sábado, 24 de março de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 21

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Como eles sabem que um em três homens fariam isso se não houvesse consequências? Eles acham que eles são psicóticos? Ah, certo, entendi, deixa pra lá, erro meu…

  1. O estudo usava uma escala Malamuth (geralmente uma escala de 1 a 5 em que 1 significa "nem um pouco provável" e 5 é "bastante provável"). O próprio Malamuth acautela os pesquisadores a não tomar as respostas como predições de comportamento futuro, dado que os respondentes estão respondendo a hipóteses.
  2. O estudo perguntava uma série de questões, prefaciadas com "se você soubesse que não haveria consequências e ninguém descobrisse, quão propenso você estaria a …". Então há uma lista de atividades sexuais normais (sexo hétero, sexo oral etc.), não convencionais (grupal, bondage) e ilegais (estupro, forçar uma mulher a fazer algo que ela não queira).
  3. "Estupro" aparece antes de "forçar uma mulher a fazer algo que ela não queira" na lista. Na minha cabeça, isto pode levar alguns respondentes a imaginar algo sexual que não seja intercurso sexual forçado. Digo, eles já responderam sobre estupro, correto? Eles devem estar perguntando sobre outra coisa agora. Certamente podemos todos concordar que existem coisas sexuais que você pode forçar alguém a fazer que não se encaixam na definição de estupro. "Obrigá-la a enviar fotos dos peitos", por exemplo. "Forçá-la a assistir a um pornô comigo". "Forçá-la a falar/ouvir no telefone enquanto soco uma bronha". Estas são formas de coerção/violência sexual não obstante, porém elas não se encaixam na definição de estupro. A ordenação destas questões me parece como se fosse capturar qualquer homem que acredite que não forçariam intercurso sexual, mas talvez forçasse outras atividades sexuais, e então os categoriza como estupradores em potencial.
  4. A escala que eles usaram era de 0 a 100, com 0 representando "nem um pouco" e 100 representando "bem provável". Os pesquisadores então apresentaram todas as respostas maiores que 10 como "estupro" e "forçar uma mulher a fazer algo que ela não quer" como "ter intenção de estuprar". Então, basicamente, qualquer um que respondesse algo diferente de "nem um pouco" ou tão próximo disso a fim de ainda representar um "1" na contagem original de 1 a 5 a qualquer das duas perguntas foi descrito na pesquisa como um "definitivamente estupraria". Isto é basicamente tomar a precaução original de Malamuth, limpar o rabo com ela e jogá-la privada abaixo.

1 META

Table 1: META
Autor Karen Straughan
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/77tgxm/_/doq2uq5/
Link Arquivado http://archive.is/nWXO0

Created: 2018-03-24 sáb 13:28

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segunda-feira, 5 de março de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 20

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Sim, claro. E se você perguntar a um cristão 'o que é o diabo?" ele dirá "Lucifer, dantes o mais belo e favorito dos anjos de Deus, que rebelou-se contra Deus, caiu da graça e foi mandado ao fundo do Inferno".

Na prática, você pode olhar para qualquer coisa negativa no mundo e dizer "é obra do diabo".

"O diabo" tornou-se um substituto, ou um receptáculo de culpa, de "qualquer coisa ruim que aconteça em qualquer lugar a qualquer um".

Durante a segunda onda, existia uma teoria no feminismo conhecida como "a mulher maligna". Ela professava ser uma ramificação da dicotomia virgem/meretriz, e era usada para explicar por que mulheres recebiam sentenças mais pesadas que os homens por seus crimes. A dicotomia virgem/meretriz era considerada "parte do patriarcado", portanto "a mulher maligna" também era parte do patriarcado. Isto acontecia porque homens detinham o poder dentro do sistema.

O único problema era que mulheres na realidade recebem sentenças mais lenientes para basicamente cada categoria de crime, mesmo controlando as relevantes circunstâncias subjacentes.

Bem, aparentemente isto é "parte do patriarcado" também. Isto ocorre porque homens detêm poder no sistema. Nós feministas precisamos nos livrar de toda essa coisa do patriarcado, porque é o que está causando tudo isso.

