segunda-feira, 10 de outubro de 2016

"Por que Eu Advogo pelos Direitos dos Homens e Meninos" por Karen Straughan

Por que Eu Advogo pelos Direitos dos Homens e Meninos




Não sou uma mulher tradicionalista. Sou bissexual. Eu sou meio que um homem velho sujo quando se trata das minhas atitudes sobre sexo, e sou masculina o suficiente de um jeito tal, sem jamais ter sido onerada com o rótulo de vagabunda. Além disso, eu escrevo ficção erótica, muita da mesma com temáticas bissexuais masculina e feminina (e não, eu não vou te contar qual meu nome-de-escritora, então não perca tempo perguntando). Apesar de eu ter sido uma mãe dona-de-casa nos primeiros cinco anos do meu casamento, e apesar de ter tido este papel como pleno e intrinsecamente valoroso, eu não me senti sendo eu mesma novamente até que retornei à força de trabalho assalariada. Eu sou a última pessoa que desejaria retroceder a um mundo de cem anos.

Eu fui sexualmente atacada. Eu, enquanto mulher de 23 anos, fui sexualmente assediada a um tal ponto que abandonei um emprego no qual estive por quatro anos. Eu até consideraria os últimos seis meses de meu casamento como emocional e psicologicamente abusivos.

Sou divorciada, tenho três filhos, e atritos com meu ex que qualquer homem ou mulher razoáveis muito provavelmente veriam como totalmente justificáveis. Eu ainda brigo com minha fúria contra coisas que ele fez durante nosso casamento, e tentei seguir depois que tinha acabado. O fato que depois de dois anos e meio o único dinheiro que em algum momento mudou de mãos entre nós foi das minhas para as dele só piora as coisas.

pelas minhas viagens online ao largo da áspera por vezes inóspita paisagem do Movimento pelos Direitos dos Homens, me tem sido requisitado "provar minhas credenciais" como uma pessoa lógica e racional mais vezes do que me preocupo mencionar. Eu tive que "provar minhas credenciais" como mulher que não aniquilou meu ex durante o divórcio. Eu tive que "provar minhas credenciais" como não sendo uma mera mulher tradicionalista que quer a volta de homens mantendo mulheres enquanto estas ficam em casa. Este é um ambiente que é geralmente hostil a mulheres até que elas estejam quites com seus vencimentos. E mesmo quando seus vencimentos são pagos (e pagos, e pagos, e pagos de novo, hahaha!) você ainda paga de outras maneiras.

Eu tenho tido que ficar sentada remoendo os dentes quando homens no movimento reclamam "Aquele vadiazinha levou a minha casa. Era minha propriedade pois eu paguei por ela enquanto ela só ficava em casa", e resistir ao ímpeto de lembrá-los que o trabalho doméstico não-remunerado também tinha valor, e que a negação do valor das mulheres nos primórdios do feminismo é parte do porquê de homens e mulheres estarem nesta bagunça de hoje em dia. Que se ela fosse o tipo de esposa e mãe que eu fui quando fiquei em casa, e ele tivesse que pagar um salário justo de acordo com o mercado por seus cuidados pelas crianças, gerência doméstica e até mesmo tarefas de manutenção da casa e quintal, seus rendimentos seriam quase tão altos quanto os dele no período de casamento.

Como sobrevivente de um caso de violência sexual que sofri aos 14 anos, quando era virgem e nunca tinha menstruado até então, eu tinha que ficar sentada remoendo os dentes toda ocasião com a atitude loquaz que muitos no movimento têm acerca do estupro. Se o sistema tem uma suposição padrão de que todos os querelantes estão falando a verdade e todos os indiciados são mentirosos de merda, muitos do MDH têm um viés que se inclina demais na direção oposta. Eu também acredito firmemente em sempre crer no acusador -- quando se trata de prover serviços às vítimas como aconselhamento e tratamento médico. Eu também acredito firmemente no direito a um devido processo legal para o acusado ao longo das investigações policiais e procedimentos criminais, sinto que o envolvimento da universidade em um caso de abuso sexual deve ser restrito a ligar para a Polícia e deixar o sistema criminal prosseguir a partir daí, e que a identidade do acusado deve ser protegida pelas autoridades até que ele seja condenado. Eu acredito que a elevação por parte do feminismo da situação das vítimas de estupro a uma mistura de idolatria quase religiosa com luvinhas de pelica acaba por ferir as mulheres de formas pérfidas. Mas ao mesmo tempo, a forma como alguns do MDH falam de estupro... bem, isso me deixa irritada.

