quinta-feira, 5 de julho de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 24

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A maioria das feministas que conheço apoia o fim do alistamento. De fato, na Suécia, a maior adas feministas lutou contra.

E mesmo assim a marcha das mulheres em Washington DC foi toda pautada em Roe VS Wade, uma decisão com tanto precedente subsequente a ela que tem aproximadamente zero chance de ser revogada.

E elas marcharam depois de Trump ter dito que deixaria de lado Roe VS Wade (e a decisão do casamento gay).

Você sabe o que seria necessário para matar o aborto legal nos EUA? Seria necessário que a Suprema Corte dos EUA derrubasse não apenas Roe VS Wade, mas mais de quarenta anos de precedentes legais baseados nela, algo que até mesmo os mais conservadores juízes da bancada consistentemente recusaram-se a votar no passado. Ou seria necessária uma emenda constitucional, o que significa uma supermaioria dos estados votando nela.

Conseguiríamos quinhentas mil mulheres para marchar pela conscrição neutra de gênero? Que tal cinquenta mil? E cinco mil?

Conseguiríamos que Ashley Judd e Michael Moore e Madonna dividissem um palco em frente a uma audiência desse tamanho e lançassem poesias sobre acrescentar mulheres ao Serviço Seletivo, ou livrar-se dele completamente?

Você pensa que conseguiríamos que Morgan Freeman e Patrick Stewart e Beyonce e Jane Lynch e Oprah e Emma Watson e Angelina Jolie e Patricia Arquette e Lena Dunham fizessem um vídeo colaborativo apoiando a injunção da National Coalition for Men na Suprema Corte sobre o Serviço Seletivo exclusivamente masculino?

Algumas dessas pessoas tiraram um tempo em suas agendas lotadas para fazer um anúncio público a fim de banir a palavra "bossy" 1 porque eles sentem que isso "esmaga" as meninas. Então não venha me dizer que eles estão ocupados demais.

Digo, existem lutas e lutas, certo? Patricia Arquette devotou um grande discurso sobre igual pagamento para mulheres. Jennifer Lawrence veio a público com suas queixas de ter sido sub-remunerada em comparação com suas duas co-estrelas masculinas (Christian Bale e Bradley Cooper), não obstante o fato que ela foi mais bem-paga que qualquer um dos dois em uma comparação de dias-no-set-de-filmagem. Oprah subiu em um pódio e declarou que "acabou o tempo" de os homens abusarem de seu poder a fim de vitimar sexualmente mulheres.

Não vejo nenhum deles lançar sua significativa influência social em prol de um alistamento neutro ou do fim do alistamento nos EUA.

Que a NOW seja favorável ao alistamento neutro de gênero em sua carta de intenções não tem nada a ver com nada! Quanto dinheiro eles despendem nisso? Quantos porta-vozes eles estão colocando em noticiários e eventos para discutir sobre isso? Quão diligentemente eles estão fazendo campanha por isso?

E se eu pessoalmente fosse em favor de um sistema horizontal de impostos com uma renda base de 40 mil por ano livres de impostos para uma família de quatro? Eu tornei minha posição pública. Está em minha carta de intenções pessoal. Estou organizando marchas em Washington para demandar tal coisa? Estou enviando delegados para influenciar no Capitólio fazendo pressão sobre isso? Estou demandando um encontro com o presidente dos EUA a fim de explicar o quanto eu quero isso? O quanto de meus recursos estou colocando em prol do meu plano de tributação?

Quinhentas mil pessoas marcharam em Washington a fim de protestar por algo que só existe em suas imaginações - a nanométrica possibilidade de uma reviravolta em Roe VS Wade. Eu tenho uma chance maior de ser acertada por um raio nos próximos cinco minutos.

E o registro exclusivamente masculino para o Serviço Seletivo continua.

A NOW escreveu qualquer opinião na qualidade de amicus a fim de apoiar a injunção constitucional da NCFM, que passou por vários marcos históricos e moções de exoneração? Eles contribuíram com algum dinheiro para a ação? Não? É, nunca imaginei que tivessem contribuído.


1 META

Table 1: META
Autor Karen Straughan - AKA GirlWritesWhat
Link Original https://old.reddit.com/r/MensRights/comments/8ua7jl/_/e1h2c66/
Link Arquivado http://archive.is/NkoRU

Footnotes:

1

Em tradução livre, "mandona". A ideia é que o uso dessa palavra estigmatiza e desencoraja atitudes assertivas de meninas, impedindo-as de alcançar posições de prestígio.

Created: 2018-07-05 qui 01:43

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quarta-feira, 4 de julho de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 23

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O alistamento não será posto em prática. Seriamente, esta não é a coisa mais importante agora.

Sério. Você está sabendo disso. Pegou sua bola de cristal e determinou que não existirá outra conscrição. Okay.

Você sabe que existem algumas nações desenvolvidas com serviço militar obrigatório. Estava falando com uns caras da Coreia do Sul ontem. Homens têm que servir uns dois anos nas Forças Armadas antes de alcançarem uma certa idade, e mulheres não têm essa obrigação.