Exceto que são primariamente as feministas, incluindo estudiosas e aquelas com poder político (como Madame Magistrada Hale no Reino Unido) que estão argumentando que mulheres deveriam ser tratadas ainda mais lenientemente no sistema criminal que elas estão agora – convocando o fechamento completo das prisões femininas, e afirmando que jamais deveríamos trancafiar mulheres por qualquer crime que seja. Eu tenho o sentimento de que se elas conseguirem o que desejam, e as pessoas começarem a reclamar, nós voltaremos à boa, velha e fiel desculpa "é culpa do patriarcado".


1 META

Table 1: META
Autor Karen Straughan
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/804vg6/_/duunqw3/
Link Arquivado http://archive.today/JdzSo

Created: 2018-03-06 ter 00:17

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 19

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\#MeToo, em minha opinião, teve origens nobres.

Quando o caso Weinstein veio à tona, não foi uma questão de um par de mulheres vindo a público, vomitando suas histórias em um jornalista, e com o jornalista apenas regurgitando-as para o público. A peça da Times que lançou a história foi o resultado final de uma longa investigação, onde os jornalistas seguiram uma trilha de disputas estabelecidas e acordos de não-divulgação excessivamente abertos (em alguns casos, o demandante estava legalmente impedido de discutir o incidente com o esposo ou o terapeuta). A rede de fofocas de Hollywood estava murmurando sobre Weinstein por anos. Ele tinha uma reputação de não apenas explorar jovens atrizes aspirantes, mas de atacar homens que o irritavam, e de boicotar e banir pessoas de ambos os sexos que cruzavam seu caminho.

Eu tinho meus próprios sentimentos acerca das mulheres envolvidas – você sabe, aquelas que assinaram estes acordos e ultimamente permitiram que ele continuasse a explorar outras mulheres. É um pouco chocante, quando você está lidando com alguém tão poderoso quanto ele, dizer que ele deveria abrir o bico em vez de pegar o pagamento e calar a boca, mas ao mesmo tempo, eu certamente desejaria que um ou dois o fizessem.

Não sei se você sabe, mas o #MeToo espalhou-se pelo mundo anglófono, e a reação automática e linchamento das mídias sociais (Twitter em especial) tornou isto em uma coisa horrenda.

Ansari nem é o pior disso.

Uma mulher jornalista do UK, ponderando sobre o #MeToo, publicamente disse algo mais ou menos como "ok, anos atrás estava entrevistando este deputado 1, e ele tocou meu joelho algumas vezes. Eu disse a ele que da próxima vez que ele fizesse aquilo eu o socaria no nariz. Ele parou e desculpou-se e temos sido bons amigos desde então. Como nesse mundo há mulheres por aí que ficam traumatizadas por anos acerca de coisas ainda mais triviais? Como é que as mulheres são vistas como frágeis demais para dizer a um homem "Não estou interessada"?"

O deputado foi demitido. A turba linchadora tomou a ofensa em nome dessa mulher, decidiu por ela que ela deve ter se sentido violada e desumanizada, e acima de suas objeções ganhou a cabeça do cara numa bandeja. Quero dizer, ela obviamente estava sofrendo de misoginia internalizada, correto?

Temos uma deputada no Canadá que descreveu o extremo trauma que ela sofreu por anos acerca de uma foto que ela fez ombro a ombro com outros deputados. Um deles (homem) fez uma piadinha, "essa não era exatamente a minha ideia de um relacionamento a três", ou algo do tipo. Ela aparentemente ainda está afetada por isso. Ainda sofre os vapores sempre que rememora isso. Eu estou pasmada que qualquer pessoa possa ficar traumatizada pela vida toda por uma piadinha grosseira. Estou chocada que esta pessoa ocupe uma posição de poder. Puta que pariu, faz alguns anos tivemos um terrorista armado com automáticas invadindo o Parlamento. Ele seguiu até as portas das Câmaras onde estava presente a maioria dos nossos parlamentares antes de ser atingido. E ainda assim esta mulher ainda tem tremores de suas rememorações de um cara que fez uma piadinha de mau gosto? Uma piada que meu filho de 15 pensaria ser o oposto de "irada"?

Esta caça às bruxas estava sendo montada já tem um tempo. Há alguns anos um estudo de um punhado de campi foiliberado e a mídia imediatamente anunciou que uma em cada quatro mulheres na América foi vítima de abuso sexual. O problema é que a pesquisa usada no estudo tinha uma taxa de resposta de menos de 19%. Mais que isso, havia uma cifra na pesquisa que podia ser comparada a um número conhecido.