Eu tive que vaguear por dúzias de artigos sobre mulheres praticantes de agressão conjugal, perseguição neurótica, ataques violentos aterrorizantes contra pessoas inocentes, abuso físico e sexual de crianças, infanticídio, assassinato premeditado de maridos e namorados, atrocidades além da conta, mantida vingativamente acima pelo MDH como prova de que mulheres são tão comumente imbecis sociopáticas, psicóticas, odiosas, brutais e egoístas quanto os homens. Após cada história sobre mais uma mulher e sua série de alegações infundadas de abuso levando mais um homem a perder seus filhos e ainda mais filhos perderem seu pai, mais vidas destruídas por mulheres que não eram nem mesmo as desprezadas, já que elas são as mais prováveis iniciadoras de divórcios. Uma dieta firme e estável de delitos executados por mulheres contra homens e crianças inocentes, o bastante para revirar o estômago de qualquer um.

Isso acaba cansando. Acaba abatendo. Acaba sendo penoso. Acaba até sendo um pouco macabro algumas vezes quando eu noto o quão irritados alguns homens estão. Dado que muitas das minhas experiências pessoais com homens foram... eh... menos que maravilhosas, dado o quão hostil o MDH pode ser para qualquer um que tenha vagina, e quão insensíveis eles podem parecer em questões que têm me afetado tão profundamente do lado oposto da divisão de gêneros, por que eu fiz isso? Eis o porquê:

Eu costumava viver numa cidadezinha isolada com uma economia baseada em recursos - mais comumente, extração de madeira, cascalho e areia. Quando a indústria de construção nos EUA foi para as cucuias em 2008, a maior parte dos empregos naquela cidade desapareceu. Eu trabalhava como garçonete - gorjetas perfaziam uma enorme parte do meu rendimento, mas isto dependia de quantas pessoas comiam. No final de 2008, as pessoas de onde eu vivia pararam de comer lá, e minha renda começou a decair. E decair. E decair...

Meu ex jamais pagou pensão, e sempre desfrutou de acesso ilimitado aos nossos filhos, às minhas custas, porque meus filhos amam o pai e têm direito de vê-lo. Ele exercia este acesso numa média de uma noite a cada seis, oito semanas. Minha família próxima - pais e irmã - vivia a 2000km de distância numa cidade de economia robusta, mas as poucas vezes que eu sugeri que nos mudássemos para lá, meu ex não queria nem saber. Sua asserção "Como você espera que eu pague pensão? Eu nem mesmo consigo me sustentar por aqui. Nem tem comida nas minhas panelas", sem extrapolar de quão impossível seria para mim sustentar quatro pessoas na mesma economia local, e como nenhuma comida nas minhas panelas implicaria seus próprios filhos famintos... bem, o nível dessa visão tacanha e egoísmo era quase surreal para mim. Eu senti que meu ex não apenas efetivamente abandonou meus filhos, ele abandonou a lógica, a razão, a realidade, a sanidade.

Em fevereiro de 2010, eu finalmente olhei para minhas dívidas cada vez maiores e decidi que não havia mais forma de poder viver como estava vivendo, sustentando quatro pessoas sozinha, sem ir à bancarrota. Ficar apenas para que meus filhos pudessem ver o pai uma noite a cada par de meses, se e quando ele se preocupasse, não valia a pena que eu e meus filhos estávamos pagando. Minhas dívidas apenas, sem incluir a hipoteca, escalaram até quase o dobro da minha renda anual naquele momento. Eu estava pagando a hipoteca no cartão de crédito. Não tinha empregos. E minha família estava a dois mil quilômetros - eu estava mesmo sozinha.

