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sábado, 29 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte XV

Conclusão


Para sumarizar meus pontos principais: Alguns homens sortudos estão no topo da sociedade e desfrutam das melhores recompensas da cultura. Outros, menos afortunados, têm suas vidas trucidadas por ela. Cultura usa tanto homens quanto mulheres, mas a maior parte das culturas os usa de maneiras um tanto diferentes. A maioria das culturas vê o indivíduo homem como sendo mais descartável que indivíduos mulheres, e esta diferença é provavelmente baseada na natureza, em cuja competição reprodutiva alguns homens são os grandes fracassados e outros homens são os maiores vencedores. Portanto ela usa homens para os muitos serviços arriscados que tem.

Homens vão a extremos mais que mulheres, e isto se encaixa bem na cultura usando-os para tentar um monte de coisas diferentes, recompensando os vencedores e esmigalhando os fracassados.

Cultura não é sobre homens contra mulheres. No panorama geral, progresso cultural emerge de grupos de homens trabalhando com ou contra outros homens. Enquanto mulheres se concentram nas relações mais próximas que habilitam a espécie a sobreviver, homens criaram a rede maior de relacionamentos superficiais, menos necessária à sobrevivência mas eventualmente habilitando a cultura a florescer. A criação gradual de riqueza, conhecimento e poder na esfera dos homens foi a fonte da desigualdade de gêneros. Homens criaram grandes redes sociais que compõem a sociedade, e homens ainda são os principais responsáveis por isso, mesmo que agora nós vemos que mulheres podem atuar perfeitamente bem nestes grandes sistemas.

O que parece ter funcionado melhor para culturas é colocar os homens uns contra os outros, competindo por respeito e outras recompensas que acabam sendo distribuídos muito desigualmente. Homens têm que provar a si mesmos produzindo coisas que a sociedade valoriza. Eles têm que superar outros rivais e inimigos em competições culturais, o que provavelmente explica por que eles não são tão amáveis quanto as mulheres.

A essência de como a cultura usa os homens depende de uma insegurança social básica. Esta insegurança é de fato social, existencial e biológica. Embutido no papel dos homens etá o perigo de não ser bom o bastante para ser aceito e mesmo o perigo de não ser capaz de agir bem o bastante para criar descendência.

A insegurança social básica da humanidade é desgastante para os homens, e não é muito surpreendente que tantos homens enlouqueçam ou façam coisas malignas ou heroicas ou morram antes das mulheres. Mas esta insegurança é útil e produtiva para a cultura, para o sistema.

Novamente, eu não estou dizendo que isto é correto, ou justo, ou próprio. Mas isto tem funcionado. As culturas que têm alcançado o sucesso usaram esta fórmula, e esta é uma das razões de elas terem prosperado em vez de suas rivais.


Roy F. Baumeister is Francis Eppes Professor of Social Psychology at Florida State University, in Tallahassee. His email address is baumeister [at] psy.fsu.edu. Further information on his research interests can be found _here .The speech that got Larry Summers out of a job as President of Harvard can be read __here. Steven Pinker has written a critique of the Summers kerfuffle. It can be read ___here.

Copyright © 2007 Roy F. Baumeister. All rights reserved.

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Partes XIII-XIV

Conquistando a Masculinidade


A frase "Seja homem" não é tão comum quanto foi um dia, mas ainda há um certo sentido em que a masculinidade deve ser conquistada. Toda fêmea adulta da espécie humana é uma mulher e é qualificada a ser respeitada como tal, mas muitas culturas obstruem o respeito dos homens até que, e somente se, os garotos provarem tal masculinidade. Obviamente isto é tremendamente útil para a cultura, porque isto pode estabelecer os temos pelos quais machos conquistam respeito como homens, e desta forma pode motivar o homem a fazer coisas que a cultura julgue produtivas.

Alguns escritos sociológicos sobre o papel masculino têm enfatizado que para ser homem, você tem que produzir mais do que consome. Isto é, espera-se de homens que eles, primeiramente, sustentem a si mesmos: se alguém te sustenta, você é menos que homem. Segundo, o homem tem que criar alguma riqueza ou excedentes adicionais tal que ele possa sustentar a outros além de si mesmo. Estes outros além de si podem ser sua esposa e filhos, ou outros que dele dependam, ou seus subordinados, ou mesmo talvez apenas para pagar os impostos para que o governo possa usar. Independente disso, você não é homem a não ser que produza em tal nível.

Novamente, eu não estou dizendo que homens estão na pior em relação às mulheres. Há uma série de problemas e desvantagens que a cultura põe nas mulheres. Meu ponto é apenas que culturas definem os homens como úteis de certas maneiras bem específicas. Exigir que para conquistar respeito o homem produza riqueza e valor que possa apoiar a si mesmo e aos outros é uma dessas formas. Mulheres não enfrentam este particular desafio ou demanda.

Estas demandas também contribuem para vários padrões de comportamento masculinos. Ambição, competição, e esforço pela grandiosidade podem bem estar ligadas a esta exigência de lutar por respeito. Todos os grupos de homens tendem a ser marcados por desafios e outras práticas que lembram a todos que não tem respeito suficiente para esbanjar, porque este alerta motiva cada homem a trabalhar mais duro para conquistar respeito. Isto, incidentalmente, tem provavelmente sido uma fonte majoritária de atrito à medida que mulheres têm se movido para o mercado de trabalho, e organizações tiveram que se redirecionar para políticas em que todos merecem respeito. Homens não as projetaram originalmente para que todos fossem respeitados.

Uma das mais básicas e largamente aceitadas diferenças de gênero é agência VS comunicação. Agência masculina pode ser parcialmente uma adaptação para este tipo de vida social baseada em grupos maiores, onde as pessoas não são necessariamente valorizadas e é necessário lutar pelo respeito. Para ter sucesso na esfera social masculina dos grupos grandes, você precisa de um ego agente e ativo para lutar por seu espaço, porque ele não te é dado e apenas alguns conseguirão. Mesmo o ego masculino, com sua preocupação de provar-se a si mesmo e competir contra os outros, parece provavelmente ser projetado para lidar com sistemas em que haja uma escassez de respeito e você tenha que trabalhar duro para conseguir algum respeito - ou então acabará exposto à humilhação.

Isto É Tudo?


Eu não exauri todas as formas pelas quais a cultura explora os homens. Certamente há outras. O apetite sexual masculino pode ser direcionado para motivar toda sorte de ações e posta para impulsionar um tipo de mercado econômico no qual homens dão outros recursos (como amor, dinheiro, compromisso) em troca de sexo.

Culturas também usam indivíduos homens para propósitos simbólicos mais que homens. Isto pode ser de forma positiva, como no fato que culturas dão funerais mais elaborados e outros memoriais para homens que aparentam incorporar seus valores favoritos. E também pode ser negativo, tal como quando culturas arruínam a carreira de um homem e publicamente o execram, ou mesmo o executam por um simples ato que viole um de seus valores. Desde Martin Luther King até Don Imus, nossa cultura usa os homens como símbolos para expressar seus valores. (Note que nenhum dos dois veio a ser melhor por isso.)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Partes XI-XII

No que Homens São Bons


Com isto, podemos agora retornar ao questionamento de no que os homens são bons, da perspectiva de um sistema cultural. O contexto é de sistemas competindo contra outros sistemas, grupos contra grupos. Os sistemas de grupo que usaram seus homens e mulheres mais eficazmente capacitou estes grupos a sobrepor seus rivais e inimigos.

