sábado, 13 de julho de 2019

Recado Rápido!

É apenas um recado rápido, sem nada de especial (sem formatação, até!).

Por diversas razões que nem eu mesmo consigo mais elencar, eu negligenciei este blog. Ele, para todos os efeitos, está no limbo pré-morte - quando muitos autores simplesmente abandonam, ou fazem um post solto para "marcar território", ou fazem um post de despedida depois de meses ou anos sem atualização.

Mas tem alguns textos que não posso simplesmente manter em meu disco rígido local, "mofando" como fitas velhas. Por isso mesmo, e como forma de auto-incentivo, eu pretendo postar traduções parciais!

Por ora, será algo bem simples: ao final da tradução parcial, estará uma porcentagem do quanto já foi feito até aquele ponto. Em cada retomada, o artigo será atualizado (bem como a data da postagem, para refletir essa atualização). Ao final, restará o arquivo completo.

Além disso, ainda como experimento, pretendo fazer um espelho deste blog no serviço Geocities. Vamos ver como estes textos comportam-se numa plataforma um pouco mais baixo-nível, afinal! O blog é um tanto limitante no que se trata de automação.

Eis o link, ainda sem nada (vamos ver o que posto lá primeiro!):

http://www.geocities.ws/tradutorbastardo/

Apocalipse, Purgatório, Pária! [Scott Cederlund]

Apocalipse, Purgatório, Pária! Uma Leitura Visual de "Demolidor: A Queda de Murdock" de Frank Miller

Apocalipse, Purgatório, Pária! Uma Leitura Visual de "Demolidor: A Queda de Murdock" de Frank Miller

Table of Contents

Depois do recente lançamento da IDW's Artist Edition de Daredevil: Born Again (no Brasil, Demolidor: A Queda de Murdock), eu decidi desenterrar minha velha cópia (uma edição de cerca de 1987), e reler o livro. É um livro que sempre apreciei mas não pensei que retornaria a ele após tanto tempo quanto a Batman: Year One de Miller e Mazzucchelli, uma história que eu anteriormente pensava ser superior entre as duas. Ouvindo pessoas comentando avidamente a Artist Edition, eu quis prestar atenção a como Miller, Mazzucchelli e os coloristas Christie Scheele e Mazzuchelli (apesar dos créditos registrados como Richmond Lewis e não Mazzuchelli como contribuinte em algumas cores) contam a história da queda e renascimento de Matt Murdock, o aventureiro cego conhecido por Demolidor.

Com a recente Artist Edition, o holofote foi posto sobre David Mazzucchelli, o que está tudo bem. Ele merece os elogios porque Born Again é visualmente bem deslumbrante. É provavelmente um em um punhado de livros de artistas verdadeiramente excepcionais lançados pela Marvel durante os anos 1980 e ainda permanecem notoriamente fortes hoje em dia. Você pode até ver as raízes desta maneira que Mazzucchelli contou Asterios Polyp em algumas das páginas de Born Again. Mas isto é apenas parte da história.

Born Again pode realmente ser a melhor escrita de Frank Miller porque é uma das suas únicas histórias onde ele não vai pela via sensacional. Tudo mais que se segue nesta época, de The Dark Knight Returns e Elektra Assassin a Sin City e The Dark Knight Strikes Again vai pela via de uma narrativa grande, ruidosa e bombástica. Esta é a maneira que Miller tem feito por mais de vinte anos. Com Mazzucchelli aqui e em Batman Year One, Miller está construindo uma história em volta de seu personagem que só é tão grande quanto o mundo de tal personagem. Seja a Nova Iorque do Demolidor ou a Gotham City, Miller constrói estas histórias em volta dos personagens e não das lendas ou mitos que ele percebe estar em seus personagens.

Figure 1: Apocalypse, Purgatory, Pariah!

No ínterim das primeiras três publicações, nós vemos justamente o quão longe Matt cai enquanto o Rei-do-Crime sistematicamente destrói a vida do proeminente advogado. De uma grande e luxuriosa cama para um quarto barato de hotel para ficar enroscado num beco, Miller e Mazzucchelli tiraram tudo de Matt Murdock no espaço de três páginas. Ao receber estes números em uma frequência mensal, leva um tempo para notar o que Miller e Mazzucchelli estavam fazendo aqui. E apesar de não ser tão temático como aqui, a imagem de Matt Murdock dormindo é repetida várias vezes no livro, incluindo uma sequência onde Karen Page dorme calmamente enquanto agarra a fantasia do Demolidor, como se o mero tecido fosse suficiente para lhe dar a paz e proteção que ela precisa. É como se mesmo em meados dos anos oitenta Miller notasse quão longe o personagem de Matt Murdock foi levado após seu motor inicial e quisesse acordar o personagem para um dia novinho em folha.

Figure 2: Neve

Quando os primeiros números de A Queda saíram na Demolidor mensal regular, meus amigos e eu juravam que Miller estava fazendo muitos dos layouts, se é que não estava desenhando o livro todo sozinho. Não estou tão certo se ainda vejo tanta coisa de Miller e Mazzucchelli na obra de Mazzucchelli, mas Mazzucchelli estava desenhando os primeiros números de uma maneira bem padronizada de estilo de super-herói que era reminiscente do trabalho que Miller fez no primeiro Demolidor.

Eu amo nesta cena anterior que você pega uma ideia do uso criativo das cores (mais sobre isso mais tarde também). Olhe como Christie Scheele usa o branco da página como neve empilhando enquanto o Demolidor anda por Nova Iorque sem rumo. O primeiro painel, com as linhas cruzadas que o Demolidor atravessa, cria realmente o ambiente e elementos em que a história está acontecendo. E o vívido fundo azul não parece nada que acontece na natureza mas faz o vermelho da roupa do Demolidor saltar a página.

Figure 3: Cor

E no segundo número desta série (cores creditadas a Mazzucchelli), você vê cores usadas dessa forma de maneiras que dificilmente veria em qualquer lugar. As cores brilhantes e chapadas ainda funcionam nesta era de coloração "realista" por computador que tira demais a personalidade da forma que é usada tantas vezes, Não existe tentativa de ser realista aqui; em vez disso Mazzucchelli (e Scheele no restante do livro) usam as cores para realçar a história. Isto se torna uma peça tão chave de como a história é contada que eu me pergunto quanto do impacto da própria história é perdido na Artist Edition. O brilho rosa-púrpura do segundo painel e na sequência o uso de pontos Ben-Day no terceiro painel recria o brilho neon da Nova Iorque dos anos 1970 e 1980, dando à cena uma sensação levemente lúgubre sem mostrar nada dos bares de nudez ou becos de drogas que eu gosto de imaginar cheios de lixo na Cozinha do Inferno de Miller.

E então em uma página, você vai das cores frias de Nova Iorque para as cores quentes de uma viciada no México. Olhe para o inexplicável muro vermelho detrás de Karen Page. Ele banha toda a sala num calor que quadrinhos são comumente incapazes de expressar. As cores não estão tentando ser realistas ou apropriadas para pintura, mas estão influenciando muito dos sentimentos que o leitor tem enquanto lê o livro. Eu quero essas cores de volta nos meus livros de super-heróis.

