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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"Mulheres Querem Mesmo a Igualdade?" por Nikita Coulombe

Mulheres Querem Mesmo a Igualdade?


Mulheres realmente querem igualdade? Esta é uma questão que eu penso que cada um de nós deve perguntar a nós mesmos. Porque eu francamente não penso que muitos de nós façamos, não a real igualdade de toda forma.

Feministas iriam querer que acreditemos que a vida é muito pior para mulheres que para homens, que somos fracas, e que o "patriarcado" está contra nós, e portanto nós merecemos toda sorte de programas e benefícios apenas para estar num campo nivelado com os homens. Mas o fato pleno é: aqui no Ocidente, estamos muito bem. De muitas formas melhor que os homens. E se nós realmente dermos uma observada na vida dos homens, podemos notar isso.

Muitas de nós não querem [1] pagar metade da conta nos encontros, não queremos trabalhar em serviços sujos e perigosos, não queremos ser alistadas se tiver uma guerra, não queremos ter que provar a uma Corte Judicial que nossos filhos dependem de nós depois do divórcio, e não queremos servir como guarda-costas não-remuneradas ou sermos as primeiras a descer as escadas quando se ouve um barulho estranho... e com sorte para nós, não temos que fazer tais coisas!

Porque homens fazem essas coisas. Voluntariamente. Todo dia. Eles não nos pedem um "obrigado" porque está embutido neles o servir, o doar. E, ainda que isso possa surpreender alguns leitores, homens fazem essas coisas porque eles amam as mulheres. Eles fazem tais coisas para nós tal que nós quem sabe os amemos de volta.

Mulheres devem receber o mesmo pagamento que homens por fazer o mesmo trabalho? Absolutamente. Mas a suposta "disparidade salarial" é cheia de manchetes enganosas e dados infundados. Homens trabalham mais horas que as mulheres, e escolhem especialidades que requerem maior responsabilidade. Por exemplo, mais mulheres estão agora participando das escolas de medicina, mas elas gravitam em torno de áreas como pediatria [2] em vez de cardiologia [3] e neurocirurgia [4], que trazem maiores riscos e responsabilidades, têm mais horas de demanda (veja aqui [5] e aqui [6]) e, por consequência, pagam mais [7].

Instituições estão tentando obter mais mulheres entrando nestes programas intensos e estão confusos sobre por que não conseguem elevar seus números. A razão é: mulheres não querem, portanto não vão! A divisa dos gêneros é na realidade mais pronunciada [8] em nações onde as mulheres têm a maior liberdade para perseguir a profissão que quiserem. Existe uma porcentagem maior de cientistas mulheres na Rússia ou na Turquia que no Canadá ou na Alemanha, por exemplo.

Estudos de longo termo revelam que mulheres preferem trabalhos mais significativos e conectados, que alteiam suas vantagens emocionais mas "conflituam com fazer rios de dinheiro e elevar-se em patamares", como discute a psicóloga Susan Pinker em The Sexual Paradox [9]:
Objetivos intrínsecos como fazer a diferença, ou pertencer a uma comunidade, estão geralmente em oposição direta a objetivos extrínsecos como procurar recompensas financeiras ou prestígio ... mulheres, em média, são motivadas por recompensas intrínsecas no trabalho ... Uma das descobertas foi que a influência das recompensas intrínsecas e autonomia no trabalho aumenta com o grau de educação da mulher ... mulheres mais educadas são também mais interessadas em trabalhar em meio-período, estimulando portanto o fenômeno de não-inclusão de duas formas - mediante sua procura por significado inerente no trabalho, e pelo montante de tempo que elas estão dispostas a comprometer para seus empregos.

E homens tomam menos tempo fora do trabalho depois que têm filhos - dando a eles mais experiência no trabalho e portanto maior potencial de ganhos. Em The Myth of Male Power [10], Warren Farrel fala sobre as três opções que uma mulher cogita quando tem um bebê:
  1. Trabalhar em período integral
  2. Ficar em casa em período integral
  3. Combinação dos dois: trabalhar em meio-período

Homens, por outro lado, cogitam estas três opções:
  1. Trabalhar em período integral
  2. Trabalhar em período integral
  3. Trabalhar em período integral [fazer hora extra pode ser mais uma opção!]

Em geral, diz ele, homens aprendem a amar suas famílias ficando distantes do amor de seus familiares, enquanto mulheres amam suas famílias ficando com o amor de seus familiares.

Mulheres falam sobre se vão ou não "dispor-se para casa ou para o trabalho", enquanto homens nunca tiveram a opção de "dispor-se para a casa". Isto dá aos homens uma vantagem financeira mas impede-os de dar e receber amor.

Em The Father and Child Reunion [11] Farrel escreve:
Mulheres fornecem um útero emocional, relacionado ao amor; homens fornecem um útero financeiro, que lhes tira de seu propósito - amar a apoiar a família, a fim de alcançar seu propósito - amar e apoiar a família. Homens amavam a família estando desconectados; mulheres amavam a família estando conectados. Tradicionalmente, o papel da mulher teve a vantagem do amor e a vantagem emocional.

Mais mulheres estariam dispostas a compartilhar suas vantagens de amor ou compartilhas as pressões financeiras de seus maridos?

Esta é uma consideração por vezes ignorada no debate da disparidade de gênero - se fosse aceitável para homens não ter que trabalhar tão intensamente, mulheres poderiam escolher trabalhos que pudessem gerar mais dinheiro. Porém, isto só aconteceria se mulheres desejassem real igualdade, porque homens seriam então valorizados por algo além de suas carteiras, assim como as mulheres o são.

Não obstante, mulheres largamente ainda querem estar com um homem que ganhe mais dinheiro [12] que elas, realimentando o ciclo em que elas ficam mais tempo fora da força de trabalho do que eles a fim de cuidar dos filhos.

Em Why Women Still Can’t Have It All [13], Anne-Marie Slaughter sugeriu que homens não tenham que fazer o tipo de sacrifícios e compromissos que mulheres fazem, que a hipótese que mulheres poderiam ter carreiras mais potentes se homens fossem dispostos a compartilhar a carga parental igualmente "assume que a maioria das mulheres sentir-se-á tão confortável quanto os homens acerca de estar distante de seus filhos, tão longo quanto seu parceiro está em casa com eles".

