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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"Mulheres Querem Mesmo a Igualdade?" por Nikita Coulombe

Mulheres Querem Mesmo a Igualdade?


Mulheres realmente querem igualdade? Esta é uma questão que eu penso que cada um de nós deve perguntar a nós mesmos. Porque eu francamente não penso que muitos de nós façamos, não a real igualdade de toda forma.

Feministas iriam querer que acreditemos que a vida é muito pior para mulheres que para homens, que somos fracas, e que o "patriarcado" está contra nós, e portanto nós merecemos toda sorte de programas e benefícios apenas para estar num campo nivelado com os homens. Mas o fato pleno é: aqui no Ocidente, estamos muito bem. De muitas formas melhor que os homens. E se nós realmente dermos uma observada na vida dos homens, podemos notar isso.

Muitas de nós não querem [1] pagar metade da conta nos encontros, não queremos trabalhar em serviços sujos e perigosos, não queremos ser alistadas se tiver uma guerra, não queremos ter que provar a uma Corte Judicial que nossos filhos dependem de nós depois do divórcio, e não queremos servir como guarda-costas não-remuneradas ou sermos as primeiras a descer as escadas quando se ouve um barulho estranho... e com sorte para nós, não temos que fazer tais coisas!

Porque homens fazem essas coisas. Voluntariamente. Todo dia. Eles não nos pedem um "obrigado" porque está embutido neles o servir, o doar. E, ainda que isso possa surpreender alguns leitores, homens fazem essas coisas porque eles amam as mulheres. Eles fazem tais coisas para nós tal que nós quem sabe os amemos de volta.

Mulheres devem receber o mesmo pagamento que homens por fazer o mesmo trabalho? Absolutamente. Mas a suposta "disparidade salarial" é cheia de manchetes enganosas e dados infundados. Homens trabalham mais horas que as mulheres, e escolhem especialidades que requerem maior responsabilidade. Por exemplo, mais mulheres estão agora participando das escolas de medicina, mas elas gravitam em torno de áreas como pediatria [2] em vez de cardiologia [3] e neurocirurgia [4], que trazem maiores riscos e responsabilidades, têm mais horas de demanda (veja aqui [5] e aqui [6]) e, por consequência, pagam mais [7].

Instituições estão tentando obter mais mulheres entrando nestes programas intensos e estão confusos sobre por que não conseguem elevar seus números. A razão é: mulheres não querem, portanto não vão! A divisa dos gêneros é na realidade mais pronunciada [8] em nações onde as mulheres têm a maior liberdade para perseguir a profissão que quiserem. Existe uma porcentagem maior de cientistas mulheres na Rússia ou na Turquia que no Canadá ou na Alemanha, por exemplo.

Estudos de longo termo revelam que mulheres preferem trabalhos mais significativos e conectados, que alteiam suas vantagens emocionais mas "conflituam com fazer rios de dinheiro e elevar-se em patamares", como discute a psicóloga Susan Pinker em The Sexual Paradox [9]:
Objetivos intrínsecos como fazer a diferença, ou pertencer a uma comunidade, estão geralmente em oposição direta a objetivos extrínsecos como procurar recompensas financeiras ou prestígio ... mulheres, em média, são motivadas por recompensas intrínsecas no trabalho ... Uma das descobertas foi que a influência das recompensas intrínsecas e autonomia no trabalho aumenta com o grau de educação da mulher ... mulheres mais educadas são também mais interessadas em trabalhar em meio-período, estimulando portanto o fenômeno de não-inclusão de duas formas - mediante sua procura por significado inerente no trabalho, e pelo montante de tempo que elas estão dispostas a comprometer para seus empregos.

E homens tomam menos tempo fora do trabalho depois que têm filhos - dando a eles mais experiência no trabalho e portanto maior potencial de ganhos. Em The Myth of Male Power [10], Warren Farrel fala sobre as três opções que uma mulher cogita quando tem um bebê:
  1. Trabalhar em período integral
  2. Ficar em casa em período integral
  3. Combinação dos dois: trabalhar em meio-período

Homens, por outro lado, cogitam estas três opções:
  1. Trabalhar em período integral
  2. Trabalhar em período integral
  3. Trabalhar em período integral [fazer hora extra pode ser mais uma opção!]

Em geral, diz ele, homens aprendem a amar suas famílias ficando distantes do amor de seus familiares, enquanto mulheres amam suas famílias ficando com o amor de seus familiares.

Mulheres falam sobre se vão ou não "dispor-se para casa ou para o trabalho", enquanto homens nunca tiveram a opção de "dispor-se para a casa". Isto dá aos homens uma vantagem financeira mas impede-os de dar e receber amor.

Em The Father and Child Reunion [11] Farrel escreve:
Mulheres fornecem um útero emocional, relacionado ao amor; homens fornecem um útero financeiro, que lhes tira de seu propósito - amar a apoiar a família, a fim de alcançar seu propósito - amar e apoiar a família. Homens amavam a família estando desconectados; mulheres amavam a família estando conectados. Tradicionalmente, o papel da mulher teve a vantagem do amor e a vantagem emocional.

Mais mulheres estariam dispostas a compartilhar suas vantagens de amor ou compartilhas as pressões financeiras de seus maridos?

Esta é uma consideração por vezes ignorada no debate da disparidade de gênero - se fosse aceitável para homens não ter que trabalhar tão intensamente, mulheres poderiam escolher trabalhos que pudessem gerar mais dinheiro. Porém, isto só aconteceria se mulheres desejassem real igualdade, porque homens seriam então valorizados por algo além de suas carteiras, assim como as mulheres o são.

Não obstante, mulheres largamente ainda querem estar com um homem que ganhe mais dinheiro [12] que elas, realimentando o ciclo em que elas ficam mais tempo fora da força de trabalho do que eles a fim de cuidar dos filhos.

Em Why Women Still Can’t Have It All [13], Anne-Marie Slaughter sugeriu que homens não tenham que fazer o tipo de sacrifícios e compromissos que mulheres fazem, que a hipótese que mulheres poderiam ter carreiras mais potentes se homens fossem dispostos a compartilhar a carga parental igualmente "assume que a maioria das mulheres sentir-se-á tão confortável quanto os homens acerca de estar distante de seus filhos, tão longo quanto seu parceiro está em casa com eles".

Em seu livro conseguinte, Unfinished Business [14], ela explica: "mulheres também encaram a responsabilidade muito mais cultural de serem as cuidadoras, e serem perfeitas nisso, que os homens. Mesmo no século XXI, a América parece perplexa sobre qualquer mulher que não pareça colocar o cuidado de seus filhos acima de sua vida profissional".

Mas quem está pressionando quem?

O que aparenta ser um homem escolhendo trabalho em vez de família é mais um homem sacrificando seus anseios de estar com a família em benefício da sua família.

Onde a mulher pode sentir que é egoísta ao passar tempo longe dos filhos, o homem pode sentir o oposto. Desde que lhe é esperado ganhar mais, ele sente que seria egoísta para ele trabalhar menos horas a fim de gastar mais tempo com as crianças porque ele estaria eliminando a segurança financeira de sua família.

O homem médio ganha mais dinheiro que a mulher média, mas o homem médio trabalha mais horas e está disposto a isso porque ele espera ser recompensado com amor quando ele paga as contas.

Enquanto isso, mulheres são recompensadas com amor quando reduzem suas horas ou saem da força de trabalho depois de ter filhos.

Cuidado infantil acessível permitiria mais mulheres permanecer na força de trabalho se decidissem assim, garantindo menos disparidade salarial em razão da experiência no trabalho. Mas há evidência que isto pode nem mesmo ser suficiente ou ser a solução correta. Mesmo na Suécia, um país com alguns dos mais generosos benefícios de licença parental, as mulheres ainda escolhem [15] ficar quatro vezes o tanto de tempo em casa que os homens, e alguns que inicialmente pensaram que queriam a ajuda do pai para cuidar do filho agora se encontram "invejando mais tempo em casa".