Acontece que antes os homens podiam usar esse serviço como um crédito parcial para entrar na universidade. Esta opção existia para ajudá-los a alcançar suas colegas mulheres que tinham dois anos de vantagem. Um par de anos atrás o governo decidiu que isto daria uma "vantagem indevida" dos homens sobre as mulheres na educação, e parou de permitir isso.

De qualquer forma, claramente o governo dos EUA acredita que uma conscrição pode um dia ser necessária. O Serviço de Registro Seletivo custa dinheiro do erário para gerenciar, e eles estão dispostos a gastar com isso não obstante terem um grande exército voluntário.


1 META

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Autor Karen Straughan - AKA GirlWritesWhat
Link Original https://old.reddit.com/r/MensRights/comments/8ua7jl/_/e1g12l6/
Link Arquivado http://archive.is/HWcxN

Created: 2018-07-05 qui 01:40

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quinta-feira, 7 de junho de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 22

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Sendo esta a ideia de que mulheres te estraçalharão no divórcio, fazendo alegações de abuso, tirar seu dinheiro e seus filhos, e te botar na cadeia por um crime que você não cometeu.

A ideia não é que mulheres sejam más. É que mulheres podem ser más, podem fazer coisas más e podem ser motivadas por intenções más.

Tal mulher pode e por vezes fará todas essas coisas citadas, e o sistema a auxiliará nisso. De fato, o sistema (ou aspectos dele) por vezes ativamente encorajará a mulher a tal. Já conversei com mulheres que, quando divorciadas, descreveram ter um advogado de um lado e uma assistente social do outro, estimulando-as a solicitar uma ordem de restrição temporária.

"Você nem precisa dizer que ele te bateu, apenas que tem medo de que ele possa vir a fazer algo de mal com você ou as crianças. O juiz vai mandar que ele fique longe de você e das crianças, e até o dia em que tudo estiver acertado, o que será daqui a meses, você terá a custódia factual das crianças e da casa. Neste ponto é só questão de protocolar."

Uma das coisas mais terríveis acerca dessa situação é que não se dá aos homens nenhum tipo de educação, formal ou o que seja, sobre como identificar mulheres que possam ser inclinadas a fazer essas coisas. Uma enorme proporção de mulheres que fazem isso têm traços de distúrbio limítrofe (borderline), isso quando não têm uma completa desordem de personalidade borderline.

O problema com isso é que estes tipos de mulheres inicialmente exibem comportamentos que comumente são extremamente atrativos para os homens - paixão, intensidade, hiper-sexualidade. Elas cultivam ligações emocionais extremamente intensas com homens … num nível de desespero quase igual ao de Romeu e Julieta. Homens acabam tragados, e ou estão cegados demais pelas suas emoções a fim de notar os sinais de alerta, ou sequer teve alguém que lhes explicou tais sinais. E só piora com o fato de que tais mulheres, a exemplo de homens abusadores, estarem sempre em seu melhor humor até a hora de te laçarem. É somente quando elas sabem que você não vai ou não pode sair – quando elas detêm alguma ferramenta de poder (emocional, financeira, um filho) que possam utilizar – que elas começam a te torturar.

Nós ensinamos jovens moças a como notar os sinais de alerta em potenciais parceiros – como identificar certos padrões que podem indicar uma personalidade abusiva em um homem. Nós vamos além do necessário para avisar às mulheres que comportamentos por parte dos homens constituem abuso. Nós realmente não fazemos nada disso para homens.

De fato, a ideia de um homem julgando mesmo o caráter de uma mulher em específico, quanto mais uma "natureza feminina" mais generalizada, é realmente uma espécie de tabu. Mulheres devem ser aceitas como são. E mesmo quando somos postos para julgar o comportamento feminino, somos muito menos propensos a ver um comportamento idêntico como abusivo quando trata-se de uma mulher fazendo contra um homem, comparando com a situação reversa. Isto aplica-se até mesmo a psicólogos, quando foram apresentados a uma lista de comportamentos abusivos randomizados por gênero. Eles eram 50% mais propensos a descrever qualquer situação como abusiva se o homem a pratica contra a mulher do que da forma reversa.

Nós não fazemos nada para ajudar os homens a evitar ou a proteger-se de mulheres tóxicas, e nós até mesmo temos um sistema que tem sido instrumentalizado para o benefício de tais mulheres.

Eu sei que coisas como essas podem ocorrer dado que os sistemas judiciais são lenientes para as mulheres, mas sinto que estes tipos de ideias de medo e raiva contra mulheres são prejudiciais para a mensagem dos direitos dos homens.

Vou usar uma analogia.

Estupro de mulheres sempre foi ilegal. Violação sexual de mulheres ("tirar vantagem de mulher") evoca um montante significativo de censura social além de potenciais sanções legais. Nosso sistema não é de forma alguma perfeito, mas estes tipos de violação são punidos criminalmente quando possível e são considerados um mal social.