Finalmente tive que aceitar que a minha escolha era ou me mudar dali ou morrer de fome. A objeção do meu ex à própria sugestão estava bem documentada na correspondência entre nossos advogados, e ele repetidamente ameaçou tomar as providências legais cabíveis se eu tentasse me mudar, providências que me custariam milhares de dólares e poderiam levar um ano ou mais para se desenrolar.

Eu estava presa entre a sobrevivência e minha própria honra. Se ficasse, minha família seria destruída. Se eu fizesse a coisa honrada e o informasse de minha decisão, ele ajuizaria uma ação que apenas nos forçaria a ficar e aonde eu gastaria os milhares que não tinha em custas legais apenas para parar no gabinete da juíza, o que apenas nos destruiria ainda mais rápido.

Então empacotei minha casa e as crianças e me mudei. Sem perguntar a ele. Sem mesmo falar para ele. E então eu estava preparada para uma batalha real a fim de justificar a um juiz que eu estava justificada em fazer o que fiz, que não tinha escolha ao me mudar, e nenhuma escolha além de quando e como mudar. Que minha única opção razoável era me mudar para a cidade onde meus pais e irmã viviam tal que eu e minhas crianças teríamos ajuda e apoio próximos - uma cidade onde a economia era saudável, mas que, também, incidentalmente ficava a 2000km de distância do pai das crianças. Eu documentei as formas pelas quais encorajei meu ex a ter um tempo com as crianças, e quão pouco ele de fato o fez, e como seu direito de vê-los a cada seis ou oito semanas quando ele bem entendesse não deveria sobrepujar o direito de não serem criadas em pobreza. Eu tinha uma declaração juramentada de seis páginas preparada, com a qual argumentaria meu caso.

E as objeções do meu ex ao que eu fiz foram deixadas de mão. Eu desloquei as crianças 2000km longe dele, sem nem mesmo informá-lo o que estava fazendo, e nem mesmo precisei apresentar minha decisão juramentada à juíza - tudo que tive que dizer foi que estava me mudando a trabalho. Ela tomou isso como um dado em que ela se poria ao meu lado contra ele, e ela tomou sua decisão com uma elação e certeza que eu achei convincente, até o ponto de quase suspirar de alívio.

Logo depois de me mudar, eu retornei ao mercado sexual. Eu tive uma breve paquera com um homem casado. Eu fui seu primeiro caso, e ele lutava contra sua culpa em trair a esposa, ainda que no entanto ele estivesse dormindo no sofá por dois anos. Reciprocamente, sua esposa o estava traindo há anos - lembre-se, aquela era uma cidade pequena onde todo mundo sabia cada segredinho sujo de todo mundo. Eu não suponho que ela lutava muito contra seus próprio sentimentos de culpa, dado que ela não se preocupava em esconder suas infidelidades. Ele estava tão infeliz em seu casamento que eu só posso descrever como desespero, porque ele não via forma alguma de consertá-lo, mas ele permanecia porque estava terrificado - não assustado, nem apavorado, mas terrificado - em perder os filhos.

Não foi até depois de eu me mudar e a juíza dar uma decisão de oito segundos que eu notei o quão justificável seu medo era.

Eu fui educada pelos meus pais a nunca ler somente as manchetes ou ouvir apenas as frases de efeito, mas a ler o artigo inteiro e pensar racionalmente sobre as coisas antes de formar opiniões. A não apenas regurgitar a informação que recebi, mas a digeri-la minuciosamente, aplicar a lógica e minhas próprias experiências ao que eu ouço e leio, e então decidir se fazem sentido. A questionar. A examinar. A olhar o problema sob diversos ângulos. A procurar diferentes pontos de vista porque, ei, pode ser que você acabe aprendendo alguma coisa - mesmo que esta coisa seja o fato que as pessoas podem estar cheias de merda.