Figure 4: Triângulo 1- Pietà

Um tanto de coisas é bastante marcante aqui:

  1. A óbvia referência à Pietà de Michelangelo. É uma imagem usada várias vezes mas porque é uma bem poderosa. Não há dúvida, baseado na iconografia da imagem, que a freira Maggie é mãe de Matt.
  2. Maggie encontra Matt na velha academia abandonada que seu pai usava para praticar boxe. Estas maravilhosas riscas rosadas (novamente com o uso eficaz das cores) mostra de fato a luz passando pelas janelas embutidas.
  3. Esta é uma figura bruta. O sobreamento nas calças de Matt parece algo que Bill Sienkeiwicz faria, e não Mazzucchelli.

Este também representa o ponto mais baixo para Matt no livro (e em todas as histórias de Miller em Demolidor). Eis Matt, quebrado e desgastado, um homem despedaçado. Seu único refúgio é a igreja/a mãe/o anjo para seu demônio. Este é também a primeira das composições triangulares recorrentes no livro. Estas são imagens com bases fortes (pernas do Matt) que direcionam o olho para uma imagem ou conceito simples. A imagem aqui é dupla. A primeira é a face de Maggie, a mãe que nunca vimos ou sequer pensamos em ver. É claro, neste ponto, nós realmente não sabemos quem é esta freira. Por ora, ela é apenas alguém que perambulava por velhas academias.

O outro ponto focal é sua cruz, trazendo de volta todo o catolicismo à história de Miller. Eu não creio estar lendo demais ao ver Matt como uma figura semelhante a Cristo em que esta é a versão da descida ao inferno em três dias, apenas para levantar-se novamente após a mesma. Mais tarde, Miller e Mazzucchelli farão da cruz um ponto focal óbvio, algo que não se pode ignorar mas apenas olhar e refletir.

Figure 5: Te agradeço por ouvir, Mr. Urich.

Aqui, eis o que HQs fazem.

No site The Comics Journal, Dan Nadel olha para esta mesma sequência de Ben Urich ouvindo pelo telefone o som de um homem sendo morto. Nadel concentra-se na imagem preto-e-branco da Artist Edition e escreve "este é um afastamento radical do realismo, e um que Mazzucchelli toma por vezes o bastante ao longo do livro para fazer de cada um destes momentos uma pontuação importante ao longo da narrativa". Ele pensa que é mais surpreendente desta forma mas eu penso que é aquele rosto vermelho e aqueles olhos amarelos chocantes que fazem sua sequência funcionar.

Por alguma razão, este terceiro painel me clicou desta vez ao ler o livro porque dificilmente você vê qualquer artista disposto a exagerar seu estilo ou cor o suficiente dessa forma. O mundo em volta de Ben segue mas ele é arrancado disso, ouvindo uma enfermeira matar um dos homens que poderia restaurar o bom nome de Matt neste livro. Mazzucchelli e Scheele realmente empurram Ben na sequência ao passo que a realidade do local de trabalho é pressionada ainda mais no fundo.

A imagem não se tornou uma representação figurativa de Ben, mas uma metáfora. É simbólico como o retrato de Ben, os seus detalhes, estilhaçam-se quanto mais ele ouve. Ele não se torna uma pessoa por um momento, ele torna-se uma viva emoção de medo na página. É um momento realmente expressionista que a maioria dos artistas evita ou teme hoje em dia. Você raramente vê alguém soltar um painel como este, onde a imagem e cores tão fortemente transmitem um estado de mente em vez de uma gravura do momento.

Figure 6: Somos Família

Quando Karen Page não pode encontrar o homem para quem ela vendeu para consertar, ela encontra seu melhor amigo. Aqui é o último painel que mostra duas pessoas se encontrando neste mundo louco e perigoso. Mesmo sem Matt, esta sequência encapsula perfeitamente a história de Miller e Mazzucchelli. Assim como a equipe do Daily Bugle recuou para o segundo plano durante a chamada de telefone de Ben, aqui Mazzucchelli faz o mundo circundar e erguer0-se sobre duas pessoas que têm somente sido feridas por um homem que ambos amam.

Figure 7: Triângulo 2 - Trindade

Outra coisa que eu notei lendo o livro desta vez é como Mazzucchelli continua a usar a composição de triângulo. É claro, aqui ele te bate na cara com uma. Esta imagem de Maggie rezando ao lado da cama do filho, com as linhas de perspectiva ainda traçadas tão claramente sempre me incomodou. O foco na cruz parece tão óbvio e pesado aqui. Mas o triângulo traçado também empurra Maggie e Matt em seu próprio mundo. Existem fronteiras (limites ou talvez conexões) entre eles que não existem entre ninguém mais naquela sala ou naquele livro.

E tem aquela cruz de novo. Bem, é uma cruz diferente mas torna-se o foco das linhas de perspectiva. Não tem como não olhar e hesitar por um momento nela. Um momento de reflexão ou de oração? Cruz, filho, mãe. Ícone, herói, freira. O morto, o moribundo e o vivo.

Figure 8: KBLAM

Eu simplesmente amo este painel do traficante de drogas da Karen atirando. KBLAM! Preciso fazer disso o banner do site.

É uma imagem simples e uma pose bastante padrão mas é feita chocante pela forma que é apresentada. Novamente, simplesmente não se vê mais muito disso.

Figure 9: Triângulo 3 - Salvação

Figure 10: Triângulo 4 - Amor

Olha, mais triângulos. Usando um truque narrativo similar ao abrir os primeiros três números com imagens da condição deteriorante do sono de Matt, eis o fim de um número e o início do próximo, com Matt finalmente resgatando Karen. Ou será que é Karen finalmente resgatando Matt? Enquanto não sendo bem uma Pietà, Matt encontra proteção e esperança nos braços das duas mulheres que fazem falta em sua vida. Estas duas de Karen jogam bem uma com a outra. A primeira está na neve, numa pesada jaqueta azul que Matt pegou em algum lugar na rua. Como em muito do livro, Christie Scheele pinta esta em cores frias.

Contraste com a tonalidade alaranjada/avermelhada que está na segunda imagem. É muito mais quente mas mais carregada emocionalmente. Temos o lançamento da primeira imagem. Esse é o mundo deles naquele momento. A segunda imagem mostra duas pessoas que desesperadamente amam uma à outra mas ainda há tanto que ambos têm pelo que passar. Há lágrimas de alegria na primeira imagem mas a segunda imagem mostra quanta dor ambos os personagens ainda têm que sofrer.

Figure 11: Foggy

De muitas maneiras, Foggy é um personagem de fundo em A Queda mas também é peça chave em como o Rei do Crime destruiu a vida de Matt Murdock. Miller esquematiza tão sutilmente mas claramente ele "empregou" Foggy dando-lhe um emprego e ainda menosprezando-o um pouco com o trabalho ilegal que ele dá a seu novo advogado. Não é difícil imaginar o Frank Miller dos últimos vinte anos surrando esta trama para casa, fazendo de Foggy o advogado sujo que Matt foi alegado ser. Talvez ele acabaria vendo Foggy fazendo cocaína antes de ir à Corte defender Turk ou algo do tipo. Mas o Miller dos anos 80 apenas deixa uma linha aqui ou ali, mostrando-nos que enquanto Foggy pode parecer que apenas está na periferia de sua história, ele na realidade é um jogador chave no xadrez que o Rei do Crime está jogando.

