sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Existe Algo de Bom nos Homens?" - Partes XI-XII

No que Homens São Bons


Com isto, podemos agora retornar ao questionamento de no que os homens são bons, da perspectiva de um sistema cultural. O contexto é de sistemas competindo contra outros sistemas, grupos contra grupos. Os sistemas de grupo que usaram seus homens e mulheres mais eficazmente capacitou estes grupos a sobrepor seus rivais e inimigos.

Eu quero enfatizar três formas principais de como a cultura usa os homens.

Primeiro, cultura depende de homens para criar as grandes estruturas sociais que a compõem. Nossa sociedade é formada de instituições como universidades, governos, corporações. A esmagadora maioria delas foi fundada e construída por homens. Novamente, isto provavelmente tem menos a ver com mulheres sendo oprimidas ou qualquer coisa do tipo e mais a ver com homens sendo motivados para formar redes grandes de relacionamentos superficiais. Homens são muito mais interessados em formar grupos abrangentes e trabalhar e evoluir rumo ao topo neles.

Isto ainda parece ser verdadeiro hoje em dia. Diversos artigos recentes na mídia têm chamado a atenção para o fato que mulheres agora começam mais pequenos negócios que os homens. Isto geralmente é tratado pela mídia como sendo um ponto positivo sobre as mulheres, o que de fato é. Porém, mulheres predominam somente se contarmos todos os negócios. Se restringirmos o critério para negócios que empregam mais de uma pessoa, ou aqueles que trazem dinheiro suficiente para se sustentar por si sós, então homens criam mais. Eu suspeito que quanto maiores os grupos que se olhar, mais certo que eles serão feitos por homens.

Com certeza, hoje em dia qualquer pessoa de qualquer gênero pode iniciar um negócio, e se há algo, há alguns incentivos e vantagens que ajudam mulheres a tal. Não existem obstáculos ou bloqueios escondidos, e isto é demonstrado pelo fato que mulheres iniciam mais negócios que homens. Mas as mulheres se contentam em permanecer pequenas, tal como operar um negócio de tempo parcial em um quartinho sobressalente,fazendo um dinheirinho extra para a família. Elas não parecem serem levadas a constituir estes negócios em gigacorporações. Há exceções, é óbvio, mas existe uma grande diferença média.

Portanto, tanto homens quanto mulheres se apoiam nos homens para criar as estruturas sociais mais abrangentes que oferecem oportunidades a ambos. E é claro que homens e mulheres podem ambos atuar muito bem nestas organizações. Mas a cultura ainda confia principalmente nos homens para fazer tais estruturas em primeiro lugar.

O Homem Descartável


Um segundo pensamento que faz os homens úteis para a cultura é algo que eu chamo "descartabilidade masculina". Isto referencia aquilo que eu disse no início, que culturas tendem a usar homens em projetos de alto-risco&alto-retorno, onde uma significativa porção de tais pessoas vão sofrer sérias consequências indo desde ter seu tempo desperdiçado até mesmo serem mortos.

Qualquer homem que leia os jornais encontrará a expressão "até mesmo mulheres e crianças" um bom tanto de vezes no mês, geralmente acerca de mortes. O significado literal desta frase é que a vida dos homens tem menos valor que a das outras pessoas. A ideia é comumente "é mau quando as pessoas morrem, mas é especialmente ruim quando mulheres e crianças acabam mortas". E eu penso que a maioria dos homens sabe que numa emergência, se há mulheres e crianças presentes, é esperado que eles desfaçam da própria vida sem argumento ou reclamação para que outros possam sobreviver. No Titanic, os homens mais ricos tiveram uma taxa de sobrevivência mais baixa que as mulheres mais pobres (34% contra 46% - apesar de que não é assim que aparece no filme). Por si só, isto é notável. Os ricos, poderosos, e bem-sucedidos homens, os manda-chuvas, aqueles para quem supostamente a cultura foi totalmente projetada para promover - em apuros, suas vidas foram menos valorizadas que aquelas mulheres que dificilmente tinham qualquer dinheiro, poder, ou posição social. Os pouquíssimos assentos nos botes salva-vidas foram para mulheres que nem eram ladies, em vez daqueles patriarcas.

A maior parte das culturas têm tomado a mesma atitude. Por quê? Há razões pragmáticas. Quando um grupo cultural compete contra outros, em geral, o grupo maior tende a vencer a longo prazo. Por isso, a maioria das culturas promove o crescimento populacional. E isto depende das mulheres. Para maximizar a reprodução, uma cultura depende de todos os ventres que puder ter, mas uns poucos pênis podem fazer o seu trabalho. Geralmente há um excedente de pênis. Se um grupo perder metade de seus homens, a próxima geração ainda pode atingir seu tamanho máximo. Mas se ele perde metade de suas mulheres, o tamanho da próxima geração será severamente reduzida. Por isso, a maior parte das culturas mantêm suas mulheres afastadas dos riscos enquanto usa homens para os trabalhos perigosos.

Estes trabalhos arriscados estendem-se além dos campos de batalha. Muitas linhas de atuação requerem que algumas vidas sejam perdidas. Exploração, por exemplo: uma cultura pode enviar dúzias de partidos, e alguns podem acabar se perdendo ou sendo mortos, enquanto outros retornam com riquezas e oportunidades. Pesquisa acadêmica é de certa forma semelhante: pode haver dúzias de teorias possíveis acerca de um certo problema, e apenas uma delas é correta, portanto as pessoas testando as outras teorias erradas acabarão perdendo seu tempo e arruinando suas carreiras, em contraste com o sortudo que ganha o Prêmio Nobel. Quando os escândalos sobre os perigos da indústria mineira na Grã-Bretanha estouraram, o Parlamento baixou as leis de mineração, proibindo que crianças abaixo dos dez anos e mulheres de todas as idades de serem enviadas às minas. Mulheres e crianças eram preciosos demais para serem expostos à morte nas minas: portanto, só homens para este trabalho. Como eu já disse antes, a disparidade de gêneros em trabalhos perigosos persiste ainda hoje, com homens contabilizando a vasta maioria das mortes no trabalho.

Outra base para a descartabilidade masculina está embutida nas diferentes formas de ser social. Descartabilidade vem com grupos grandes que a sociedade masculina cria. Em uma relação íntima, de par, nenhuma pessoa pode realmente ser substituída. Você pode casar-se novamente se sua esposa morre, mas não é o mesmo casamento ou relacionamento. E obviamente ninguém pode sequer substituir o pai ou mãe de uma criança.

Em contraste, grupos grandes podem substituir e de fato substituem qualquer um. Pegue qualquer organização de grande porte - a Ford Motor Company, o Exército, os Green Bay Packers - e você verá que a organização segue em frente apesar de ter substituído cada uma de suas pessoas. Além disso, cada membro de tais grupos sabe que pode ser substituído, e provavelmente será substituído algum dia.

Portanto, homens criam o tipo de redes sociais aonde indivíduos são substituíveis e dispensáveis. Mulheres favorecem o tipo de relacionamento no qual cada pessoa é preciosa e não pode ser verdadeiramente substituída.

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