sábado, 5 de novembro de 2016

"Não, feministos não podem ter um diálogo útil com ativistas pelos direitos dos homens e meninos" por ToySoldier

Não, feministos não podem ter um diálogo útil com ativistas pelos direitos dos homens e meninos


Não. Não se pode ter um diálogo aberto se apenas um dos lados fala. Este é o problema fundamental em qualquer diálogo entre feministas e ativistas pelos direitos dos homens. Ambos os lados discordam entre si, mas apenas um lado está disposto a ouvir o que o outro diz. Já o outro requer que suas visões sejam aceitas sem questionamentos. Qualquer dissidência, não importa o quão minúscula ou o quão justificada, é tratada como teimosia, mente fechada e sexismo. Isto é particularmente verdadeiro para muitos feministos. Eles tendem a levar mais a sério os ideais e teorias feministas em comparação às mulheres feministas, muitas vezes por uma necessidade de provar que não estão sendo falsos no seu apoio. O resultado é que eles são muito menos propícios que suas contrapartes femininas a aceitar quaisquer posições não-feministas, em especial qualquer posição pelos direitos dos homens.

Thomson demonstra o problema inerente com o diálogo entre os dois campos no começo de seu artigo:

Como homens podem ajudar?

Olhando para a questão, sua reação visceral pode ser que devemos estar além do ponto em que esta é uma linha válida de investigação. Deixe que eles notem. Deixe que eles sejam aliados. Ou melhor, um quinta-coluna [NT1]. Faça o que pessoas de senso comum já dizem. De toda forma, se um homem quer ser desperto, ele pode fazer o trabalho sujo. Temos internet para isso.

Como alguém pode ter um diálogo aberto se a sua posição é de que ele não tenha que explicar as próprias visões? Como isso funciona? Por que alguém interessado na sua ideologia deveria fazer o "serviço sujo" de se educar sobre as suas visões? Estas são suas visões. Quem melhor para explicá-las que você?

Como de praxe entre feministos, Thomson oferece a típica contenção feminista:
Tende a ser concordado, porém, que a melhor direção na qual homens feministas podem dirigir suas energias é para si mesmos e para outros homens. Eles podem localizar e neutralizar sua própria misoginia, advogar por mudança em seus locais de trabalho, apontar sexismo onde o virem - fazer uma miríade de coisas que mulheres tem que fazer por padrão.

Auto-antipatia não é um bom ponto de se iniciar uma conversação, quanto mais uma conversão. E também não é um bom ponto demandar submissão a esta auto-antipatia. A pessoa já vê como esta atitude impediria qualquer diálogo entre feministos e ativistas pelos direitos dos homens. Aqueles de plano veem homens como inerentemente maligos, enquanto estes não.

Claro, isso piora muito quado lidando com homens. Thomson nota que homens são mais propensos a ouvir outros homens:
E nisto homens têm uma irônica vantagem desfortunada: outris homens são mais propensos a seguir o alerta e exemplo de homens que mulheres, incluindo quando se trata de vulnerabilidade emocional, reformas progressivas do local de trabalho, e por aí vai.

Que horroroso. Deve fazer mais sentido para homens ouvir aqueles que não compartilham de suas experiências do que aqueles que compartilham.

Escavações em homens como esse acima não fomentam diálogo. Apenas colocam pessoas na defensiva. Elas demonstram um vício inerente do falante em direção a qualquer ideia que não conforme sua visão de mundo. Thomson mostra isso em sua resposta a um artigo submetido ao seu website. O artigo continha frases como "lute para acabar com a violência contra as mulheres" e "genuína masculinidade".

Como qualquer pessoa objetiva, Thomson leu o artigo, viu que discordava, e mesmo assim decidiu publicá-lo dado que era um aspecto da posição de algum homem sobre a masculinidade.

Na realidade ele fez o oposto:

Huh, pensei, um ativista pelos direitos dos homens.

Por um momento eu fiquei orgulhoso. Homer foi [um site] projetado para atingir homens assim. A submissão, porém, tinha uma misoginia calculada, endurecida, então polidamente eu a rejeitei.

E adorei a resposta do autor: "Seu ódio e discurso preconceituoso e sexista são repugnantes".

Tive um segundo de arrependimento. Me arrependi de não ter tentado me ocupar dele. Se eu tivesse apenas abordado, o que poderia ter acontecido?

