sexta-feira, 28 de outubro de 2016

"Quando a Proxenetagem Não Funciona" por ToySoldier

Quando a Proxenetagem Não Funciona

Por alguma razão, Marvel Comics deixou o escritor Brian Michael Bendis remover o Stark como Homem de Ferro. Isto é um movimento bem estranho, considerando o esforço que Marvel e Disney puseram para fazer dele o nome da casa. Ele é de certo o mais conhecido e popular Vingador depois do Capitão América, em particular devido a seus filmes. Tirar o Stark do Homem de Ferro faz taanto sentido quanto tirar o martelo e o nome do Thor.

Tudo bem, isso já aconteceu, então por que não com o Homem de Ferro?

O plano de Bendis é simples: em Guerra Civil II (na linha das revistas, não do filme), Stark se desfará do manto do Homem de Ferro. Ele será substituído por Riri Williams, uma garota negra de 15 anos que Bendis descreve como:
Seu cérebro é um pouco melhor que isso. Ela olha para coisas de uma perspectiva diferente, o que faz sua armadura ser única. Ele tem que ir atrás dela.

Bendis explica sua lógica na criação da personagem para a Time:

Uma das coisas que me paralisaram quando eu estava trabalhando em Chicago há uns dois anos atrás num programa de TV que acabou não indo ao ar foi o montante de caos e violência. E esta história desta brilhante e jovem mulher cuja vida foi deteriorada pela tragédia que poderia facilmente ter acabado com sua vida -- mera violência aleatória de rua -- e saiu da faculdade foi bastante inspiradora para mim. Eu pensei que seria a versão mais moderna de super-herói ou super-heroína que já tinha ouvido. E eu sentei com essa ideia por um tempo até que tive o personagem certo e o lugar certo.

Enquanto estamos lenta e esperançosamente adicionando todos esses novos personagens no Universo Marvel, parecia que esse tipo de violência inspirando um jovem herói a levantar-se e agir, e usar sua perspicácia científica, suas habilidades naturais que estão ainda brutas mas tão além do que até mesmo Tony Stark tinha naquela idade, foi bastante excitante para mim.

Bendis cita Miles Morales, Kamala Khan, e a Thor feminista no artigo. Nós poderíamos acrescentar a isso Sam Wilson tornando-se Capitão América. Com exceção de Khan, nenhum desses personagens foi adicionado "organicamente". Todos eles ganharam seus mantos substituindo personagens que ou foram mortos ou tiveram seus mantos tirados. No caso de Thor, ele não apenas perdeu seu poder, mas também seu nome.

Em cada instância, estes personagens foram criados para preencher um progressivo desejo por "diversidade" e "representação". Não havia fãs clamando por um Homem Aranha ou um Capitão América negros ou um Thor feminista ou uma Ms. Marvel muçulmana. Havia coisas paras apelar para uma audiência que não compra revistas. Bendis amite isso no artigo para a Time:
Eu penso que o mais importante é que o personagem seja criado em um ambiente orgânico. Nós nunca tivemos uma reunião dizendo "Precisamos criar esse personagem". Isto é inspirado pelo mundo à minha volta e não sendo representado o suficiente na cultura popular.

Novamente, isto não é orgânico. É deliberadamente defecar na continuidade para o fim de proxenetar com a esquerda progressiva. A ironia é que os números geralmente não apoiam a jogada como uma decisão inteligente de negócio.

Por exemplo, Marvel moveu Miles Morales do universo Ultimate para o principal da Marvel em um esforço de tornar o personagem mais popular. Enquanto Morales tem uma base de fãs seguidores, este personagem jamais atingiu o nível de sucesso que a Marvel esperou, o que parece solapar Peter Parker. Apesar de todos os seus esforços, Marvel não pode fazer as pessoas parar de comprar revistas do Peter Parker. Spider-Man, a revista que exibe Morales, vendeu 49.167 unidades em maio. Amazing Spider-Man, que tem Parker, vendeu 74.963.