Figure 12: BLAMM klik

Como o KBLAM!, esta cena é feita somente pelos efeitos sonoros, a resposta ruidosa da arma e a repetida e familiar obturadora da câmera de Glori. Esta é também a cena onde Ben consegue ser herói. Ele é o Demolidor que vem para o resgate de Glori. Não é que ela pense precisar de resgate; ela apenas está fazendo aquilo pelo que foi contratada.

A Queda nos mostra tantas convenções dos quadrinhos que eram populares e usadas nos anos 1970 e 1980 que podem ter sido abandonadas, como os efeitos sonoros. Existe um objetivo para a forma que estes sons invadem a imagem, levando a violência para um domínio visceral de uma forma que as imagens de Mazzucchelli simplesmente não podem. Você pode ver e "ler" as imagens acima se os efeitos de som não estivessem ali. mas você não compreenderia o contraste da arma e da câmera. Estes são ambos sons muito comuns e reconhecíveis que você poderia preencher com sua imaginação mas Miller organiza de uma forma que ambos parecem invadir um ao outro.

Figure 13: Bandeira

Voltando aos meados dos anos 1980, Miller amava ter seus vilões envoltos na bandeira e no patriotismo. Ele o faz em The Dark Knight Returns e em Elektra Assassin. Eu quase acreditei que o Rei do Crime era o herói de sua própria história.

Figure 14: Parceiros

Novamente o triângulo, mas desta vez, está invertido e de cima para baixo. O ponto está no inferior, invisivelmente traçada entre as cabeças de Matt e Ben. Ele os conecta neste momento de … não é uma vitória aqui. É mais uma finalização e quase surpreendentemente, ambos estão ainda vivos ao fim. A Queda é uma história primariamente de Ben, a história de um repórter que poderia estar cavando demais para uma nova história, assim como Matt. Ambos têm que ser derrubados antes que possam ver a luz do dia.

Este é um livro sobre a tentativa de assassinato da alma de um homem (hipérbole, eu sei) e Miller dirige tantas cunhas entre Matt e todos que se preocupam com ele, mas ao fim de A Queda, é Matt e Ben que estão juntos, não Ben e Foggy. Foggy é ultimamente um personagem de apoio mas você pode argumentar que esta é a história de Ben tanto quanto é a de Matt. E este fim funciona; ambos os homens conseguem uma certa vitória com Nuke atirado na mesa do repórter.

Figure 15: Freewheeling

Ao passo que as últimas páginas seguem, esta sempre me incomodou um bocado. Os personagens mereceram mesmo este momento juntos? Karen, predominantemente em branco, parece limpa e sóbria mas ela mereceu o direito de segurar o braço de Matt dessa maneira ainda? É claro que encontrá-la é este empurrão final para fora da escuridão que Matt precisava, então este é talvez seu momento de purificação.

Mais que isso, a mera imagem me perturbava. A felicidade que os personagens estão expressando simplesmente vai contra tudo mais nesta história de uma forfma que a alegria simplesmente parece fora de lugar. Mas então nesta última leitura de A Queda, eu notei que esta imagem me lembrava de uma coisa.

Figure 16: Bob Dylan: Freewheeling

E repentinamente, este tornou-se meu momento favorito do livro todo, um momento de paz e felicidade.


1 META

Table 1: META
Título Original Apocalypse, Purgatory, Pariah! A visual reading of Miller and Mazzucchelli’s DAREDEVIL: BORN AGAIN
Autor Scott Cederlund
Link Original http://wednesdayshaul.com/wordpress/2012/08/30/apocalypse-purgatory-pariah-a-visual-reading-of-miller-and-mazzucchellis-daredevil-born-again/
Link Arquivado https://archive.fo/6B81I

Created: 2019-07-13 sáb 14:30

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quarta-feira, 12 de junho de 2019

NaruHina VS SasuSaku - Uma resposta do Quora em pleno Dia dos Namorados!

P.: Por que as pessoas pensam que o amor de Sakura é mau e o de Hinata é bom? Uma é amante apaixonada e a outra é uma amante admirativa.

R.:

Sakura é uma namorada ruim, enquanto Hinata é esposinha.

Eu quero ser honesto, eu tenho torcido por Hinata desde o momento que eu a vi na atração em 2005. Quando o romance deles finalmente tornou-se realizado, eu senti que era a recompensa justa para um herói de verdade – a Hinata.

Para aqueles não familiarizados com a atração (ou desacostumados com o fato que eu a assista), vocês estarão a aprender uma coisa. Como Naruto se encerra é uma lição sobre como mais histórias deveriam ser escritas, especificamente em se tratando de escrever histórias destinadas ao público jovem masculino. O arco do amor, na escolha que Naruto tinha entre Hinata e Sakura, ensina características que homens devem procurar em mulheres mais tarde na vida. Na mesma intensidade, prediz o perigo para jovens mulheres que procuram por amor nos lugares errados e pelas razões erradas. A narrativa romântica também contém metáforas surpreendentemente profundas que refletem como as pessoas agem e com o que uma boa vida se parece. Ele encerra uma tradição das mais modernas histórias a fim de comunicar algo que é mais profundamente honesto e toca os telespectadores em um nível profundamente humano. Ao virar a mesa do novo clichê do herói ficando com a mulher forte, ele conta um belo e comovente romance construído em valores tradicionais. Mais histórias deveriam aprender com seu exemplo, e mesmo que você não seja fã de anime ou da atração, você deveria aprender sobre como contar histórias e por que é tão importante para nossas vidas.

Ao longo da série, a protagonista feminina é Haruno Sakura, membro de um time composto por ela mesma, o protagonista Uzumaki Naruto, e o personagem do caos e rival de Naruto, Uchiha Sasuke. Imediatamente, somos apresentados a um triângulo amoroso entre eles. Naruto está enfeitiçado por Sakura, mas ela regularmente rejeita seus avanços para favorecer o frio e distante Sasuke.

Cada um dos dois garotos têm histórias profundas e únicas estendendo-se por décadas, até mesmo séculos antes de seus nascimentos, as quais racionalizam suas motivações. Sakura, porém, pouco sabemos dela que não seja demonstrado por suas ações. Essas ações não refletem bem em seu caráter. Ao longo da série, ela é uma shinobi pouco mais que mediana, mas nada notável. Ela é dotada de inteligência, popularidade e boa aparência, mas também é arrogante e mimada, acreditando ser seu direito abusar e intimidar aqueles que a perturbem. O relacionamento entre ela e Naruto é marcado por seu constante e incessante padrão de abuso contra ele, que, como se sabe, é um garoto com literalmente nada no mundo além do sonho de tornar-se Hokage (o líder de sua vila) e uma paixonite nela. Eventualmente ela cresce em um personagem realmente competente no mundo shinobi, mas ela era terrível em como ela regularmente maltratava Naruto.

Sua indiferença, insensividade, e flagrante abuso deveria ser o suficiente para afastar Naruto, mas afetos persistentes permanecem mesmo após ela continuar a bajular Sasuke. Pior ainda, Sasuke continua sendo o garoto que deixou claro que mal reconhecia a existência dela. Esta paixão é baseada puramente numa incrivelmente rasa cobiça de juntar-se ao Sasuke, não em razão de qualquer trato moral redentor dele, mas por causa de sua posição como cara mau bonito e misterioso. Para Sasuke, ele é apenas um troféu.