Além de um argumento comprido? Nada.

O fato de a reação imediata de Thompson ter sido rejeitar o artigo, o que a julgar pelo sei tom provavelmente foi feito em um tom sarcástico e nada polido, é que é o problema. Eu não concordo com as visões de Thomson, mesmo assim é importante permitir que ele expresse-as como elas são e então discuti-las. Ao recusar-se a publicar o artigo e então declará-lo sexista, ainda que ninguém além de Thomnpson e do autor saberem o conteúdo do artigo, Thomson cria uma atmosfera de desconfiança.

Por um lado, ele dá mais munição para o viés de confirmação das outras feministas ao implicar que ativistas pelos direitos dos homens aportam alguma "misoginia calculada, endurecida". Por outro lado, ele dá mais munição às suposições dos ativistas dos direitos dos homens de que feministas simplesmente odeiam homens e são incapazes de lidar com críticas. Nenhum diálogo pode surgir desse tipo de disposição mental.

A recente liberação do documentário A Pílula Vermelha causou o desejo por diálogo em Thomson:

A Pílula Vermelha vende a si mesmo como uma incursão intrépida porém imparcial de uma autoproclamada feminista, Cassie Jaye, no mundo do ativismo pelos direitos dos homens, onde homens lutam por trazer atenção às formas que a sociedade desprivilegia homens - mais que as mulheres, de acordo com o que eles dizem.

O apelo é que talvez - talvez - exista alguma base comum aqui, ou apenas desentendimentos que poderiam ser resolvidos, se apenas ouvíssemos um ao outro.

Apesar de protestos contra as filmagens terem encontrtado oposição de algumas feministas, a idea que o diálogo que o filme habilita é útil é difícil de ser defendida.

Thompson nunca justifica esta alegação, e novamente, alegações como essa interrompem qualquer diálogo logo de cara. Novamente é uma admissão que Thomson não está disposto a desafiar suas próprias visões sobre sociedade e questões dos homens. É irônico porque é precisamente a mesma situação que a diretora do filme, Cassie Jaye, se encontrou. Enquanto ela entrevistava ativistas pelos direitos dos homens, ela dobrava a aposta em suas posições feministas. Críticas às posições profundamente enraizadas de uma pessoa podem ter esse efeito. Isto não quer dizer, porém, que elas não devam ser desafiadas.

Igualmente, não quer dizer que as visões de alguém são as únicas que devem ser consideradas. Thomson rejeita completamente a visão que David Williams, fundador do Men’s Rights Melbourne, apresenta. Williams argumenta que a sociedade abriga uma negatividade injusta contra os homens. Thomson repudia isso sem a menor consideração, afirmando mais sobre o movimento pelos direitos dos homens:
As crenças dos ADH procedem da ideia que a sociedade agora percebe os homens meramente como pessoas que usam, subjugam e abusam das mulheres, e que este é um erro das feministas. ADHs não contam que, entre feministas, novas escolas de pensamento estão selecionando masculinidades e experiências masculinas à taxa de nós.

Não, não estão. Espaços masculinos voltados ao feminismo meramente revendem as mesmas teorias feministas de uma maneira autoproclamada "amigável aos homens". Eles não examinam se a teoria em si é enviesada ou sem valor. Em vez disso, aplicam-na aos problemas dos homens sem examinar a natureza dos problemas em seusn próprios méritos. Como Thomson demonstra:
É aí que entra um site como Homer. Ele pode ser capaz de chegar aos homens de formas que mulheres geralmente não podem (ou não deveriam ter que). Para isso funcionar, ele requer que tais homens devotados a "genuínas" masculinidades encontrem um lugar na conversação, implicando que precisamos evitar tanto a alienação deles quanto a validação das suas crenças retrógradas.

Quem decide que crenças são "retrógradas"? Quem decide que masculinidade é "genuína"? Como ter uma conversação genuína com alguém quando sua atitude em direção a outrem é esta:
Mesmo homens feministas, porém, deveriam ir apenas até este ponto. ADH fazem alegações que respeitam mulheres, que eles apenas desejam um lugar para homens e meninos em discursos de gênero. Eles têm a responsabilidade de provar isso - mostrar solidariedade quando feministas advogam (como é comum) pela melhoria do bem-estar de homens e meninos. Muito frequentemente o discurso não passa de mero abuso.