Em seu livro conseguinte, Unfinished Business [14], ela explica: "mulheres também encaram a responsabilidade muito mais cultural de serem as cuidadoras, e serem perfeitas nisso, que os homens. Mesmo no século XXI, a América parece perplexa sobre qualquer mulher que não pareça colocar o cuidado de seus filhos acima de sua vida profissional".

Mas quem está pressionando quem?

O que aparenta ser um homem escolhendo trabalho em vez de família é mais um homem sacrificando seus anseios de estar com a família em benefício da sua família.

Onde a mulher pode sentir que é egoísta ao passar tempo longe dos filhos, o homem pode sentir o oposto. Desde que lhe é esperado ganhar mais, ele sente que seria egoísta para ele trabalhar menos horas a fim de gastar mais tempo com as crianças porque ele estaria eliminando a segurança financeira de sua família.

O homem médio ganha mais dinheiro que a mulher média, mas o homem médio trabalha mais horas e está disposto a isso porque ele espera ser recompensado com amor quando ele paga as contas.

Enquanto isso, mulheres são recompensadas com amor quando reduzem suas horas ou saem da força de trabalho depois de ter filhos.

Cuidado infantil acessível permitiria mais mulheres permanecer na força de trabalho se decidissem assim, garantindo menos disparidade salarial em razão da experiência no trabalho. Mas há evidência que isto pode nem mesmo ser suficiente ou ser a solução correta. Mesmo na Suécia, um país com alguns dos mais generosos benefícios de licença parental, as mulheres ainda escolhem [15] ficar quatro vezes o tanto de tempo em casa que os homens, e alguns que inicialmente pensaram que queriam a ajuda do pai para cuidar do filho agora se encontram "invejando mais tempo em casa".

Outra preocupação é como a união de mais papéis tradicionalmente femininos e masculinos em mulheres e homens afetará a identidade de gênero e o sucesso do relacionamento. A questão permanece se ou não mulheres ainda acharão seus parceiros em casa mais atrativos que se eles fossem seus parceiros trabalhando.

Até o presente, parece que esse tipo de homem, por vezes referido como "macho beta", desliga as mulheres, Por exemplo, o psicólogo Lori Gottlieb descobriu que o risco de divórcio é mais baixo quando o marido ganha 60% da renda e a esposa faz 60% do serviço doméstico, e mulheres reportam [16] níveis superiores de satisfação sexual quando há uma divisão mais tradicional de tarefas.

Em outras palavras, iguais oportunidades não necessariamente produzem iguais resultados, e desvios econômicos e mudanças socialmente prescritas nos relacionamentos em direção à "mesmice" não necessariamente resultam em atração sexual e sucesso no relacionamento, coisas essas que não podem ser forçadas.

Ser um homem e um parceiro em casa não é visto como valorosos e não comunicam o comportamento de macho alfa, ao qual muitas mulheres são atraídas [17]. De fato, mesmo quando mulheres se tornam mais financeiramente independentes, elas desejam parceiros mais velhos e mais ricos.

As pilhas foram levantadas, não equalizadas, pelo movimento das mulheres, ao menos para homens. E homens acompanharão qualquer moeda de troca que as mulheres estejam aceitando - significando que eles se adaptarão a qualquer sistema que os recompense.

Crianças assimilam essas mensagens sobre recompensa e valor do amor do pai de formas sutis. Por exemplo, na série de livros Harry Potter, apesar de ambos os pais de Harry, James e Lily, darem sua vida para salvar o filho, apenas a mãe recebe o crédito.

Quando Harry era criança, o mago maligno Lord Voldemort descende ao esconderijo da família por causa de uma profecia em que Harry irá crescer e destruí-lo. James grita para Lily pegar Harry e fugir a fim de que ele possa segurar Voldemort. Ele morre protegendo-os, e então Lily morre protegendo Harry, mas por causa de seu amor, a maldição assassina de Voldemort ricocheteia e o danifica irreparavelmente, deixando Harry com a famosa cicatriz em formato de raio na sua testa.

A mensagem primária é que o amor é mais forte que o ódio. A mensagem secundária é que o amo de uma mãe é mais poderoso que o de um pai, e que a morte da mãe é mais profunda.

Ninguém fala sobre a mensagem secundária porque ela está muito enraizada. O que é surpreendente é que dada a popularidade da série, poucos leitores tomaram a questão do fato que as ações de James e Lily tiveram a mesma consequência e mesmo assim o sacrifício dela foi mais valioso. Esta é mais uma de muitas instâncias em que o propósito do homem é visto como secundário à conexão mãe-filho.

A mensagem que homens ainda estão assimilando é que eles devem prover financeiramente para permanecer relevantes. Em algum nível, meninos sabem que um homem com pouco potencial de ganhos é menos propenso a encontrar uma parceira desejável e é mais propenso a acabar divorciado; eles sabem que uma significativa porção de seu valor e desejabilidade está diretamente atrelada a seus potenciais ganhos (veja aqui [19] e aqui [20])

Meninos também captam o estigma contra pais caseiros - uma pesquisa recente [21] da Pew Research revelou que 51% das pessoas diz que crianças estão em melhor situação se suas mães ficam em casa enquanto apenas 8% sente o mesmo sobre os pais.

Este é provavelmente o porquê de mulheres comporem a maioria dos graduados universitários, e mesmo assim homens são ainda maioria [22] nos campos de Ciência&Tecnologia.

Baseados nas proporções e e diferenças de ganhos, em uma primeira olhada, pode parecer discriminação contra mulheres, mesmo assim ambos os sexos sabem de antemão que a rota da Ciência&Tecnologia mais provavelmente levará a maiores rendas.

Uma razão por que homens e mulheres diferem em escolhas maiores é que eles simplesmente têm preferências diferentes. Por exemplo, homens iriam trabalhar [8] com materiais inorgânicos enquanto homens preferem trabalhar com coisas vivas e mulheres matematicamente dotadas são mais propensas a ter fortes habilidades verbais que homens matematicamente dotados, dando-lhes um leque maior de escolhas de carreira.

Outra razão para homens e mulheres diferir é que mais geralmente homens têm que pagar o seu próprio caminho. A tendência de genitores gastando mais na educação de seus filhos meninos nos anos 1970 não apenas equalizou nos anos 1990 mas reverteu final dos anos 2000; genitores agora gastam 25% mais dinheiro na educação das filhas do que na de seus filhos.