Você criticaria uma mulher por temer homens se nossa sociedade aceitasse a violação sexual de mulheres pelos homens?

Se, em vez de te punir por, digamos, ter feito sexo com uma colega de quarto chumbada e daí postar as fotos na internet, o sistema judicial te desse acesso a oficiais uniformizados que a segurariam de forma que você pudesse estuprá-la mais facilmente? Que defenderia então seu direito absoluto de distribuir as fotos? Que daí então prenderia sua vítima por expressar raiva pelo que você fez, porque ah meu rapaz, ela ficou irritada e portanto poderia te machucar, quando você não fez nada de errado? Onde não há nenhum recurso legal que seja para ela porque o que você fez sequer é considerado moralmente errado ou civilmente acionável, quanto mais criminalmente punível? Onde, de fato, o sistema judicial foi montado para punir a ela e te recompensar?

E se, nesta hipotética sociedade, somente 25% dos homens fizessem esse tipo de coisa? E se fossem apenas 10% que fizessem esse tipo de coisa? E se apenas 5% dos homens tomassem vantagem do sistema e estuprassem mulheres impunemente?

Se vivêssemos numa sociedade dessa, mesmo se soubéssemos que apenas 5% dos homens tomassem vantagem disso, você criticaria pessoas por alertar mulheres a não ficarem sozinhas onde há homens? A não se colocarem em situações onde elas estariam vulneráveis a homens? A evitar ficar sozinha entre homens custe o que custar?

A realidade é que não vivemos numa sociedade dessas. Nós vivemos numa sociedade que condena a violação sexual de mulheres, tanto social quanto legalmente. E mesmo assim ainda vemos pessoas dando esse tipo de alerta às mulheres. Ainda vemos pessoas postando memes sobre homens e estupro, do tipo "aqui tem um pote cheio de M&Ms. Apenas 10% estão envenenados. Vá em frente, pegue um bocado".

A sociedade em que realmente vivemos é uma na qual o sistema legal irá imobilizar um homem e permitir que uma mulher abusiva faça o que quiser com ele, a recompensará por seu comportamento e até mesmo o punirá por expressar qualquer descontentamento com esta situação porque ele está irritado e portanto é perigoso. E mesmo quando este incrivelmente distorcido sistema pode ser realmente forçado a admitir que facilitou a injustiça de uma mulher contra um homem o sistema ainda recusar-se-á a parar de premiá-la, quanto mais passar a puni-la pelo que ela fez.

Até que este sistema venha a ter alguma forma de balanço, sim, eu vou alertar meus filhos a serem bastante cuidadosos acerca das mulheres com quem eles se relacionam, e das formas como eles se relacionam com elas. Não é que todas as mulheres sejam malignas. É que nosso sistema não faz nada para proteger homens de mulheres más, ele na realidade recompensa tais mulheres.


1 META

Table 1: META
Autor Karen Straughan
Link Original https://old.reddit.com/r/MensRights/comments/7uqm10/_/dtmwn6t/
Link Arquivado http://archive.is/Sv9Ny

Created: 2018-06-07 qui 23:24

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sábado, 26 de maio de 2018

"Pós-Estruturalismo e Direitos e Liberação dos Homens" [Eva Barb]

Pós-Estruturalismo e Direitos e Liberação dos Homens

Pós-Estruturalismo e Direitos e Liberação dos Homens

Pós-estruturalismo é uma teoria interessante a se cogitar enquanto o campo acadêmico de estudos dos homens lentamente emerge lentamente para a coerência porque é a própria teoria que forneceu premissas para o feminismo deslindar na segunda e terceira ondas. Só agora – após o feminismo, a teoria queer, e estudos transgêneros – estudos sobre homens e masculinidade são uma disciplina acadêmica factível (ainda que escassamente). Possivelmente esta progressão de discursos de gênero diz o bastante acerca do apagamento da privação de direitos dos homens na sociedade contemporâneas. Afinal, podemos ser realmente tão fúteis a ponto de pensar que homens são criaturas banais indignas de dissertação?

Apenas começando a escassamente descascar uma das muitas espessas camadas que sufocam esta questão, eu identifico a formação básica do pós-estruturalismo bem como ele tem sido mal apropriado na sociopolítica. Eu uso a análise de Michael Messner sobre a formação do movimento de liberação dos homens ("The Limits of the 'Male Sex Role'") porque seu ensaio fornece uma compreensão sobre como esse movimento foi ofuscado, particionado, e confundido pelo feminismo.

O dogma estruturalista da significação saussureana propõe que um signo consiste de duas partes psicológicas: um padrão sonoro (sinal) e um conceito (significação). Portanto, a palavra homem pode ser linguisticamente dissecada no som em português 'homem' e a significação do homem é definida pelas associações culturais com o que o homem é ou representa.