Simplesmente, Sakura, por mais dotada que seja, um porre 1. Se Naruto já tivesse conseguido adentrar um relacionamento romântico de verdade, ele seria desafiado a permanecer em amor com alguém que constantemente deseja que ele seja alguém que não é, e recompensa suas falhas com traumas tanto físicos quanto emocionais. Diga o que quiser das paixões de Sakura, mas ela não está mostrando amor.

Hinata, por outro lado, é uma história totalmente diferente.

Raramente Hinata é vista como elemento principal da história. Ela está num time diferente, e portanto não é centro de tantos arcos quanto os do elenco de apoio. Para os propósitos de contar a maioria das histórias, ela seria nada. Sakura seria a escolha óbvia numa história onde o cara legal fica com a garota. Mas o cara legal fica com a Hinata. Por quê?

Para começar, sabemos bastante coisa de Hinata já de cara. Ela não é nada parecida com Sakura, no caso ela é uma garota bastante tímida de disposição dócil. Sua docilidade provoca desapontamento e desaprovação em seu pai, o comandante de um clã superior dentro da vila. Ela é a princesa mais velha da família Hyuuga, mas ele publicamente a avilta por ser fraca demais para herdar a liderença do clã ao favorecer o gênio de sua irmã mais nova. Além disso há a indignação de muito de sua família por sua servidão a alguém incompetente para liderar. Composta a uma vida de privilégio injustificado, o ressentimento de seu pai e do clã e uma já presente suavidade deixaram Hinata com uma debilitante timidez e uma incapacidade de apoiar-se em si mesma.

Ao mesmo tempo, Naruto também é ostracizado pela vila inteira. Em razão de circunstâncias de seu nascimento, eles veem a criança como uma potencial ameaça, capaz de liberar um monstro muito poderoso que traria destruição para a vila. Por causa disso, todos exceto alguns poucos adultos preocupados são frios e rancorosos com o garoto, mantendo-o sempre à distância. Isto o faz atacar a todos com palhaçadas infantis a fim de obter atenção, causando mais frustração e rancor pela vila. Ele é um pária.

É neste ponto que Hinata encontra Naruto pela primeira vez. Ela está sendo atacada por três caras mais velhos, fazendo troça dela por causa de seus olhos diferentes, uma marca de sua família. Naruto, por nenhuma outra razão além de um ódio inato pela injustiça, corre em defesa dessa garotinha que nunca conheceu. Ele falha miseravelmente, e é surrado, mas para Hinata é a intenção que conta. Ela é apresentada a Naruto antes que possa ser infectada com a visão dos outros aldeões e é capaz de ver seu caráter, o de um corajoso herói arremetendo-se a combater o mal e defendendo os fracos.

Ele foi gentil com Hinata, revelando que nenhuma de suas brincadeiras tinha por intenção machucar pessoas, sendo apenas os gritos de atenção de um garoto que não é amado por ninguém. Hinata está lidando com sua própria bagagem emocional, então não é capaz de dar a Naruto o suporte que ele precisa, mas o enxerga pelo que ele é como pessoa, sem preocupações com sua reputação. Como filha do privilégio, ela também não é movida pelos tratos superficiais como a posição de Sasuke ou boa aparência que as outras pessoas desejam possuir. Em vez disso, Hinata julga Naruto puramente por suas qualidades redentoras com as quais ninguém se preocupa, mas que ele tem em abundância – seu caráter. Mais tarde ele ganha muitos amigos mediante sua integridade, dedicação, lealdade, gentileza… mas ela foi a primeira pessoa a ver estas coisas nele quando ninguém queria ver.

Enquanto a história segue, ambos os personagens crescem cada um à sua maneira como reputáveis shinobi. Naruto torna-se um personagem lendário, enquanto Hinata abandona seu estigma de falha, o que ela credita completamente à inspiração e encorajamento dado a ela pelo Naruto. Sua devoção é tamanha que quando ela se torna indefesa por um inimigo invencível, um muito além de sua habilidade, ela deliberadamente deixa seu lugar de segurança a fim de confrontar o inimigo. Pela primeira vez ela é capaz de reconhecer seu amor por ele ao passo que sacrifica a própria vida para proteger Naruto e dar a ele uma chance de vencer.

Ela é salva depois, por nada menos que as habilidades médicas de Sakura, enquanto Sakura nota o profundo nível de devoção de Hinata a Naruto. O que Hinata sente por Naruto não é simples admiração, e está bem longe de uma mera paixonite escolar. É pura devoção. Pela primeira vez, Sakura entende a superficialidade de suas próprias afeições ao instável Sasuke, que abandonou seu time e seu povo há tanto tempo atrás para perseguir suas próprias motivações egoístas. Na batalha que quase tomou Hinata, ali estava o garoto que mostrou por Sakura nada além de desejo, agora lutando corajosamente por seu povo, e uma garota qie o amava de uma maneira que Sakura não podia sondar. Depois disso, o tema da paixonite de infância acabou. Ambos Sakura e Naruto não mais se prendiam em noções infantis de amor. Hinata mostrou o que o amor realmente significa.

De fato, Hinata mais regularmente vai a Naruto em tempos de desespero que qualquer outro personagem, e toda vez em puro desprendimento. Seja quando ela ofereceu a ele as respostas durante o Exame Chuunin, na luta contra Pain onde ela quase foi morta, ou quando ela reagrupou sua defesa enquanto Sakura a curava durante a batalha final da Quarta Guerra Shinobi, ela entregou-se a ele de maneiras que ninguém mais fez, ou sequer podia fazer. Mesmo que ela fosse fisicamente mais fraca que a maioria dos outros personagens, seu amor lhe dava a bravura para protegê-lo quando ele mais precisava dela.

Naruto é o herói. Ao fim da história, numa escolha entre Sakura e Hinata, ele merece a Hinata. Ele sofreu e nobremente perseverou para salvar o mundo, literalmente. Forçá-lo a um relacionamento com alguém que não save como amá-lo pelo que ele é seria cruel, especialmente se isto é somente porque é o que a audiência espera. Hinata, porém, quer que Naruto seja exatamente quem ele é, nem mesmo porque ele é um grande shinobi, mas por causa dos tratos que existiam dentro dele. Ele é simplesmente uma pessoa gentil, amável e maravilhosa. Ao menos, é tudo com o que Hinata se importa.

Mas lembre-se, eu comecei isto aqui dizendo que Hinata é o herói da história. Por isso, ela merece Naruto. Naruto prova ser o mais poderoso shinobi vivo. Ele salva não só sua própria vida, mas todo o mundo shinobi. Ele não é mais um pária e odiado pelos habitantes da vila, mas admirado por todos, especialmente os muitos amigos que obteve. Apesar de suas palhaçadas, ele é bem respeitado e honrado como herói, uma lenda até. Além disso, está rodeado de admiradores.

Resumindo, é o melhor solteirão do mundo.

Mas ele segue sua ambição do início da história ficando enfim com Sakura? Não. Ele finalmente vê aquela que tem se devotado a ele desde antes de ele tornar-se o homem que é. Ele entrega-se em amor à garota que o amou desde que ele não era nada além de um órfão odiado com nada em seu nome além de uma maldição. Seu firme comprometimento e inflexível devoção levou Naruto a vê-la como ela o via. Sua lealdade e capacidade de julgar Naruto pelo caráter que ele tinha significa que Hinata é uma heroína por si só, e ela merece Naruto tanto quanto Naruto a merece.