Também, existe uma penitude de disciplinas oferecidas a pessoas de todos os sexos e etnias, mas mais disciplinas - tanto acadêmicas quanto atléticas - são oferecidas exclusivamente a mulheres que a homens. Por exemplo, em scholarships.com - um dos sites mais populares para procurar e inscrever-se nos EUA - disciplinas para mulheres superam o de homens na proporção de quatro para um.

Mulheres têm outras vantagens quando se trata de saúde e bem-estar. No mundo todo mulheres vivem mais [23] que homens. Uma quantidade ligeiramente superior de homens é diagnosticada com câncer de próstata em comparação à de mulheres diagnosticadas com câncer de mama, mesmo assim pesquisa sobre o câncer de mama é mais financiada com subsídios federais em relação ao câncer de próstata na razão de quase dois para um (veja aqui [24] e aqui [25]). Homens morrem a taxas mais altas [26] de praticamente todas as quinze maiores causas de morte; as maiores diferenças estão em doenças do coração, suicídios e injúrias fatais causadas por acidentes não-intencionais. Homens também superam mulheres em trabalhos perigosos. 92% das fatalidades de trabalho [27] na América é mnasculina. Construção é responsável pela maioria dessas mortes, com a maioria dos acidentes ocorrendo de quedas e escorregadas.

Mulheres são mais propensas a terem pensamentos suicidas em relação aos homens, porém suicídio masculino é quatro vezes o total do feminino, representanto 4 em cada 5 nos EUA. De fato meio milhão de suicídios [28] masculinos poderia ser evitado nos últimos quinze anos - por volta do mesmo montante de pessoas que morreram na epidemia de AIDS nos EUA até o presente. E homens perfazem a maioria [29] dos sem-teto, tanto abrigados quanto desabrigados. Isto inclui homens veteranos, que perfazem uma porção considerável da população de rua nos EUA.

Em outras palavras, muitos homens são invisíveis. Quando homens não estão ativamente contribuindo para o sistema, o sistema esquece deles. O "patriarcado", portanto, não se preocupa com os homens também. Como disse o psicólogo Roy Baumeister [30], "O que aparenta ter funcionado melhor para as culturas é colocar os homens uns contra os outros, competindo por respeito e outras recompensas que acabam distribuídas muito desigualmente". Enquanto mulheres são recompensadas por "ser", homens são recompensados por "fazer" - "Homens têm que provar a si mesmos produzindo coisas que a sociedade valoriza ... Esta insegurança social básica da homenidade é estressante para os homens ... mas esta insegurança é útil e produtiva para a cultura, para o sistema".

Mulheres vivem num mundo muito mais amigável, muito menos assassino. Como mulher, quando ando na rua, eu posso sorrir para as pessoas e elas sorriem de volta. Eu posso sorrir para crianças, e ninguém pensará que sou pedófila. Se eu chorar, as pessoas me confortarão. Se eu me sentir discriminada, as pessoas me ajudarão. Se eu for sexualmente atacada, as pessoas acreditarão em mim - exceto se a evidência provar o contrário. Homens não podem dizer o mesmo.

Você sabe o que é pior que cantada de rua? Ninguém te acenando. Jamais sentir-se desejável. Sempre ter que tomar a iniciativa sexualmente e acabar rejeitado a maioria das vezes. Um dos privilégios de ser mulher é que não temos que pedir por consentimento afirmativo porque não temos que tomar iniciativa e portanto não somos vistas como responsáveis ou encarregadas por qualquer coisa que acontecer. Com certeza sou menor e mais vulnerável fisicamente, mas a qualquer momento posso acusar qualquer homem de dizer algo sexista ou de tocar-me de maneira inapropriada e ele pdoe perder seu emprego e sua família. Ele é culpado até provado inocente. Mesmo que ele seja inocentado, eu não encararei repercussão alguma.

Ultimamente, se nós realmente quisermos igualdade nós estaríamos nos perguntando com a vida realmente é para eles. Porque enquanto os papéis masculinos estiverem limitados, os femininos também estarão. Se realmente queremos igualdade, deveríamos faalr de iguais responsabilidades juntamente com iguais direitos; nós deveríamos ter conversas honestas acerca das diferenças biológicas e da atração. Até fazermos tais coisas, nós nos encontraremos em um contínuo bloqueio, reclamando de tais coisas triviais como manspreading e nos perguntando por que não podemos ter tudo enquanto erroneamente pensando que homens tenham tudo.


Notas e Links
[1]http://archive.is/aJ0Q8
[2]https://www.aap.org/en-us/about-the-aap/departments-and-divisions/department-of-education/Documents/women_med_demographics.pdf
[3]http://archive.is/axGjh
[4]http://archive.is/c6itM
[5]http://archive.is/BESBj
[6]http://archive.is/qCOlF
[7]http://archive.is/1CIc4
[8](1, 2) http://archive.is/Z0B0K
[9]http://www.amazon.com/gp/product/0743284712/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=0743284712&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=G4FPHTJWX3CBE5XT
[10]http://www.amazon.com/gp/product/B00IDHV5EM/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=B00IDHV5EM&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=WR2B5X2BSWUH65EV
[11]http://www.amazon.com/gp/product/B004YQQSBQ/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=B004YQQSBQ&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=5HH7X5BB3OITMNCC
[12]http://archive.is/VjcxL
[13]http://archive.is/9Nong
[14]http://www.amazon.com/gp/product/0812994566/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=0812994566&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=H2UMGJ5HUHMSVXYQ
[15]http://archive.is/80hup
[16]http://archive.is/i6V2A
[17]http://archive.is/jVdsI
[18]http://archive.is/RQIYe
[19]http://archive.is/FfORH
[20]http://archive.is/7C7Wg
[21]http://archive.is/tLNEg
[22]https://nces.ed.gov/pubs2009/2009081.pdf
[23]http://archive.is/bayne
[24]http://archive.is/LQCdB
[25]http://archive.is/OC5Y0
[26]http://www.cdc.gov/nchs/data/nvsr/nvsr61/nvsr61_04.pdf
[27]http://archive.is/ER5T
[28]http://www.pnas.org/content/112/49/15078.full.pdf
[29]https://www.hudexchange.info/resources/documents/2015-AHAR-Part-1.pdf
[30]http://archive.is/eFRNf

META
Título Original Do Women Really Want Equality?
Autor Nikita Coulombe
Link Original https://www.avoiceformen.com/sexual-politics/do-women-really-want-equality/
Link Arquivado http://archive.today/pP082

domingo, 13 de novembro de 2016

"Nerds e Feminismo..." por ToySoldier

Nerds e Feminismo: Feministas Agindo Maldosamente

Já estamos na segunda semana do ano, e feministas começaram o ano em grande estilo indo atrás dos homens mais opressores de todos os tempos: os nerds.