O Clery Act exige que escolas revelem todos os seus reportes de incidentes criminais para o governo federal. Este é nosso número conhecido.

O estudo perguntava às mulheres que afirmaram foram atacadas se reportaramk ou não o ataque às suas escolas. Se você extrapolar a porcentagem de respondentes que disseram que foram atacadas e reportaram isso para suas escolas, aplicar isso à população geral de mulheres estudantes nos EUAe multiplicar quatro anos de curso, você obtém uma cifra que é nove vezes o número real. Mesmo que assuma que todo reporte feito para uma escola e revelado sob o Clery envolve uma vítima feminina, e que cada pessoa que não preencheu a pesquisa não foi atacada, estes números ainda estão bem exagerados. O estudo ainda extrapola por volta de duas vezes o tanto de reportes realmente ocorridos anualmente.

Nós estamos nos espasmos de um potencial pânico moral, e o problema com pânicos morais é que pessoas inocentes estão propensas a se encontrarem no lado errado deles. Mais de uma centena de pessoas foi processada durante o "Pânico Satânico" dos anos 1980, quando péssimos métodos de terapia e investigação fomentaram uma crença pública de que trabalhadores de creche estavam vestindo-se em roupões pretos, estuprando analmente crianças com facas de trincha em plena luz do dia enquanto transeuntes nada faziam, e sacrificando bebês para usar sua gordura derretida na feitura de velas. Sem brincadeira. Pessoas acreditavam nessas coisas, e o mantra na mídia era que "crianças não vão mentir sobre essas coisas".

Qualquer um que sequer levantasse questões ou dissesse "talvez devêssemos ir mais devagar e olhar de verdade para alguma evidência além deste depoimento prefabricado de criancinhas …" era exposto como pedófilo ou apoiador de pedófilo. Digo, certamente, algumas dessas crianças descreviam seus "estupradores" como se eles estivessem voando em vassouras, e descreviam túneis e câmaras subterrâneos elaborados que nunca foram encontrados mesmo após intensas escavações … se você duvidasses dessas crianças, você era uma pessoa ruim e merecia ser boicotada.

Se eu me lembro, há poucos anos, ainda existia pelo menos uma pessoa na prisão, esperando exoneração por causa desse travestismo. Acerca de um abuso sexual que nunca aconteceu.

Se tivermos sorte, Aziz Ansari irá quebrar o #MeToo. Especialistas da direita (que têm razão para enquadrar o #MeToo) e da esquerda (que têm razão para odiá-lo) têm dito "mas isso é ridículo. Isso não foi abuso. Foi um encontro ruim, nada mais, e francamente, a melhor pista não-corporal que você pode dar a alguém se não quer trepar é não tirar as roupas, ou vesti-las. Ah, e também não chupar o pau dele duas vezes".

Estas coisas têm um jeito de sair do controle. Geralmente, pessoas não se acalmam até que elas parem para respirar e notem todos os corpos de inocentes se empilhando.

Enquanto isso, no Canadá, em resposta a uma absolvição perfeitamemte justificável em um caso de abuso sexual de alto perfil, foi introduzida nova legislação que tornará virtualmente impossível mesmo para um homem inocente montar uma defesa afirmativa contra a acusação de abuso sexual. Um juiz foi forçado da própria mesa e está lutando para reter seus direitos de praticar lei em razão de uma simples sentença que ele pronunciou durante um julgamento de abuso sexual – um caso que foi rejulgado (a coroa apelou e logrou êxito) e isto resultou em uma segunda absolvição por um juiz diferente pelas mesmas razões. O réu passou dois anos na prisão esperando seus dois julgamentos, e esteve incapacitado de segurar a mão da própria mão quando ela morreu algumas semanas antes de sua segunda absolvição.

Isto está ficando insano, TsaiAna.


Table 1: META
Autor Karen Straughan AKA GirlWritesWhat
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/7r7hvz/_/dsuwfbi/
Link Arquivado http://archive.today/g5DHZ

Footnotes:

1

No original, MP, Member of Parliament

Created: 2018-02-22 qui 00:22

Emacs 25.3.1 (Org mode 8.2.10)

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 18

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Eis um caso interessante que as pessoas sempre citam quando discutem a Arábia Saudita, geralmente no contexto da alegação "mulheres na Arábia Saudita são punidas por terem sido estupradas!". E sim, é um caso real, obteve atenção internacional, e é um dos casos mais frequentemente citados como "opressão de gênero contra mulheres na Arábia Saudita".

