas, mais que as 38 em 2014. Os números não são grandes mas certamente o fato que há um aumento de 45% no período de um ano certamente necessita de uma boa investigação. Eu acho que precisamos olhar bem cuidadosamente para o tipo de programa de prevenção de suicídio que estamos empregando.

Aparentemente, Sra. Murray não está perturbada pelo fato que três de quatro suicídios são cometidos por homens. Ela não faz referência alguma a esta estatística e não expressa preocupação alguma sobre por que existe tão grande disparidade de gênero e qual poderia ser sua causa.

Mas, quando ela identifica o fato que houve um leve aumento no suicídio de meninas adolescentes, ela demanda mais investimentos em pesquisa e uma análise da forma que mulheres estão escolhendo tirar suas vidas. Ela até questiona o programa de prevenção de suicídios que eles estão empregando.

Claro, duas mulheres apresentam os artigos sobre suicídio que seguem.

Eu considero isso incompreensível e por vezes sinto como se estivesse andando numa paisagem alienígena. Como pode esse tipo de discurso de ódio gratuito prosseguir sem ser desafiado? Não existe ninguém com poder e influência que se importe um pouco que seja sobre homens e meninos?

O excelente documentário The Red Pill tem um segmento particularmente angustiante da cobertura da mídia sobre o grupo terrorista islâmico Boko Haram. O segmento apresenta uma sequência desoladora sobre homens e meninos massacrados enquanto o leitor refere-se a eles como "pessoas" e "habitantes". Isto não é um engano ou deslize raro. O documentário dá numerosos exemplos desta deliberada camuflagem da verdade quando se refere à opressão ou assassinato de homens. Simplesmente não tem como uma história sobre o massacre das 200 meninas ser apresentada numa linguagem neutra. Bem, isso não aconteceu quando garotas foram raptadas, portanto pode-se ter certeza que um massacre de mulheres teria o gênero como foco majoritário da história.

Eu ainda estou para ouvir qualquer jornalista confrontado com esta maldita evidência e sendo inquirido a justificar esta abordagem doentia para a transmissão de notícias.

Assim sendo, como David Vincent, eu continuarei a alertar meus próximos humanos para a presença dessa agenda odiosa e danosa sendo executada diante de nossos olhos todos os dias. Infelizmente, como David, sinto que minha tarefa de abrir os seus olhos para essa realidade está fadada ao fracasso. Somente um pequeno número de nós verá verdadeiramente os dedinhos deformados dos alienígenas entre nós.


Trailer do The Invaders:
 

Links:




META
Título Original Cubs of the Caliphate Slaughtered
Autor Mark Dent
Link Original http://www.avoiceformen.com/gynocentrism/cubs-of-the-caliphate-slaughtered/
Link Arquivado http://archive.is/GgDVH

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