OK, feministas se empenharam em grandes disputas de espancamento contra nerds no verão passado com a radiação do GamerGate. A rodada corrente, porém, tem uma causa distinta.

Scott Aaronson, um blogueiro e cientista, escreveu um comentário descrevendo seu medo de aproximar-se de mulheres quando era mais jovem:
Eu passei meus anos de formação - basicamente dos meus 12 até 20 anos e meio - sentindo-me não "beneficiado", nem "privilegiado", mas apavorado. Eu andava apavorado que uma das minhas colegas de classe viesse de alguma maneira a saber que eu a desejava sexualmente, e no instante que ela soubesse, eu seria zombado, chacoteado, chamado de esquisitão e assustador, talvez até expulso da escola ou posto na prisão. E além disso, que as pessoas que fizessem tais coisas a mim estivessem de alguma forma moralmente corretas em fazê-lo - mesmo que eu não pudesse entender como.

O medo de Aaronson adveio do feminismo, especificamente a noção feminista que todas as interações entre homens e mulheres contivessem um diferencial de poder que homens usam para explorar as mulheres. Aaronson tentou conformar-se às demandas feministas, mesmo assim isto apenas piorou a situação, a ponto de ele ter contemplado suicídio.

Alguém poderia pensar que tais revelações motivariam simpatia, mas estaria errado. O que se seguiu foi um amontoado digital de feministas da maior parte dos blogs esquerdistas e feministas mais proeminentes. Todos empregaram o mesmo argumento: Aaronson é um idiota beneficiado e privilegiado. Ele respondeu a esses comentários, notando que feministas estavam apenas mostrando como seu medo era justificado. Como ele notou:

Eu tomei o mais dramático e auto-sacrificial passo que eu poderia tomar que as pessoas vissem como eu era, em vez de acordar para alguma moldura mental de "homem cientista beneficiado, privilegiado da elite". E muitos responderam usando a moldura ainda mais firmemente, retorcendo minhas palavras até elas encaixarem, e então congratulando-se uns aos outros pela sua bravura nesse proceder.

Aqui, claro, esses twitteiros (e facebookeiros e redditores) inconscientemente ajudaram a basear meu argumento por mim. Alguém ainda não entendeu o tipo de medo paralisante que eu tive que suportar quando mais jovem, que milhões de outros nerds suportam, e que eu tentei explicar no comentário - o medo que pessoas civilizadas fossem condenar-te assim que descobrissem quem você realmente é (mesmo que a realidade pareça longe de incomumente ruim), que sua única escapatória seja mentir ou esconder-se?

Mesmo assim, esta resposta instigou nada além de críticas de feministas, e o amontoado continuou. Por exemplo, Harris O'Malley escreveu dois artigos sobre Aaronson, porque aparentemente apenas um soco malévolo nos intestinos não era o suficiente. O'Malley inicia seu segundo golpe em sua solenidade:
Esta ideia - de que nerds e geeks são injustamente malignizados, que eles são o nível mais baixo do totem social e são incompreendidos, caluniados e perseguidos (!) - é bem comum. Somos oprimidos! Temos sido vítimas de valentões, azucrinados e insultados, como podemos ser privilegiados?!

Esta é uma réplica feminista comum. A intenção é óbvia: como homem, nada de ruim pode verdadeiramente te acontecer. Sua vida é uma moleza. O'Malley demonstra esse argumento fazendo um monte de falatório ácido contra nerds sobre quão horríveis são as coisas para mulheres. Coisas ruins acontecem a mulheres, e tais coisas não ocorrem a homens (exceto quando ocorrem...), ergo ... vis à vis ... concordantemente ... homens são privilegiados.

O'Malley tenta sofismar daí:
Uma das respostas mais comuns que homens têm em discussões sobre privilégio - especialmente quando intimados a reconhecer seus privilégios - é negar que ele exista. "Minha vida não tem sido fácil", eles podem dizer. "Olhe de todas as formas, minha vida não tem sido justa! Olhe de todas as formas que eu tenho me estrepado!" E sejamos justos: eles não estão errados. Sim, homens, mesmo os brancos héteros, lidam com coisas ruins na vida. Eles podem ser pobres. Podem ser doentes ou ter deficiências. Suas vidas podem bem ser uma longa série de episódios onde Lucy tira a bola de Charlie Brown. Os deuses podem bem tê-lo selecionado para ser um eterno idiota azarado, fadado a sofrer em favor da diversão de um cosmo indiferente.

Sinto um cheirinho de "porém" vindo:

Porém, eis onde o privilégio aparece: por ruins que possam ser as coisas, quão piores elas poderiam ser se ele fosse gay? Se fosse trans? Se fosse uma minoria étnica?

E se fosse uma mulher?

Porque, como todos bem sabemos, nada é pior que ser mulher. É muito melhor ser homem gay, transgênero, ou uma minoria étnica do que ser mulher. O mínimo que pode acontecer àqueles três grupos é que as pessoas simpaticamente tentarão:


Em contraste, mulheres serão "assediadas, perseguidas, ameaçadas, caçadas de suas casas e até mesmo SWATeadas sobre opiniões acerca de video games", o que nunca acontece com homens.

Tudo o que esse embaraçamento da vítima faz é lembrar aos nerds que o que aconteceu a eles não foi tão ruim. Poderia ser "pior", como se possuir um cromossomo X, pele escura, ou uma preferência sexual por membros do mesmo sexo tornasse a intimidação, discriminação e ódio doer mais.

O'Malley também tenta o joguinho do "eu sou um de vocês":
Não me levem a mal: eu sou mais que simpático aos meus companmnheiros geeks. Eu escrevi antes sobre crescer com os mesmos medos, crenças auto-restritivas e problemas de identidade que vêm com ser uma pola pálida e esquisitona de ansiedades.

Novamente, sinto um "porém" chegando:
Porém, o problema é que não somos os oprimidos; nós apenas continuamos nos dizendo que somos.