Eu quero enfatizar três formas principais de como a cultura usa os homens.

Primeiro, cultura depende de homens para criar as grandes estruturas sociais que a compõem. Nossa sociedade é formada de instituições como universidades, governos, corporações. A esmagadora maioria delas foi fundada e construída por homens. Novamente, isto provavelmente tem menos a ver com mulheres sendo oprimidas ou qualquer coisa do tipo e mais a ver com homens sendo motivados para formar redes grandes de relacionamentos superficiais. Homens são muito mais interessados em formar grupos abrangentes e trabalhar e evoluir rumo ao topo neles.

Isto ainda parece ser verdadeiro hoje em dia. Diversos artigos recentes na mídia têm chamado a atenção para o fato que mulheres agora começam mais pequenos negócios que os homens. Isto geralmente é tratado pela mídia como sendo um ponto positivo sobre as mulheres, o que de fato é. Porém, mulheres predominam somente se contarmos todos os negócios. Se restringirmos o critério para negócios que empregam mais de uma pessoa, ou aqueles que trazem dinheiro suficiente para se sustentar por si sós, então homens criam mais. Eu suspeito que quanto maiores os grupos que se olhar, mais certo que eles serão feitos por homens.

Com certeza, hoje em dia qualquer pessoa de qualquer gênero pode iniciar um negócio, e se há algo, há alguns incentivos e vantagens que ajudam mulheres a tal. Não existem obstáculos ou bloqueios escondidos, e isto é demonstrado pelo fato que mulheres iniciam mais negócios que homens. Mas as mulheres se contentam em permanecer pequenas, tal como operar um negócio de tempo parcial em um quartinho sobressalente,fazendo um dinheirinho extra para a família. Elas não parecem serem levadas a constituir estes negócios em gigacorporações. Há exceções, é óbvio, mas existe uma grande diferença média.

Portanto, tanto homens quanto mulheres se apoiam nos homens para criar as estruturas sociais mais abrangentes que oferecem oportunidades a ambos. E é claro que homens e mulheres podem ambos atuar muito bem nestas organizações. Mas a cultura ainda confia principalmente nos homens para fazer tais estruturas em primeiro lugar.

O Homem Descartável


Um segundo pensamento que faz os homens úteis para a cultura é algo que eu chamo "descartabilidade masculina". Isto referencia aquilo que eu disse no início, que culturas tendem a usar homens em projetos de alto-risco&alto-retorno, onde uma significativa porção de tais pessoas vão sofrer sérias consequências indo desde ter seu tempo desperdiçado até mesmo serem mortos.

Qualquer homem que leia os jornais encontrará a expressão "até mesmo mulheres e crianças" um bom tanto de vezes no mês, geralmente acerca de mortes. O significado literal desta frase é que a vida dos homens tem menos valor que a das outras pessoas. A ideia é comumente "é mau quando as pessoas morrem, mas é especialmente ruim quando mulheres e crianças acabam mortas". E eu penso que a maioria dos homens sabe que numa emergência, se há mulheres e crianças presentes, é esperado que eles desfaçam da própria vida sem argumento ou reclamação para que outros possam sobreviver. No Titanic, os homens mais ricos tiveram uma taxa de sobrevivência mais baixa que as mulheres mais pobres (34% contra 46% - apesar de que não é assim que aparece no filme). Por si só, isto é notável. Os ricos, poderosos, e bem-sucedidos homens, os manda-chuvas, aqueles para quem supostamente a cultura foi totalmente projetada para promover - em apuros, suas vidas foram menos valorizadas que aquelas mulheres que dificilmente tinham qualquer dinheiro, poder, ou posição social. Os pouquíssimos assentos nos botes salva-vidas foram para mulheres que nem eram ladies, em vez daqueles patriarcas.

A maior parte das culturas têm tomado a mesma atitude. Por quê? Há razões pragmáticas. Quando um grupo cultural compete contra outros, em geral, o grupo maior tende a vencer a longo prazo. Por isso, a maioria das culturas promove o crescimento populacional. E isto depende das mulheres. Para maximizar a reprodução, uma cultura depende de todos os ventres que puder ter, mas uns poucos pênis podem fazer o seu trabalho. Geralmente há um excedente de pênis. Se um grupo perder metade de seus homens, a próxima geração ainda pode atingir seu tamanho máximo. Mas se ele perde metade de suas mulheres, o tamanho da próxima geração será severamente reduzida. Por isso, a maior parte das culturas mantêm suas mulheres afastadas dos riscos enquanto usa homens para os trabalhos perigosos.

Estes trabalhos arriscados estendem-se além dos campos de batalha. Muitas linhas de atuação requerem que algumas vidas sejam perdidas. Exploração, por exemplo: uma cultura pode enviar dúzias de partidos, e alguns podem acabar se perdendo ou sendo mortos, enquanto outros retornam com riquezas e oportunidades. Pesquisa acadêmica é de certa forma semelhante: pode haver dúzias de teorias possíveis acerca de um certo problema, e apenas uma delas é correta, portanto as pessoas testando as outras teorias erradas acabarão perdendo seu tempo e arruinando suas carreiras, em contraste com o sortudo que ganha o Prêmio Nobel. Quando os escândalos sobre os perigos da indústria mineira na Grã-Bretanha estouraram, o Parlamento baixou as leis de mineração, proibindo que crianças abaixo dos dez anos e mulheres de todas as idades de serem enviadas às minas. Mulheres e crianças eram preciosos demais para serem expostos à morte nas minas: portanto, só homens para este trabalho. Como eu já disse antes, a disparidade de gêneros em trabalhos perigosos persiste ainda hoje, com homens contabilizando a vasta maioria das mortes no trabalho.

Outra base para a descartabilidade masculina está embutida nas diferentes formas de ser social. Descartabilidade vem com grupos grandes que a sociedade masculina cria. Em uma relação íntima, de par, nenhuma pessoa pode realmente ser substituída. Você pode casar-se novamente se sua esposa morre, mas não é o mesmo casamento ou relacionamento. E obviamente ninguém pode sequer substituir o pai ou mãe de uma criança.

Em contraste, grupos grandes podem substituir e de fato substituem qualquer um. Pegue qualquer organização de grande porte - a Ford Motor Company, o Exército, os Green Bay Packers - e você verá que a organização segue em frente apesar de ter substituído cada uma de suas pessoas. Além disso, cada membro de tais grupos sabe que pode ser substituído, e provavelmente será substituído algum dia.

Portanto, homens criam o tipo de redes sociais aonde indivíduos são substituíveis e dispensáveis. Mulheres favorecem o tipo de relacionamento no qual cada pessoa é preciosa e não pode ser verdadeiramente substituída.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte X

Homens e Cultura


Isto fornece uma nova base para entender políticas de gênero e desigualdade.

A visão geralmente aceita é que desde os primórdios da sociedade humana, homens e mulheres eram próximos para iguais. Homens e mulheres tinham esferas separadas e faziam coisas diferentes, mas ambos eram respeitados. Geralmente, mulheres eram coletoras e homens eram caçadores. A contribuição para a reserva de comida dos dois grupos era quase a mesma, mesmo que existissem algumas diferenças complementares. Por exemplo, a comida das coletoras estava confiavelmente ali quase todos os dias, enquanto os caçadores traziam bastante comida de vez em quando mas nada nos outros dias.