Outra preocupação é como a união de mais papéis tradicionalmente femininos e masculinos em mulheres e homens afetará a identidade de gênero e o sucesso do relacionamento. A questão permanece se ou não mulheres ainda acharão seus parceiros em casa mais atrativos que se eles fossem seus parceiros trabalhando.

Até o presente, parece que esse tipo de homem, por vezes referido como "macho beta", desliga as mulheres, Por exemplo, o psicólogo Lori Gottlieb descobriu que o risco de divórcio é mais baixo quando o marido ganha 60% da renda e a esposa faz 60% do serviço doméstico, e mulheres reportam [16] níveis superiores de satisfação sexual quando há uma divisão mais tradicional de tarefas.

Em outras palavras, iguais oportunidades não necessariamente produzem iguais resultados, e desvios econômicos e mudanças socialmente prescritas nos relacionamentos em direção à "mesmice" não necessariamente resultam em atração sexual e sucesso no relacionamento, coisas essas que não podem ser forçadas.

Ser um homem e um parceiro em casa não é visto como valorosos e não comunicam o comportamento de macho alfa, ao qual muitas mulheres são atraídas [17]. De fato, mesmo quando mulheres se tornam mais financeiramente independentes, elas desejam parceiros mais velhos e mais ricos.

As pilhas foram levantadas, não equalizadas, pelo movimento das mulheres, ao menos para homens. E homens acompanharão qualquer moeda de troca que as mulheres estejam aceitando - significando que eles se adaptarão a qualquer sistema que os recompense.

Crianças assimilam essas mensagens sobre recompensa e valor do amor do pai de formas sutis. Por exemplo, na série de livros Harry Potter, apesar de ambos os pais de Harry, James e Lily, darem sua vida para salvar o filho, apenas a mãe recebe o crédito.

Quando Harry era criança, o mago maligno Lord Voldemort descende ao esconderijo da família por causa de uma profecia em que Harry irá crescer e destruí-lo. James grita para Lily pegar Harry e fugir a fim de que ele possa segurar Voldemort. Ele morre protegendo-os, e então Lily morre protegendo Harry, mas por causa de seu amor, a maldição assassina de Voldemort ricocheteia e o danifica irreparavelmente, deixando Harry com a famosa cicatriz em formato de raio na sua testa.

A mensagem primária é que o amor é mais forte que o ódio. A mensagem secundária é que o amo de uma mãe é mais poderoso que o de um pai, e que a morte da mãe é mais profunda.

Ninguém fala sobre a mensagem secundária porque ela está muito enraizada. O que é surpreendente é que dada a popularidade da série, poucos leitores tomaram a questão do fato que as ações de James e Lily tiveram a mesma consequência e mesmo assim o sacrifício dela foi mais valioso. Esta é mais uma de muitas instâncias em que o propósito do homem é visto como secundário à conexão mãe-filho.

A mensagem que homens ainda estão assimilando é que eles devem prover financeiramente para permanecer relevantes. Em algum nível, meninos sabem que um homem com pouco potencial de ganhos é menos propenso a encontrar uma parceira desejável e é mais propenso a acabar divorciado; eles sabem que uma significativa porção de seu valor e desejabilidade está diretamente atrelada a seus potenciais ganhos (veja aqui [19] e aqui [20])

Meninos também captam o estigma contra pais caseiros - uma pesquisa recente [21] da Pew Research revelou que 51% das pessoas diz que crianças estão em melhor situação se suas mães ficam em casa enquanto apenas 8% sente o mesmo sobre os pais.

Este é provavelmente o porquê de mulheres comporem a maioria dos graduados universitários, e mesmo assim homens são ainda maioria [22] nos campos de Ciência&Tecnologia.

Baseados nas proporções e e diferenças de ganhos, em uma primeira olhada, pode parecer discriminação contra mulheres, mesmo assim ambos os sexos sabem de antemão que a rota da Ciência&Tecnologia mais provavelmente levará a maiores rendas.

Uma razão por que homens e mulheres diferem em escolhas maiores é que eles simplesmente têm preferências diferentes. Por exemplo, homens iriam trabalhar [8] com materiais inorgânicos enquanto homens preferem trabalhar com coisas vivas e mulheres matematicamente dotadas são mais propensas a ter fortes habilidades verbais que homens matematicamente dotados, dando-lhes um leque maior de escolhas de carreira.

Outra razão para homens e mulheres diferir é que mais geralmente homens têm que pagar o seu próprio caminho. A tendência de genitores gastando mais na educação de seus filhos meninos nos anos 1970 não apenas equalizou nos anos 1990 mas reverteu final dos anos 2000; genitores agora gastam 25% mais dinheiro na educação das filhas do que na de seus filhos.

Também, existe uma penitude de disciplinas oferecidas a pessoas de todos os sexos e etnias, mas mais disciplinas - tanto acadêmicas quanto atléticas - são oferecidas exclusivamente a mulheres que a homens. Por exemplo, em scholarships.com - um dos sites mais populares para procurar e inscrever-se nos EUA - disciplinas para mulheres superam o de homens na proporção de quatro para um.

Mulheres têm outras vantagens quando se trata de saúde e bem-estar. No mundo todo mulheres vivem mais [23] que homens. Uma quantidade ligeiramente superior de homens é diagnosticada com câncer de próstata em comparação à de mulheres diagnosticadas com câncer de mama, mesmo assim pesquisa sobre o câncer de mama é mais financiada com subsídios federais em relação ao câncer de próstata na razão de quase dois para um (veja aqui [24] e aqui [25]). Homens morrem a taxas mais altas [26] de praticamente todas as quinze maiores causas de morte; as maiores diferenças estão em doenças do coração, suicídios e injúrias fatais causadas por acidentes não-intencionais. Homens também superam mulheres em trabalhos perigosos. 92% das fatalidades de trabalho [27] na América é mnasculina. Construção é responsável pela maioria dessas mortes, com a maioria dos acidentes ocorrendo de quedas e escorregadas.

Mulheres são mais propensas a terem pensamentos suicidas em relação aos homens, porém suicídio masculino é quatro vezes o total do feminino, representanto 4 em cada 5 nos EUA. De fato meio milhão de suicídios [28] masculinos poderia ser evitado nos últimos quinze anos - por volta do mesmo montante de pessoas que morreram na epidemia de AIDS nos EUA até o presente. E homens perfazem a maioria [29] dos sem-teto, tanto abrigados quanto desabrigados. Isto inclui homens veteranos, que perfazem uma porção considerável da população de rua nos EUA.

Em outras palavras, muitos homens são invisíveis. Quando homens não estão ativamente contribuindo para o sistema, o sistema esquece deles. O "patriarcado", portanto, não se preocupa com os homens também. Como disse o psicólogo Roy Baumeister [30], "O que aparenta ter funcionado melhor para as culturas é colocar os homens uns contra os outros, competindo por respeito e outras recompensas que acabam distribuídas muito desigualmente". Enquanto mulheres são recompensadas por "ser", homens são recompensados por "fazer" - "Homens têm que provar a si mesmos produzindo coisas que a sociedade valoriza ... Esta insegurança social básica da homenidade é estressante para os homens ... mas esta insegurança é útil e produtiva para a cultura, para o sistema".

Mulheres vivem num mundo muito mais amigável, muito menos assassino. Como mulher, quando ando na rua, eu posso sorrir para as pessoas e elas sorriem de volta. Eu posso sorrir para crianças, e ninguém pensará que sou pedófila. Se eu chorar, as pessoas me confortarão. Se eu me sentir discriminada, as pessoas me ajudarão. Se eu for sexualmente atacada, as pessoas acreditarão em mim - exceto se a evidência provar o contrário. Homens não podem dizer o mesmo.