Outro exemplo são as revistas de temática feminista, como Ms. Marvel, A-Force (um time 100% feminino de Vingadores), Silk, Spider-woman, Captain Marvel, e Spider-Gwen. Eis a lista:
  • Spider-Gwen - 49.681 unidades
  • Silk - 30.884 unidades
  • Ms. Marvel - 29.840 unidades
  • A-Force - 29.706 unidades
  • Spider-woman - 27.118 unidades
  • Captain Marvel - 23.812 unidades

Nada disso parece ruim até ser posto em perspectiva. Scooby Apocalypse #1, um livro no qual a Turma do Scooby tem que lidar com as consequências de um fim do mundo, estreou em 69.520 unidades. Até mesmo Batman Teenage Mutant Ninja Turtles #6 superou todos esses títulos com 64.911 unidades.

Para este ponto, a Marvel fez uma grande proposta com a nova revista do Black Panther escrita por Ta-Nehisi Coates. A primeira edição saiu com 253.259 unidades e foi a mais vendida em abril de 2016. Em maio, a segunda edição saiu em nono lugar com 77.654 unidades. Isto é uma queda de audiência de 70% em um mês.

Porém, este não é o único problema de proxenetar a esquerda progressiva. O problema mais urgente é sua resposta, a saber, que mesmo quando os escritores fazem o que os progressistas demandam, isto ainda não é bom o suficiente. Esta foi a resposta à adição por parte da Riri Williams como o novo Iron Man:

"Alguns dos comentários online, eu nunca pensei que as pessoas sequer notassem o quão racistas eles soam", disse Bendis à Time no artigo revelando o filme, referindo-se aos ataques passados sobre a Marvel por substituir personagens tradicionalmente brancos por não-brancos. "Tudo que posso fazer é afirmar meu caso pelo personagem, e talvez eles notarão que com o tempo que este não é o pensamento mais progressista". Ironicamente, o pensamento progressista é o que tem sido combustível da mais apontada repercussão das notícias. A nova Iron Person foi emblemático dos esforços da Marvel de tornar-se representativa dos grupos marginalizados, porém ela também motiva uma questão difícil: como o progresso realmente se parece na ficção super-heroica?

Os comentários de geeks no Twitter rápida e coletivamente chegaram a duas afirmações incriminadoras sobre Riri. Primeiro, esta personagem feminina negra foi criada e será escrita por um homem branco. O contraste irritou alguns em nível interpretativo: "Você não pode chamar todas essas histórias diversas sem vozes diversas", tweetou Carly Lane. Outros olharam para o problema de um ponto de vista financeiro: um blogueiro pseudônimo theblerdgurl disse "estou feliz em ver uma garota parecida comigo como líder numa revista #Marvel. Eu apenas desejo que alguém parecida comigo pudesse lucrar com isso"

Leia de novo o parágrafo. Sua reclamação é que a criação do personagem que eles alegaram querer é ruim porque a pessoa que o criou não era mulher ou negro.

Lembre-se, Brian Michael Bendis é a mesma pessoa que criou Miles Morales, e ele está repetidamente levando a Marvel a incluir personagens mais "diversos" em seu mundo, resultando em personagens clássicos sendo revisados, destituídos de seus poderes, tendo seu manto e nome tirados, ou mortos em razão de serem homens bancos héteros. Ele fez tudo que eles alegaram querer, mas agora ele é ruim porque não é uma mulher negra.]

O argumento prossegue:
Esta linha pecuniária de crítica leva a uma segunda afirmação mais alarmante: não apenas este personagem mulher negra não foi escrito por uma mulher negra, a Marvel não tem escritoras negras. De fato, especialistas têm dificuldades para apontar uma simples mulher negra que já tenha escrito alguma revista da Marvel ao longo dos 77 anos de história da companhia. "Ainda não consigo lembrar de uma irmã que tenha escrito para a Marvel", tweetou a colunista Joseph P. Illidge. O podcaster Al Kennedy tweetou: "Quiz para historiadores dos quadrinhos de super-heróis: alguma mulher negra já escreveu alguma série contínua para a Marvel?", e quando ninguém foi capaz de citar alguma, ele prosseguiu dizendo "Nossa. Sinta-se um total imbecil por não pegar essa até agora. Fácil estar num casulo como homem branco"

Enquanto não é surpreendente que nenhuma escritora negra tenha trabalhado para a Marvel (e eu não conferi, logo não estou certo se é verdade), isto não é problema. A Marvel já mostrou numerosas histórias bem-escritas e cativantes com personagens e temas diversificados sem uma escritora negra. Não que isso signifique que eles não devem contratar negras, apenas que isso não prejudicou a companhia de forma alguma.