Dois detalhes significativos do modelo de significação de Saussure são que a linguagem é inerentemente arbitrária e é uma instituição social única na qual a "inércia natural [da sociedade] exerce uma influência conservadora sobre ela"1. Portanto, a principal inquirição estruturalista é: Como a linguagem define e daí monitora nossos paradigmas e maneiras nas quais experimentamos o mundo à nossa volta?

Tome, por exemplo, o fenômeno moderno do vocabulário queer: agênero, não-binário, trans, intersexo, andrógino, pangênero, fluidogênero, &c. Linguagem é o próprio escopo que traz esses gêneros não-tradicionais à visibilidade. A "inércia natural" da sociedade no século passado bem como a aguda onda de ativismo (trans)gênero nos anos 1990 influenciou ultimamente a criação de um verbete na Wikipedia intitulado "Linguagem neutra de gênero" 2, que contabiliza algumas dessas palavras mencionadas anteriormente.

O desvanecimento do espectro de gênero visível na sociedade mediante uma evolução gradual da linguagem de sexo para gênero, de hermafrodita para intersexo, de andrógino para bigênero (e assim por diante), corresponde com a mudança de noções na significação destas palavras; portanto, reconfigurando paradigmas linguísticos a fim de encaixar a normativa das maiorias sociais. Ironicamente, esta progressão de comunidades marginalizadas e minoritárias para a esfera principal inatamente "Aliena" o que a sociedade considera ser os opressores privilegiados de tais grupos. A saber, homens brancos héteros.

A desconstrução derrideana (geralmente referida como pós-estruturalismo - traçando a partir de, e desafiando - a teoria da linguagem de Saussure - afirma que um signo é mais que seu sinal e significação; um signo também pode ser desmembrado por dualidades, ou pares binários, que sustêm seu significado. Linguagem nada mais é que uma bagunça de dicotomias; estas dicotomias são os próprios mecanismos que dão significado á palavra, portanto aquele verdadeiro significado é ilusório e em constante estado de deferimento. Semelhante à noção de "antítese abstrata refletida" de Karl Marx 3, cada lado de um par binário reflete e dá significado ao outro - transgênero/cisgênero, preto/branco, hétero/gay, queer/normativo, proletário/burguês, liberal/conservador etc. Apesar de todos esses pares binários que nossa sociedade, dirigida pela linguagem, pode ser dividida, um ressoa sobre todos, para o que provavelmente tem sido o nascimento do moderno "zeitgeist de gênero": homem/mulher, que o feminismo subverteu para: mulher/homem.

Uma das principais questões com o feminismo - e a política de identidade que ele ajudou a alimentar - é a falha apropriação do pós-estruturalismo sobre as questões de direitos civis. Ao estabelecer posições de 'nós VS eles', estes movimentos abstraíram os seres humanos usando a linguagem para vitimizar/culpar, resultando na redução da complexidade intrínseca tanto da linguagem quanto das pessoas. Movimentos civis modernos consequentemente alienam e demonizam a masculinidade e homenidade porque homens culturalmente evoluíram para a significação do inverso de qualquer forma de privação de direitos. Só precisamos considerar (como faz Messner)4 o homem branco pobre para desmistificar a danação de um homem universalizado e privilegiado.

Rastreando o movimento de liberação dos homens nos anos 1970 (e daí por diante), Messner examina os variáveis discursos da liberação/direitos dos homens e seu uso de ideologias dos papéis homem/mulher para o antifeminismo e pró-feminismo pioneiros e o caminho do meio, o warren-farrelismo. Messner fornece uma linha do tempo bastante completa destas três facções justapostas - e ainda assim divergentes - do movimento de liberação dos homens.

Os antigos ativistas da liberação dos homens forneceram peso equilátero às opressões de homens e mulheres, enquanto mediavam as tensões entre vitimização e privilégio masculinos. Como resultado da crítica feminista, em meados de 1970 os ALH começaram a focar em como homens são inerentemente opressores. Assim nasceu o homem feminista. 5

Messner também discute o lado oposto do fenômeno supra mencionado (a saber, o anti-feminismo):

É instrutivo examinar o declive no discurso da linguagem simétrica de 'iguais opressões' enfrentadas por mulheres e homens do movimento de liberação dos homens de meados dos anos 1970 para a linguagem furiosa de vitimização masculina do movimento anti-feminista do final dos anos 1970 e 1980. 6

Messner implica que este "declive" dos exames simétricos dos papéis de gênero social para a "furiosa" crítica do matriarcado é um resultado do paradoxo que institucionalizou o patriarcado mostrado pelos liberacionistas dos homens. Ele sugere que o catalisador para o anti-feminismo foi quando alguns ALH notaram que o feminismo não era o sundae de creme com cerejinha em cima que eles pensavam ser; de fato, foi explicitamente anti-homem e crítico de qualquer sugestão de que homens pudessem sequer ser vítimas.