Você sabe o que é pior que cantada de rua? Ninguém te acenando. Jamais sentir-se desejável. Sempre ter que tomar a iniciativa sexualmente e acabar rejeitado a maioria das vezes. Um dos privilégios de ser mulher é que não temos que pedir por consentimento afirmativo porque não temos que tomar iniciativa e portanto não somos vistas como responsáveis ou encarregadas por qualquer coisa que acontecer. Com certeza sou menor e mais vulnerável fisicamente, mas a qualquer momento posso acusar qualquer homem de dizer algo sexista ou de tocar-me de maneira inapropriada e ele pdoe perder seu emprego e sua família. Ele é culpado até provado inocente. Mesmo que ele seja inocentado, eu não encararei repercussão alguma.

Ultimamente, se nós realmente quisermos igualdade nós estaríamos nos perguntando com a vida realmente é para eles. Porque enquanto os papéis masculinos estiverem limitados, os femininos também estarão. Se realmente queremos igualdade, deveríamos faalr de iguais responsabilidades juntamente com iguais direitos; nós deveríamos ter conversas honestas acerca das diferenças biológicas e da atração. Até fazermos tais coisas, nós nos encontraremos em um contínuo bloqueio, reclamando de tais coisas triviais como manspreading e nos perguntando por que não podemos ter tudo enquanto erroneamente pensando que homens tenham tudo.


Notas e Links
[1]http://archive.is/aJ0Q8
[2]https://www.aap.org/en-us/about-the-aap/departments-and-divisions/department-of-education/Documents/women_med_demographics.pdf
[3]http://archive.is/axGjh
[4]http://archive.is/c6itM
[5]http://archive.is/BESBj
[6]http://archive.is/qCOlF
[7]http://archive.is/1CIc4
[8](1, 2) http://archive.is/Z0B0K
[9]http://www.amazon.com/gp/product/0743284712/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=0743284712&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=G4FPHTJWX3CBE5XT
[10]http://www.amazon.com/gp/product/B00IDHV5EM/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=B00IDHV5EM&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=WR2B5X2BSWUH65EV
[11]http://www.amazon.com/gp/product/B004YQQSBQ/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=B004YQQSBQ&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=5HH7X5BB3OITMNCC
[12]http://archive.is/VjcxL
[13]http://archive.is/9Nong
[14]http://www.amazon.com/gp/product/0812994566/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=0812994566&linkCode=as2&tag=bet0f5-20&linkId=H2UMGJ5HUHMSVXYQ
[15]http://archive.is/80hup
[16]http://archive.is/i6V2A
[17]http://archive.is/jVdsI
[18]http://archive.is/RQIYe
[19]http://archive.is/FfORH
[20]http://archive.is/7C7Wg
[21]http://archive.is/tLNEg
[22]https://nces.ed.gov/pubs2009/2009081.pdf
[23]http://archive.is/bayne
[24]http://archive.is/LQCdB
[25]http://archive.is/OC5Y0
[26]http://www.cdc.gov/nchs/data/nvsr/nvsr61/nvsr61_04.pdf
[27]http://archive.is/ER5T
[28]http://www.pnas.org/content/112/49/15078.full.pdf
[29]https://www.hudexchange.info/resources/documents/2015-AHAR-Part-1.pdf
[30]http://archive.is/eFRNf

META
Título Original Do Women Really Want Equality?
Autor Nikita Coulombe
Link Original https://www.avoiceformen.com/sexual-politics/do-women-really-want-equality/
Link Arquivado http://archive.today/pP082

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

"SUMMA GENDERRATICA" por YetAnotherCommenter

SUMMA GENDERRATICA: A Anatomia de um Sistema de Gênero


Nota do autor: Este é um sumário da minha teoria sobre como o sistema de gênero da sociedade opera e como ele se originou. Sua intenção é ser um "mapa" das normas sociais sobre masculinidade e feminilidade. Eu creio que isto pode explicar todas as normas de gênero em nossa sociedade. O Movimento pelos Direitos dos Homens e Meninos requer uma teoria integrada e consistente sobre gênero a fim de competir com sucesso com a segunda e terceira ondas radicais do feminismo - esta teoria é uma tentativa de prover uma.

O que se segue não menciona cada aspecto singular do sistema de gêneros de nossa sociedade, mas eu creio que qualquer aspecto não mencionado de normas de gênero pode ser explicado com sucesso nesta teoria (sinta-se livre para propor desafios do tipo "explique esta norma como produto do sistema de gêneros" nos comentários).

Note que enquanto eu chamei este post "Summa Genderratica", eu não quero acarretar que a teoria abaixo é aceita (em sua integridade) por qualquer um além de mim mesmo. Eu apenas estou ilustrando minha teoria aqui, e isto não é para ser tomado como uma "filosofia oficial" do Genderratic como um todo. A razão para o título pe porque eu sou um idiota pretensioso e como tal eu me divirto na auto-importante conotação/referência aos trabalhos de Aquino.


Vamos à teoria!

Parte 1 - A Primeira Premissa: O Propósito das Normas Sociais


De onde surgem as normas sociais?

Esta teoria tomará como axiomático o fato que normas sociais surgem por razões de sobrevivência e praticidade. Normas sociais surgem como respostas aos desafios da existência física.

O Desafio


O sistema de gênero surgiu nos primordiais dias de nossa espécie. Durante aqueles dias, comida e recursos eram escassos, acumulá-los era difícil e propenso a falhas, e era o trabalho manual que realizava tais tarefas; trabalho físico era a fonte primária das melhorias de sobrevivência e o padrão de vida (ao contrário de hoje, onde o capital tecnológico e trabalho de conhecimento proveem isso (é notável que os primeiros protestos contra o sistema de gênero só surgiram com o Iluminismo e a Revolução Industrial... períodos nos quais a economia tornou-se menos dependente do trabalho e mais do capital devido aos avanços tecnológicos. Também é notório que os protestos contra o sistema de gênero surgiram inicialmente no meio de grupos abastados na sociedade.))

Como o trabalho físico era o meio principal de produção, a importância era voltada para meios de produzir trabalho físico, i.e. reproduzir e aumentar a população. Porém, somente uma minoria das crianças sobrevivia até alcançar a idade adulta, e para tal taxas de natalidade muito mais altas eram requeridas para aumentar o tamanho global da população.

Mas apenas metade da população poderia ter filhos.

A Resposta


Biologia combinada com a necessidade de agressiva reprodução essencialmente forçou as mulheres a se "especializar" e devotar grandes quantidades de seu tempo em engravidar e produzir crias (e quando gestantes elas eram menos móveis e portanto mais vulneráveis).

Desde que os homens não podiam realizar esta importante tarefa, eles providenciavam proteção e provisão de recursos (em essência, todo o restante).

Normas sociais se erigiram para levar as pessoas a suas tarefas guiadas pelo sexo. A "boa fêmea" e o "bom macho" eram aqueles que contribuíam para a sua sociedade cumprindo seu papel designado; a "boa fêmea" era a mãe fértil, o "bom macho" era o forte guerreiro e caçador produtivo. Estas normas sociais estavam refletidas em todas as instituições da sociedade, incluindo religião (veja os deuses guerreiros e as deusas mães para mais).

Sumário 1

  1. Normas sociais erigiram como respostas aos desafios de viver e desenvolver-se
  2. Sociedades de baixa tecnologia são dependentes de labuta física para sobreviver
  3. Taxas altíssimas de nascimento eram requeridas a fim de aumentar o suprimento de labuta
  4. Apenas metade da raça humana poderia dar à luz
  5. Papés de Gênero emergiram para encorajar especialização na base do sexo

Parte 2 - Maturidade e Gênero


Como já afirmado, a "boa fêmea" e o "bom macho" eram entendidos em termos daqueles que contribuíam para a sociedade ao cumprir seus papéis designados pelo sexo. Porém, crianças de ambos os sexos são fisicamente incapazes disso.

Uma mulher precisa estar em pós-puberdade a fim de dar à luz. Homens jovens são em média significativamente menos desenvolvidos fisicamente e portanto em geral nao têm a força necessária para sequer ter a chance de realizar com sucesso sua tarefa designada pelo sexo.