Um homem e uma mulher estavam tendo um caso. (Não lembro se era adultério ou mera fornicação, mas era algo ilegal de qualquer maneira.) No decurso deste romance ilícito, eles encontravam-se para alguns momentos de amasso num carro estacionado num ponto afastado. Um bando de homens passava pelo local e decidiu estuprá-los, ambos, coletivamente.

As vítimas reportaram o crime à polícia. Durante o curso da investigação, foi descoberto que eles estavam tendo um relacionamento ilícito. Os estupradores foram processados por estupro (e receberam penas mais lenientes do que muitos achariam justo, admito), e os amantes azarados [NT01] foram processados pelo seu caso ilegal. Ambos receberam a mesma punição (prisão e chicotadas).

A vítima masculina aceitou sua punição sem reclamar. Tomou suas chicotadas e serviu seu tempo na prisão. A vítima fêmea, com a assistência de organizações e advogados de direitos humanos, apelou de sua condenação, levantando um enorme banzé na mídia. Eles alegaram que estupradores deveriam ser sentenciados a penas maiores, e que ela nem sequer deveria ser punida. A corte revisou a sentença dos estupradores e lhes deu mais tempo de prisão.

Porém, a corte, em vez de absolver esta mulher de sua punição, efetivamente duplicou sua sentença. A justificativa foi essencialmente que ela estava contradizendo a corte e usando as circunstâncias do caso a fim de ficar livre de ser punida por um delito que ela cometeu.

É claro, a mídia ficou absolutamente maluca. Seu time de advogados disparou outra apelação. E eventualmente, um bom tempo depois de seu amante ter cumprido sua sentença, o próprio rei a perdoou.

Então basicamente o caso exibido como "uma prova clara de misoginia" envolvia um homem sendo punido com chicotadas e prisão (não "por ser estuprado" mas por um romance ilegal que foi descoberto enquanto investigavam esse estupro) e uma mulher escapando não apenas de receber igual punição por idêntico crime, mas de qualquer punição que seja, quando o rei entrou em cena e anulou as cortes. Por causa da misoginia, aparentemente.

Você ouvirá contumélia semelhante acerca de certas práticas na província de Aceh na Indonésia. Eles chicoteiam mulheres por ficarem próximos demais dos seus namorados em público, oh pela deusa quanta misoginia.

O problema é que os namorados também acabam chicoteados por ficarem próximos demais das mulheres. Ninguém enquadra isso como misandria. De fato, ninguém faz muita nota disso afinal, porque se fizessem, teriam um problemão argumentando que esta horrível situação é evidência de opressão misógina de gênero contra as mulheres.

Um vídeo promocional de Stephen Colbert solicitava doações, faz uns dois anos, a fim de "colocar as meninas de volta à sala de aula". Na seção de informações, alegavam que globalmente 58 milhões de meninas não estavam na escola, citando um reporte da Unesco. Este reporte na realidade mostrava que 37 milhões de meninas e 27 milhões de meninos não estavam na escola. Eles fizeram uma mudança de sexo nos meninos em seus materiais promocionais, apenas para tornar esta uma questão de gênero. Sacumé, opressão contra as meninas.

O que eu descrevi aqui são três situações onde homens e mulheres (ou meninos e meninas) são tratados igualmente mal (pelo menos até a mídia e os advogados e os grupos de direitos humanos ventilarem essas coisas) mas são usadas como evidência de opressão específica a mulheres.

E é claro, há exemplos piores - aqueles onde coisas muito piores acontecem com meninos ou com homens, mas mulheres e meninas dominam a efusão de compaixão, e tudo isso é enquadrado como misoginia e opressão contra as mulheres e meninas. Mais ou menos duzentas garotas sequestradas pelo Boko Haram obtiveram atenção internacional. Nada dos mais ou menos dez mil garotos sequestrados por eles, ou os milhares de meninos por eles assassinados, antes do advento do #BringBackOurGirls [NT02]. Poucas pessoas sequer estão cientes dos meninos, e o governo nigeriano veio a público dizer que eles poderiam simplesmente ter que "obliterar" os meninos enquanto eram recuperados (quer dizer, executá-los oficialmente) porque seria difícil demais reabilitá-los.