Desigualdades de gênero parecem ter crescido com a civilização antiga, incluindo agricultura. Por quê? A explicação feminista tem sido que os homens se mancomunaram para criar o patriarcado. Esta é essencialmente uma teoria conspiratória, e há pouca ou nenhuma evidência de que ela seja verdadeira. Alguns argumentam que os homens apagaram-na da história a fim de salvaguardar seu recém-adquirido poder. Ainda, a falta de evidência chega a ser perturbadora, especialmente levando que este mesmo tipo de conspiração teria que ocorrer todas as vezes, grupo após grupo, pelo mundo todo.

Deixe-me oferecer uma explanação diferente. Não é que os homens sabotaram as mulheres. Em vez disso, é apenas que a esfera das mulheres permaneceu mais ou menos do mesmo tamanho, enquanto a dos homens, com suas redes sociais grandes e superficiais, lentamente se beneficiou do progresso da cultura. Acumulando conhecimento e melhorando os ganhos da divisão do trabalho, a esfera dos homens gradualmente progrediu.

Portanto religião, literatura, artes, ciências, tecnologia, ação militar, atividades comerciais, organização política, medicina - todas elas emergiram principalmente da esfera masculina. A esfera feminina não produziu tais coisas, apesar de que ela fez outras coisas valorosas, como o cuidado com a próxima geração de tal forma que a espécie continuasse a existir.

Por quê? Não tem nada a ver com homens terem melhores habilidades ou talentos ou qualquer coisa como essa. Ela vem principalmente de diferentes tipos de relacionamentos sociais. A esfera das mulheres consiste de mulheres e portanto foi organizada com base no tipo de relacionamento próximo, íntimo, assistencialista e pareado que mulheres favorecem. Estes são relacionamentos vitais e satisfatórios que contribuíram de maneira essencial para a saúde e sobrevivência. Enquanto isso homens favoreceram as redes maiores de relacionamentos superficiais. Estas são menos satisfatórias e férteis e assim por diante, mas elas formam uma base mais fértil para a emergência da cultura.

Note que todas as coisas que eu listei - literatura, artes, ciências etc. - são opcionais. Mulheres estavam fazendo o que era vital para a sbrevivência da espécie. Sem cuidado e nutrição íntimos, os filhos não sobreviveriam, e o grupo morreria. Mulheres contribuíram para as necessidades da vida. As contribuições dos homens foram mais opcionais, luxos e indulgências, talvez. Cultura vez isto -mas principalmente na esfera masculina.

Portanto, a razão para a emergência das desigualdades de gênero pode ter pouco a ver com homens sabotando mulheres em alguma conspiração patriarcal dúbia. Em vez disso, ela veio do fato que riqueza, conhecimento, e poder foram criados na esfera masculina. Foi isto que fez florescer a esfera masculina. Não a opressão.

Dar à luz um bebê é um exemplo revelador. O que poderia ser mais feminino que dar à luz? Ao longo da maior parte da história e pré-história, dar à luz foi o centro da esfera feminina, e os homens foram completamente excluídos. Homens raramente ou nunca estiveram presentes no nascmento, nem mesmo o conhecimento sobre o nascimento foi compartilhado com eles. Mas não há muito tempo, aos homens foi finalmente concedido que se envolvessem, e os homens foram capazes de elaborar formas de tornar o parto mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê. Pense nisto: a atividade mais quintessencialmente feminina, e mesmo nela os homens foram capazes de melhorá-la de formas que as mulheres não tinham descoberto por milhares de anos a fio.

Não vamos superestimar. As mulheres afinal de contas gerenciaram o parto muito bem por todos aqueles séculos. A espécie sobreviveu, o que é o importante. As mulheres têm gerenciado a fim de conseguir concluir a tarefa essencial. O que o homem acrescentou foi, da perspectiva do grupo ou da espécie pelo menos, algo opcional, um bônus: algumas mães e bebês que de outra forma morreriam agora sobreviveram. Mesmo assim, as melhorias mostram algum valor vindo da maneira masculina de ser social. Redes maiores podem coletar e acumular infomação melhor que redes menores, e assim em um intervalo relativamente pequeno de tempo os homens foram capazes de descobrir melhorias que as mulheres não foram. Novamente, não é que os homens fossem mais espertos ou capacitados. É só que mulheres partilhavam seu conhecimento individualmente, de mãe para filha, ou de uma parteira para outra, e no longo prazo isto não poderia acumular e progredir tão eficazmente quanto em grupos maiores de relacionamentos mais superficiais favorecidos por homens.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte IX

Benefícios dos Sistemas Culturais


Vamos agora nos voltar para a cultura. Cultura é relativamente recente na evolução. Ela continua a linha da evolução e torna os animais sociais. Eu entendo cultura como um tipo de sistema que habilita o grupo humano a trabalhar conjuntamente de forma eficaz, usando informação. Cultura é uma maneira nova e melhorada de ser social.

O feminismo nos têm ensinado a ver a cultura como sendo homens contra mulheres. Em vez disso, eu penso que a evidência indica que a cultura emergiu principalmente com homens e mulheres trabalhando juntos, mas contra outros grupos de homens e mulheres. Geralmente as competições mais intensas e produtivas foram de grupos de homens contra outros grupos de homens, embora ambos os grupos dependessem de suporte das mulheres.

Cultura habilita o grupo a ser mais que a soma de suas partes (seus membros). Cultura pode ser vista como uma estratégia biológica. Vinte pessoas que trabalham juntas, num sistema cultural, compartilhando informação e dividindo as tarefas e assim por diante, irão todas viver melhor - sobreviver e se reproduzir melhor - que se estas mesmas vinte pessoas vivessem no mesmo ambiente mas fizessem tudo individualmente.

Cultura, portanto, provê alguns benefícios de se ter um sistema. Vamos dar a isto o nome de "ganho de sistema", que significa o quão melhor o grupo se sai por causa do sistema. Pense em dois times de futebol de campo. Ambos os conjuntos de jogadores conhecem as regras e têm a mesma perícia individual. Um dos grupos tem apenas isso, e este grupo joga como indivíduos tentando cada um dar o seu melhor. O outro grupo trabalha como um time, complementando-se uns aos outros, jogando com um sistema. O sistema terá uma alta probabilidade de habilitá-los a agir melhor que se o grupo jogasse como indivíduos separados. Este é o ganho de sistema.

E um fato vital é que a abrangência do sistema aumenta com o seu tamanho. Isto é essencialmente o que está acontecendo agora no mundo, globalização da economia. Sistemas maiores providenciam maiores benefícios, portanto à marcha em que expandimos e aglutinamos mais unidades em sistemas maiores, no panorama geral haverá mais ganho.

Existe uma implicação crucial de tudo isso. Cultura depende do ganho de sistema, e sistemas maiores fornecem mais ganho de sistema. Portanto, você consegue mais dos benefícios da cultura em grupos maiores do que em grupos menores. Uma relação próxima de par pode fazer pouco em termos de divisão de trabalho e compartilhamento de informação, mas um grupo de vinte pessoas pode fazer muito mais.