Assim sendo, existe uma associação entre maturidade e conformidade ao gênero. Uma fêmea precisa sofrer um processo de maturação biológica a fim de efetuar a contribuição feminina para a sociedade, porém este processo é essencialmente automático e é basicamente assumido ocorrer ao longo do tempo, com a menstruação servindo como um indicador biologico de aptidão para realizar a tarefa.

Com machos, as coisas são mais tênues. Proficiência ou mesmo capacidade de executar a função masculina, quanto mais executá-la bem, não são biologicamente garantidas. Além disso, não existe um indicador claro de "está pronto" entregue pela biologia masculina.

Enquanto fêmeas crescem em direção a serem mulheres, machos não crescem automaticamente em direção a serem "homens de verdade".

Feminilidade Aristotélica, Masculinidade Platônica, e a Dicotomia Sujeito-Objeto


Uma fêmea jovem simplesmente se torna mulher automaticamente, devido a propriedades inatas de sua biologia. Sua menstruação evidencia maturação. Sua mulheridade simplesmente é. Ela é assumida ser conformada ao gênero e portanto socialmente contributiva por padrão.

Um macho jovem tem de demonstrar, mediante ação, a capacidade de realizar tarefas masculinas com sucesso. Um jovem macho deve provar que "já é crescido" e tornou-se um "homem de verdade". Machos não são pressupostos serem conformes ao gênero (e portanto socialmente contributivos) por padrão; por si só, ele é apenas outra boca para ser alimentada mediante trabalho de "homens de verdade". Um homem deve validar sua homenidade por ação, caso contrário ele não é homem de fato, mas garoto (i.e. imaturo, macho-não-adulto).

Assim sendo, podemos entender corretamente papéis tradicionais de gênero como observados no essencialismo epistemológico, porém tipos diferente de essencialismo epistemológico escoram cada papel. Feminilidade é majoritariamente compreendida como inata à biologia feminina, como uma essência imanente, enquanto masculinidade é majoritariamente compreendida como um ideal a aspirar, uma "forma" da qual uma pessoa "participa" a fim de ganhar uma identidade.

É uma idiossincrasia particular da psicologia humana que tendamos a distinguir agência moral (a capacidade de fazer coisas) e a paciência moral (a capacidade de ter coisas feitas a ti) dicotomicamente, mesmo que seres humanos sejam de fato ambos. Assim sendo, a associação de agência com a homenidade combinada com o entendimento inatista da mulheridade (bem como, talvez, o fato que gravidez torna uma mulher menos movimentável e mais dependente de recursos) leva à associação da mulheridade com a paciência moral. Homens são vistos como atores, e mulheres são vistas como sendo atuadas sobre. Esta é a tradicional dicotomia sujeito-objeto.

A Dicotomia Descartável-Acalentável


Uma pessoa conformada ao seu gênero, de qualquer dos sexos, é vista como valiosa à sociedade (dado que está agindo conforme às normas orientadas à sobrevivência). Porém, supõe-se que fêmeas estão ou estarão conformadas ao gênero; mulheres naturalmente inférteis são exceção em vez de regra e portanto a pressuposição é de que qualquer mulher em particular é ou será capaz de gerar filhos em razão de sua biologia.

Assim sendo, às fêmeas é dado um valor inato simplesmente por serem fêmeas. Fêmeas são vistas como inerentemente acalentáveis já que são as incubadoras do futuro.

Machos não têm isso. Sua conformidade ao gênero não é vista como um atributo inevitável de sua maturação biológica mas em vez disso como um ideal pelo qual viver. Machos não são nem se tornarão "homens de verdade" por padrão. Assim sendo, eles nãi têm nenhum valor inato. O valor de um homem é exclusivamente contingente às consequências de sua agência, e por si só ele é completamente descartável.

Como homens são valorizados não por propriedades de sua biologia mas pelos resultados de suas ações, a morte de um homem é 'ceteris paribus' uma tragédia menor para uma sociedade que a morte de uma mulher. Afinal, quando tragédias acontecem, as contagens de mortes tipicamente especificam a porcentagem de mulgeres e crianças (i.e. o futuro).

Nossa sociedade pode entronizar seus heróis machos que se dirigem à morte para que os outros possam viver, mas como estabelecido anteriormente, normas sociais surgem para levar indivíduos a realizar tarefas socialmente benéfica; a veneração do auto-sacrifício heroico do macho é uma forma de encorajar os homens a verem suas mortes por causas nobres como uma contribuição valiosa para a sociedade, e portanto torna os homens mais propensos a morrer pelos outros.

As Normas de Gênero em uma Casca de Noz


Como consequência de tudo que foi estabelecido acima, machos são sujeitos inatamente descartáveis, fêmeas são objetos inatamente acalentáveis.

Todas as normas de gênero são em última análise redutíveis a isto.

Sumário 2

  1. Maturidade, para cada sexo, é conceitualizada como conformidade ao gênero
  2. Maturidade feminina é vista como um resultado natural de seu desenvolvimento biológico
  3. Maturidade masculina não é vista como garantida, mas em vez disso como algo provado/conquistado
  4. Homens agem, mulheres são, pois a homenidade é sobre agir e a mulheridade apenas "é"
  5. Como conformidade ao gênero é vista como valiosa e mulheres são inatamente conformadas ao gênero, mulheres são vistas como inatamente valiosas.
  6. Como homens não são inatamente conformados ao gênero, homens são vistos como inatamente prescindíveis
  7. Ergo, a dicotomia sujeito-objeto é sobreposta com a dicotomia descartável-acalentável, lançando machos como sujeitos inatamente descartáveis e fêmeas como objetos inatamente acalentáveis

Parte 3 - Algumas Implicações Avançadas

Agência e Poder Feminino


Cada um deriva um senso de poder - usado aqui como significando eficácia ou competência - quando efetua com suceso uma tarefa que tem o resultado final de fornecer suas necessidades. Isto faz sentido evolutivo - se coisas que elevam a sobrevivência não dessem prazer e coisas que mitigam a sobrevivência não causassem dor, um organismo teria menos chance de sobreviver.

Mas a realização de tarefas foi tipicamente atribuída aos machos; feminilidade não foi associada com agência e devido à utilidade reprodutiva inata da mulher, mulheres foram mantidas em segurança e longe de perigo potencial onde fosse possível (o que, por sua vez, gerava uma pressuposição auto-consolidada (e talvez de certo modo auto-realizável) de competência feminina diminuída - uma suposição que era de certa forma verdadeira durante a gravidez (e pode ser talvez verdadeira em média com tarefas que requeiram força corporal muito grande) mas claramente tornou-se exagerada e supergeneralizada).

Porém, todo ser humano tem necessidades materiais para sobreviver, e essas necessidades materiais devem ser satisfeitas mediante ação (comida deve ser adquirida, proteção deve ser encontrada). Então, como poderia uma mulher, alguém culturalmente percebida como e encorajada à direção de permanecer deficiente em agência, adquirir tais necessidades?

A resposta é que mulheres são encorajadas a confiar nos homens, e não mramente no sentido passivo, mas ativamente recrutar a agência dos machos para prover o de sua sobrevivência. Poder masculino é então equacionado a qualquer coisa que eleve agência favorável/competente (p.ex. músculos grandes), e poder feminino é equacionado a qualquer coisa que melhore o alistamento de agentes favoráveis/competentes. Poder masculino é o que aumenta a agência, poder feminino é aquele que aumenta a aquisição e preservação da agência de forma indireta.

O sistema de gênero, portanto, sempre conteve uma forma de poder feminino - i.e. formas pelas quais mulheres podiam agir para servir suas necessidades materiais. Enquanto reservava aquisição direta mediante agência para os homens, o sistema também reservava agência por via indireta para mulheres.

Hierarquia Masculina


O entendimento social de homenidade como um ideal platônico a se aspirar explica o fato de como podem existir "homens melhores" e "homens piores" (enquanto homens), bem como o porquê de machos biológicos podem não ser "homens de verdade" - o uso do "de verdade" como significando "ideal" é revelador.