Pois bem, essa sanha por "diversidade" nunca foi sobre escrever histórias interessantes ou criar dramas convincentes. É sobre proxenetagem, sobre jogar com alegorias e zunidos ideológicos específicos a fim de ter a resposta pavloviana apropriada dos progressistas. É por isso que o artigo prossegue numa linha bastante bizarra de raciocínio:

De fato. Na maior parte da história da ficção super-heroica, o gênero viveu nesse casulo - homens bancos pagando outros homens brancos para escrever histórias dirigidas a homens brancos. Como tal, os mais importantes personagens são, eles mesmos, homens brancos: Batman, Superman, Cap. América, Homem-Aranha, entre outros. Isto, claro, não é único às HQs; é válido em todo o entretenimento. Mas nos últimos anos, quadrinhos de super-heróis têm mudado para algo mais multifacetado e representativo, e eles têm feito isso de uma forma que filmes e a TV não podem fazer.

Marvel tem tomado a dianteira neste fronte, usando uma tática fascinante para obter a atenção para suas demandas de diversidade. Em vez de tentar vender para os leitores novos personagens que não são lírios-brancos, eles simplesmente remodelaram sua propriedade intelectual. Há uma longa tradição de pessoas diferentes tomando as alcunhas de super-heróis existentes depois de sua morte ou aposentadoria, então por que não usar esta metáfora de forma que avance o invólucro da política de identidade? Você não vai obter muita atenção na mídia mainstream lançando a ideia de uma garota negra usando roupa de robô. Mas se você disser que ela é o Iron Man - um nome familiar a qualquer um que comprou ingressos de cinema nos últimos oito anos - de repente você ganha uma manchete na Time.

Não poderíamos encontrar uma melhor confissão do que realmente se tratam as "mudanças de diversidade". Não é sobre as narrativas, mas sobre impor políticas. Isto explica por que os números não são tão altos, por que a audiência minguou em meses, e por que a única coisa que se vai encontrar sobre qualquer um destes personagens mencionados nos artigos sobre eles são coisas associadas à sua identidade. Até o autor do artigo admite:
[Ms. Marvel e Capitã Marvel], em suas novas incarnações, repetidamente têm interrogado raça e gênero (e, no caso da Ms. Marvel, fé). O restante de nós têm tocado em políticas de identidade apenas de leve, ainda que geralmente de forma memorável. Thor lutou com o fato que ninguém parece levá-la tão a sério quanto seu predecessor, o Capitão América negro tem lidado com grupos de ódio racistas, o Hulk coreano-americano tem desafiado estereótipos de nerdice asiática, e Miles tem comprimido suas mãos sobre onde quer que ele se sinta confortável com pessoas falando de sua etnicidade.

Nada disso tem a ver com ser super-herói. Poucos dos personagens originais foram criados com um intuito específico de apelar para uma audiência de homens brancos como homens brancos. os personagens eram simplesmente arquétipos ou metáforas gerais para certas circunstâncias.

Ainda assim estes novos personagens "variados" estão tão voltados para atuar em políticas de identidade que eles ironicamente fazem a mesma coisa que deveriam desfazer: acabam isolando os fãs. Em vez de fazer os personagens para todo mundo, estes personagens são apenas para os seus grupos afiliados. Ms. Marvel para muçulmanos, Capitã Marvel para feministas, Thor feminista para as feministas radicais, Capitão América negro para o povo negro, Hulk asiático para asiáticos, e Miles Morales para os bi-racias, hispânicos e negros.

Não é de se espantar por que tais personagens tenham tão limitado seguimento, por que seus livros jamais vendem tão bem apesar de todo o clamor por sua suposta popularidade, e por que a única coisa sobre a qual se vai ouvir sobre tais personagens são suas identidades e as políticas por detrás.

Esta é uma má decisão de negócios, e não é porque é errado ter personagens não-brancos, não-negros, não-héteros. É uma péssima decisão porque quando se proxeneta para a esquerda progressiva, eles jamais ficarão satisfeitos. Eles não apoiarão seus tweets, reblogs, e numerosos artigos exibicionistas escritos por pessoas que jamais leram e jamais lerão uma simples história em quadrinhos.
META
Título Original When Pandering Goes Wrong
Autor Toy Soldier
Link Original https://toysoldier.wordpress.com/2016/07/11/when-pandering-goes-wrong/
Link Arquivado https://archive.today/WJWWs

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