Como resultado, cultura emerge principalmente nos tipos de relações sociais favorecidas por homens. Mulheres favorecem relações próximas, íntimas. Elas são mais importantes para a sobrevivência da espécie. É por isso que mulheres evoluíram primeiro. Nós precisamos de relacionamentos mais próximos para sobreviver. As redes maiores de relacionamentos mais superficiais não são tão vitais para a sobrevivência - mas são boas para algo mais, a saber, o desenvolvimento de sistemas sociais maiores e em última análise para a cultura.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte VIII

Características Contrabalançadas


Novamente, diferenças importantes de personalidade seguem de diferenças básicas de motivação no tipo de relacionamento que interessa homens e mulheres.

Pense no dito comum que mulheres são mais emocionalmente expressivas que homens. Para uma relação íntima, boa comunicação é útil. Ela possibilita que duas pessoas se entendam, apreciem os sentimentos uma da outra, e assim por diante. Quanto mais intimamente os parceiros conheçam-se entre si, melhor eles podem cuidar e apoiar um ao outro. Mas em um grupo maior, onde você tem rivais e até mesmo inimigos, é arriscado colocar todos os sentimentos para fora. O mesmo acontece com transações econômicas. quando você está negociando o preço de alguma coisa, é melhor manter seus sentimentos para si mesmo. E portanto homens se reservam mais.

Justeza é outro exemplo. Uma pesquisa de Brenda Major e outros lá pelos anos 1970 usaram procedimentos desta forma. Um grupo de sujeitos tinha que realizar uma tarefa, e o experimentador então diria que o grupo obteve uma certa quantia em dinheiro, e estava a cargo de um dos membros dividi-lo como bem entendesse. A pessoa poderia ficar com todo o dinheiro, mas isto não era o que geralmente acontecia. Mulheres dividiam o dinheiro igualmente, com uma mesma fatia para cada um. Homens, em contraste, dividiam desigualmente, dando uma maior fatia de recompensa a quem fizesse a maior parte do trabalho.

Qual dos dois é melhor? Nem um, nem outro. Ambos equidade e igualdade são visões válidas de justeza. Mas eles mostram a diferença das esferas sociais de observação. Igualdade é melhor em relações mais próximas, quando pessoas cuidam umas das outras e reciprocam coisas e dividem recursos e oportunidades igualmente. Em contraste, equidade - dar maiores recompensas para maiores contribuições - é mais eficaz em grupos maiores. Eu ainda não conferi de verdade, mas estou disposto a apostar que se você fizer uma pesquisa nas quinhentas maiores e mais bem-sucedidas corporações nos EUA, você não encontrará nenhuma entre elas que pague a cada empregado exatamente o mesmo salário. Os trabalhadores mais valiosos que contribuem mais geralmente são melhor pagos. Este é simplesmente um sistema mais efetivo em grupos maiores. O padrão masculino é adequado para grupos maiores, o padrão feminino é adequado para pares íntimos.

Dado o mesmo, para a diferença entre comunal e de negociação, mulheres têm natureza mais comunal, homens mais de negociação. Na psicologia, tendemos a suspeitar de um casal que um casal que depois de dez anos de casamento ainda dissesse "eu paguei a conta de luz mês passado, agora é sua vez". Mas a suposta superioridade de relações comunais se aplica principalmente às relações íntimas. No nível de grandes sistemas sociais, é da outra forma. Países comunais (inclusive comunistas) permaneceram primitivos e pobres, enquanto as nações ricas e avançadas chegaram onde estão por meio de trocas econômicas.

Existe também o ponto sobre homens serem mais competitivos, mulheres mais cooperativas. Novamente, porém, cooperação é muito mais útil que competição para relacionamentos próximos. Qual é a utilidade em competir contra sua esposa? Mas em grupos grandes, chegar ao topo pode ser crucial. A preferência masculina por hierarquias dominantes, e o esforço ambicioso em chegar ao topo, igualmente refletem uma orientação em direção a grupos maiores, não um desgosto pela intimidade. E lembre-se, a maior parte dos homens não se reproduz, e nós somos descendentes principalmente dos homens que lutaram pelo seu lugar ao topo. Não é o mesmo com as mulheres.

Mais uma coisa. Cross e Madsen cobriram muita pesquisa mostrando que homens pensam de si mesmos baseado em características incomuns que os separem de outros, enquanto os auto-conceitos das mulheres realçam coisas que as conectem com os outros. Cross e Madsen pensam que isto é porque homens querem estar longe de outras pessoas. Mas de fato ser diferente é uma estratégia vital para pertencer a um grupo maior. Se você é o único membro de um grupo que pode matar um antílope ou encontrar água ou falar com os deuses ou chutar um gol em campo, o grupo não pode te dispensar.

É diferente em um relacionamento de par. O esposo de uma mulher, e o seu bebê, a amarão mesmo se ela não tocar trombone. Então, cultivar uma habilidade única não é essencial a ela. Mas tocar trombone é uma maneira de fazer parte de certos grupos, especialmente bandas de percussionistas. Esta é mais uma razão pela qual os homens vão mais a extremos mais que as mulheres. Grupos maiores promovem a necessidade de estabelecer algo diferente e especial sobre você mesmo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte VII

Mulheres São Mais Sociais?


Me permita atentar para a segunda grande diferença motivacional. Ela tem suas raízes em uma pesquisa do Psychological Bulletin feita há uns dez anos, mas o assunto ainda é atual e relevante para nossos dias. Ela se preocupa com a questão de se mulheres são mais sociais que homens.

A ideia que mulheres são mais sociais foi levantada por S.E. Cross e L. Madsen, em um manuscrito submetido àquele jornal. Eu o enviei para revisão, e apesar de eu discordar da conclusão, eu senti que eles construiíram seu caso bem, assim eu advoguei pela publicação de seu documento. Eles forneceram uma plenitude de evidência. Disseram coisas como: olha, homens são mais agressivos que mulheres. Agressão pode deteriorar um relacionamento porque se você machuca alguém então esta pessoa pode não querer estar mais com você. Mulheres se abstêm de agressão porque elas desejam relacionamentos, mas homens não se preocupam com relacionamentos e assim estão dispostos a serem mais agressivos. Portanto, a diferença em agressão mostra que mulheres são mais sociais que homens.

Mas eu acabei de publicar meu trabalho anterior sobre a "necessidade de fazer parte", no qual concluí que tanto homens quanto mulheres têm esta necessidade, e assim eu fiquei alertado por ouvir que homens não se preocupam com conexões sociais. Eu escrevi uma resposta que dizia que há outra forma de olhar para toda a evidência que Cross e Madsen cobriram.

O núcleo de nossa visão era que existem duas formas distintas de ser social. Na psicologia social tendemos a enfatizar relacionamentos próximos e íntimos, e sim, talvez mulheres se especializem neles e sejam melhores nisto que os homens. Mas vocês podem observar também sobre ser social em termos de ter redes maiores de relacionamentos mais superficiais, e nestes, homens são mais sociais que mulheres.

É como a questão comum "o que é mais importante para você, ter algumas amizades próximas ou ter muitas pessoas que te conheçam? A maioria das pessoas responderá que a primeira é mais importante. Mas a grande rede de relacionamentos superficiais pode ser importante também. Nós não devemos automaticamente ver homens como seres humanos de segunda classe simplesmente porque eles se especializam no tipo menos importante e satisfatório de relacionamento. Homens são sociais também - só que de uma forma distinta.