Como a masculinidade é é demonstrada realizando certas tarefas, homens são classificados de acordo com o quão bem cumprem tais tarefas. Homens são classificados por outros homens e por mulheres - sua identidade de gênero é pesadamente sujeita à revogação e validação sociais. Isto significa que a "real homenidade" é uma posição social que é hierárquica,competitiva e dependente do coletivo, e homens podem ser socialmente emasculados a qualquer momento. Identidade masculina é feita contingente à competição entre si e os outros a fim de provar que se é "um homem melhor".

Como estabelecido acima, maturidade é ligada à "real homenidade" mas maturidade social é mais uma vez socialmente validada devido ao fato que o desempenho masculino nas tarefas não é biologicamente garantido - isto significa que machos mais velhos (pais em particular) são postos em uma posição de avaliadores de onde eles julgam os machos prospectivos a fim de separar "garotos" de "homens".

A hierarquia masculina pode ser efetivamente dividida em três categorias básicas (da mais baixa à mais alta posição social)
  • Machos que não são homens de verdade. Os socialmente emasculados. Garotos. Machos ômega.
  • Machos que são homens de verdade mas não são capazes de revogar a posição de outro homem de verdade. Machos beta.
  • Machos que são homens de verdade com a capacidade de revogar a posição de outros homens de verdade. Machos alfa.

A divisão entre os dois últimos é contextual e geralmente dependente de outros arranjos institucionais bem como dos machos em volta - alguém pode ser alfa em uma hierarquia e ômega em outra.

Este arranjo bem ironicamente compele o beta a ser submisso ao seu alfa a fim de evitar ser classificado como ômega. Em outras palavras, o gênero masculino não é totalmente sobre dominância mas em vez disso demanda submissão a homens melhores.

Gêneros Sociais


Tipicamente, "gênero" é visto como binário - como uma referência à masculinidade ou feminilidade. Porém, isso é difícil de reconciliar com a situação acima - machos que não são "homens de verdade" não são tratados como tendo homenidade (i.e. eles não contribuem com vlor masculino). Eles são "garotos" em vez de homens, de acordo com o sistema de gêneros.

Eles não recebem muitos aspectos do 'privilégio masculino' porque muito do 'privilégio masculino' é de fato 'privilégio para homens de verdade'. E enquanto eles são socialmente emasculados não recebem privilégios femininos também, porque devido à sua biologia eles não podem realizar a tarefa feminina essencial de gerar filhos.

Resumindo, homens socialmente emasculados não são vistos como masculinos ou femininos mas em vez disso são notados, tratados e categorizados como um terceiro gênero. Eles não são nem homens nem mulheres (socialmente falando, em vez de biologicamente).

Parte 4 - Desafios


Há diversos problemas clássicos em estudos de gênero que qualquer exame prospectivo do sistema de gêneros precisa explicar. Abaixo, eu tomo diversos estudos desses fenômenos e reconcilio-os com a teoria proposta acima.

O Duplo Padrão da Promiscuidade


O Duplo Padrão da Promiscuidade (doravante DPP) de nossa cultura é bastante conhecido; um homem é visto como valioso e viril por dormir com muitas, mas uma mulher é vista como degradada e vagabunda barata por fazer o mesmo.

Tipicamente, DPP é tratada como uma construção unitária - como se os imperativos de gênero do DPP surgissem de uma mesma fonte. Isto é contra-intuitivo pois os imperativos do DPP estão em conflito - homens são encorajados a sair com muitas e mulheres são desencorajadas, significando portanto que homens não podem aquiescer com o sistema sem as mulheres falharem em aquiescer (e vice-versa). O DPP certamente não está nos interesses do homem, dado que encoraja mulheres a impedir os homens de serem pegadores (mediante a retenção de acesso sexual).

Análise feminista típica vê o DPP como um construto masculino inventado para controlar a sexualidade feminina. O fato que interesses dos homens não são servidos encorajando a castidade feminina complica esta explicação, mas ela complica ainda mais pelo fato empírico que a maioria da difamação relacionada à promiscuidade sexual é perpetrada por mulheres contra si mesmas. Se homens criaram e compelem o DPP, seria de se esperar que eles são os maiores difamadores de vadias.

Assim sendo, pode ser mais preciso ver o Duplo Padrão de Promiscuidade não como um construto simples, mas como dois construtos distintos, propostos e compleidos por partidos diferentes para propósitos diferentes.

Uma coisa interessante acerca do conceito de "vadia" é que mulheres que são vadias são vistas como "desvalorizando-se ou rebaixando-se a si mesmas" - elas são vistas como liberando aceso sexual de forma muito fácil (i.e. dando de graça uma coisa boa sem obter muito em troca). Vamos observar a moldura transacional aqui: um mercado existe, mulheres são as fornecedoras do acesso sexual e homens são o lado da demanda na equação. Mulheres são encorajadas a não dar sexo "com tanta facilidade", i.e. elas são encorajadas a receber algo em troca de sexo. Majoritariamente são mulheres que escandalizam outras mulheres por dar sexo fácil.

De uma perspectiva econômica, estamos vendo uma configuração de cartel; vendedoras confabulando entre si para elevar o preço do sexo ao restringir a quantidade de acesso sexual que está imediatamente disponível.

Então, qual é o 'preço' do sexo? Como explicado acima, mulheres são encorajadas a recrutar a agência masculina a seu serviço, dado que o sistema de gênero as desencoraja a desenvolver o seu próprio. Portanto o preço do sexo é a agência masculina, tipicamente emoldurada como um relacionamento compromissado. Quando mulheres são promíscuas e portanto "dão fácil demais", a pressão competitiva derruba o preço do sexo e portanto danifica os interesses femininos (como tradicionalmente entendidos).

As implicações aqui são bastante deprimentes; já que mulheres são encorajadas a experimentar poder mediante recrutamento da agência masculina, promiscuidade opõe-se ao poder feminino tradicional erodindo a posição de barganha das mulheres. Mulheres sao encorajadas pelo sistema tradicional de gêneros a experimentar sua sexualidade sendo vencidas e conquistadas, em vez de obtendo algo que elas desejam (i.e. satisfação sexual). Mulheres também são encorajadas a ver homens como adversários, e a ver a defesa da liberação sexual feminina por parte dos machos como uma ameaça à sua segurança material ("eles apenas querem sexo fácil, esses cafajestes!").

Em conclusão, o DPP não foi "inventado pelos homens" - pelo menos metade do DPP é um padrão mantido pelas mulheres intencionado a sustentar o poder feminino tradicional mediante a preservação do valor do sexo e portanto maximizando a agência que as mulheres podem recrutar em retorno por conceder acesso sexual. Os imperativos do DPP conflitam entre si, e o transacionalismo sexual implícito do DPP estabelece uma situação adversarial que sabota a satisfação sexual para ambos os sexos.

O Duplo Padrão de Conformidade de Gênero na Infância


Um duplo padrão comum em nossa sociedade é aquele relacionado à conformidade de gênero entre crianças. Observe a facilidade com que nossa sociedade aceita meninas passando por uma fase tomboy. Compare isso com a preocupação que acompanha qualquer menino que possa querer brincar de bonecas. É um "isso é normal, ela vai crescer e deixar essas coisas em alguns anos" para a jovem menina que quer brincar com os meninos, mas se um garoto confessa gostar de rosa ele é imediatamente suspeito de ser homossexual ou uma falha de gênero.

Esta é uma cnsequência óbvia do fato que maturação biológica da fêmea (e portanto conformidade de gênero) é visto como uma coisa automática que "simplesmente acontece". Como mulheridade é vista como biologicamente inata, as ações da mulher não são vistas como a fonte primária de valor com a qual ela possa contribuir para a sociedade.