Para registrar, "porém" é um termo de negação. Ele é usado para mostrar que a cláusula anterior não é inteiramente verdadeira. Então, o que O'Malley realmente quer dizer é que ele não é simpático aos geeks. De fato, ele pensa que os problemas que eles enfrentam estão todos em suas cabeças:
As histórias que nos contamos a nós mesmos moldam como vemos o mundo, e a ideia que nerd s geeks são fracos, sem poderes e socialmente indesejáveis acaba nos cegando não apenas para nossa real posição no mundo, mas para os efeitos da nossa própria conduta. Quando você diz a si mesmo que você é o herói por tempo o bastante, você tende a não ver que está agindo como o vilão.

Batman, tem algo que gostaria de compartilhar?



Não apenas O'Malley cita erroneamente o adágio (o correto é "ou você morre herói ou vive o bastante para se ver tornando vilão"), mas ele segue com um
Agora sejamos claros: não estou chamando os geeks de o cara mau.

Pelo amor de ...



O'Malley afirma: "Quando você diz a si mesmo que você é o herói por tempo o bastante, você tende a não ver que está agindo como o vilão". Eu vou colocar de lado a óbvia ironia de essa afirmativa vir de alguém que perdeu dois longos artigos surrando nerds. As afirmações citadas implicam que se você é um nerd que se considera um cara legal, então você na realidade é um vilão.

Ainda assim sinto mais um "porém" se aproximando:
Porém, mitologizando os nerds como pessoas sem auto-estima e sem poder, acabamos não vendo como tratamos mal os outros ao agir, ironicamente ... da mesma forma que os atletas e valentões agem contra nós.

Você sabe, não acho que isto vai vem com interrupções, então vou postar a citação toda na sequência:

As histórias que contamos a nós mesmos moldam como vemos o mundo, e a ideia que nerds e geeks são fracos, sem poder e socialmente indesejáveis acaba nos cegando não apenas para nossa verdadeira posição no mundo, mas para os efeitos de nossa própria conduta. Quando você diz a si mesmo que você é o herói por tempo o bastante, você tende a não ver que está agindo como o vilão.

Agora sejamos claros: não estou chamando os geeks de o cara mau. Porém, mitologizando os nerds como pessoas sem auto-estima e sem poder, acabamos não vendo como tratamos mal os outros ao agir, ironicamente ... da mesma forma que os atletas e valentões agem contra nós.

Estou totalmente impressionado. Esta é uma dupla negação. O'Malley acusa nerds de fabricar suas experiências negativas e acusa que eles são vilões, depois acusa que não são vilões, e então imediatamente reacusa-os de serem vilões. É raro ver esse de duplo padrão da mais alta qualidade fora da política. Novamente eu estou muito impressionado.

O'Malley não acabou ainda. Ele não apenas quer que nerds conheçam que nada ruim de fato acontece com eles e que com outros grupos (mas de verdade mesmo só com mulheres) é pior, mas que nerds agora são os populares:
Francamente, os nerds venceram. A cultura nerd é cultura, ponto. Dos 50 filmes mais lucrativos de todos os tempos apenas um deles - Titanic - não é um quadrinho ou propriedade geek. Guardians of the Galaxy foi o filme mais lucrativo do ano. The Avengers: Age of Ultron e Star Wars: The Force Awakens são os arrasa-quarteirões mais aguardados de 2015. A lista da TV Guide dos programas mais populares da América inclui Marvel’s Agents of SHIELD, Game of Thrones, The Walking Dead, The Originals, Sleepy Hollow, Reign e Arrow. Qualquer Barnes and Noble está estufada de toneladas de brinquedos, calendários e extravagâncias do Doctor Who. Video games saíram da província dos "molecões imaturos vivendo no porão" para algo que todos fazem - os atletas jogam tanto Call of Duty, Destiny e NFL 2015 quanto os geeks e todo mundo com seus cachorros estão jogando Angry Birds, Bejewelled e Candy Crush Saga. Todas as nossas vidas - trabalho, amizades, romance - tomam lugar online agora. Joss Whedon está no comando de uma das mais ambiciosas e frutíferas franquias de cinema de todos os tempos; Elon Musk está posicionando-se a si mesmo como um Tony Stark da vida real; Bill Gates dominou nossos computadores; Steve Jobs redefiniu como consumimos música, televisão e colocou a Internet em todos os bolsos; Bill Nye the Science Guy está no Dancing With the Stars; Neil deGrasse Tyson é uma tremenda estrela, e Mark Zuckerberg sabe quando você se masturba controla sua vida social.

Você quer dizer, assim como todo mundo ouve hip hop e R&B, ama atletas negros, adotou o estilo e gírias das comunidades negras, desfruta de sua comida, copia seus penteados e trejeitos, e elegeu duas vezes um presidente mestiço? Certamente se todas essas coisas aconteceram então não há como os negros ainda sofrerem racismo, certo? Isso deve ter acabado, basta ver quantas pessoas aceitam-nos e aceitam sua cultura, correto?

É como se O'Malley não tivesse nenhum conceito de cultura e interesses populares. Que estas coisas nerds atinjam a cultura pop não quer dizer que todos as aceitam. Só quer dizer que elas estão na vibe do momento. O garoto usando óculos nerds sem lentes é chique; o garoto usando óculos nerds para corrigir problemas de visão será zombado. Sim, você pode vestir sua camiseta The Avengers, mas se falar da HQ, as pessoas vão te odiar. Você pode ver Lord of the Rings dúzias de vezes, mas se citar élfico, as pessoas vão te achar um otário. Você pode gostar de Neil deGrasse Tyson, mas se tiver um "nerdgasmo" sobre Física como o Tyson ocasionalmente tem, as pessoas vão te achar um bichinha.

Existe um limite do que é aceitável, e o limite é ser um fã genuíno. Se você gosta de nerdices porque as acha genuinamente interessantes, você é, foi, e sempre será considerado um perdedor. Quer provas? Leia os artigos de O'Malley.

Ele encerra com um:
Sempre que escrevo qualquer coisa sobre assuntos feministas ou crítica à cultura geek, eu encontro pessoas querendo saber por que ataco homens e/ou nerds. E a razão é simples: eu amo nerds, Eu amo a cultura geek. Eu quero vê-la crescer, florescere quero vê-la tornar-se uma maravilhosa força de criatividade e cultura e comunidade que eu sei que pode ser. E é porque eu a amo que eu tendo a ser tão duro com ela. Nós podemos ser tão melhores do que somos se apenas estivermos dispostos a reconhecer e abordar nossas próprias crenças e atitudes nojentas.