Notas e Links

[NT01]Star-crossed lovers, literalmente "amados cruzados pela estrela", num sentido de "estrela da má sorte".
[NT02]"Devolvam Nossas Meninas"

META
Autor Karen Straughan
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/7pjasp/_/dshyis4/
Link Arquivado http://archive.is/

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

"NARVO - Negação, Ataque e Reversão Vítima-Ofensor" [Dra. Tara J. Palmatier]

NARVO - Negação, Ataque e Reversão Vítima-Ofensor

NARVO - Negação, Ataque e Reversão Vítima-Ofensor

Você já esteve alguma vez espantado com o como sua esposa, namorada ou ex abusiva é capaz de fazer e dizer as coisas mais dolorosas, dissimuladas e abjetas e então retratar a si mesma como a inocente vítima? Você já cogitou como ela é capaz de convincentemente acusar os outros, usualmente suas vítimas, dos comportamentos e atitudes abusivos dos quais ela é a verdadeira culpada? Não se pergunte mais, a resposta pode ser o NARVO.

Dra. Jennifer J. Freyd, PhD da the Universidade do Oregon identificou o NARVO nos anos 1990 ao final de uma histeria de memórias reprimidas de abuso sexual. Apesar de suas origens dúbias, NARVO é um conceito útil com aplicações mais abrangentes que as que Dra. Freyd parece ter imaginado originalmente. Freyd escreve sobre o NARVO em conjunção com seu trabalho sobre trauma de traição, o qual eu discuto no blog original Shrink4Men. De acordo com a página da Dra. Freyd:

NARVO refere-se a uma reação que perpetradores de coisas erradas, particularmente abusadores sexuais, podem demonstrar em resposta a serem responsabilizados pela sua conduta. O perpetrador ou agressor pode Negar o comportamento, Atacar o indivíduo que realiza a confrontação, e Reverter os papéis de Vítima e Ofensor tal que o perpetrador assume o papel de "falsamente acusado" e ataca a credibilidade o acusador ou mesmo culpa o acusador de ser o perpetrador da falsa acusação.

NARVO aparenta ser uma combinação de projeção, negação, inversão da culpa e gaslighting. Dra. Freyd nota que outros estudiosos identificaram os mesmos fenômenos usando termos diferentes. Meus clientes homens experimentam este comportamento quando tentam responsabilizar as mulheres abusivas em suas vidas. Isto também aparenta ser um comportamento comum na maioria dos predadores, intimidadores, pessoas altamente conflituosas e/ou indivíduos abusivos com distúrbios de personalidade. NARVO aparenta ocorrer especialmente em casos de divórcio e/ou custódia altamente conturbados.

É claro que nem todo mundo que nega estar fazendo algo de errado está engajando-se em NARVO. Muitos parceiros e ex-parceiros de mulheres abusivas são acusados de coisas que jamais fizeram ou que jamais sequer aconteceram. Naturalmente, quando isso acontece, você nega a acusação e talvez sente-se um pouco (ou bastante) aturdido. Como saber se a negação de um indivíduo é a verdade ou uma instância de NARVO? Freyd (1997, pp. 23-24) propõe:

É importante distinguir os tipos de negação, pois uma pessoa inocente provavelmente negará a falsa acusação. Portanto negação não é evidência de culpa. Porém, eu proponho que um certo tipo de hipocrisia indignada, e negação extremamente exposta, pode de fato relacionar-se à culpa.

Eu conjecturo que se uma acusação é verdadeira, e a pessoa acusada é abusiva, a negação é mais indignada, mais hipócrita e mais manipulativa, quando comparada com a negação em outros casos. Semelhantemente, eu observei que reais abusadores ameaçam, intimidam e fazem um pesadelo para qualquer um que os responsabilize ou lhes peça para mudar seu comportamento abusivo. Este ataque, intencionado para assustar e aterrorizar, tipicamente inclui ameaças de ação judicial, ataques diretos ou encobertos, sobre o denunciante e assim por diante.

O ataque geralmente tomará a forma de foco na ridicularização da pessoa que tenta responsabilizar a ofensora. O ataque também provavelmente focará em ad hominem em vez de questões evidenciais/intelectuais. Finalmente, eu proponho que a ofensora rapidamente cria a impressão de que a abusadora é o falsamente acusado, enquanto a vítima ou o observador preocupado é o ofensor. O fundo e a imagem de frente são completamente invertidos. Quanto mais a ofensora é responsabilizada, mais injustiçada ela alega estar sendo.