Maturação biológica masculina, por outro lado, não é garantia de ser capaz de realizar as tarefas socialmente requisitadas para o macho. Ser um "homem de verdade" (i.e. capaz de contribuir com virtude masculina para a sociedade) não é algo biologicamente garantido. Desde qe conformidade do gênero masculino é avaliada não pelo que ele é mas pelo que ele faz, as ações de um homem colocam todo seu valor social em risco.

Muitos teóricos de gênero argumentam que a sociedade se preocupa mais com os machos porque nossa sociedade alegadamente valoriza tratos masculinos em detrimento dos femininos; isto conflita com o fato que tratos femininos são elogiados quando são exibidos por mulheres (e também conflita com o fato que historicamente as sociedades têm sacrificado os homens para proteger as mulheres; sociedades não sacrificam membros de alto valor por membros de menor valor). Biologia implica que um homem que age como fêmea não pode realizar a tarefa feminina principal socialmente estabelecida (dar à luz), e portanto para ele ser feminino representa um potencial perdido (mas quando uma mulher age femininamente isso não é uma ameaça). Portanto, um homem que age de forma feminina não é notado como uma mulher social, mas como um neutro social (um macho ômega).

Porém, dado que tanto homem quanto mulher são (de fato) agentes e a virtude masculina é dependente não do que se é mas do que se faz, fêmeas podem de fato contribuir com valor masculino em algum grau pelo menos (e o movimento feminista tem tem influenciado as pessoas a aceitar a realidade da agência feminina, e até mesmo celebrar quando mulheres trangridem papéis de gênero). Como tal, mulheres podem "acrescer valor" mediante a não-conformidade de gênero, enquanto homens não; fêmeas podem ser socialmente andróginas enquanto homens (devido sua incapacidade de realizar a tarefa feminina principal sob o sistema de gênero) só podem ser neutros sociais.

Portanto, é a Dicotomia Sujeito-Objeto (e não qualquer suposta valoração da masculinidade como superior à feminilidade) que forma a base para o Duplo Padrão de Conformidade de Gênero na Infância.

O Complexo Madonna-Whore e Evaluações do Caráter Moral em Gênero


Nosso sistema de gênero influenciou os padrões éticos que são colocados em ambos os sexos. No caso deste problema, enquanti homens são sujeitos aos padrões éticos normais, as mulheres não o são; questionamentos sobre o caráter de uma mulher são inteiramente centrados em volta de ela ser ou não casta.

Este é um subproduto óbvio da dicotomia sujeito-objeto, que classifica mulheres como pacientes morais. Como mulheres não são vistas como agentes morais, elas não tratadas como sujeitas a padrões morais ou como se possuíssem capacidade para grande virtude moral (ou vício).

Difamação de promiscuidade debaixo do sistema de gênero é explicada acima, porém é óbvio que as normas religiosas influenciara, o Complexo Madonna-Whore (é só olhar o nome!). Religião é um sistema separado do de gênero (apesar de ambos claramente interagirem), e religiões abraâmicas monoteístas condenam a promiscuidade em ambos os sexos (não somente mulheres). Mulheres, porém, são difamadas sob ambas as normas, a religiosa e a de gênero, enquanto homens são difamados por transar "por fora" em um conjunto de normas mas são elogiados por fazer essa mesma coisa diante do outro sistema.

Esta confluência das normas de gênero e religiosa, aliada à objetificação da mulher debaixo do sistema de gênero, explica por que a castidade e promiscuidade são tão fortemente enfatizadas em discussões sobre o caráter da mulher: mulheres tipicamente são liberadas da obrigação com os padrões relacionados a outros assuntos (minimizando tanto seus vícios quanto suas virtides), então o padrão Madonna-Whore preenche esse vácuo.

Conclusão


O texto acima é um sumário de toda minha teoria de gênero como expressa em todos os meus artigos anteriores. Eu acredito ser esta uma explicação superior do sistema de gênero, para ambos os sexos, que as teorias correntes aceitas na maioria dos departamentos de estudos de gênero. Retornos, comentários, sugestões e críticas são encorajados.

META
Título Original SUMMA GENDERRATICA: The Anatomy of the Gender System
Autor YetAnotherCommenter
Link Original http://honeybadgerbrigade.com/2014/02/27/summa-genderratica-the-anatomy-of-the-gender-system/
Link Arquivado https://archive.today/RHsei

sábado, 29 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Partes XIII-XIV

Conquistando a Masculinidade


A frase "Seja homem" não é tão comum quanto foi um dia, mas ainda há um certo sentido em que a masculinidade deve ser conquistada. Toda fêmea adulta da espécie humana é uma mulher e é qualificada a ser respeitada como tal, mas muitas culturas obstruem o respeito dos homens até que, e somente se, os garotos provarem tal masculinidade. Obviamente isto é tremendamente útil para a cultura, porque isto pode estabelecer os temos pelos quais machos conquistam respeito como homens, e desta forma pode motivar o homem a fazer coisas que a cultura julgue produtivas.

Alguns escritos sociológicos sobre o papel masculino têm enfatizado que para ser homem, você tem que produzir mais do que consome. Isto é, espera-se de homens que eles, primeiramente, sustentem a si mesmos: se alguém te sustenta, você é menos que homem. Segundo, o homem tem que criar alguma riqueza ou excedentes adicionais tal que ele possa sustentar a outros além de si mesmo. Estes outros além de si podem ser sua esposa e filhos, ou outros que dele dependam, ou seus subordinados, ou mesmo talvez apenas para pagar os impostos para que o governo possa usar. Independente disso, você não é homem a não ser que produza em tal nível.

Novamente, eu não estou dizendo que homens estão na pior em relação às mulheres. Há uma série de problemas e desvantagens que a cultura põe nas mulheres. Meu ponto é apenas que culturas definem os homens como úteis de certas maneiras bem específicas. Exigir que para conquistar respeito o homem produza riqueza e valor que possa apoiar a si mesmo e aos outros é uma dessas formas. Mulheres não enfrentam este particular desafio ou demanda.

Estas demandas também contribuem para vários padrões de comportamento masculinos. Ambição, competição, e esforço pela grandiosidade podem bem estar ligadas a esta exigência de lutar por respeito. Todos os grupos de homens tendem a ser marcados por desafios e outras práticas que lembram a todos que não tem respeito suficiente para esbanjar, porque este alerta motiva cada homem a trabalhar mais duro para conquistar respeito. Isto, incidentalmente, tem provavelmente sido uma fonte majoritária de atrito à medida que mulheres têm se movido para o mercado de trabalho, e organizações tiveram que se redirecionar para políticas em que todos merecem respeito. Homens não as projetaram originalmente para que todos fossem respeitados.

Uma das mais básicas e largamente aceitadas diferenças de gênero é agência VS comunicação. Agência masculina pode ser parcialmente uma adaptação para este tipo de vida social baseada em grupos maiores, onde as pessoas não são necessariamente valorizadas e é necessário lutar pelo respeito. Para ter sucesso na esfera social masculina dos grupos grandes, você precisa de um ego agente e ativo para lutar por seu espaço, porque ele não te é dado e apenas alguns conseguirão. Mesmo o ego masculino, com sua preocupação de provar-se a si mesmo e competir contra os outros, parece provavelmente ser projetado para lidar com sistemas em que haja uma escassez de respeito e você tenha que trabalhar duro para conseguir algum respeito - ou então acabará exposto à humilhação.

Isto É Tudo?


Eu não exauri todas as formas pelas quais a cultura explora os homens. Certamente há outras. O apetite sexual masculino pode ser direcionado para motivar toda sorte de ações e posta para impulsionar um tipo de mercado econômico no qual homens dão outros recursos (como amor, dinheiro, compromisso) em troca de sexo.

Culturas também usam indivíduos homens para propósitos simbólicos mais que homens. Isto pode ser de forma positiva, como no fato que culturas dão funerais mais elaborados e outros memoriais para homens que aparentam incorporar seus valores favoritos. E também pode ser negativo, tal como quando culturas arruínam a carreira de um homem e publicamente o execram, ou mesmo o executam por um simples ato que viole um de seus valores. Desde Martin Luther King até Don Imus, nossa cultura usa os homens como símbolos para expressar seus valores. (Note que nenhum dos dois veio a ser melhor por isso.)