Ainda que o ensaio de Messner seja bastante antigo, ele conduz a uma abordagem de como o movimento de liberação dos homens cindiu-se no binário pró-feminismo/anti-feminismo, e como isto incitou o movimento contemporâneo de ativismo pelos direitos dos homens.

Os direitos dos homens, tanto como causa civil como disciplina acadêmica, provavelmente sofreu tal atraso por causa da inconsciente insistência da validade dos modelos binários. Ao subverter um presunçoso gênero binário patriarcal, o feminismo forçou (e está forçando) a homenidade e masculinidade em posições subalternas de emudecimento, o que é reforçado por discursos como o pós-colonialismo e a teoria queer que considera a homenidade branca hétero como seus antitéticos. A todo momento, estes discursos acadêmicos são referidos pela arbitrariedade dos sistemas de gênero. Deixando a desejar em autoconsciência, ao que parece, a academia é uma praça de exclusão ativa do homem. Como, se possível, devemos começar a desenterrar a homenidade do buraco anacronístico em que foi colocada?


Footnotes:

1

Saussure, Ferdinand de. "General Principles: Nature of the Linguistic Sign." Course in General Linguistics. Translated by Roy Harris. Open Court, 1986. 108.

2

"Gender-neutral language." Wikipedia. https://en.wikipedia.org/wiki/Gender-neutral_language. Accessed 26 Apr. 2018.

3

Lefebvre, Henri. "What Is Modernity?" Introduction to Modernity: Twelve Preludes, September 1959-May 1961. Translated by John Moore. Verso, 1995. 178.

4

Messner, Michael A. "The Limits of the 'Male Sex Role': An Analysis of the Men's Liberation and Men's Rights Movements' Discourse." Gender & Society, 12.3 (1998): 265. Accessed 26 Apr. 2018.

5

Ibid. 270-1.

6

Ibid. 268.


Table 1: META
Título Original Post-structuralism and men’s liberation/rights
Autor Eva Barb
Link Original https://www.avoiceformen.com/featured/post-structuralism-and-mens-liberation-rights/
Link Arquivado http://archive.is/onOVM

Created: 2018-05-26 sáb 16:05

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sábado, 24 de março de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 21

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Como eles sabem que um em três homens fariam isso se não houvesse consequências? Eles acham que eles são psicóticos? Ah, certo, entendi, deixa pra lá, erro meu…

  1. O estudo usava uma escala Malamuth (geralmente uma escala de 1 a 5 em que 1 significa "nem um pouco provável" e 5 é "bastante provável"). O próprio Malamuth acautela os pesquisadores a não tomar as respostas como predições de comportamento futuro, dado que os respondentes estão respondendo a hipóteses.
  2. O estudo perguntava uma série de questões, prefaciadas com "se você soubesse que não haveria consequências e ninguém descobrisse, quão propenso você estaria a …". Então há uma lista de atividades sexuais normais (sexo hétero, sexo oral etc.), não convencionais (grupal, bondage) e ilegais (estupro, forçar uma mulher a fazer algo que ela não queira).
  3. "Estupro" aparece antes de "forçar uma mulher a fazer algo que ela não queira" na lista. Na minha cabeça, isto pode levar alguns respondentes a imaginar algo sexual que não seja intercurso sexual forçado. Digo, eles já responderam sobre estupro, correto? Eles devem estar perguntando sobre outra coisa agora. Certamente podemos todos concordar que existem coisas sexuais que você pode forçar alguém a fazer que não se encaixam na definição de estupro. "Obrigá-la a enviar fotos dos peitos", por exemplo. "Forçá-la a assistir a um pornô comigo". "Forçá-la a falar/ouvir no telefone enquanto soco uma bronha". Estas são formas de coerção/violência sexual não obstante, porém elas não se encaixam na definição de estupro. A ordenação destas questões me parece como se fosse capturar qualquer homem que acredite que não forçariam intercurso sexual, mas talvez forçasse outras atividades sexuais, e então os categoriza como estupradores em potencial.
  4. A escala que eles usaram era de 0 a 100, com 0 representando "nem um pouco" e 100 representando "bem provável". Os pesquisadores então apresentaram todas as respostas maiores que 10 como "estupro" e "forçar uma mulher a fazer algo que ela não quer" como "ter intenção de estuprar". Então, basicamente, qualquer um que respondesse algo diferente de "nem um pouco" ou tão próximo disso a fim de ainda representar um "1" na contagem original de 1 a 5 a qualquer das duas perguntas foi descrito na pesquisa como um "definitivamente estupraria". Isto é basicamente tomar a precaução original de Malamuth, limpar o rabo com ela e jogá-la privada abaixo.

1 META

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Autor Karen Straughan
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/77tgxm/_/doq2uq5/
Link Arquivado http://archive.is/nWXO0

Created: 2018-03-24 sáb 13:28

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segunda-feira, 5 de março de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 20

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Sim, claro. E se você perguntar a um cristão 'o que é o diabo?" ele dirá "Lucifer, dantes o mais belo e favorito dos anjos de Deus, que rebelou-se contra Deus, caiu da graça e foi mandado ao fundo do Inferno".