Isto é semelhante a como William Eddy, LCSW, Esq descreve as táticas de culpabilização persuasiva de indivíduos altamente conflituosos. "Culpabilizadores persuasivos persuadem outros de que seus problemas internos são externos, causados por outra coisa ou alguém. Uma vez que os outros são persuadidos a olhar o problema de forma revertida, a disputa escala para uma situação conflituosa de longo prazo. Uma na qual poucas pessoas além dos culpabilizadores persuasivos podem tolerar" (Eddy, 2006, p. 29). Olhar o problema de forma revertida é precisamente quando ocorre o NARVO. Os planos de frente e de fundo são completamente revertidos.

"São apenas os Culpabilizadores Persuasivos do Cluster B que mantêm disputas altamente conflituosas em andamento. Eles são persuasivos, e para afastar o foco de seu próprio comportamento (a fonte principal do problema), eles fazem outros juntarem-se à culpabilização" (Eddy, 2006, p. 30). É por isso que muitos Narcisistas, Borderlines, Histriônicos e Anti-Sociais efetivamente empregam campanhas de difamação e táticas de multidão quando tomam alguém por alvo - seja cônjuge, advogado, avaliador judicial ou terapeuta. Ao culpar os outros por tudo de errado em suas vidas, eles afastam o foco do real problema: eles mesmos. Isto aparenta ser o exato comportamento negar-atacar-reverter vítima e ofensor que Freyd descreve.

Freyd (1997, pp. 23-24) afirma:

A ofensora está no ataque e a pessoa tentando responsabilizar a ofensora está na defensiva. 'Negação, Ataque e Reversão Vítima-Ofensor' funcionam melhor em conjunto. Como alguém pode estar no ataque tão vilmente e estar no papel de vítima? Pesquisa futura pode investigar a hipótese de que a ofensora rapidamente oscila entre o ataque e a reversão vítima-ofensor.

Este comportamento é enlouquecedor se você for o alvo do mesmo. Você sabe que está sendo atacado enquanto seu parceiro/ex banca o papel de vítima com tudo o que tem direito, insistindo em sua visão distorcida da irrealidade. Pior ainda, muitas pessoas acreditam nela, racionalizando "ela está tão irritada, então deve ser mesmo verdade". Mesmo alguns dos meus clientes homens que sabem que as acusações e mentiras de suas esposas não são verídicas por vezes duvidam de si mesmos e do que eles sabem ser a realidade. Eu acredito que muitas mulheres e homens que engajam-se em NARVO passam a acreditar em suas próprias mentiras depois de repeti-las muitas vezes. Eu chamo isso de "Efeito O. J. Simpson".

Abusadores tipicamente empregam diferentes tipos de negação. Talvez você seja familiar com algumas das seguintes:

  • Negação flagrante ou gaslighting: "Isso nunca aconteceu".
  • Minimização: "Não foi tão ruim".
  • Amnésia: "Não me lembro de ter feito isso".
  • Redefinição: "Eu tenho um temperamento difícil, então você não deveria me irritar".
  • Projeção: "Você é abusiva e controladora. Isso me machuca".
  • Conversão: "Eu errei, mas sou uma pessoa mudada e não farei isso novamente".

Freyd (1997, pp. 23-24) conclui:

A ofensora toma vantagem de uma confusão que temos em nossa cultura acerca do relacionamento entre provabilidade pública e realidade (e um sistema legal que tem uma certa história a respeito disso) em redefinir a realidade. Pesquisa futura pode testar a hipótese de que a ofensora pode bem vir a crer em [sua própria] inocência mediante esta lógica: se ninguém pode ter certeza de que ela é culpada então ela não é logicamente culpada não importando o que realmente aconteceu. A realidade é então definida pela prova pública, não pela experiência pessoal vivida.

Pode ser difícil identificar quem está falando a verdade nestes casos. Porém, eu tenho verificado que indivíduos altamente conflituosos que engajam neste comportamento geralmente não conseguem substanciar suas alegações ou, se eles apenas fabricam mais mentiras tentando substanciar suas alegações, eles são inconsistentes ao longo do tempo, então preste bastante atenção e documente as suas mentiras. Isto pode ajudá-lo a enforcar-se na própria corda, se e quando você precisar provar sua versão dos eventos como oposta a suas versões cada vez mais evoluídas da verdade.