Como eu disse no começo, Hinata é aquela que estaria feliz com Naruto assim como aquela que faria Naruto o mais feliz. Isto é território de esposas. Sakura? Ela provavelmente seria aquela que rasgaria os pneus de seu carro e atearia fogo depois de uma briga ruim, que ela provavelmente começou. Esta é a namorada-pesadelo que todos tivemos que deixou claro o que queremos em um parceiro eterno.

Mas vamos tomar esta história bem além do ponto de ser respondida e explicar por que o romance de Hinata e Naruto é uma história muito melhor e uma narrativa muito mais honesta que a história mais óbvia de Naruto e Sakura. Em um nível arquetípico, a história de amor deles fala a nós como leitores bem melhor que a última. Seria justo a nós, portanto, entender o porquê.

Naruto é a história do amadurecimento de Uzumaki Naruto, mas em muitos dos seus mais importantes momentos, não é sua própria inspiração que o traz mais próximo da maturidade adulta, mas o suporte que ele mostra a seus amigos e aliados, entre eles ninguém menos que Hinata. Naruto teve muitos mentores, todos constantemente tentando levá-lo a tornar-se algo mais do que ele já é. Este incentivo é importante para sua evolução, mas o que diferencia Hinata e suas interações com o protagonista é que ela é a única pessoa que acredita nele justamente pelo que ele é. Constantemente, suas interações não estão demandando mais um do outro do que apenas lembrarem um ao outro do que eles são capazes. Enquanto todos os outros em sua vida estão, em um sentido, "treinando-o", de uma posição de poder e autoridade, seu suporte e amor sempre afloram de Naruto mais do que ele tinha antes. Ela logra êxito como aquela presente ao lado de Naruto onde outros são apenas capazes de conseguir estando acima dele. Ela é necessária várias e várias vezes para auxiliar Naruto a evoluir como homem.

Isto reflete um tema narrativo que ficou majoritariamente perdido nos leitores modernos, bem como uma realidade da condição humana.

A natureza civilizatória da mulher.

Mulheres têm uma capacidade única sobre os homens que é evolutiva e profunda. Elas têm a capacidade de inspirar nos homens um anseio em serem vistos como homens, em serem considerados valorosos por uma boa mulher. Esta capacidade é como a têmpera do ferro fundido para algo mais útil. Todo bom homem de uma certa idade lembra de romances passados em sua vida e a doma de algo selvagem demais para ser solto de sua jaula. Mais importante, muitos rememoram para quem eles eram antes como algo pelo que são gratos estar por detrás deles. Por sorte, existem apenas algumas poucas mulheres assim em suas vidas, e para os sortudos, apenas uma. Para falar algo que muitos homens não querem reconhecer, meninos precisam de mulheres para tornarem-se homens completamente realizados.

E para deixar claro, este "conto tão antigo quanto o tempo" não é nada novo ou único à história de Naruto. É uma história construída sobre arquétipos profundamente compreendidos que têm existido em histórias e mitos datados de milênios e milênios. A história pode ser escrita por homens, mas homens são feitos por mulheres.

Mediante paciência, virtude, e amor auto-sacrificial, bastante heroísmo, e até mesmo a aceitação das falhas de um homem, a mulher ironicamente doma uma criança imatura em algo que é capaz de refletir as suas qualidades de virtude, amor, e eventualmente heroísmo e sacrifício. O tema da mulher civilizadora sobre o selvagem garoto é uma narrativa profunda e bastante poderosa, profundamente enraizada em nós pela verdade que nos conta.

Esta é a história de Naruto, onde um garoto selvagem eventualmente cresce e torna-se homem, muitas vezes guiado para sua próxima fase de adultidade por Hinata, que só acaba por ser a única personagem que não precisa que Naruto seja qualquer coisa além do que ele é – uma pessoa de caráter notável, independentemente de suas forças. É ainda mais poético que este apoio faça muito mais dele cada vez que ela o auxilia.

Após eles finalmente se unirem em casamento, é apenas mediante ela ser a fonte da paz, felicidade e estabilidade em sua vida trágica e caótica que ele finalmente é capaz de ter a família que nunca conheceu na infância. Isto para não ignorar que após ela, ele foi capaz de realizar seu sonho desde que a história começou. Ele tornou-se Hokage, o líder de seu povo. Se não fosse alguém bem importante para ele ser a estabilidade que ele precisava na vida para lidar com a esmagadora responsabilidade que este papel tem em sua família, tal sonho jamais teria se realizado.

Para Hinata, ela tem uma família com um homem que a ama e a aprecia, algo que ela raramente conheceu em sua própria casa. Naruto e Hinata prosseguiram em criar uma família bela e maravilhosa, muito mais funcional que qualquer coisa que qualquer um deles experimentou enquanto cresciam. Ele é um maravilhoso pai e marido e ela é uma amorosa mãe e esposa.

Considere que apesar de todo o desenvolvimento que ele experimentou ao longo dos anos, até o dia que Hinata veio em sua vida pelo casamento, sua vida caseira era quase idêntica àquela solitária e dura vida que ele sofreu como órfão.

Seria impossível para Naruto realizar todas essas esplêndidas transições até uma adultidade produtiva se ele tivesse se juntado a Sakura.

Para comparação, considere como a vida de Sakura acabou ficando.

Sakura cumpre seu sonho de infância de estar com Sasuke… infelizmente. Juntos, eles têm uma filha, Sarada. Sasuke, porém, é incapaz de ser um bom marido para Sakura ou um bom pai para sua filha. Ele abandona ambas por uma selvagem e pueril noção de justificar suas falhas passadas, permanecendo intencionalmente tão distante da vila quanto possível. Isto é irônico, dado que isto marca a segunda vez que ele abandona Sakura, sua alegada esposa. Devido tanto a nunca ter aprendido a amar alguém enquanto jovem, ou talvez, nunca tendo visto o tipo de amor que Hinata deu para ajudar Naruto a amadurecer para a adultidade, Sasuke não está preparado para lidar com as responsabilidades da homenidade doméstica. No sentido de sua evolução de garoto para homem, ele está emocionalmente retardado por seu egocentrismo. Ele tentou fazer isso funcionar com alguém que significava mais para ele que qualquer outra, mas mesmo isso não era suficiente. Isto é porque ele nunca cresceu como homem, mas permaneceu eternamente como um moleque egoísta.

Onde Sakura falhou aqui é que ela nunca abandonou completamente seu enfeitiçamento infantil com a imagem de bad boy de Sasuke. Esta estava encantada com suas características mundanas e nunca prestou atenção à obviedade de seu caráter falho. Ele pode ser num grande shinobi, mas é uma terrível pessoa, bem mais abusivo em seu desprezo por Sakura do que quando ela estava em sua rejeição e violência contra Naruto. Sakura, quando a realidade bateu, simplesmente não pôde amar com a mesma convicção que suas paixões infantis a levaram a crer que podia. Por isso, ela continuou numa relação autodestrutiva com um homem que eventualmente a abandonaria novamente, desta vez com uma criança para ela criar sozinha. Como ela rejeitou o real caráter quando o perseguia e olhou apenas para características mundanas na busca de seu próprio interesse amoroso, ela não tinha esperança alguma de ter a vida que Naruto e Hinata compartilham.

Sakura, infelizmente, é a história mais honesta que já vi e que todos já vimos tragicamente contada na vida real muito mais do que eu me preocupo em mencionar.