Na prática, você pode olhar para qualquer coisa negativa no mundo e dizer "é obra do diabo".

"O diabo" tornou-se um substituto, ou um receptáculo de culpa, de "qualquer coisa ruim que aconteça em qualquer lugar a qualquer um".

Durante a segunda onda, existia uma teoria no feminismo conhecida como "a mulher maligna". Ela professava ser uma ramificação da dicotomia virgem/meretriz, e era usada para explicar por que mulheres recebiam sentenças mais pesadas que os homens por seus crimes. A dicotomia virgem/meretriz era considerada "parte do patriarcado", portanto "a mulher maligna" também era parte do patriarcado. Isto acontecia porque homens detinham o poder dentro do sistema.

O único problema era que mulheres na realidade recebem sentenças mais lenientes para basicamente cada categoria de crime, mesmo controlando as relevantes circunstâncias subjacentes.

Bem, aparentemente isto é "parte do patriarcado" também. Isto ocorre porque homens detêm poder no sistema. Nós feministas precisamos nos livrar de toda essa coisa do patriarcado, porque é o que está causando tudo isso.

Exceto que são primariamente as feministas, incluindo estudiosas e aquelas com poder político (como Madame Magistrada Hale no Reino Unido) que estão argumentando que mulheres deveriam ser tratadas ainda mais lenientemente no sistema criminal que elas estão agora – convocando o fechamento completo das prisões femininas, e afirmando que jamais deveríamos trancafiar mulheres por qualquer crime que seja. Eu tenho o sentimento de que se elas conseguirem o que desejam, e as pessoas começarem a reclamar, nós voltaremos à boa, velha e fiel desculpa "é culpa do patriarcado".


1 META

Table 1: META
Autor Karen Straughan
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/804vg6/_/duunqw3/
Link Arquivado http://archive.today/JdzSo

Created: 2018-03-06 ter 00:17

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 19

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\#MeToo, em minha opinião, teve origens nobres.

Quando o caso Weinstein veio à tona, não foi uma questão de um par de mulheres vindo a público, vomitando suas histórias em um jornalista, e com o jornalista apenas regurgitando-as para o público. A peça da Times que lançou a história foi o resultado final de uma longa investigação, onde os jornalistas seguiram uma trilha de disputas estabelecidas e acordos de não-divulgação excessivamente abertos (em alguns casos, o demandante estava legalmente impedido de discutir o incidente com o esposo ou o terapeuta). A rede de fofocas de Hollywood estava murmurando sobre Weinstein por anos. Ele tinha uma reputação de não apenas explorar jovens atrizes aspirantes, mas de atacar homens que o irritavam, e de boicotar e banir pessoas de ambos os sexos que cruzavam seu caminho.

Eu tinho meus próprios sentimentos acerca das mulheres envolvidas – você sabe, aquelas que assinaram estes acordos e ultimamente permitiram que ele continuasse a explorar outras mulheres. É um pouco chocante, quando você está lidando com alguém tão poderoso quanto ele, dizer que ele deveria abrir o bico em vez de pegar o pagamento e calar a boca, mas ao mesmo tempo, eu certamente desejaria que um ou dois o fizessem.

Não sei se você sabe, mas o #MeToo espalhou-se pelo mundo anglófono, e a reação automática e linchamento das mídias sociais (Twitter em especial) tornou isto em uma coisa horrenda.

Ansari nem é o pior disso.

Uma mulher jornalista do UK, ponderando sobre o #MeToo, publicamente disse algo mais ou menos como "ok, anos atrás estava entrevistando este deputado 1, e ele tocou meu joelho algumas vezes. Eu disse a ele que da próxima vez que ele fizesse aquilo eu o socaria no nariz. Ele parou e desculpou-se e temos sido bons amigos desde então. Como nesse mundo há mulheres por aí que ficam traumatizadas por anos acerca de coisas ainda mais triviais? Como é que as mulheres são vistas como frágeis demais para dizer a um homem "Não estou interessada"?"

O deputado foi demitido. A turba linchadora tomou a ofensa em nome dessa mulher, decidiu por ela que ela deve ter se sentido violada e desumanizada, e acima de suas objeções ganhou a cabeça do cara numa bandeja. Quero dizer, ela obviamente estava sofrendo de misoginia internalizada, correto?

Temos uma deputada no Canadá que descreveu o extremo trauma que ela sofreu por anos acerca de uma foto que ela fez ombro a ombro com outros deputados. Um deles (homem) fez uma piadinha, "essa não era exatamente a minha ideia de um relacionamento a três", ou algo do tipo. Ela aparentemente ainda está afetada por isso. Ainda sofre os vapores sempre que rememora isso. Eu estou pasmada que qualquer pessoa possa ficar traumatizada pela vida toda por uma piadinha grosseira. Estou chocada que esta pessoa ocupe uma posição de poder. Puta que pariu, faz alguns anos tivemos um terrorista armado com automáticas invadindo o Parlamento. Ele seguiu até as portas das Câmaras onde estava presente a maioria dos nossos parlamentares antes de ser atingido. E ainda assim esta mulher ainda tem tremores de suas rememorações de um cara que fez uma piadinha de mau gosto? Uma piada que meu filho de 15 pensaria ser o oposto de "irada"?