Se ela está ameaçando chamar a polícia e faz falsas acusações contra você e/ou você está cogitando divórcio, é extremamente importante que você documente o abuso que está experimentando em um diário, gravador digital ou algum outro meio. Culpabilizadores persuasivos abusivos se valem da força de suas emoções para vender suas mentiras, meias-verdades e distorções. Dado que a maioria das pessoas é uma negação no drama, especialmente na forma de uma mulher hipócrita aos prantos, você precisará de provas se quiser ser acreditado. Pense nisso como uma forma de estar à prova de NARVO.


Referências Bibliográficas:

  • Eddy, W. (2006) SPLITTING: Protecting Yourself While Divorcing a Borderline or Narcissist.
  • Freyd, J.J. (1997) Violations of power, adaptive blindness, and betrayal trauma theory. Feminism & Psychology, 7, 22-32.

META
Título Original DARVO: Deny, Attack, and Reverse Victim and Offender
Autor Dr. Tara J. Palmatier
Link Original https://www.avoiceformen.com/women/darvo-deny-attack-and-reverse-victim-and-offender/
Link Arquivado http://archive.is/rz8z4

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

GirlWritesWhatSelecta - 17

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Mulheres são o único gênero que historicamente tem sido protegido por lei da violência conjugal.

Lá no auge do "patriarcado" (um sistema que normaliza violência contra mulheres, preste atenção), mulheres tinham a ganarntia legal da "segurança da paz" contra seus maridos. Quando Blackstone reuniu as leis da Inglaterra e Gales em seus Comentários, estas leis já tinham séculos de idade.

Bater na esposa era crime? Não exatamente. Mas mulheres (e mulheres somente) podiam peticionar em qualquer das três cortes (a de equidade, de lei comum ou eclesiástica) por uma certeza de paz (o equivalente moderno seria um acordo de paz), pois sob a lei de família os homens estavam proibidos de usar violência ou constrangimento contra suas esposas.

Isto não seria considerado uma questão criminal a não ser que, e até que, a esposa solicitasse um acordo de paz, ponto a partir do qual, se o seu marido violasse o acordo, passaria a ser uma questão criminal (desobediência) e tornava-se sujeito a punição corporal, multa ou prisão.

Homens não tinham um direito semelhante de segurança da paz contra suas esposas. Era entendido que um homem podia, e portanto iria, exigir respeito de sua esposa, e ele não precisaria de remédios legais semelhantes para protegê-lo. O máximo que ele podia fazer era fazer uma reclamação de que ela era "rabugenta", o que era punível com uma versão da Letra Escarlate [NT1], ou em casos extremos, o tamborete da vergonha [NT2]. Nada de cadeia, nada de multas, nada de chicotada.

Mais comumente, situações de violência doméstica da esposa contra o marido eram lidadas fora dos livros, mediante tradições como o Skimminton Ride [NT3], ou montar de costas no burro. Basicamente, o homem era envergonhado pela comunidade, de maneira vigilantista, pelo abuso vindo de sua esposa. OK, tudo bem, a esposa também sofreria uma perda de estima na comunidade, mas novamente, não era ela a que ia amarrada no lombo do burro e exibida por toda a cidade para as pessoas lhe jogarem vegetais estragados.

Semelhantemente, os artigos da lei de família iraniana, que é baseada na Sharia, estabelecem que se a situação no lar impõe um risco de dano físico ou financeiro à esposa, ou à sua dignidade, ela pode deixar a casa, estabelecer morada em algum outro lugar, e demandar que o marido continue a pagar suas despesas, incluindo servos se ela tornou-se acostumada a eles. Como sua esposa, ela também tem poder de veto sobre se ele pode tomar outra esposa, portanto ela pode basicamente mantê-lo no limbo para sempre se puder convencer a Corte que ele não estava à altura de suas expectativas.

Bater na esposa no Irã não é uma ofensa criminal, mas isto não quer dizer que seja permitido. (E para qualquer um que venha se meter aqui para dizer que é permitido a homens bater em suas esposas de certas maneiras sob certas circunstâncias, sim, eles são. A lei diz que homens podem fazer assim e não assado. Ela não diz nada sobre o que mulheres podem fazer ou deixar de fazer.)