"Por Que os MGTOW São Misóginos" por Lucius Svartwulf Helsen

Por Que os MGTOW São Misóginos

Uma mulher precisa de homem como um peixe precisa de bicicleta.

Eu tenho ouvido este dito por eras. Eu era jovem e este dito já era velho, o que, apesar de não ser tão longo quanto faz parecer, ainda é antigo o bastante. Porém, esta tem sido largamente considerado uma afirmação aceitável.

Mas quando você diz o equivalente: "Um homem precisa de uma mulher como um peixe precisa de uma bicicleta", algo estranho acontece. Ele é menos homem. É claro que u8m homem precisa de uma mulher, do que seria o homem sem a mulher? Afinal, por detrás de toda mulher está um grande homem (presumivelmente falando para ele ser grande ou fazendo ele ser grande).

E por detrás de cada grande mulher está um homem cansado de suas merdas. Ou era aquela mulher bonita? Não lembro agora.

Para quem ainda não sabe, MGTOW são os Homens que Seguem Seu Próprio Caminho (Men Going Their Own Way). Eles têm recebido nomes depreciativos, como "bebezão", muitos dos quais implicam que eles recusam-se a crescer, estabelecer-se, ser homens adultos responsáveis. Mas o que eles são, em seu coração, é na verdade os homens que decidiram ser o peixe com a bicicleta, eles não precisam de uma mulher na vida.

E eles ganharam o nome misóginos.

Pela maior parte do tempo, eu tenho ficado curioso sobre isso. Então eles não querem relacionar-se com mulheres (ao menos não a longo prazo) e não querem se casar. Dadas minhas próprias experiências quando casais se atacam, ou ao menos divorciam, dificilmente posso repreendê-los. Num nível objetivo de observação dos fatos, um homem está em chances melhores na maior parte dos cassinos do que numa capela de casamento. Mas só porque um homem não quer o aborrecimento de ter prejuízo quando a alternativa é não jogar o jogo, mas em vez disso viver uma vida simples e fácil de viver por si só, eu falhei em ver como isso podia ser ódio contra mulheres. Ódio contra sistemas enviesados certamente, mas ódio contra mulheres?

Tem um meme antigo, não consigo encontrá-lo agora, mas a ideia é essa: Um homem e uma mulher estão jantando em um lugar legal e a mulher diz "Para que você saiba, eu não vou de cara no primeiro encontro" (ou algo do tipo). O homem apenas sorri e responde "tudo bem, eu não estava a fim de fazer sexo com você". Ao que a mulher responde "Ei, como não, tem algo errado comigo?!"

Eu não quero foder, mas ai de ti se não quiser me foder.

Há um claro senso de direito adquirido aí. Mulheres não precisam de homens, mulheres podem não querer dormir com um homem, mas mesmo assim considera-se que homens têm que precisar de mulheres, e querer deitar-se com qualquer mulher. E se eles não precisam de mulher, não querem deitar com uma mulher, então tem algo de errado, e dado que as pessoas não querem pensar mal de si mesmas, deve ser algo na outra pessoa. Se ele não me quer, então ele odeia a mim/odeia mulheres/etc.

Eu estava assistindo a um vídeo sobre ecofeminismo. Em um ponto do vídeo uma das ecofeministas afirmou que homens e mulheres precisam trabalhar juntos, e produzir a natureza das mulheres e a civilização dos homens, encontrar um balanço.

Isto me pegou de assalto, como sendo algo um tanto estranho. Enquanto tem-se essa ... ideia, que mulheres estão mais em sintonia com a natureza (por alguma razão apesar do fato que mulheres largamente residem numa "sociedade/civilização" e foram homens na natureza caçar e pastorear) e o fato que homens são menos conectados com a natureza porque eles fizeram a civilização/as áreas urbanas (majoritariamente para mulheres residir enquanto eles saíam para trabalhar). Mesmo assim um monte do que eu tenho lido na história dos sexos foi que mulheres foram a força civilizatória dos homens, que naturalmente eram bestas rugidoras que trepavam, caçavam e lutavam. Mulheres foram as geradoras do civil, elas civilizaram os homens .. mas mesmo assim mulheres são mais naturais e a civilização malvada foi coisa dos homens ... os quais sem as mulheres reverteriam para um estado natural.

Se você está confuso, ótimo. Eu também estou.

Isso acaba sendo algo como "um homem precisa de uma mulher como um touro precisa de um arreio".

Então mulheres são peixes com bicicletas desnecessárias, mas aparentemente homens devem ser touros precisando de domesticação. E quando homens jogam fora essa domesticação, quando rejeitam seu lugar na sociedade, bem...


... Eles devem odiar mulheres.

Você sabia que o fundador essencial do movimento pelos direitos dos homens e meninos começou como feminista? [NT1]

Sim, de fato ele caminhou inicialmente com grandes nomes do feminismo como Gloria Steinem. Eles eram, pode-se dizer, amigos. E ele entrou nessa porque acreditava em igualdade de gêneros, e acreditava na destruição dos papéis de gênero como conhecidos pela sociedade ocidental. Mas algo interessante aconteceu.

Homens deveriam manter seus papéis de gênero.

Eu queria ainda estar com o artigo que eu li, porque ele era brilhante. Mas mesmo que as feministas destruam os papéis femininos de gênero na sociedade, elas esperam que homens retenham os seus papéis de gênero. O patriarcado foi ruim, OK, mas isto não implica que o marido não deveria continuar trabalhando, pagando as contas, e mantendo todas as outras obrigações de homem. Homens trabalham mais e mais duro que mulheres? Tudo bem. Mulheres deveriam ser capazes de fazer o que querem, mas a sociedade precisa de trabalhos pesados, e por que homens não continuam fazendo-os pelo bem da sociedade?

Mas quando o homem que começou a falar disso tudo e escreveu alguns livros sobre os papéis masculinos de gênero, de como eles eram ruins para os homens, e de como eles deveriam mudar ... algo engraçado aconteceu. Todas aquelas feministas de renome que eram suas amigas ... repentinamente não eram mais suas amigas. Ele não esmoreceu, permaneceu apontando como a sociedade estava danificando os homens ... ele informou aos homens o que as feministas estavam fazendo ... e acabou por tornar-se um misógino. É uma história bem interessante.

Agora estamos em nossa terceira ou quarta geração desde os anos 60 e sua gloriosa expansão feminista. Não temos ideia que existe uma "masculinidade tóxica" por aí que "fere homens tanto quanto fere as mulheres". Existe muita conversa sobre como homens necessitam "mudar, rejeitar a 'narrativa masculina' que lhes foi ensinada e encontrar uma nova forma de ser um homem melhor".

Ironicamente, homens têm feito justamente esse MGTOW. Porque, de verdade, a "masculinidade" tornou-se tóxica. Não, não - não a masculinidade "furor sexual, caçar, lutar" que sempre e constantemente é vista como uma terrível marca de quão monstros os homens são, mas a outra masculinidade. Aquela que está em nosso papel de gênero estabelecido. Carreira, casório, paternidade, essas coisas. Por ora, se não é nos nossos pais, é nos irmãos, ou mesmo amigos que sabemos que se divorciaram, estão encarregados de alimônia e pensão para os filhos, e assim por diante. Uma mulher pode incitar seu marido a subir de carreira e ser proeminente em uma firma, e daí anos depois divorciar-se dele porque "ele nunca esteve em casa para me auxiliar". Mas o homem que não perde todas as suas horas tentando impulsionar-se na força de trabalho, pode ser abandonado porque não é um homem de sucesso. Um pai-caseiro pode ter suas crianças, as quais ele cuidou em tempo integral, tiradas dele porque sua esposa o deixa por ele não ser "homem o suficiente". Um pai que nunca vê as crianças porque estava trabalhando demais a fim de prover-lhes o sustento ... também não era homem o suficiente.