Esta caça às bruxas estava sendo montada já tem um tempo. Há alguns anos um estudo de um punhado de campi foiliberado e a mídia imediatamente anunciou que uma em cada quatro mulheres na América foi vítima de abuso sexual. O problema é que a pesquisa usada no estudo tinha uma taxa de resposta de menos de 19%. Mais que isso, havia uma cifra na pesquisa que podia ser comparada a um número conhecido.

O Clery Act exige que escolas revelem todos os seus reportes de incidentes criminais para o governo federal. Este é nosso número conhecido.

O estudo perguntava às mulheres que afirmaram foram atacadas se reportaramk ou não o ataque às suas escolas. Se você extrapolar a porcentagem de respondentes que disseram que foram atacadas e reportaram isso para suas escolas, aplicar isso à população geral de mulheres estudantes nos EUAe multiplicar quatro anos de curso, você obtém uma cifra que é nove vezes o número real. Mesmo que assuma que todo reporte feito para uma escola e revelado sob o Clery envolve uma vítima feminina, e que cada pessoa que não preencheu a pesquisa não foi atacada, estes números ainda estão bem exagerados. O estudo ainda extrapola por volta de duas vezes o tanto de reportes realmente ocorridos anualmente.

Nós estamos nos espasmos de um potencial pânico moral, e o problema com pânicos morais é que pessoas inocentes estão propensas a se encontrarem no lado errado deles. Mais de uma centena de pessoas foi processada durante o "Pânico Satânico" dos anos 1980, quando péssimos métodos de terapia e investigação fomentaram uma crença pública de que trabalhadores de creche estavam vestindo-se em roupões pretos, estuprando analmente crianças com facas de trincha em plena luz do dia enquanto transeuntes nada faziam, e sacrificando bebês para usar sua gordura derretida na feitura de velas. Sem brincadeira. Pessoas acreditavam nessas coisas, e o mantra na mídia era que "crianças não vão mentir sobre essas coisas".

Qualquer um que sequer levantasse questões ou dissesse "talvez devêssemos ir mais devagar e olhar de verdade para alguma evidência além deste depoimento prefabricado de criancinhas …" era exposto como pedófilo ou apoiador de pedófilo. Digo, certamente, algumas dessas crianças descreviam seus "estupradores" como se eles estivessem voando em vassouras, e descreviam túneis e câmaras subterrâneos elaborados que nunca foram encontrados mesmo após intensas escavações … se você duvidasses dessas crianças, você era uma pessoa ruim e merecia ser boicotada.

Se eu me lembro, há poucos anos, ainda existia pelo menos uma pessoa na prisão, esperando exoneração por causa desse travestismo. Acerca de um abuso sexual que nunca aconteceu.

Se tivermos sorte, Aziz Ansari irá quebrar o #MeToo. Especialistas da direita (que têm razão para enquadrar o #MeToo) e da esquerda (que têm razão para odiá-lo) têm dito "mas isso é ridículo. Isso não foi abuso. Foi um encontro ruim, nada mais, e francamente, a melhor pista não-corporal que você pode dar a alguém se não quer trepar é não tirar as roupas, ou vesti-las. Ah, e também não chupar o pau dele duas vezes".

Estas coisas têm um jeito de sair do controle. Geralmente, pessoas não se acalmam até que elas parem para respirar e notem todos os corpos de inocentes se empilhando.

Enquanto isso, no Canadá, em resposta a uma absolvição perfeitamemte justificável em um caso de abuso sexual de alto perfil, foi introduzida nova legislação que tornará virtualmente impossível mesmo para um homem inocente montar uma defesa afirmativa contra a acusação de abuso sexual. Um juiz foi forçado da própria mesa e está lutando para reter seus direitos de praticar lei em razão de uma simples sentença que ele pronunciou durante um julgamento de abuso sexual – um caso que foi rejulgado (a coroa apelou e logrou êxito) e isto resultou em uma segunda absolvição por um juiz diferente pelas mesmas razões. O réu passou dois anos na prisão esperando seus dois julgamentos, e esteve incapacitado de segurar a mão da própria mão quando ela morreu algumas semanas antes de sua segunda absolvição.

Isto está ficando insano, TsaiAna.


Table 1: META
Autor Karen Straughan AKA GirlWritesWhat
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/7r7hvz/_/dsuwfbi/
Link Arquivado http://archive.today/g5DHZ

Footnotes:

1

No original, MP, Member of Parliament

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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

GirlWritesWhatSelecta - 18

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Eis um caso interessante que as pessoas sempre citam quando discutem a Arábia Saudita, geralmente no contexto da alegação "mulheres na Arábia Saudita são punidas por terem sido estupradas!". E sim, é um caso real, obteve atenção internacional, e é um dos casos mais frequentemente citados como "opressão de gênero contra mulheres na Arábia Saudita".