O que esta pergunta questiona é se a "paixão" supera a "admiração". Eu penso que a questão falha em entender que nenhum casamento pode ser construído sem uma admiração apaixonada de cada um pelo outro. Esta é a devoção mostrada ao longo da série Naruto por Hinata para o personagem principal e então por ele em retorno. Sakura pode ser uma pessoa mais apaixonada, explosivamente desgastando suas emoções nas mangas, mas isso não a faz o tipo de pessoa que você queira estar para o resto da vida. Isto a torna imatura e incapaz de ser uma boa parceira, particularmente para alguém ainda mais imaturo que ela mesma. Certamente isto não a prepara para aflorar o melhor em seu parceiro.

Hinata, porém, é o símbolo quintessencial da feminilidade para esta geração - uma mulher virtuosa possuindo profundo amor e devoção a um homem forte de bom caráter.

As pessoas deveriam tomar esta lição porque ela nos ensina sobre nós mesmos. É uma bela história escondida num conto de ação Shonen que ensina jovens homens a viver suas vidas. Ela nos conta como não perseguir características mundanas que são vãs, ou suas paixões superficiais, mas em vez disso a firmar-se fortemente a relacionamentos com mulheres de caráter que desejam amá-los pelo que são. E ainda mais ensina a torna-se mais, para aquelas boas mulheres que os suportam e esmeram por eles, especialmente quando eles estão ali por eles quando a vida é mais difícil.

Da mesma maneira, esta lição ensina as mulheres os perigos da paixonite cega a qualidades superficiais admiradas pela cultura, como boa aparência, dinheiro, poder, ou a imagem de cara mau. A lição de Hinata é para que jovens mulheres procurem por jovens homens de bom caráter que sejam possivelmente rudes ou esquisitos, mas sejam bons. E sempre bons: nunca abusivos, nunca negligentes, nunca abandonando suas responsabilidades, e que sejam absolutamente dedicados a seus princípios. Tudo bem ser um verdadeiro idiota se não conseguir falhar em nada disso. Hinata ensina jovens leitoras a devotarem-se para aqueles homens com potencial e auxiliá-los a tornarem-se grandes. Sakura … é uma lição sobre o que acontece quando se falha.

Simplificando, a longa história de Naruto e Hinata é um guia para escolher sua alma-gêmea e viver uma vida feliz.

Não entenda mal o que eu disse aqui, eu não acredito que o criador da história, Masashi Kishimoto, planejou fazer tudo isso quando Naruto foi publicado em 1999. Eu sinto que ele é um homem tradicional, porém, que conta histórias que são verdadeiras a seus valores. Ao fazê-lo, ele criou histórias que se tornaram umas das mais populares no mangá. Em grande parte, é porque estas histórias ressoam em tantos de nós em um nível mais profundo de nossa percepção ou razão. Ele pode não ter planejado estas narrativas, de fato eu duvido que tenha, mas ele inatamente capturou histórias humanas bem mais antigas que qualquer coisa viva hoje. Ao capturar tais histórias, refiná-las, atualizá-las e colocar seus personagens nelas, criou-se algo que mal pode ser refletido em seu apelo mundial.

Ainda assim, apesar da inegável popularidade de tais histórias, é raro que alguém as conte. Pôr à frente um amor baseado em valores tradicionais, de dedicação mútua monogâmica entre um homem honorável e trabalhador e uma mulher doméstica profundamente feminina é visto como clichê ou mesmo sexista pelos padrões atuais. Porém, isto nega quantas pessoas verdadeiramente engajam-se com a história de Hinata e Naruto como a completude de uma vida que muitas pessoas ainda aspiram … apesar da mensagem social de que isto é ultrapassado. Eles veem o romance tradicional pelo que ele é, um reflexo de uma maneira de viver que é tanto saudável quanto feliz, bem, mais feliz do que é experimentada por muitos dos críticos modernos que dela zombam. Francamente, não há nada sexista sobre contar a história de um homem que encontra significado como parte de um relacionamento mútuo de duas pessoas dedicadas uma à outra, ou mesmo um onde ela encontra ainda mais significado como esposa e mãe do que como a superpoderosa guerreira ninja que uma vez fora. Não existe nada de errado em contar a história de muitas mulheres que hoje merecem reconhecimento pelo valor que servem a todos nós, e bem honestamente, levam a grandes histórias por causa de quão raramente as histórias de tais mulheres são contadas hoje em dia. Tais personagens são dignos de celebração e mais histórias deveriam ser ditas sobre pessoas exatamente como a Sra. Uzumaki Hinata.

Footnotes:

1

No original, "a chore". Normalmente, chores significa afazeres domésticos. Ou biscate. Acho que "um porre" dá uma tradução menos controversa…

Created: 2019-06-12 qua 23:59

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domingo, 17 de março de 2019

O Garoto que Inflava o Conceito de 'Lobo' [Spencer Case]

O Garoto que Inflava o Conceito de 'Lobo'

O Garoto que Inflava o Conceito de 'Lobo'

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Uma das fábulas de Esopo fala de um garoto pastor que, do alto do seu tédio, repetidamente gritava "Lobo!" quando não havia lobo presente. Como resultado, os aldeões perderam fé em seu testemunho,, e ninguém mais ouvia seus alertas quando um lobo de verdade apareceu para devorar seu rebanho. A história nos mostra como é ruim mentir e por que é do nosso interesse sermos honestos. Mas mentir não é a única manipulação da linguagem que degrada a verdade. Considere uma história levemente diferente.

Suponha que em vez de um garoto pastor, existam algumas dúzias. Eles estão cansados de os aldeões dispensarem suas reclamações sobre criaturas menos apavorantes como cães dispersos e coiotes. Um deles propõe um plano: eles começarão a usar a palavra "lobo" para referir-se a todos os animais ameaçadores. Eles concordam e o novo uso cai na moda. Por um tempo, os aldeões de fato ficam mais suscetíveis a seus avisos. O plano sai pela culatra, porém, quando um lobo de verdade chega e o grito "Lobo!" falha em surtir o alarme que antes surtia.

O que os garotos da história fazem com a palavra "lobo", intelectuais modernos estão fazendo com a palavra "violência". Quando pessoas ordinárias pensam sobre violência, elas pensam em coisas como bombas explodindo, tiros de arma de fogo e brigas. A maioria das definições de dicionário para "violência" menciona dano ou força físicos. Acadêmicos, ignorando o uso comum, falam de "violência administrativa", "violência de dados", "violência epistêmica" e outras formas até então desconhecidas de violência. A filósofa Kristie Dotson define a última como se segue: "Violência epistêmica em testemunho é uma recusa, intencional ou não, de uma audiência em reciprocar comunicativamente um intercâmbio linguístico devido à ignorância perniciosa" 1.

O que Dotson chama de "violência epistêmica" não é violência de acordo com o uso ordinário ou do dicionário. Se intelectuais podem recrutar a palavra "violência", então presumivelmente eles podem fazer o mesmo com palavras mais fortes. Então, por que não chamar violência epistêmica de "estupro epistêmico"? De fato, por que não "genocídio epistêmico"? Afinal, todo genocídio destrói um povo no todo ou em parte, e parte de destruir um povo é destruir sua voz. Talvez isso possa ser feito por atos sutis de silenciamento. Isto é absurdo, claro, mas não há modo baseado em princípios de evitar movimentos como esse se aceitarmos cunhagens como "violência epistêmica".