Então nós reexaminamos a evidência que Cross e Madsen obtiveram. Considere agressão. Realmente, mulheres são menos agressivas que homens, não há o que argumentar aqui. Mas realmente isto é porque mulheres não querem destruir um relacionamento próximo? Acaba por ser que, em relacionamentos próximos, mulheres são completamente agressivas. Mulheres são mais propensas que homens a perpetrar violência doméstica contra parceiros românticos, indo desde um tapa na cara até atacar com armas mortais. Mulheres também cometem mais violência contra crianças que homens, apesar de ser difícil liberar do maior montante de tempo que elas dispendem com as crianças. Mesmo assim, você não pode dizer que mulheres evitam violência contra parceiros próximos.

Em vez disso, a diferença é encontrada na esfera social mais vasta. Mulheres não atacam estranhos. As chances de uma mulher, por exemplo, irem até o mercado e acabarem numa briga de faca com outra mulher são desprezivelmente baixas, mas tal risco é mais elevado para homens. A diferença de gêneros na agressão é principalmente encontrada aí, na rede mais vasta de relacionamentos. Pois homens se preocupam mais com esta rede.

Agora, considere caridade. A maioria das pesquisas descobre que homens ajudam mais que mulheres. Cross e Madsen lutaram com isto e eventualmente apenas caíram no chavão batido que talvez mulheres não ajudem porque elas não são trazidas ou socializadas a ajudar. Mas eu penso que o padrão é o mesmo com a agressão. A maior parte da pesquisa olha para a ajuda entre estranhos, na esfera social mais abrangente, e assim encontra mais homens ajudando. Na família, porém, mulheres são totalmente voltadas a ajudar, mais que homens.

Agressão e caridade são em certo sentido opostos, então o padrão convergente é bastante significativo. Mulheres tanto ajudam quanto agridem na esfera íntima de relacionamentos próximos, porque é com o que elas se preocupam. Em contraste, homens se preocupam (também) com a rede mais abrangente de relacionamentos superficiais, e assim são completamente voltados para caridade e violência nela.

A mesma conclusão das duas esferas é suportada em diversos outros lugares. Estudos de observação em parquinhos confirmam que garotas se juntam e brincam em pares com a mesma companhia por uma hora. Garotos irão ou jogar em pares com uma série de diferentes parcerias ou com um grupo maior. Garotas querem o relacionamento em par, enquanto garotos são levados para grupos ou redes maiores.

Quando duas meninas estão brincando juntas e os pesquisadores traziam uma terceira, as duas garotas resistiam a deixá-la entrar. Mas dois meninos deixarão um terceiro se juntar ao seu jogo. Meu ponto é que garotas querem a conexão em par, então adicionar uma terceira pessoa estraga o time para elas, mas não estraga para os garotos.

A conclusão é que homens e mulheres são ambos sociais mas de maneiras diferentes. Mulheres se especializam na esfera mais estreita dos relacionamentos íntimos. Homens se especializam no grupo maior. Se você fizer uma lista de atividades que são feitas em grupos maiores, você provavelmente terá uma lista de coisas que homens fazem e desfrutam mais que homens: esportes de time, política, grandes corporações, redes econômicas, e por aí vai.

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte VI

O Fato Mais Ignorado


A primeira e grande diferença básica tem a ver com o que eu considero o fato mais menosprezado acerca de gênero. Cogite nesta questão: qual porcentagem de nossos ancestrais eram mulheres?

Esta não é uma pergunta capciosa, e a resposta não é "50%". Claro, mais ou menis metade da população que já viveu era de mulheres, mas não é esta a questão. Estamos perguntando acerca de todas as pessoas que já viveram que deixaram descendentes que vivem hoje. Ou, colocando de outra forma, todo bebê tem um pai e uma mãe, mas alguns desses pais tiveram múltiplos filhos.

Pesquisas recentes usando análises de DNA responderam esta questão há uns dois anos. A população humana atual descende do dobro de mulheres em relação aos homens.

Eu penso que esta diferença é o fato mais menosprezado sobre gênero. Para terem ideia desta diferença, vocês teriam que ter algo como, ao longo de toda a história da raça humana, talvez 80% das mulheres contra apenas 40% dos homens se reproduziram.

Em nosso campo de pesquisa está ocorrendo debates acerca de quanto do comportamento pode ser explicado pela teoria evolutiva. Mas se a evolução explica alguma coisa, ela explica coisas relacionadas à reprodução, porque reprodução está no coração da seleção natural. Basicamente, as características que foram mais eficazes para reprodução estariam no centro da psicologia evolutiva. Seria espantoso se essas chances vastamente diferentes entre homens e mulheres falhassem em produzir algumas diferenças de personalidade.

Para mulheres ao longo da história (e pré-história), as chances de reprodução têm sido muito boas. Mais tarde neste ensaio iremos ponderar coisas como por que é tão raro para uma centena de mulheres se reunir e construir um navio e navegar para explorar regiões desconhecidas, enquanto homens têm feito tais coisas muito frequentemente. Eles poderiam naufragar ou ser mortos por selvagens ou contrair doenças. Para mulheres, a coisa ótima a fazer era seguir junto com a manada, ser cordial, não apostar alto. As chances eram boas de que homens viriam e ofereceriam sexo e seria possível ter bebês. Tudo que importa é escolher a melhor oferta. Nós descendemos de mulheres que não correram riscos.

Para homens, o panorama era radicalmente diferente. Se o homem seguisse a manada e não arriscasse, as chances seriam de que ele não teria filhos. A maior parte dos homens que já viveram não têm descendentes vivos hoje. Suas linhagens foram interrompidas. Portanto foi necessário tomar oportunidades, tentar novidades, ser criativo, explorar outras possibilidades. Navegar rumo ao desconhecido pode ser arriscado, e ele poderia naufragar, ou ser morto, ou o que fosse, mas novamente se ficasse em casa ele não se reproduziria de qualquer forma. Nós somos majoritariamente descendentes dos tipos de homens que fizeram a viagem de risco e conseguiram retornar ricos. Neste caso, eles conseguiram finalmente ter boas chances de passar adiante seus genes. Somos descendentes de homens que tomaram oportunidades (e foram sortudos).

A imensa diferença no sucesso reprodutivo muito provavelmente contribuíram para algumas diferenças de personalidade, porque diferentes características apontaram o caminho do sucesso. Mulheres fizeram melhor minimizando os riscos, enquanto homens de sucesso foram os que mais arriscaram. Ambição e ímpeto competitivo provavelmente importaram mais para o sucesso masculino (medido em descendência) que para o feminino. Criatividade provavelmente foi mais necessária, para auxiliar o indivíduo homem a se manter de alguma forma. Mesmo a diferença em motivação sexual foi relevante: Para muitos homens, havia menos chances de se reproduzir e assim eles tinham que estar prontos para qualquer oportunidade sexual. Se um homem dissesse "ah, hoje não, estou com dor de cabeça", ele poderia perder sua única oportunidade.

Outro ponto crucial. O perigo de se não ter nenhum filho é apenas um dos lados da moeda masculina. Cada criança tem uma mãe e um pai biológicos, e portanto se existissem apenas metade de pais em relação a mães entre nossos ancestrais, então alguns desses pais tiveram bastantes filhos.

Olhem da seguinte forma: A maior parte das mulheres teve alguns poucos filhos, e dificilmente uma mulher teve mais de uma dúzia - mas muitos pais tiveram bastante, e alguns tiveram dúzias, até mesmo centenas de filhos.

Em termos de competição biológica para produzir descendência, então, homens superaram mulheres tanto entre os fracassos quanto entre os maiores sucessos.