Vou largar o sarcasmo por um momento, para dizer que acho incrivelmente contraproducente dizer a alguém que tem sido repetidamente vítima de intimidação que é tudo coisa da sua cabeça e que ele de fato não é vítima. A antipatia é inteligível, dada a ideologia dirigindo esse argumento, mesmo assim não posso mensurar como alguém pode ser tão cego a ponto de não notar quão danosas e odiosas tais asserções são. Igualmente, falho em ver o valor de desgraçar nerds intimidados e silenciá-los usando o joguinho do "com mulheres é pior".

Eu noto que o artigo de O'Malley não é destinado a nerds ou geeks. Mesmo assim, alguns deles ainda o lerão, e eu espero que eles tenham auto-estima o suficiente para não permitir que esse tipo de culpabilização invectiva da vítima os faça pensar que são más pessoas por causa de seus interesses ou por falar de suas experiências negativas.

Eles não são.

META
Título Original Nerds and Feminism: Feminists Behaving Badly
Autor ToySoldier
Link Original https://toysoldier.wordpress.com/2015/01/12/nerds-and-feminism-feminists-behaving-badly/
Link Arquivado http://archive.today/XYLI0

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte X

Homens e Cultura


Isto fornece uma nova base para entender políticas de gênero e desigualdade.

A visão geralmente aceita é que desde os primórdios da sociedade humana, homens e mulheres eram próximos para iguais. Homens e mulheres tinham esferas separadas e faziam coisas diferentes, mas ambos eram respeitados. Geralmente, mulheres eram coletoras e homens eram caçadores. A contribuição para a reserva de comida dos dois grupos era quase a mesma, mesmo que existissem algumas diferenças complementares. Por exemplo, a comida das coletoras estava confiavelmente ali quase todos os dias, enquanto os caçadores traziam bastante comida de vez em quando mas nada nos outros dias.

Desigualdades de gênero parecem ter crescido com a civilização antiga, incluindo agricultura. Por quê? A explicação feminista tem sido que os homens se mancomunaram para criar o patriarcado. Esta é essencialmente uma teoria conspiratória, e há pouca ou nenhuma evidência de que ela seja verdadeira. Alguns argumentam que os homens apagaram-na da história a fim de salvaguardar seu recém-adquirido poder. Ainda, a falta de evidência chega a ser perturbadora, especialmente levando que este mesmo tipo de conspiração teria que ocorrer todas as vezes, grupo após grupo, pelo mundo todo.

Deixe-me oferecer uma explanação diferente. Não é que os homens sabotaram as mulheres. Em vez disso, é apenas que a esfera das mulheres permaneceu mais ou menos do mesmo tamanho, enquanto a dos homens, com suas redes sociais grandes e superficiais, lentamente se beneficiou do progresso da cultura. Acumulando conhecimento e melhorando os ganhos da divisão do trabalho, a esfera dos homens gradualmente progrediu.

Portanto religião, literatura, artes, ciências, tecnologia, ação militar, atividades comerciais, organização política, medicina - todas elas emergiram principalmente da esfera masculina. A esfera feminina não produziu tais coisas, apesar de que ela fez outras coisas valorosas, como o cuidado com a próxima geração de tal forma que a espécie continuasse a existir.

Por quê? Não tem nada a ver com homens terem melhores habilidades ou talentos ou qualquer coisa como essa. Ela vem principalmente de diferentes tipos de relacionamentos sociais. A esfera das mulheres consiste de mulheres e portanto foi organizada com base no tipo de relacionamento próximo, íntimo, assistencialista e pareado que mulheres favorecem. Estes são relacionamentos vitais e satisfatórios que contribuíram de maneira essencial para a saúde e sobrevivência. Enquanto isso homens favoreceram as redes maiores de relacionamentos superficiais. Estas são menos satisfatórias e férteis e assim por diante, mas elas formam uma base mais fértil para a emergência da cultura.

Note que todas as coisas que eu listei - literatura, artes, ciências etc. - são opcionais. Mulheres estavam fazendo o que era vital para a sbrevivência da espécie. Sem cuidado e nutrição íntimos, os filhos não sobreviveriam, e o grupo morreria. Mulheres contribuíram para as necessidades da vida. As contribuições dos homens foram mais opcionais, luxos e indulgências, talvez. Cultura vez isto -mas principalmente na esfera masculina.

Portanto, a razão para a emergência das desigualdades de gênero pode ter pouco a ver com homens sabotando mulheres em alguma conspiração patriarcal dúbia. Em vez disso, ela veio do fato que riqueza, conhecimento, e poder foram criados na esfera masculina. Foi isto que fez florescer a esfera masculina. Não a opressão.

Dar à luz um bebê é um exemplo revelador. O que poderia ser mais feminino que dar à luz? Ao longo da maior parte da história e pré-história, dar à luz foi o centro da esfera feminina, e os homens foram completamente excluídos. Homens raramente ou nunca estiveram presentes no nascmento, nem mesmo o conhecimento sobre o nascimento foi compartilhado com eles. Mas não há muito tempo, aos homens foi finalmente concedido que se envolvessem, e os homens foram capazes de elaborar formas de tornar o parto mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. Pense nisto: a atividade mais quintessencialmente feminina, e mesmo nela os homens foram capazes de melhorá-la de formas que as mulheres não tinham descoberto por milhares de anos a fio.

Não vamos superestimar. As mulheres afinal de contas gerenciaram o parto muito bem por todos aqueles séculos. A espécie sobreviveu, o que é o importante. As mulheres têm gerenciado a fim de conseguir concluir a tarefa essencial. O que o homem acrescentou foi, da perspectiva do grupo ou da espécie pelo menos, algo opcional, um bônus: algumas mães e bebês que de outra forma morreriam agora sobreviveram. Mesmo assim, as melhorias mostram algum valor vindo da maneira masculina de ser social. Redes maiores podem coletar e acumular infomação melhor que redes menores, e assim em um intervalo relativamente pequeno de tempo os homens foram capazes de descobrir melhorias que as mulheres não foram. Novamente, não é que os homens fossem mais espertos ou capacitados. É só que mulheres partilhavam seu conhecimento individualmente, de mãe para filha, ou de uma parteira para outra, e no longo prazo isto não poderia acumular e progredir tão eficazmente quanto em grupos maiores de relacionamentos mais superficiais favorecidos por homens.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

"As Mulheres Eram Oprimidas no Passado?" - Parte IX

Sentenciamento Criminal


Mais frequentemente a discriminação na administração da lei penal era escondida debaixo de uma fachada nominal de neutralidade de gêneros. Os autores escrevem: "A palavra expressa da lei - e, muito mais, a distorção tácita da Lei Criminal em favor das mulheres pelo viés do juiz, júri, e imprensa - tem criado um sistema regular de concessão de privilégios das mulheres contra os homens, ou contra a comunidade em geral" (p33).