A palavra "gaslighting" também tem sido abusada dessa forma. O termo surgiu de uma peça de 1938 do dramaturgo Patrick Hamilton, Gas Light, que depois foi adaptada para filmes na Bretanha e nos EUA, ambos com o nome Gaslight. O enredo é centrado numa mulher que começa a perder a firmeza na realidade por causa das mentiras patológicas do marido. De acordo com Dictionary.com, praticar "gaslight" em alguém é "fazer com que (uma pessoa) duvide de sua sanidade mediante uso de manipulação psicológica". Gaslighting é caracterizado por mentira descarada e pervasiva. O perpetrador pode confiantemente negar que a ouviu dizer algo que claramente disse momentos atrás.

Alguns intelectuais definem "gaslighting" de maneira tão frouxa que não é necessário envolver mentira descarada; desta forma, a fala que eles desgostam pode ser chamada de "gaslighting". Dois professores de ciência política na Seattle University escrevem: "Assim como o processo de supremacia branca não precisa que aqueles que são cúmplices entendam a natureza racista de suas ações, a consciência também não é determinativa de se o processo de gaslighting racial está ocorrendo"2. Exemplos de gaslighting racial, de acordo com eles, incluem grupos dominantes "policiando o tom" de minorias que têm todo direito de estar irritados sobre sua opressão e - aparentemente - expressar qualquer opinião conservadora acerca de raça.3

A filósofa Rachel McKinnon também faz o mesmo. Após descrever com precisão como A palavra "gaslighting" adentrou a linguagem e o que ela costumava significar, ela escreve:

Porém, não é este tipo de gaslighting que estou interessada para os propósitos deste artigo. Em vez disso, estou interessada na forma mais sutil, geralmente não intencional,onde o ouvinte não acredita ou expressa dúvida sobre o testemunho de um falante. Nesta forma epistêmica de gaslighting, o ouvinte do testemunho expresa dúvida sobre a confiabilidade da testemunha em notar os eventos com precisão. 4

McKinnon apresenta o seguinte relato como um caso de gaslighting "sutil". Uma mulher trans, Victoria, pensa que James está deliberadamente errando seus pronomes preferidos, e pronuncia seu nome corretamente, a fim de aviltá-la. Sua colega, Susan, duvida dessa interpretação e sugere que Victoria pode estar emocional demais e propensa a ouvir insultos verbais (consistentes com um estereótipo acerca de mulheres trans). A negação da perspectiva autoritativa de Victoria supostamente torna Susan uma gaslighter. É claro, dado que todos nós cometemos erros com essas coisas, Susan pode ter feito a coisa certa ao oferecer um ponto de vista diferente. Mesmo que Susan esteja mal orientada, suas palavras nada mais são que uma forma sutil de gaslighting assim como uma vespa é uma forma sutil de lobo, ou um insulto é uma forma sutil de assassinato.

Como "gaslighting" é o rótulo de um tipo de mau comportamento que não tem outra designação conveniente, inflar o significado desta palavra trava nossa capacidade de comunicação. Palavras que são abusadas da forma que "violência" e "gaslighting" estão sendo não podem nem mesmo ser ferramentas retóricas úteis por muito tempo, dado que suas associações negativas dependem do significado que elas tinham antes destas manipulações. Em algum momento, novas palavras terão que ser infladas para substituir os termos desnecessariamente inflados. Por conseguinte, ativistas semânticos devem continuamente vasculhar a terra em busca de palavras emocionalmente impactantes para serem colhidas, então deixadas para trás como cascas semânticas desidratadas.

Eu usarei o termo de inflação conceitual para descrever o que acontece quando falantes afrouxam o uso de uma palavra emocionalmente impactante a fim de manipular uma audiência5. Inflação aqui refere-se à expansão do número de coisas às quais uma palavra se refere, mas também sugere uma analogia com a inflação monetária. Quando falantes expandem a referência de uma palavra a fim de anexar sua associação a novas coisas, eles diluem as associações da palavra original. Assim como imprimir papel-moeda em excesso diminui o valor da moeda, inflação conceitual degrada o efeito retórico de palavras e frases infladas.

Inflação de conceito é bastante semelhante a mentir. Immanuel Kant observou que mentir não seria eficaz num mundo em que todos mentem, já que não se acreditaria em ninguém. assim como mentir é parasitário de uma norma da verdade, inflação de conceito é parasitário de normas de uso. Em Através do Espelho, Humpty Dumpty fala a Alice: "Quando eu uso uma palavra, ela significa exatamente o que eu escolhi que significasse - nada mais, nada menos"6. Porém, Humpty Dumpty está errado; se as pessoas pudessem definir o significado das palavras como bem entendessem, a linguagem não seria útil para a transmissão de ideias.

Nem toda revisão de uma linguagem que expande a referência de uma palavra se resume a inflação conceitual. Suponha que numa sociedade estratificada somente a morte de uma pessoa nobre possa ser chamada de "assassinato". Reformistas que acreditam no igual valor moral dos nobres e dos camponeses pode começar a chamar a matança injustificada de camponeses de "assassinato" também. Como a palavra original foi artificialmente manobrada desde o início, a revisão é guiada por princípio e não por manipulação. E nem por isso designar a matança injusta de camponeses como "assassinato" diminuirá o crime de matar nobres em circunstâncias semelhantes.

Inflação conceitual genuína nem sempre é errada, porém. Em meados do século XX, autoridades coloniais britânicas exigiam que os birmaneses os chamassem pelo título honorífico, "Thakin". Os locais minaram a autoridade destes colonos ao chamar todo mundo de "Thakin" de forma que o título perdeu sua significância7. Neste caso os locais inflaram a palavra "Thakin" porque suas associações positivas estavam sendo usadas para finalidades moralmente ruins. Existem discordâncias bem intencionadas sobre se o inflação conceitual é moralmente justificável, mas existem também casos bastante límpidos de inflação grosseira, como é o caso com "violência" e "gaslighting". Outros exemplos conspícuos incluem "racismo", "sexismo" e "colonialismo".

Hipérbole implícita é um abuso de linguagem semelhante à inflação de conceito. Ela ocorre quando uma palavra emocionalmente carregada é apropriada como um termo de arte. Apesar de o falante reprovar o significado comum da palavra, a palavra original carrega sua força retórica ao termo estipulado. Hipérbole implícita é o oposto especular do eufemismo, a substituição de linguagem inofensiva ou indireta para algo mais perturbador - exempli gratia, "neutralizar o objetivo" em vez de "matar".

Da mesma forma que o eufemismo pode embotar a resposta emocional apropriada a coisas como matança, hipérbole implícita é uma estratégia para ativar respostas morais desproporcionais ou nada razoáveis. Um exemplo é "apagar/apagamento" em frases como "apagar as vozes de mulheres de cor", "apagar pessoas pretas" e "o apagamento de corpos negros". Quando a administração de Trump tomou a posição de que a palavra "sexo" nas leis federais de direitos civis significa "sexo biológico" e não "gênero", alguns ativistas acusaram-na de tentar "apagar o povo trans"8.

Não incidentalmente, quando penso em "apagar pessoas", penso no totalitarismo: polícia secreta levando pessoas na calada da noite para nunca mais serem vistas, ou um grupo inteiro de pessoas sendo expurgadas mediante genocídio. Os editos de Trump não fazem nada disso com pessoas trans, é claro. Nem as pessoas que criticam o "apagamento' de Trump dizem outra coisa; a terminologia insinua uma conexão com estas atrocidades que eles não se atrevem a explicitar. Presumivelmente, eles usam a palavra "apagar" como termo de arte por causa de sua bagagem, e não apesar dela. A mensagem real é sussurrada ao subconsciente, e nunca oficialmente reconhecida.