Colocando isso em termos mais subjetivos: Quando eu caminho por aí e tento observar homens e mulheres como se fosse a primeira vez que os vejo, é difícil escapar da impressão (desculpa, caras!) que mulheres são simplesmente mais adoráveis e amáveis que homens. (Penso eu que isto explica o efeito MSM que mencionei antes.) Homens podem querer ser mais amáveis, e homens podem e de fato conseguem mulheres que os amem (portanto, a habilidade está ali), mas homens têm outras prioridades, outras motivações. Para mulheres, ser amável foi a chave para atrair o melhor companheiro. Para homens, porém, era mais uma questão de derrotar montes de outros homens somente para se ter uma companheira.

Contrabalanços novamente: talvez a natureza projetou mulheres que buscassem ser amáveis, enquanto homens foram projetados para se esforçar, na maior parte das vezes sem sucesso, pela grandiosidade.

E isto valeu a pena, mesmo para a parte com "a maior parte das vezes sem sucesso". Peritos estimam que Gengis Khan teve centenas e talvez mais de mil filhos. Ele empreendeu grandes riscos e eventualmente conquistou a maior parte do mundo conhecido. Para ele, os grandes riscos levaram a enormes recompensas em descendência. Meu ponto é que nenhuma mulher, mesmo que conquistasse tão vasto território quanto Gengis Khan, poderia ter milhares de filhos. Lutar por grandiosidade neste sentido oferecia à mulher nenhuma recompensa biológica. Para o homem, a possibilidade estava lá, e assim o sangue de Gengis Khan corre em um enorme segmento da população humana de hoje. Por definição, apenas alguns homens podem alcançar a grandiosidade, mas para os poucos que conseguiram, os ganhos foram reais. E nós somos descendentes daqueles grandes homens muito mais do que dos outros. Lembre-se, a maior parte dos homens medíocres não deixou um descendente sequer.

sábado, 8 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte V

Não Pode VS Não Quer


Antes de irmos muito longe nesse caminho, porém, me permita levantar outra ideia radical. Talvez as diferenças entre gêneros sejam mais sobre motivação que habilidade. Esta é a diferença entre não pode e não quer.

Voltemos um momento para o caso de Larry Summers sobre por que não há tantas professoras de Física em Harvard. Talvez mulheres possam fazer Matemática e Física perfeitamente bem mas elas apenas não gostam. Afinal, a maior parte dos homens também não gosta de Matemática! Da minúscula parte de pessoas que gosta de Matemática, provavelmente há mais homens que mulheres. Uma pesquisa por Jacquelynne Eccles repetidamente tem confirmado que a falta de mulheres na Matemática e Ciência reflete motivação mais que habilidade. E pela mesma lógica, eu suspeito que a maior parte dos homens poderia aprender a trocar fraldas e limpar debaixo do sofá perfeitamente bem, e se homens não fazem tais coisas, é porque eles não querem ou não gostam, não porque são constitucionalmente incapazes (tanto quanto eles possam ocasionalmente fingir que não podem!).

Muitos trabalhos recentes têm questionado a ideia completa de diferença de habilidades em gêneros: Mesmo quando diferenças médias são encontradas, elas tendem a ser extremamente pequenas. Em contraste, quando se olha para o que homens e mulheres querem, do que gostam, há genuínas diferenças. Olhe para a pesquisa acerca de motivação sexual: Homens e mulheres podem ter igual "habilidade" no sexo, seja lá o que isso signifique, mas há grandes diferenças acerca de motivação: que gênero pensa em sexo o tempo todo, quer sexo mais frenquentemente, quer mais parceiros distintos, se arrisca mais por sexo, se masturba mais, vai atrás de qualquer oportunidade, e por aí vai. Nosso resumo sobre as pesquisas encontrou que a maioria de cada pesquisa e estudo mostrou mais motivação sexual em homens. É oficial: homens são mais tarados que mulheres. Esta é uma diferença de motivção.

Igualmente, eu mencionei a diferença de salários, mas ela tem menos a ver com habilidade e mais com motivação. Altos salários vêm de trabalhar em jornadas superlongas. Viciados em trabalho são majoritariamente homens. (Há algumas mulheres, não tanto quanto homens.) Um estudo contou que mais de 80% das pessoas que trabalham 50 horas semanais são homens.

Isto significa que se quisermos alcançar nosso ideal de igualdade salarial para homens e mulheres, precisaremos legislar o princípio de pagamentos iguais por menos trabalho. Pessoalmente, eu apóio este princípio. Porém, reconheço que é difícil vendê-lo.

Criatividade pode ser outro exemplo de diferença de gêneros em motivação em vez de habilidade. A evidência apresenta um paradoxo aparente, porque os testes de criatividade geralmente mostram homens e mulheres pontuando aproximadamente igual, e mesmo assim ao longo da história alguns homens têm sido muito mais criativos que as mulheres. Uma explicação que se encaixa neste padrão é que homens e mulheres têm a mesma capacidade criativa mas diferentes motivações.

Eu sou músico, e tenho desde muito me perguntado sobre esta diferença. Sabemos da cena da música clássica que mulheres podem tocar instrumentos belamente, brilhantemente, proficientemente - essencialmente tão bem quanto homens. Elas podem e muitas o fazem. Mesmo assim, no Jazz, onde o artista tem que ser criativo enquanto toca, existe um impressionante desequilíbrio: dificilmente alguma mulher improvisa. A capacidade está ali, mas talvez a motivação é menor. Elas não se sentem compelidas a tanto.

Eu suponho que a explicação rotineira para qualquer diferença deste tipo é que mulheres não são encorajadas, ou não são apreciadas, ou foram desencorajadas de serem criativas. Mas não penso que esta explicação rotineira se encaixa bem com os fatos. No século 19 nos EUA, mulheres e meninas de classe média tocavam piano bem mais que homens. Mesmo assim todo este piano praticado falhou em apresentar qualquer resultado criativo. Não existem grandes mulheres compositoras, nem novas direções no estilo de música ou no modo de tocar, ou qualquer coisa do tipo. Todas essas mulheres pianistas entreteram suas famílias e seus convidados mas não se sentiram motivadas a criar nada de novo.

Enquanto isso, por volta da mesma época, homens negros na América criaram o Blues e o Jazz, ambos os quais mudaram a forma que o mundo experimentou a música. Em qualquer medição, estes negros, em sua maior parte emergindo da escravidão, estavam em muito mais desvantagem que as mulheres brancas de classe média. Mesmo conseguir colocar as mãos em um instrumento musical era consideravelmente mais difícil. E lembre-se, eu estou dizendo que as habilidades criativas eram provavelmente próximas. Mas de alguma forma os homens foram levados a criar algo novo, mais que as mulheres.

Um teste do que é significativamente real é o mercado. É difícil encontrar alguém fazendo dinheiro com diferenças de gênero acerca de habilidades. Mas em motivação, há muitos. Olhe para a indústria de revistas: revistas masculinas cobrem diferentes assuntos em relação às femininas, porque homens gostam e desfrutam e estão mais interessados em diferentes coisas. Olhe a diferença nos filmes de canais a cabo para homens e para mulheres. Olhe a diferença entre comerciais para homens ou para mulheres.

Isto nos leva a uma parte importante do argumento. Eu estou sugerindo que as diferenças importantes entre homens e mulheres serão encontradas em motivação em vez de habilidade. Onde, então, estão estas diferenças? Eu quero enfatizar duas.