Se eu ainda entendo existir uma disparidade de poder, uma negação de oportunidades para mulheres expressarem suas capacidades, apenas na base de que elas são mulheres, então você sucintamente sumarizou por que esta posição acerca da violência pode ser justificada.

Você só pode pensar isso se você é preparado para crer que homens são inerentemente sociopáticos. Que eles aprendem o amor no peito da mãe e mesmo assim crescem e tornam-se homens que não reservam nenhuma preocupação pelas mulheres em suas vidas. Que a negação da oportunidade para mulheres foi criação única dos homens, em vez de um paradigma social construído tanto por homens quanto por mulheres.


[NT1]Trata-se do romance The Scarlet Letter, em que uma mulher leva uma letra A vermelha bordada no peito.
[NT2]"Ducking", no original. Mais precisamente, ducking stool, uma cadeira suspensa onde a pessoa ficava sentada e exposta ao ar livre.
[NT3]Skimminton Ride era o nome dado a uma multidão de pessoas que faziam uma barulhenta e ruidosa cantoria em desaprovação de uma determinada conduta socialmente indesejada, desde casais que ainda não casaram formalmente até viúvas que casaram-se antes do período de luto. E homens que apanham da mulher!

META
Autor Karen Straughan
Link Original https://www.reddit.com/r/videos/comments/68v91b/_/dh874jo/
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GirlWritesWhatSelecta - 16

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Desculpe-me, mas é por isso que este movimento não pode avançar! É porque está sendo estrangulado por reacionários e regressistas que querem nos levar de volta aos anos 1950. Não é assim que vocês dirigem um movimento e deveríamos discutir isso.

Bearing trouxe diversas preocupações válidas acerca das potenciais implicações do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Austrália, particularmente sobre liberdade de expressão e religião.

Estas preocupações não foram abordadas em termos do que acontece a alguém que publicamente diz que discorda do casamento gay, igrejas que desejam abster-se de realizar cerimônias gays, negócios que não desejam participar de celebrações gays por questões religiosas etc.

Estes são os pontos onde os direitos constitucionais das pessoas entram em conflito.

Quais direitos devemos priorizar? O direito de um casal gay ter sua cerimônia em uma igreja específica? Ou o direito de aquela igreja em particular declinar de presidir uma união que viola suas crenças religiosas? O casal gay deveria ser forçado a ir a uma igreja diferente que esteja disposta a casá-los? Ou a igreja que eles demandam deveria ser forçada a casá-los?

Quando a Bula C-16 foi proposta no Canadá, a qual instanciaria identidade de gênero e expressão de gênero como categorias protegidas pelos nossos atos de direitos humanos, Jordan Peterson pronunciou-se e alertou a todos que passar a bula da forma que estava seria controle de expressão. Isto não meramente proibiria certos dizeres, mas forçaria as pessoas a engajar em certas expressões -- ela instanciaria um requerimento legal para que as pessoas usassem os pronomes preferidos de qualquer um que alegasse que não se identificam como cisgêneros.

Proponentes da bula disseram "oh, isso já é delírio paranoico! Isso nunca vai acontecer! Tira esse chapéu de papel-alumínio! Não tem sequer nada na bula que menciona pronomes! Pare de ser um preconceituoso transfóbico!". Um ministro conservador sugeriu que a linguagem da bula fosse expandida a fim de incluir uma cláusula garantindo que ela não coagiria legalmente pessoas a usar certas palavras ou discursos. Isto foi, obviamente, recusado, porque é claro que tal cláusula seria completamente desnecessária. A bula nada dizia sobre pronomes ou discurso forçado.

Poucos meses após a bula ter sido aprovada, o CUPE (o maior sindicato do Canadá) soltou um vídeo com a participação de um advogado "não-binário", que estava ensinando as pessoas sobre como elas deveriam usar os pronomes preferidos. A primeiríssima razão de sua lista foi "está na lei". Ele foi citar a Bula C-16 como instanciando em lei uma obrigação de usar os pronomes prediletos das pessoas.

Debaixo das condições descritas no vídeo de Bearing, eu votaria contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo - ainda que eu apoie totalmente.


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Autor Karen Straughan
Link Original https://reddit.com/r/MensRights/comments/731chy/_/dnmzyeu
Link Arquivado http://archive.is/cgxnF

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