Um homem e uma mulher estavam tendo um caso. (Não lembro se era adultério ou mera fornicação, mas era algo ilegal de qualquer maneira.) No decurso deste romance ilícito, eles encontravam-se para alguns momentos de amasso num carro estacionado num ponto afastado. Um bando de homens passava pelo local e decidiu estuprá-los, ambos, coletivamente.

As vítimas reportaram o crime à polícia. Durante o curso da investigação, foi descoberto que eles estavam tendo um relacionamento ilícito. Os estupradores foram processados por estupro (e receberam penas mais lenientes do que muitos achariam justo, admito), e os amantes azarados [NT01] foram processados pelo seu caso ilegal. Ambos receberam a mesma punição (prisão e chicotadas).

A vítima masculina aceitou sua punição sem reclamar. Tomou suas chicotadas e serviu seu tempo na prisão. A vítima fêmea, com a assistência de organizações e advogados de direitos humanos, apelou de sua condenação, levantando um enorme banzé na mídia. Eles alegaram que estupradores deveriam ser sentenciados a penas maiores, e que ela nem sequer deveria ser punida. A corte revisou a sentença dos estupradores e lhes deu mais tempo de prisão.

Porém, a corte, em vez de absolver esta mulher de sua punição, efetivamente duplicou sua sentença. A justificativa foi essencialmente que ela estava contradizendo a corte e usando as circunstâncias do caso a fim de ficar livre de ser punida por um delito que ela cometeu.

É claro, a mídia ficou absolutamente maluca. Seu time de advogados disparou outra apelação. E eventualmente, um bom tempo depois de seu amante ter cumprido sua sentença, o próprio rei a perdoou.

Então basicamente o caso exibido como "uma prova clara de misoginia" envolvia um homem sendo punido com chicotadas e prisão (não "por ser estuprado" mas por um romance ilegal que foi descoberto enquanto investigavam esse estupro) e uma mulher escapando não apenas de receber igual punição por idêntico crime, mas de qualquer punição que seja, quando o rei entrou em cena e anulou as cortes. Por causa da misoginia, aparentemente.

Você ouvirá contumélia semelhante acerca de certas práticas na província de Aceh na Indonésia. Eles chicoteiam mulheres por ficarem próximos demais dos seus namorados em público, oh pela deusa quanta misoginia.

O problema é que os namorados também acabam chicoteados por ficarem próximos demais das mulheres. Ninguém enquadra isso como misandria. De fato, ninguém faz muita nota disso afinal, porque se fizessem, teriam um problemão argumentando que esta horrível situação é evidência de opressão misógina de gênero contra as mulheres.

Um vídeo promocional de Stephen Colbert solicitava doações, faz uns dois anos, a fim de "colocar as meninas de volta à sala de aula". Na seção de informações, alegavam que globalmente 58 milhões de meninas não estavam na escola, citando um reporte da Unesco. Este reporte na realidade mostrava que 37 milhões de meninas e 27 milhões de meninos não estavam na escola. Eles fizeram uma mudança de sexo nos meninos em seus materiais promocionais, apenas para tornar esta uma questão de gênero. Sacumé, opressão contra as meninas.

O que eu descrevi aqui são três situações onde homens e mulheres (ou meninos e meninas) são tratados igualmente mal (pelo menos até a mídia e os advogados e os grupos de direitos humanos ventilarem essas coisas) mas são usadas como evidência de opressão específica a mulheres.

E é claro, há exemplos piores - aqueles onde coisas muito piores acontecem com meninos ou com homens, mas mulheres e meninas dominam a efusão de compaixão, e tudo isso é enquadrado como misoginia e opressão contra as mulheres e meninas. Mais ou menos duzentas garotas sequestradas pelo Boko Haram obtiveram atenção internacional. Nada dos mais ou menos dez mil garotos sequestrados por eles, ou os milhares de meninos por eles assassinados, antes do advento do #BringBackOurGirls [NT02]. Poucas pessoas sequer estão cientes dos meninos, e o governo nigeriano veio a público dizer que eles poderiam simplesmente ter que "obliterar" os meninos enquanto eram recuperados (quer dizer, executá-los oficialmente) porque seria difícil demais reabilitá-los.


Notas e Links

[NT01]Star-crossed lovers, literalmente "amados cruzados pela estrela", num sentido de "estrela da má sorte".
[NT02]"Devolvam Nossas Meninas"

META
Autor Karen Straughan
Link Original https://www.reddit.com/r/MensRights/comments/7pjasp/_/dshyis4/
Link Arquivado http://archive.is/

Masculinidade Tóxica e Feminilidade Tóxica [Karen Straughan]

Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Transcrição do Meu Discurso na Simon Fraser University Masculinidade Tó...