Eu sei disso por experiência própria. Uma das razões pelas quais minha mãe deixou meu pai foi porque ele nunca estava lá, em casa. A verdade é que ele trabalhava num complexo nuclear e era responsável pelo projeto e manutenção das partes cruciais. Partes que, acaso falhassem, levariam não apenas a um desastre, mas a uma cadeia de desastres que poderia varrer não apenas o estado em que morávamos, mas vários ao redor. E ela casou com ele, não apenas sabendo deste seu trabalho ... mas, de acordo com alguns, em razão do que era seu trabalho e quão bem ele pagava (ao menos aqueles que criam menos nela). Vidas dependiam de seu trabalho ... mas ele não estava lá em casa e portanto não era um bom marido, então foda-se.

Quando se vai mais fundo nisso, todo homem não apenas já ouviu essas histórias, ele provavelmente viveu-as ou ao menos teve um melhor amigo que passou por elas. Você ouve mulheres em todo canto reclamando "onde estão os homens bons?", mas você nunca ouve homens fazendo o mesmo. Eles nunca perguntam "para onde foram as boas mulheres". Por quê?

Porque, honestamente, muitos já perderam a esperança de que ainda haja alguma. A reclamação generalizada que tem tomado forma entre os homens não é "onde estão as boas mulheres" mas "amigos em primeiro, mulheres em segundo".

Porque, realmente, por que gastar horas e horas trabalhando, escravizando-se num trabalho quando você pode simplesmente trabalhar o suficiente para sobreviver? Por que ter o estresse de se preocupar como vai conseguir pagar por tudo que sua família, quando você poderia pagar apenas pelo que você quer? Por que gastar uma fortuna numa casa, entrar em dívida, quando você pode gastar alguns meros trocados em alguma alugada com amigos? Amigos que vão jogar WoW ou Halo com você, em vez de insistir que você deva deixar essas coisas de criança, porque tem coisas a serem feitas em casa ... depois de ter passado o dia todo trabalhando.

Minha ex me disse há não muito tempo que "parte" do motivo que a fez me deixar foi porque eu reclamava de minha vida estar um lixo, estar depressivo e ter mais interesse em jogar videogames em vez de "melhorar a situação".

Foi um tanto quanto irônico para mim. Minha vida estava um lixo por causa de coisas que ela tinha feito, minha depressão suicida tinha muito a ver com ela, e eu me enterrei em videogames porque eles eram caóticos o suficiente para afastar os pensamentos suicidas, ao menos temporariamente. Eu tinha pensamentos porque toda vez que eu ia ter com ela para ter algum socorro, perguntando mesmo apenas para saber que existia alguém que se importasse comigo, fui rejeitado repetidamente até culminar num "é por isso que não te acho atraente" quando pedi por um abraço ... enquanto usava toda minha força de vontade para não esfaquear minha veia. A única razão de eu estar vivo hoje depois disso é minha fé ... mas, dada as taxas de suicídio de homens na minha faixa etária ... eu suspeito que a minha história é bastante comum com os que tomam o pior extremo, e que muitos homens ainda vivos encaram uma situação muito semelhante.

Recentemente falou-se de como homens e mulheres percebem sinais diferentemente. Muitas das mulheres com quem trabalho comentaram sobre como todo cara com quem elas agiram amigavelmente pensava que elas estavam interessadas neles. Eu ouvi algum psicólogo falando disso, de como quando mulheres agem quando querem ser amigas é interpretado por homens como interesse sexual, e como ironicamente mulheres interpretam homens demonstrando interesse sexual como meramente querendo ser amigos. Não posso falar do último, mas posso explicar o primeiro.

Homens funcionam, num nível básico, muito como a religião pagã. Presente por presente, lealdade por lealdade, a ligação entre irmãos. Ou, em termos mais modernos, o bro code. Compre uma cerveja para um cara, e ele será seu amigo por uma noite. Compre-lhe um engradado, e vocês poderão ser amigos pela vida. Lute lado a lado com ele numa batalha, e você terá sua lealdade.

Como no jogo sexual se espera que seja cada homem por si, fora disso homens tendem a preferir formar bandos, confrades, grupos que trabalham juntos para superar um obstáculo. E estes grupos podem tornar-se bem, bem unidos, com ligações emocionais muito fortes. Do tipo que te faz saltar numa trincheira no meio de uma tempestade de flechas ou tiros para trazer seu amigo para um lugar seguro mesmo sabendo que ele já está morto.

Quando uma mulher aproxima-se e age "amigavelmente" ela está empenhando ações que homens fazem entre si a fim de provar lealdade, amizade, e fazer seu caminho numa irmandade, ou ter algo a oferecer para juntar-se ao grupo. E um homem repara nisso e diz em seu subconsciente "ah, ela fala nossa língua, talvez ela queira ser uma de nós". E, como ela é mulher, uma parte mais profunda diz "ela fala como nós, talvez possamos confiar nela para transmitir a linhagem, o ato máximo de lealdade compartilhada".

Em cima disso tudo, mulheres agem de maneira incrivelmente hostil contra os homens. Não daquele jeito de trocar socos (se bem que os reportes de violência doméstica mostram que por volta de 50% da violência física é feita por mulheres contra seus parceiros homens). Mas num setor social, isto ocorre muito. Vá a qualquer bar e você verá as moças em grupos. E estes grupos geralmente agirão para evitar que qualquer de seus membros vá para casa com um rapaz. A maioria dos rapazes verá estes grupos e se desesperará, porque para o olho do homem é como encarar uma muralha de proteção. Uma mulher, você pode chegar, por assim dizer. Você pode abordá-la nuam conversa, conhecê-la, mas não num grupo. Você é um homem, e pelo menos uma delas não vai gostar de você e vai influenciar a amiga que você deseja a afastar-se de você.

Esta é uma das coisas que os artistas da sedução treinam. Como dividir, conquistar, distrair, e livrar-se de uma garota. Eles são vistos como misóginos horríveis que "iludem" mulheres para deitar com elas.

Poucos reparam nas infortunadas implicações dessa afirmação.

Que um homem se veja obrigado a "iludir" uma mulher a fim de ter com ela. Muitos veem isso como um ônus sobre o homem, mas é algo mais profundo. A única forma pela qual um homem pode ter com uma mulher é montando um personagem, enganando-a. Em outras palavras, ela se vê a si mesma como tyão melhor que o homem, que ela jamais se rebaixaria ao nível dele. Por que uma princesa se rebaixaria ao nível de um plebeu?

Eu creio, honestamente, que isto aponta algo de pior sobre mulheres, que elas tenham que ser iludidas para ter amor, do que diz sobre homens que tenham que iludir para receber amor.

Mas por vezes isto assemelha-se a um jogo de soma zero. Se você ilude uma mulher por amor, você é um misógino odiador de mulheres. Se você decide que não precisa de mulher, você é um misógino odiador de mulheres. Você não é um homem de verdade se não se estabelece em um canto. Você não está disposto a apoiar uma mulher assim que ela se torna tudo o que puder ser, e você é um porco muito do sexista se quiser que ela te mostre o mesmo apoio.

Ela não quer trepar com você, mas ai de você se negar a trepar com ela. Você é horrível, como pode desvalorizá-la ao não querer fazer dela o objeto de seus desejos, seu porco sexista que objetifica todas as mulheres com seus desejos sexuais primitivos, horrorosos e feios.

Por que raios você não jogaria esse jogo? Por que raios um homem desejaria seguir seu próprio caminho. Você deve odiar mulheres, é por isso.

FootNotes:
  • NT1: Acredito que ele esteja falando de Warren Farrel.
META
Título Original Why MGTOW are Misogynists
Autor Lucius Svartwulf Helsen
Link Original https://sonofhel.com/2015/02/27/why-mgtow-are-misogynists/
Link Arquivado https://archive.today/FRcmj

Masculinidade Tóxica e Feminilidade Tóxica [Karen Straughan]

Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Masculinidade Tó...