Apesar de a lei ser nominalmente idêntica para ambos os gêneros, promotores e polícia menos provavelmente trarão processos de suspeitas mulheres, júris estão menos dispostos a condenar, e juízes impõem penas mais lenientes. Infelizmente, isso significa que discriminação geralmente só pode ser conclusivamente demonstrada estatisticamente.

Porém, incapazes de conduzir uma pesquisa quantitativa, Bax e seu coautor se valem de evidências anedóticas, recontando o tratamento leniente acordado para vários casos recentes de mulheres infratoras.

Certas vezes este tratamento não parece ser, aos ouvidos modernos, especialmente leniente. Porém, deve ser lembrado que a comparação relevante não é com as práticas contemporâneas de sentenciamento, mas em vez disso com as punições impostas sobre homens infratores do mesmo tempo e lugar - quando açoitamento, trabalhos forçados e enforcamento eram corriqueiros.

É claro, o problema com evidência anedótica é que sempre se pode protestar que os autores estão citando seletivamente apenas os casos que confirmam sua tese. Porém, pelo menos acerca das práticas contemporâneas de sentenciamento, esta réplica não é mais razoável.

No último século, estudos mais rigorosos tem confirmado quantitativamente as suspeitas de Bax e seu coautor - a saber, que mulheres infratoras são sentenciadas mais lenientemente que homens (Hedderman & Hough 1994; Spohn and Beichner 2000; Mustard 2001; Streib 2001; Streib 2002; Rodriguez et al 2006; Streib 2006; Curry et al 2004; Jeffries et al 2003; Blackwell et al 2008; Embry and Lyons 2012.).

O estudo mais recente e rigoroso descobriu que, após controlar o histórico criminal pregresso, mulheres condenadas têm apenas metade das chances de serem sentenciadas à prisão em relação a homens pelos mesmos delitos, e recebem, em média, condenações 60% menores (Starr 2012).

Há razão para crer que este 'fator cavalheiresco' favorecendo mulheres acusadas era tão formidável quanto nos dias de Bax. De fato, dadas as ainda prevalecentes atitudes vitorianas tratando a 'delicada' natureza do 'sexo mais justo', o efeito era mais provavelmente magnificado e Bax e seu coautor providenciam ampla evidência anedótica que este era de fato o caso.

Os autores identificam duas exceções onde a leniência usualmente acordada para mulheres infratoras era perdida:
  • "Se o delito foi cometido por uma mulher contra outra";
  • "Se o delito foi cometido por uma babá de crianças contra os bebês de outras mulheres".
Interessantemente, ambas as exceções ainda são de serventia. Acerca de delitos contra mulheres, estudos confirmam que tanto homens quanto mulheres infratoras são punidos mais severamente quando suas vítimas são mulheres (Williams & Holcomb 2004; Curry 2010; Curry et al 2004).

De forma semelhante, mulheres que são condenadas por matar filhos de outras mulheres permanecem figuras de ódio (p. ex. Myra Hindley, Mary Bell no UK). Mesmo assim, em contraste, mulheres que matam os próprios rebentos são tratadas lenientemente, ao contrário de pais culpados do mesmo delito (Wilczinsky & Morris 1993) - uma forma de discriminação que agora ganhou força estatutária, com os Infanticide Acts de 1922 e 1938.

sábado, 1 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte III

Estereótipos em Harvard


Eu tenho dito que hoje em dia a maioria das pessoas adota estereótipos mais favoráveis às mulheres que aos homens. Nem sempre foi assim. Até por volta da década de 1960, a psicologia (bem como a sociedade) tendia a ver os homens como a norma e as mulheres como uma versão ligeiramente inferior. Durante a década de 1970, houve um breve período no qual se disse que não havia real diferença, apenas estereótipos. Só por volta da década de 1980 que a visão dominante foi de mulheres sendo melhores e homens sendo a versão inferior.

A coisa surpreendente para mim é que levou pouco mais de uma década para se ir de uma visão até a sua oposta, a saber, de pensar que os homens são melhores que as mulheres do que pensar que as mulheres são melhores que os homens. Como isto foi possível?

Estou certo que vocês estão esperando que eu fale sobre Larry Summers em algum momento, então vamos logo com isso! Vocês lembram que ele era presidente de Harvard. Como sumarizado no The Economist, "Sr. Summers injuriou a instituição feminista ao questionar em voz alta se o pré-julgamento sozinho poderia explicar a falta de mulheres no topo da ciência". Após inicialmente dizer que é possível que talvez não existam tantas professoras de Física em Harvard porque não há muitas mulheres com esta habilidade inata, apenas uma possível explicação entre outras, ele teve que se desculpar, se retratar, prometer altas somas de dinheiro, e pouco tempo depois ele renunciou.

Qual foi seu crime? Ninguém o acusou realmente de discriminação contra mulheres. Sua imoralidade foi pensar coisas que não são permitidas pensar, a saber, que possam existir mais homens com grande habilidade. A única explicação permissível para a falta de mulheres no topo é o patriarcadao - que homens estão conspirando para manter as mulheres inferiores. Não pode ser habilidade. Na realidade, há alguma evidência que homens são um pouco melhores em Matemática, mas vamos assumir que Summers estava falando de inteligência em geral. Pessoas podem apontar para montanhas de dados apontando que o QI médio de homens adultos é o mesmo que o das mulheres. Então sugerir que homens são mais espertos que mulheres está errado. Não é de se espantar que algumas mulheres se ofenderam.