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte IV

Contrapesos


Quando você pensa sobre isso, a ideia de um gênero ser totalmente melhor que o outro não é muito plausível. Por que a natureza faria um gênero melhor que o outro? Evolução seleciona características boas e favoráveis, e se existe outra maneira boa de ser, após algumas gerações todos serão dessa maneira.

Mas evolução preservará diferenças onde há contrapesos: quando uma característica é boa para alguma coisa, enquanto seu oposto é bom para outra coisa.

Vamos retornar às três principais teorias que temos sobre os gêneros: homens são melhores, não há diferença, mulheres são melhores. O que estamos deixando passa desta lista? Diferentes mas iguais. Me permita apresentar uma teoria rival que merece ser considerada. Eu penso que ela é de fato a mais plausível. Seleção natural preservará diferenças inatas entre homens e mulheres à medida que as diferentes características forem benéficas em diferentes circunstâncias ou para tarefas diferentes tarefas.

Exemplo de contrapeso: afro-americanos sofrem de anemia falciforme mais que caucasianos. Isto surge devido a uma vulnerabilidade genética. Este gene, porém, promove resistência à malária. Pessoas negras desenvolveram-se em regiões onde a malária é uma majoritária causa mortis, então era vantajoso ter este gene apesar do aumentado risco de anemia falciforme. Brancos evoluíram em regiões mais frias, onde havia menos malária, e portanto o contrapeso foi resolvido diferentemente, evitando mais o gene que prevenia malária enquanto arriscando anemia falciforme.

A abordagem dos contrapesos traz à tona uma teoria radical de igualdade de gêneros. Homens e mulheres podem ser distintos, mas cada vantagem pode estar ligada a uma desvantagem.

Portanto, sempre que você ouvir um reporte de que um gênero é melhor que outro, pare e considere por que isto tem mais chances de ser verdadeiro - e para o que a característica oposta pode ser boa.

sábado, 1 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte III

Estereótipos em Harvard


Eu tenho dito que hoje em dia a maioria das pessoas adota estereótipos mais favoráveis às mulheres que aos homens. Nem sempre foi assim. Até por volta da década de 1960, a psicologia (bem como a sociedade) tendia a ver os homens como a norma e as mulheres como uma versão ligeiramente inferior. Durante a década de 1970, houve um breve período no qual se disse que não havia real diferença, apenas estereótipos. Só por volta da década de 1980 que a visão dominante foi de mulheres sendo melhores e homens sendo a versão inferior.

A coisa surpreendente para mim é que levou pouco mais de uma década para se ir de uma visão até a sua oposta, a saber, de pensar que os homens são melhores que as mulheres do que pensar que as mulheres são melhores que os homens. Como isto foi possível?

Estou certo que vocês estão esperando que eu fale sobre Larry Summers em algum momento, então vamos logo com isso! Vocês lembram que ele era presidente de Harvard. Como sumarizado no The Economist, "Sr. Summers injuriou a instituição feminista ao questionar em voz alta se o pré-julgamento sozinho poderia explicar a falta de mulheres no topo da ciência". Após inicialmente dizer que é possível que talvez não existam tantas professoras de Física em Harvard porque não há muitas mulheres com esta habilidade inata, apenas uma possível explicação entre outras, ele teve que se desculpar, se retratar, prometer altas somas de dinheiro, e pouco tempo depois ele renunciou.

Qual foi seu crime? Ninguém o acusou realmente de discriminação contra mulheres. Sua imoralidade foi pensar coisas que não são permitidas pensar, a saber, que possam existir mais homens com grande habilidade. A única explicação permissível para a falta de mulheres no topo é o patriarcadao - que homens estão conspirando para manter as mulheres inferiores. Não pode ser habilidade. Na realidade, há alguma evidência que homens são um pouco melhores em Matemática, mas vamos assumir que Summers estava falando de inteligência em geral. Pessoas podem apontar para montanhas de dados apontando que o QI médio de homens adultos é o mesmo que o das mulheres. Então sugerir que homens são mais espertos que mulheres está errado. Não é de se espantar que algumas mulheres se ofenderam.

Mas não foi isso o que ele disse. Ele disse que há mais homens nos níveis mais altos de habilidade. Isto poderia ainda ser verdadeiro apesar da média ser a mesma - se existirem também mais homens nos níveis mais baixos da distribuição, mais homens seriamente estúpidos que mulheres. Durante a controvérsia acerca destas notas, eu não vejo ninguém levantar questionamentos, mas os dados estão aí, realmente abundantes, e são indisputáveis. Existem mais homens que mulheres com QIs realmente baixos. De fato, o padrão do retardo mental é o mesmo do gênio, a saber, que quanto mais se vai do moderado para o médio e para o extremo, a preponderância dos homens aumenta.

Todos aqueles garotos retardados não são fruto das obras do patriarcado. Homens não estão conspirando entre si para fazer os seus filhos serem retardados.

Quase certamente, é algo biológico e genético. E meu palpite é que a maior proporção de homens em ambos os extremos da distribuição de QI é parte do mesmo padrão. A natureza joga dados com os homens mais do que com as mulheres. Homens vão a extremos mais que mulheres. Isto é verdade não somente com QI mas com outras coisas também, até mesmo altura: a distribuição masculina de altura é mais plana, com mais homens muito altos e muito baixos.

Mais uma vez, existe uma razão para isso, para a qual eu logo retornarei.

Por ora, o ponto é que isto explica como podemos ter estereótipos opostos. Homens vão a extremos mais que mulheres. Estereótipos são sustentados por viés de confirmação. Quer pensar que homens são melhores que mulheres? Então olhe para o topo, [homens] heróis, inventores, filantropos, entre outros. Quer pensar que mulheres são melhores? Então olhe para baixo, [homens] criminosos, drogados, fracassados.

Em um sentido importante, homens são de fato melhores e também piores que mulheres.

Um padrão de mais homens em ambos os extremos pode criar toda sorte de conclusões enganosas e outros desastres estatísticos. Para ilustrar, vamos assumir que homens e mulheres são em média exatamente iguais em todos os aspectos relevantes, mas com mais homens em ambos os extremos. Se você então medir as coisas que são ligadas a um dos extremos, isto bagunça os dados para fazer parecer que homens e mulheres serem significativamente diferentes.

Considere a pontuação média na faculdade. Graças à inflação de classes, a maior parte dos estudantes consegue notas A e B, mas poucos vão até o limite do F. Com este tipo de limite inferior baixo, os homens de maior desempenho não conseguem elevar a média dos homens, mas os homens fracassados a derrubarão. O resultado será que mulheres conseguirão maiores médias que homens - novamente, apesar de não haver diferença na qualidade média do trabalho.

O resultado oposto vem com os salários. Existe um salário mínimo, mas não um máximo. Portanto, os homens de maior desempenho podem elevar a média enquanto os de menor desempenho não podem derrubá-la. Resultado? Homens obterão médias salariais maiores que mulheres, mesmo se não houver diferença na média em qualquer entrada de dados relevante.