Este tipo de mensagem pode ser útil para incendiar a oposição às políticas do presidente, mas manipula a audiência pela tentativa de burlar sua racionalidade. Em retórica desse naipe, a função primária das palavras é transmitir emoção, não significado. Os termos são vazios, como cavalos-de-Troia linguísticos com intenção de contrabandear associações na periferia da mente consciente sem o cérebro superior notar a brecha de segurança. Além disso, é desrespeitoso às vítimas de atrocidades totalitárias explorar nosso horror a esses eventos mediante vantagens retóricas.

Comunicação eficaz requer veracidade, que é mais que não contar mentiras. Os falantes devem também dizer, ou pelo menos estar dispostos a dizer, o que eles realmente querem dizer. George Orwell escreveu que "O maior inimigo da clara linguagem é a insinceridade"9. Hipérbole implícita requer falta de sinceridade, só pode funcionar se a mensagem primária do falante não é explicitamente reconhecida. tanto a hipérbole implícita quanto a inflação conceitual tentam persuadir não apresentando razões mas reembaralhando as associações emocionais da audiência. Ambos envergam ou quebram várias normas da linguagem para efeito emotivo. Ambas manipulam a audiência, e tornam mais difícil para as pessoas comunicar-se.

Felizmente, todos nós temos os meios para combater essa corrupção da linguagem. Em uma linguagem natural, a comunidade de falantes como um todo, e não alguma autoridade central, é o árbitro final do que é e do que não é uma fala boa. É por isso que o IngSoc, o partido totalitário que comandava a Oceania no romance 1984 de Orwell, está tão interessado em substituir o inglês por uma linguagem fabricada, a novilíngua. Um antigo gramático disse ao imperador romano Tibério: "Tu, César, tens o poder de fazer de um homem um cidadão de Roma, mas não o de fazer de uma palavra uma cidadã do idioma romano"10. Tibério pode não ter tido esta autoridade, mas a comunidade dos falantes de latim da qual ele fazia parte tinha.

Os garotos pastores na versão modificada da fábula de Esopo não podiam ter inflado o conceito de "lobo" sem a aquiescência do povo da aldeia. Eles podiam ter gritado "Lobo!", mas sem a mais abrangente tácita concordância à ideia de que "lobo" significa "todas as criaturas ameaçadoras" este grito seria simplesmente uma mentira. Esta mentira teria consequências - alguns aldeões seriam temporariamente enganados e eventualmente todos deixariam de acreditar nos garotos - mas o dano seria localizado. Não haveria nenhuma confusão mais abrangente na linguagem acerca do que é um "lobo".

Todos nós temos responsabilidade de ser bons administradores das linguagens que falamos. Nós a moldamos quando decidimos aceitar ou rejeitar novas cunhagens e expressões. Quando adotamos novas palavras que rotulam coisas importantes de forma útil, como "gaslighting" em seu rótulo original, nós melhoramos a linguagem. Quando permitimos que linguagem desleixada prolifere - por exemplo quando usamos a palavra "literalmente" para significar "metaforicamente" - nós degradamos a linguagem e tornamos a comunicação mais difícil entre todos. Isto é análogo a poluir um recurso comum como a água ou o ar.

Se o uso de alguma palavra parecer duvidoso, então leve sua própria reação a sério e faça sua preocupação ser notada. É claro, nossas intuições linguísticas não são mais autoritativas que aquelas de qualquer outro falante igualmente competente. Tais desacordos podem indicar que o significado de uma palavra pode estar incerto ou vago. Por outro lado, quando a linguagem parece bastante duvidosa, e a incerteza da expressão facilita os objetivos retóricos do falante, é razoável suspeitar de sofisma. Eu já dei diversos exemplos que parecem exaurir o princípio da caridade dessa forma. Diante de flagrantes abusos da linguagem, devemos ser incisivos: Danem-se suas mentiras, isso não é um lobo!


Spencer Case tem um PhD em filosofia pela University of Colorado Boulder. Ele
escreve para o Quillette, National Review, e outras revistas. Você pode segui-lo
pelo Twitter: @SpencerJayCase


1 META

Table 1: META
Título Original The Boy Who Inflated the Concept of 'Wolf'
Autor Spencer Case
Link Original https://quillette.com/2019/02/14/the-boy-who-inflated-the-concept-of-wolf/
Link Arquivado http://archive.is/J4sMI

Footnotes:

1

Dotson, Kristie. 2011. "Tracking Epistemic Violence, Tracking Practices of Silencing" Hypatia vol. 26, no. 2., p. 238.

2

Davis, Angelique M. and Rose Ernst. 2017. "Racial gaslighting," Politics, Groups, and Identities vol. 0, no. 0., p 4-5.

3

Davis e Ernst escrevem: "Definimos gaslighting racial como o processo político, social, econômico e cultural que perpetua e normaliza a realidade da supremacia branca mediante a patologização daqueles que resistem. Assim como a formação racial repousa na criação de projetos raciais, o gaslighting racial, como processo, depende da produção de narrativas particulares. Essas narrativas são chamadas de espetáculos raciais. … Os espetáculos raciais são narrativas que ofuscam a existência de um estado de estrutura de poder supremacista branca." (2017, 3). Esta linguagem assume que exista um estado de estrutura de poder supremacista branca, de tal forma que qualquer um que a negar ao atribuir disparidades raciais a qualquer coisa que não seja racismo será acusado disso. De fato, eles seguem mencionando como exemplo a "narrativa de ação anti-afirmativa" que iniciou-se nos anos 1990.

4

McKinnon, Rachel. 2017. "Allies Behaving Badly: Gaslighting as a Form of Epistemic Injustice" in The Routledge Handbook of Epistemic Injustice, edited by Ian James Kidd, José Medina, and Gaile Pohlhaus, Jr. New York: Routledge, p. 168.

5

Uma noção correlata é "deformação conceitual", que se refere à expansão de termos ao longo do tempo. Isso pode ser intencional ou não. Por inflação conceitual, tenho em mente uma jogada retórica intencional. A inflação conceitual contribui para a deformação conceitual, mas nem toda deformação conceitial é devida à deliberada inflação conceitual para ganho retórico. Mesmo se não é intencional, a deformação conceitual pode dificultar nossa capacidade de comunicação.

6

Carroll, Lewis, Through Looking Glass, chapter 6, Humpty Dumpty.

7

Steinberg, D. I., Aung-Thwin, M. A. and Aung, M. H. 'Myanmar: The Emergence of Nationalism', em Encyclopedia Britannica Online, britannica.com/place/Myanmar/The-emergence-of-nationalism

8

Olhe, por exemplo, este artigo na página da ACLU: https://archive.fo/QW03Y

9

Orwell, George. "Politics and the English Language" em A Collection of Essays by George Orwell. Harcourt Brace Jovanovich, Inc.: New York, 1953, p. 167.

10

Pomponius Marcellus, citado em Essays on the Intellectual Powers of Man por Thomas Reid. Cambridge, Mass.: The MIT Press, 1969, p. 497.


Created: 2019-03-17 dom 16:56

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