Antes que ativistas pelos direitos dos homens virem a esquina para disprovar o espantalho acima, talvez Thomson e outros feministas devam primeiramente provar que feministas engajam-se em qualquer ativismo que realmente melhore o bem-estar de homens e meninos. Corriqueiramente o discurso das feministas não passa de mero abuso, indo de noções a "ensine os homens a não estuprar" até enfiar a ideia que homens vítimas de estupro beneficiam-se e causam seu próprio abuso via "cultura do estupro".

O documentário de Jaye é um exemplo perfeito de como feministas reagem a qualquer discussão sobre questões dos homens. Ao longo d processo de filmagem, feministas opuseram-se ao esforços de Jaye. No filme, ela mostra feministas menosprezando a violência doméstica contra homens. Isto acontece de impulso. Jaye não induz ninguém a dizer coisas ou atacar esforços para ajudar homens atacados. Feministas fazem isso por si só.

São estas as pessoas com quem os ativistas dos direitos dos homens devem ter um diálogo aberto? Pessoas que os veem como estupradores, racistas, homofóbicos, misóginos que mentem sobre os problemas dos homens? Por que qualquer ativista dos direitos dos homens iria querer falar com feministas se esta é a atitude que eles terão que enfrentar?

Da mesma forma, por que eles iriam trabalhar com feministas quando este é o objetivo feminista desejado:
Mesmo assim muitas das objeções que os homens têm sobre seu papel na sociedade são abordadas mediante feminismo. Homens como um grupo podem perder poder enquanto mulheres ganham igualdade, mas também ganhamos liberdade - e há poder nisso também.

Se o objetivo do feminismo é desempoderar homens e ativistas dos direitos dos homens acreditam que homens já estão desempoderados, por que ativistas dos direitos dos homens seguiriam esse plano dado que ele apenas os desempoderaria ainda mais, em sua visão?

Isto é o que acontece quando uma pessoa não está realmente interessada em um diálogo e apenas quer que os outros calem-se e ouçam-no falar. Thomson admite isso em sua conclusão.
Quando se trata de abrir uma conversa difícil, porém, alguém sempre tem que começar. Eu estou tentando - e gostaria de convidar homens que se identificam como feministas - e ADHs também - a juntar-se, respeitosamente.

Não, Thomson não está tentando, nem quer que ativistas dos direitos dos homens juntem-se, respeitosamente ou não. O que ele quer é completa concordância, e se ele não puder ter isso, então ele vai querer absolutamente nenhuma crítica ao feminismo. O que Thomson quer em seu site é o que já ocorre em espaços masculinos inclinados ao feminismo: silenciamento de objeções.

Claro, isso acaba silenciando a maioria dos homens não-feministas, que são ironicamente os homens que feministas alegam querer alcançar. Isto também bloqueia qualquer análise crítica sobre as visões feministas sendo vendidas em tais espaços. Nas raras circunstâncias em que as críticas não sejam eliminadas ou severamente moderadas, geralmente elas são silenciadas pelo travamento de comentários ou pelo emprego de numerosos alertas a fim de impedir qualquer um de fuçar furos demais em um modelo já frágil.

Nenhum "diálogo" pode acontecer em tais espaços. Em vez disso, o melhor que se tem são clichês e um monte de elogios mútuos entre feministas. Um diálogo verdadeiramente aberto significaria permitir os artigos "misóginos" e discutir as opiniões presentes neles. Como um grupo, homens podem decidir os méritos de tais ideias, se são válidas ou se são preconceituosas, e se eles abordam os assuntos dos homens coletivamente ou se não passa de outra venda ideológica.

Isto não pode acontecer, porém, quando se começa da posição que o feminismo está correto e o ativismo pelos direitos dos homens está errado "porque sim".


FootNotes
  • NT1: Quinta-coluna: no artigo original, turncoat, que pode ser traduzido por 'vira-casaca, renegado, infiltrado, traidor'.
META
Título Original No, feminist men can’t have a useful dialogue with men’s rights activists
Autor ToySoldier
Link Original https://toysoldier.wordpress.com/2016/11/02/no-feminist-men-cant-have-a-useful-dialogue-with-mens-rights-activists/
Link Arquivado http://archive.today/RXJdq

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