Mas não foi isso o que ele disse. Ele disse que há mais homens nos níveis mais altos de habilidade. Isto poderia ainda ser verdadeiro apesar da média ser a mesma - se existirem também mais homens nos níveis mais baixos da distribuição, mais homens seriamente estúpidos que mulheres. Durante a controvérsia acerca destas notas, eu não vejo ninguém levantar questionamentos, mas os dados estão aí, realmente abundantes, e são indisputáveis. Existem mais homens que mulheres com QIs realmente baixos. De fato, o padrão do retardo mental é o mesmo do gênio, a saber, que quanto mais se vai do moderado para o médio e para o extremo, a preponderância dos homens aumenta.

Todos aqueles garotos retardados não são fruto das obras do patriarcado. Homens não estão conspirando entre si para fazer os seus filhos serem retardados.

Quase certamente, é algo biológico e genético. E meu palpite é que a maior proporção de homens em ambos os extremos da distribuição de QI é parte do mesmo padrão. A natureza joga dados com os homens mais do que com as mulheres. Homens vão a extremos mais que mulheres. Isto é verdade não somente com QI mas com outras coisas também, até mesmo altura: a distribuição masculina de altura é mais plana, com mais homens muito altos e muito baixos.

Mais uma vez, existe uma razão para isso, para a qual eu logo retornarei.

Por ora, o ponto é que isto explica como podemos ter estereótipos opostos. Homens vão a extremos mais que mulheres. Estereótipos são sustentados por viés de confirmação. Quer pensar que homens são melhores que mulheres? Então olhe para o topo, [homens] heróis, inventores, filantropos, entre outros. Quer pensar que mulheres são melhores? Então olhe para baixo, [homens] criminosos, drogados, fracassados.

Em um sentido importante, homens são de fato melhores e também piores que mulheres.

Um padrão de mais homens em ambos os extremos pode criar toda sorte de conclusões enganosas e outros desastres estatísticos. Para ilustrar, vamos assumir que homens e mulheres são em média exatamente iguais em todos os aspectos relevantes, mas com mais homens em ambos os extremos. Se você então medir as coisas que são ligadas a um dos extremos, isto bagunça os dados para fazer parecer que homens e mulheres serem significativamente diferentes.

Considere a pontuação média na faculdade. Graças à inflação de classes, a maior parte dos estudantes consegue notas A e B, mas poucos vão até o limite do F. Com este tipo de limite inferior baixo, os homens de maior desempenho não conseguem elevar a média dos homens, mas os homens fracassados a derrubarão. O resultado será que mulheres conseguirão maiores médias que homens - novamente, apesar de não haver diferença na qualidade média do trabalho.

O resultado oposto vem com os salários. Existe um salário mínimo, mas não um máximo. Portanto, os homens de maior desempenho podem elevar a média enquanto os de menor desempenho não podem derrubá-la. Resultado? Homens obterão médias salariais maiores que mulheres, mesmo se não houver diferença na média em qualquer entrada de dados relevante.

Hoje em dia, com toda certeza, mulheres conseguem notas maiores mas salários menores que os homens. Existe muita discussão sobre o que isso significa e o que deve ser feito acerca disso. Porém, como vocês podem ver, ambos os fatos podem ser meramente uma estranheza estatística que se hasteia a partir dos extremos masculinos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - PARTE II

Homens no Topo


Quando eu digo que estou pesquisando como a cultura explora os homens, a primeira reação é geralmente "Como você pode dizer que a cultura explora os homens, quando os homens estão no controle de todas as coisas?". Esta é uma objeção justa e precisa ser tratada seriamente. Ela envolve a crítica feminista da sociedade. Esta crítica se iniciou quando algumas mulheres sistematicamente observaram a sociedade a partir do topo e notaram homens por todo lado: a maioria dos comandantes, presidentes, primeiros-ministros, a maioria dos congressos e parlamentos, a maioria dos presidentes executivos de grandes corporações, e assim por diante - eles são majoritariamente homens.

Vendo isto, as feministas pensaram "wow, homens dominam tudo, então a sociedade é voltada para favorecer os homens. Deve ser ótimo ser homem".

O erro desta forma de pensar é olhar somente para o topo. Se observarmos em direção à base da sociedade em vez disso, encontraremos uma maioria masculina também. Quem está nas prisões, por todo o mundo, como criminosos ou prisioneiros políticos? A população no Corredor da Morte jamais se aproximou de 51% de mulheres. Quem são os sem-teto? Novamente, maioria masculina. Quem a sociedade mais usa para trabalhos ruins ou perigosos? As estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA reportam que 93% dos trabalhadores mortos no trabalho são homens. Igualmente, quem acaba morto em batalha? Mesmo nas Forças Armadas dos EUA de hoje em dia, que têm feito muito pela integração dos sexos e pelo ingresso de mulheres em combate, os riscos não são iguais. Este ano [NT01] batemos a marca de três mil mortes no Iraque, e dessas, 2938 foram de homens, 62 de mulheres.

Podemos imaginar uma batalha antiga, em que o inimigo foi expulso e a cidade foi salva, e os soldados que retornam estão cobertos de moedas de ouro. Uma feminista daquela época poderia protestar "ei, todos aqueles homens conseguiram moedas de ouro, e metade delas deveria ir para as mulheres". Em princípio, eu concordo. Mas lembre-se, enquanto os homens que vocês veem obtiveram moedas de ouro, tem também os outros homens que vocês não veem, que ainda estão sangrando e morrendo no campo de batalha por causa dos ferimentos das lanças.

Esta é uma primeira pista importante de como a cultura usa os homens. A cultura está cheia de contrapesos, nos quais ela precisa de pessoas para realizar coisas arriscadas ou perigosas, e assim sendo oferece grandes recompensas para motivar as pessoas a tomar tais riscos. A maioria das culturas tendeu a usar homens para estas lacunas de alto-risco&alto-retorno muito mais que mulheres. Eu proponho que existem importantes razões pragmáticas para isto. O resultado é que alguns homens recolhem grandes recompensas enquanto outros têm suas vidas arruinadas ou até mesmo ceifadas. A maioria das culturas protege suas mulheres do risco e portanto também não lhes dá as grandes recompensas. Não estou dizendo o que as culturas deveriam moralmente fazer, mas culturas não são seres morais. Elas fazem o que fazem por razões pragmáticas direcionadas por competições entre outros sistemas e grupos.

FootNotes:
  • [NT01] O artigo é datado de 2007

Masculinidade Tóxica e Feminilidade Tóxica [Karen Straughan]

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