Hoje em dia, com toda certeza, mulheres conseguem notas maiores mas salários menores que os homens. Existe muita discussão sobre o que isso significa e o que deve ser feito acerca disso. Porém, como vocês podem ver, ambos os fatos podem ser meramente uma estranheza estatística que se hasteia a partir dos extremos masculinos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - PARTE II

Homens no Topo


Quando eu digo que estou pesquisando como a cultura explora os homens, a primeira reação é geralmente "Como você pode dizer que a cultura explora os homens, quando os homens estão no controle de todas as coisas?". Esta é uma objeção justa e precisa ser tratada seriamente. Ela envolve a crítica feminista da sociedade. Esta crítica se iniciou quando algumas mulheres sistematicamente observaram a sociedade a partir do topo e notaram homens por todo lado: a maioria dos comandantes, presidentes, primeiros-ministros, a maioria dos congressos e parlamentos, a maioria dos presidentes executivos de grandes corporações, e assim por diante - eles são majoritariamente homens.

Vendo isto, as feministas pensaram "wow, homens dominam tudo, então a sociedade é voltada para favorecer os homens. Deve ser ótimo ser homem".

O erro desta forma de pensar é olhar somente para o topo. Se observarmos em direção à base da sociedade em vez disso, encontraremos uma maioria masculina também. Quem está nas prisões, por todo o mundo, como criminosos ou prisioneiros políticos? A população no Corredor da Morte jamais se aproximou de 51% de mulheres. Quem são os sem-teto? Novamente, maioria masculina. Quem a sociedade mais usa para trabalhos ruins ou perigosos? As estatísticas do Departamento de Trabalho dos EUA reportam que 93% dos trabalhadores mortos no trabalho são homens. Igualmente, quem acaba morto em batalha? Mesmo nas Forças Armadas dos EUA de hoje em dia, que têm feito muito pela integração dos sexos e pelo ingresso de mulheres em combate, os riscos não são iguais. Este ano [NT01] batemos a marca de três mil mortes no Iraque, e dessas, 2938 foram de homens, 62 de mulheres.

Podemos imaginar uma batalha antiga, em que o inimigo foi expulso e a cidade foi salva, e os soldados que retornam estão cobertos de moedas de ouro. Uma feminista daquela época poderia protestar "ei, todos aqueles homens conseguiram moedas de ouro, e metade delas deveria ir para as mulheres". Em princípio, eu concordo. Mas lembre-se, enquanto os homens que vocês veem obtiveram moedas de ouro, tem também os outros homens que vocês não veem, que ainda estão sangrando e morrendo no campo de batalha por causa dos ferimentos das lanças.

Esta é uma primeira pista importante de como a cultura usa os homens. A cultura está cheia de contrapesos, nos quais ela precisa de pessoas para realizar coisas arriscadas ou perigosas, e assim sendo oferece grandes recompensas para motivar as pessoas a tomar tais riscos. A maioria das culturas tendeu a usar homens para estas lacunas de alto-risco&alto-retorno muito mais que mulheres. Eu proponho que existem importantes razões pragmáticas para isto. O resultado é que alguns homens recolhem grandes recompensas enquanto outros têm suas vidas arruinadas ou até mesmo ceifadas. A maioria das culturas protege suas mulheres do risco e portanto também não lhes dá as grandes recompensas. Não estou dizendo o que as culturas deveriam moralmente fazer, mas culturas não são seres morais. Elas fazem o que fazem por razões pragmáticas direcionadas por competições entre outros sistemas e grupos.

FootNotes:
  • [NT01] O artigo é datado de 2007

domingo, 25 de setembro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Parte I


INTRODUÇÃO


Vocês provavelmente devem estar pensando que uma palestra com o nome "Tem algo de bom nos homens?" será curta! Escritos recentes não têm muito o que dizer sobre os homens. Títulos como "Men Are Not Cost Effective"[NT01] são autoexplicativos. O livro de Maureen Dowd se chama "Are Men Necessary?"[NT02], e apesar de ela nunca dar uma resposta explícita, qualquer um que leia o livro sabe que sua resposta é 'não'. O livro de Louann Brizendine, "The Female Brain"[NT03], se inicia dizendo "Homens, estejam prontos para experimentar inveja cerebral". Imagine um livro sendo anunciado dizendo que mulheres de pronto experimentarão inveja pelo superior cérebro masculino!

Estes não são de forma alguma exemplos isolados. A pesquisa de Alice Eagly compilou montanhas de dados sobre esterótipos que as pessoas têm sobre homens e mulheres, a qual os pesquisadores sumarizaram como "O Efeito MSM". MSM significa "Mulheres São Maravilhosas". Tanto homens quanto mulheres adotam visões muito mais favoráveis sobre mulheres do que sobre homens. Quase todo mundo gosta mais de mulheres que de homens. Eu certamente gosto.

Meu propósito neste artigo não é tentar balancear isto elogiando os homens, ainda que ao longo do caminho eu terei várias coisas positivas para dizer acerca de ambos os gêneros. A questão de se existe algo de bom sobre os homens é apenas meu ponto de divergência. O título provisório do livro que estou escrevendo é "How culture exploits men"[NT04], mas mesmo isto para mim é a introdução para grandiosas questões sobre como a cultura molda a ação. Neste contexto, o que tem de bom sobre os homens significa no que os homens são bons, da perspectiva do sistema.

Portanto, isto não é sobre "a batalha dos sexos", e de fato eu penso que um desafortunado legado do feminismo foi a ideia de que homens e mulheres são basicamente inimigos. Eu sugerirei, em vez disso, que na maior parte das vezes homens e mulheres têm sido parceiros, apoiando uns aos outros em vez de explorando ou manipulando um ao outro.

Este artigo também não é sobre tentar argumentar que homens devam ser tratados como vítimas. Eu detesto toda a ideia de competir para ser vítima. E certamente eu não nego que a cultura tenha explorados as mulheres. Mas em vez de olhar a cultura como um patriarcado, o que significa dizer que é uma conspiração por homens para explorar mulheres, eu penso que é mais acertado entender cultura (p. ex., um país, uma religião) como um sistema abstrato que compete contra sistemas rivais -- e que usa tanto homens como mulheres, geralmente de formas diferentes, para avançar sua causa.

Eu penso também que é melhor evitar julgamentos de valor o máximo possível. Eles têm tornado a discussão sobre políticas de gênero bastante difícil e sensível, distorcendo por conseguinte o jogo de ideias. Eu não tenho conclusões a apresentar sobre o que é bom ou mau ou como o mundo deve mudar. De fato a minha própria teoria é feita de negociações e contrapesos, de tal forma que aonde houver algo bom, ele estará atrelado a algo mau, e ambos contrabalançam.

Eu não quero estar de nenhum lado. Militantes de gênero, por favor vão para casa.

FootNotes:
  • [NT01] "Homens Não Compensam o Custo", em uma tradução livre
  • [NT02] "Homens São Necessários?"
  • [NT03] "O Cérebro Feminino"
  • [NT04] "Como a Cultura Explora os Homens"

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" por Roy Baumeister [INDEX]


Nota Pessoal do Tradutor Bastardo:

Pois é, macacada!

Tem um tempo que retraduzi esta gema sobre sociologia com um toque em papéis de gênero. Esta tradução não é exatamente inédita - a primeira vez que vi este texto, foi no backup de um infame blog. Foi a partir deste texto que me interessei especificamente pelo caso dos direitos dos homens e meninos - e juntei links a rodo sobre vários assuntos, enfim.

Serão quatorze posts demolidores, verdadeiros socos no fígado de frouxos e mentirosos, haha! Recomendo que leiam detidamente.

Sem mais, puxem a aba:


Masculinidade Tóxica e Feminilidade Tóxica [Karen Straughan]

Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Masculinidade Tó...