Eles me ensinaram palavras como "sofisma" e o que elas significam. Eles me ensinaram que a evidência é tudo, e estatísticas podem ser usadas para dizer qualquer coisa que se queira, dependendo de sua agenda. Eles me ensinaram que algumas vezes as pessoas mentem com tanta convicção a sim mesmas que mesmo quando elas estão mentindo para você elas sentem que estão te contando a verdade.

Enquanto adolescente, eu saía na maior parte das vezes com garotos, porque eles eram mais receptivos ao jeito que eu era diferente. Como eu tinha mais jeito de menino que de menina, eles jamais moderaram suas falas diante de mim, assim como nenhum dos meus colegas de trabalho hoje em dia. E apesar de eu ter me enganado profundamente por alguns homens, eu sei das minhas outras experiências com homens que a vasta maioria dos meninos e homens é mais boa que ruim. Eles são falhos, mas ainda são humanos. Eles não são mulheres, mas ainda são humanos.

Eu tive três filhos. Dois meninos e uma menina. E por mais que eu possa acabar por reclamar sobre quanto problemas eles são capazes de trazer, e apesar do fato de eu ser conhecida por ameaçar dar uns cascudos em suas cabeças quando eles me tiram a paciência, eu os amo e estou orgulhosa deles, para caralho. Eu quero que eles sejam felizes e tenham sucesso na vida, porém eles decidem como medir os seus sucessos.

Mas eu olho para o mundo em que eles estão crescendo, um mundo em que meus garotos logo encararão os mesmos problemas que os homens estão enfrentando atualmente, só que piores. Um mundo em que minha filha também colherá as consequências de viver numa sociedade que valoriza os direitos de um gênero em detrimento do outro e ninguém parece ligar nem um pouco. Um mundo onde tudo que as mulheres naturalmente fazem é visto como admirável, e tudo que homens naturalmente fazem é visto como uma patologia a ser remediada. Um mundo onde mesmo mulheres que cometem os crimes mais atrozes e abomináveis são instantaneamente tratadas como sendo falhas do sistema ou de alguma forma justificadas em suas ações, enquanto homens que cometem atos semelhantes são instantaneamente tratados como tendo agido por ciúme, ira, sede de controle, agressividade ou apenas... bem, masculinidade. Eu não quero que meus filhos vivam num mundo onde não adianta o quanto eles sejam bons, sempre lhes dirão que são maus -- ou que minha filha viva num mundo onde ela sempre poderá culpar alguém ou algo por suas decisões e ações.

Eu quero que minha filha cresça e torne-se uma mulher que se responsabilize pelas próprias burradas, e que meus meninos cresçam e tornem-se homens que não sejam obrigados a se responsabilizar pelas burradas de outras pessoas além de si mesmas.

As vozes que falam pelo feminismo são milhões em milhões. Elas são legião, só precisam sussurrar para serem ouvidas. As vozes falando pela igualdade para homens e meninos são tão poucas que são abafadas pelos opositores ainda que gritem. Eu não sei o que posso fazer além de criar as minhas crianças para serem capazes de pensar por si mesmas, e adicionar minha voz às questões que eu creio e as quais eu veja que estão sendo sub-representadas. Que mais pessoas advoguem mais e simpatizem mais por direitos dos animais do que dos homens e meninos é uma caricatura que me frustra. Imagino que se os homens pudessem de alguma forma se fazer parecer tão fofos e inofensivos como focas-bebês, as coisas seriam diferentes - mas eles não podem. Homens e meninos estão em perigo - de verdade e bem sério, não apenas uma ameacinha qualquer - e eles merecem mais vozes que falem em seu favor.

Então, é isto que eu estou fazendo.
META
Título Original Why I advocate for men's rights
Autor Karen Straughan, A.K.A. GirlWritesWhat
Link Original http://owningyourshit.blogspot.com/2011/05/why-i-advocate-for-mens-rights.html
Link Arquivado https://archive.today/cs25h

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